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terça-feira, 19 de outubro de 2010

Programa vai mostrar cotidiano das minas

Por James Hibberd

A emissora americana Spike TV vai lançar, em abril do ano que vem, um reality show abordando a perigosa atividade dos mineiros. Produtores garantem que o programa – que será chamado de Coal (carvão) – não foi incentivado pelo resgate, na semana passada, dos 33 mineiros presos por 69 dias em uma mina no Chile, pois vem sendo desenvolvido há quase um ano. Serão dez episódios de uma hora de duração.

Não há dúvidas, no entanto, que o incidente chileno dará uma forcinha para atrair grande audiência de telespectadores e e atenção da mídia. "Não pegamos uma tragédia e, então, um milagre, para nos inspirar", diz Sharon Levy, vice-presidente-executiva de programação original na Spike. "O drama no Chile durante os últimos 70 dias apenas reforçou que já era hora de ter um olhar atento sobre a dura realidade do setor de mineração".

Profissão-perigo

A rede havia planejado anunciar o projeto há semanas, mas esperou até o resgate dos mineiros – o que aconteceu entre terça e quarta-feira da semana passada [12 e 13/10]. A operação foi acompanhada pela TV e internet por milhões de pessoas em todo o mundo. "Todos têm medo de ser enterrados vivos. Estas pessoas arriscam suas vidas todos os dias para fazer o mundo andar e, ainda assim, muitos de nós nunca pensamos em como geramos energia", afirma Sharon.

O reality show focará na vida de Mike Crowder e Tom Roberts, coproprietários de uma jazida de carvão na Virgínia Ocidental, e também nos mineiros, famílias e comunidade da região. A equipe de mineração tem mais de 40 empregados e Coal irá mostrar todos os aspectos do trabalho, desde a colocação de explosivos na superfície à atividade no poço. "Gerações de famílias trabalham no setor de mineração de carvão nos EUA há 300 anos. Elas arriscam suas vidas de modo que nem imaginamos. Agora, vamos finalmente contar sua história", diz o produtor-executivo Thom Beers.

Fonte: Hollywood Reporter

segunda-feira, 18 de outubro de 2010

'Não somos heróis, somos vítimas', diz mineiro Franklin Lobos

Redação Estadão

SANTIAGO - O mineiro chileno Franklin Lobos, que passou mais de dois meses preso em uma jazida no norte do Chile junto de outros 32 companheiros, foge da fama adquirida com o episódio e assegura que ele e os outros mineradores não são heróis e sim "vítimas" da irresponsabilidade dos donos da mina San José.

"Dizem que somos heróis, mas não, não somos heróis, somos vítimas. Nós lutamos por nossa vida, nada mais, porque temos famílias. Somos vítimas dos empresários que não investem em segurança", disse Lobos em uma entrevista publicada nesta segunda-feira, 18, no jornal chileno El Mercúrio.

Lobos, ex-jogador de futebol de 53 anos, indicou que "a grande maioria" dos 33 mineiros acreditava que a empresa detentora da mina, a San Esteban, os deixaria presos depois que um deslizamento de terra prendeu o grupo a 700 metros de profundidade. "A maioria pensava que ficaríamos lá. Sairia mais barato nos deixar morrer que nos resgatar", disse Lobos, acrescentando que os mineiros nunca perderam a esperança de serem salvos.

Segundo Lobos, o barulho das sondas que perfuravam o solo para encontrá-los despertava esperança nos mineiros. Ele revelou, porém, que o grupo começou a chorar quando viram a perfuradora passar longe do local onde estavam presos. "Choramos porque era uma oportunidade de sair que víamos escapar", admite.

Apesar das propostas e presentes que os mineiros recebem desde que foram resgatados, na quarta-feira passada, Lobos acreditam que em breve todo o assédio da mídia acabará em breve. "Vamos ter tudo, vão chamar todos os meio, mas em 15 dias tudo isso vai passar", declarou.

Fonte: Estadão

sexta-feira, 15 de outubro de 2010

O show da BBC no Chile

Por Carlos Castilho

O resgate dos 33 mineiros chilenos foi um espetáculo midiático em escala planetária. O governo do presidente Sebastian Piñera montou uma sofisticada operação de marketing político, que incluiu até a confecção de jaquetas especiais para o evento, com o logotipo do governo chileno nas costas.

A TV chilena montou um pool patrocinado pelo governo que chegou a mobilizar 24 câmeras para transmissões ao vivo na grande noite do resgate, que obteve uma fantástica audiência de quase 97% , um recorde que dificilmente será batido no país.

Até o presidente boliviano Evo Morales pegou uma pontinha do show para recepcionar o único estrangeiro entre os mineiros soterrados desde agosto numa mina de ouro e cobre, na região de Capiapó, no deserto de Atacama. Ironicamente, Bolívia e Chile brigam há 127 anos por conta de uma disputa territorial que impede os bolivianos de ter acesso direto ao oceano Pacífico, na parte norte do Atacama.

A visibilidade mundial para o evento foi garantida por uma avalancha de cerca de mil jornalistas que se abalaram para a longínqua mina de San José. A grande estrela da cobertura jornalística foi a rede britânica de TV BBC, que mandou nada menos que 25 profissionais para o Chile, incluindo Tim Wilcox, o seu badalado âncora de programas domésticos, que deu aos ingleses a sensação de estarem assistindo a um programa local, na hora do café da manhã.

O resgate teve inegáveis conotações épicas, mas só a BBC apostou numa cobertura ao vivo, com uma grande equipe de jornalistas e técnicos, para dar ao mundo a sensação de que "todos estavam lá". Nem a CNN norte-americana chegou perto do que a BBC fez, mesmo enfrentando críticas na Inglaterra. E o sucesso da cobertura da Beeb (apelido dado pelos ingleses) pode estar abrindo caminho para uma nova modalidade de espetáculo midiático internacional.

O site Follow the Media, especializado na cobertura da mídia mundial, rotulou o novo estilo como uma tentativa de levar os espectadores até o lugar onde esteja ocorrendo algum drama humano — ou capaz de ser humanizado. Este tipo de cobertura já escapa aos moldes jornalísticos clássicos porque incorpora fortes doses de emoção e de dramatização.

Quem assistiu ao resgate dos mineiros chilenos pela BBC na madrugada o dia 13 de outubro torceu junto pelo sucesso da operação. A postura dos espectadores minimizou a preocupação com a cobertura jornalística, fato reforçado inclusive pela participação do âncora britânico que narrou o evento da maneira mais informal possível. Ele nunca assumiu o papel de estrela do espetáculo, como fazem os nossos profissionais.

Do ponto de vista estrito, o jornalismo passou a um papel secundário no show chileno porque as preocupações com o marketing político/institucional do presidente Piñera e a inevitavel abordagem tipo infotainment (jargão inglês para a combinação de informação e entretenimento) contaminaram toda a cobertura. O público foi transformado em voyeur de um evento inédito na história da mineração mundial.

E pelas repercussões do caso, ele tem tudo para se transformar num novo paradigma de coberturas internacionais transformadas em eventos domésticos graças ao enfoque "todos estavam lá".

Fonte: Observatório da Imprensa

quinta-feira, 14 de outubro de 2010

Filme levará drama dos mineiros chilenos para a televisão

Redação Folha.com

A produtora espanhola "Antena 3 Films" e a colombiana "Dynamo Factory" iniciaram as filmagens de um longa-metragem para a TV chamado "Os 33 de San José", baseado na história dos mineradores chilenos resgatados ontem (13) após permanecerem soterrados a quase 700 metros de profundidade por mais de dois meses.

"A ideia surgiu no instante em que os mineradores ficaram presos involuntariamente. O roteiro começou a ser elaborado naquele momento, e a aprovação da versão definitiva foi feita na semana passada", informou nesta quinta-feira a rede de televisão "Antena 3", proprietária da Antena 3 Films.

As cenas externas do filme começaram a ser gravadas há dez dias, e na próxima segunda-feira, dia 18, terão início as sequências filmadas na locação que reproduz a mina San José, em Copiapó.

CONCORRÊNCIA

A história, no entanto, também desperta o interesse de outros cineastas e produtoras.

Recentemente, o diretor Rodrigo Ortúzar disse que planeja rodar o "Los 33". "É uma grande história para se contar", afirmou.

O artista antecipou que o filme será "uma mistura de ficção e imagens já gravadas" por emissoras de TV do país e por sua equipe. O cineasta está registrando imagens das operações de resgate em pleno deserto de Atacama.

"Minha ideia é fazer uma história que esteja focada no soterramento e, ao mesmo tempo, no renascimento dos mineiros quando eles voltarem à superfície", explicou.

O filme também terá uma duração de 1 hora e 33 minutos.

A produção cinematográfica de tragédias é comum. A história do grupo de sobreviventes de um acidente aéreo nos Andes, de 1972, por exemplo, foi levada aos estúdios.

A produção de 1993, "Vivos", realizada nos EUA, contou o que ocorreu com a equipe de rúgbi do Uruguai que viajava ao Chile para disputar uma partida. Dos 45 passageiros sobreviveram 16.

Fonte: Folha.com

Marcas usam resgate de mineiros para se promover

Redação AdNews

Por 69 dias, 33 trabalhadores ficaram presos dentro de uma mina no Chile. A história foi amplamente divulgada e gerou furor nos veículos de comunicação do mundo todo, que vieram à América Latina para cobrir o caso. Esse cenário de filme dramático abriu brecha para marcas aproveitarem a oportunidade para se divulgar. E foi exatamente isso que elas fizeram.

NASA, Apple e Oakley se envolveram fortemente com o resgate, sendo que a última chegou a divulgar um release (texto institucional) sobre o produto disponibilizado para ajudar no "acontecimento". A marca concedeu óculos do modelo Radar a cada um dos mineiros para que eles não tivessem problemas de sensibilidade ao chegar à superfície. "A Oakley está honrada em ter dado assistência às autoridades chilenas na operação de resgate", afirma Carlos Reyes, vice-presidente de pesquisa e desenvolvimento da empresa.

Já a NASA forneceu um alimento com alto teor calórico líquido para evitar que os mineiros tivessem problemas por todo o tempo que passaram presos. A Apple, por sua vez, doou iPods para entretê-los depois que saíssem do buraco.

Mais uma série de outros produtos será doada às famílias dos trabalhadores, como peças de vestuário, lingeries sensuais, vinho, brinquedos e até mesmo roupas infantis de Halloween.

Fonte: AdNews

quarta-feira, 13 de outubro de 2010

Médico avalia que "contato com a imprensa afetará à saúde" de mineiros chilenos

Redação Portal IMPRENSA

A Agência de Exploração Aeroespacial do Japão (JAXA) aconselhou os 33 mineiros chilenos, nesta quarta-feira (13), a não manterem contato excessivo com a imprensa para evitar a deterioração da saúde psicológica.

"Estar em contato com a imprensa afetará à saúde, sobretudo psicologicamente" e é "a maior preocupação", pois o aspecto físico está sob controle, afirmou Kazuhito Shimada, médico da Agência de Exploração Aeroespacial do Japão (JAXA), que prestou consultoria à Nasa no planejamento do resgate dos 33 mineiros chilenos. Até o momento, 18 foram retirados da mina de San José do Chile.

À agência Efe, o médico salientou que o tempo de recuperação dos mineradores dependerá da idade. Os com idade até 28 anos terão mais facilidade. No geral, segundo o médico, os que recebem compensações econômicas costumam se recuperar mais facilmente em caso da tragédias como a do Chile.

Fonte: Portal IMPRENSA

segunda-feira, 4 de outubro de 2010

Mídia global se prepara para resgate de mineiros chilenos

Por Piers Scholfield

Em frente à mina de San José, no Chile, a história dos 33 mineiros soterrados tem side descrita por diversos jornalistas como a principal reposrtagem de interesse humano do anos.

Os 32 chilenos e um boliviano se tornaram um fenômeno midiático, e cada um deles tem uma história distinta – e em geral fascinante – para contar.

Temos Franklin Lobos, que já foi estrela da primeira divisão do futebol do país; Johnny Barrios, que, por ter sido responsável por cuidar de sua mãe diabética quando ele era criança, tornou-se o médico não oficial dos colegas.

Mario Gomes, 63, o mais velho do grupo, que está no setor da mineração desde os 12 anos, escreveu o famoso bilhete que revelou que ao mundo que os mineiros ainda estavam vivos: “Estamos bien en el refugio los 33” (Estamos bem no refúgio os 33).

Sua mulher, Lilian Ramirez, é presença constante no Campo Esperança (onde familiares dos mineiros montaram acampamento) e tem dado entrevistas para possivelmente centenas de redes internacionais de TV, jornais e revistas.

E temos também Mario Sepulveda, cuja face tem se tornado familiar depois de aparecer em vídeo e nas TVs mundias como o guia dos mineiros no subterrâneo.

Como disse à BBC Claudio Ibañez, um dos psicólogos da equipe de resgate: “Ele vai ser uma estrela”.

Avanços
Mas a história que todos querem ouvir é o relato em primeira pessoa dos próprios homens a respeito da terrível experiência que estão vivendo no interior da mina.

Na última sexta-feira, o ministro chileno de Minas, Laurence Golborne, disse à imprensa que a data estimada para o resgate deve ser antecipada para “a segunda metade de outubro”.

E tem havido progresso na segunda tentativa de resgate – o chamado plano B. Os equipamentos alcançaram uma profundidade de 428 metros na manhã deste sábado, após perfurar 56 metros de rocha em 24 horas.

É possível, portanto, que o resgate ocorra dentro de dez dias ou até mesmo uma semana.

As TVs, portanto, se preparam para transmissões ao vivo e montam acampamento ao lado da mina ou na cidade de Copiapó. E o governo corre contra o relógio para montar uma infraestrutura capaz de abrigar as equipes da imprensa internacional que devem chegar nos próximos dias.

Estrutura
Uma grande plataforma foi montada na montanha no topo da mina, para oferecer uma visão das operações de resgate.

Tomás Urzua, chefe do departamento de imprensa internacional do governo chileno, disse à BBC que haverá tomadas elétricas a cada quatro metros da plataforma, uma conexão wi-fi estável e uma sala de imprensa, onde ministros e funcionários da equipe de resgate atualizarão os jornalistas quanto ao progresso da operação.

Em Santiago, a equipe de imprensa do governo já recebeu 300 pedidos de credenciamento vindos de todo o planeta, e outros devem ser requeridos nos próximos dias.

Só dos EUA 30 pessoas irão cobrir o acontecimento. São funcionários das redes NBC, ABC, CNN, Fox, Telemundo e Univisión.

Cobrirão para a Grã-Bretanha as redes ITN, Sky e Five News, além da BBC.

Somando-se a tudo isso a presença da mídia do próprio Chile, temos um cenário de intensa demanda por espaço e recursos midiáticos.

Mineiros
E a grande disputa vai ser para falar diretamente com os mineiros e suas famílias. Há, no Campo Esperança, rumores não confirmados de que alguns parentes estão assinando contratos de entrevistas exclusivas com alguns meios.

Outras famílias apenas esperam que o resgate não se converta em um reality show global.

“Ninguém quer ser visto chorando em frente às câmaras”, disse à BBC Maria Herrera, cujo irmão, Daniel, está entre os soterrados.

Ela está ciente de que a atenção midiática pode ser excessiva para seu irmão, mas diz que vai apoiá-lo quando ele for resgatado. “É para isso que serve a família”, diz. “Para cuidar dele, protegê-lo, amá-lo.”

Fonte: BBC Brasil