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segunda-feira, 27 de setembro de 2010

Brasil e África do Sul assinam protocolo de intenções para TV Digital

Por Andréa Xavier

Fórum Brasileiro de TV Digital oferecerá treinamentos e consultorias técnicas caso o país adote o ISDB-T.

Brasília – Mais um passo foi dado nesta semana para aproximar Brasil e África do Sul nas negociações em torno da adoção do padrão nipo-brasileiro de TV Digital. A Associação Nacional Sul-Africana de Fábricas em Componentes Eletrônicos (Namec) e o Fórum Brasileiro de TV Digital firmaram um protocolo de intenções para estabelecer o compromisso de capacitação de técnicos e empresas africanas caso o país adote o ISDB-T (Integrated Services Digital Broadcasting Terrestrial).

O acordo foi fechado durante a visita de uma delegação brasileira, formada pelo Ministério das Comunicações e integrantes da iniciativa privada, à África do Sul nesta semana. O representante do MC na comitiva foi o assessor da Secretaria de Telecomunicações, Flávio Lenz. “A ideia foi mostrar que as pequenas e médias empresas da África do Sul podem ser capacitadas para fabricar equipamentos eletrônicos e produzir conteúdo para a TV Digital. Assim, elas seriam capazes de participar da cadeia de valor da TV Digital, gerar mais empregos e ajudar a fortalecer a economia do país caso o ISDB-T seja adotado”, explicou Lenz.

Pela carta de intenções, os empresários se comprometeram a trabalhar pela adesão da África do Sul ao padrão nipo-brasileiro. Em troca, recebem o apoio do Brasil por meio de treinamentos e consultorias técnicas. O governo sul-africano havia decidido pelo sistema europeu, o DVB-T. Mas resolveu rever essa posição, juntamente com a Comunidade para o Desenvolvimento da África Austral (SADC), desde que o governo brasileiro começou as negociações. Os 15 países integrantes do bloco – entre eles, a África do Sul – decidiram estudar a possibilidade de migrar para outro sistema, diferente do europeu. O governo brasileiro, então, apresentou a essas nações as vantagens do ISDB-T e as oportunidades que a digitalização da TV pode gerar para os atores locais.

Encontro com radiodifusores
Além de órgãos do governo sul-africano, a delegação brasileira se encontrou também com radiodifusores locais. Na África do Sul, há seis canais de TV. Três deles são estatais e fazem parte da rede SABC. Outros dois, da rede M-NET, são fechados, por assinatura. O último canal é o ETV, privado e aberto. Os principais opositores à troca do sistema de transmissão dos sinais digitais são os radiodifusores privados. A visita da delegação brasileira tentou estreitar as relações e mostrar que eles também podem ser beneficiados com o ISDB-T. “As conversas foram muito positivas. Há sinergia entre Brasil e África, principalmente na produção de conteúdos”, avaliou o assessor da Secretaria de Telecomunicações, Flávio Lenz.

A comitiva brasileira aproveitou a viagem para rebater os argumentos contrários ao ISDB-T diante imprensa sul-africana. De acordo com os integrantes da delegação, a ideia de que o conversor digital seria mais barato no sistema europeu é falsa. A explicação para isso é técnica: aliado ao padrão europeu, a África do Sul havia decidido pela tecnologia MPEG-4, método de compressão de áudio e vídeo usado no Brasil (e, segundo os técnicos, duas vezes mais eficiente que o MPEG-2, adotado na Europa). Essa combinação, no entanto, praticamente não existe em nenhum outro lugar do mundo. Portanto, não haveria conversores produzidos em escala suficiente para baratear os preços ao consumidor sul-africano.

Outro argumento usado pelos brasileiros: se a África do Sul adotasse o ISDB-T da forma como o Brasil está propondo, as transmissões poderiam ser também em alta definição tanto para a TV aberta quanto para os canais pagos. Hoje, a escolha sul-africana é pelo sistema de transmissão em baixa definição. Os sinais em alta definição só ficariam disponíveis para quem tivesse condições econômicas de pagar a uma TV por assinatura.
A decisão da África do Sul e dos demais países da SADC pelo padrão de TV Digital a ser adotado na região deve sair ainda este ano. A reunião de ministros da Comunidade para o Desenvolvimento da África Austral está marcada para novembro.

Fonte: Ministério das Comunicações

quarta-feira, 15 de setembro de 2010

Empresários brasileiros e sul-africanos discutem TV digital

Por Lúcia Berbert

Empresários de emissoras de TV e da indústria de equipamentos e softwares estão desde segunda-feira na África do Sul em encontros com as autoridades responsáveis pelo comando da decisão da escolha do modelo de TV digital daquele país. Eles devem assinar declaração de intenções ou de memorando de entendimento com empresas brasileiras, garantindo apoio técnico, caso decidam pelo padrão ISDB-T.

O objetivo do documento é amarrar a participação de micro, pequenas e médias empresas sul-africanas no mercado de TV digital, em associação a empresas brasileiras. O acordo foi proposto por representantes da Namec (National Association of Manufacturers in Eletronic Components).

A África do Sul faz parte da África Austral, bloco formado por 15 países, que deve decidir ainda este ano qual padrão de TV digital será adotado. O Brasil já divulgou o padrão da TV digital nipo-brasileiro a diversos países africanos. A expectativa do governo é de que esse padrão seja adotado por até 17 países do Continente Africano.

Os encontros estão acontecendo em Joanesburgo e Petrória e, alem dos representantes da Namec, constam da agenda conversas com os dirigentes da Multichoice África do Sul, Nico Meyer, da PayTV Platforms, Eben Greyling , e da E.TV, Marcel Golding Local: 5 Summit Road, Dunkel West. Também estão agendadas conversas com representantes do Departamento de Comunicações (DoC), do Departamento de Comércio e Indústria (DTI), do Congresso Nacional Africano, da SABC ("South African Broadcasting Corporation"), da operadora de rede de transmissão Sentech, da agência reguladora local, Icasa, do grupo Dzonga e com jornalistas.

Fazem parte da delegação Ênio Sérgio Jacomino, gerente da Eclipse Engenharia e Consultoria; Roberto Franco, diretor do SBT; Hermenegildo Antuges, diretor da Tecnet; Zalking Lincoln Dantas Rocha, diretor da Hirix/HXD; José Marcelo Amarel, diretor da Rede Record; Ricardo Minari, diretor da Visiontec; David Britto, diretor da TQTVD; Dilson Funaro, diretor da LG; Steve Chang, diretor da Zinwell Brasil; e Marco Szilli, diretor da Tele System. Estão presentes ainda pelo governo brasileiro, André Barbosa, assessor especial Casa Civil, e Flavio Lenz, assessor da Secretaria de Telecomunicações do Ministério das Comunicações

Fonte: Telesíntese

sexta-feira, 13 de agosto de 2010

Governo apresenta TV digital a jornalistas sul-africanos

Por Pedro Peduzzi

Brasília - O Ministério das Comunicações começou a apresentar o Sistema de TV Digital Brasileiro – o ISDB-T – a uma comitiva de quatro jornalistas sul-africanos. Eles vieram ao país para conhecer a experiência brasileira de implantação do sistema e se reuniram na tarde de ontem (12) com o assessor da Secretaria de Telecomunicações, Flávio Lenz.

A África do Sul anunciará nos próximos meses o padrão de TV digital que irá adotar. Durante a reunião, Lenz falou sobre as vantagens do ISDB-T, dando destaque aos aspectos de interatividade e mobilidade proporcionados pelo padrão que é desenvolvido na parceria entre Brasil e Japão, e à qualidade das imagens de alta definição.

Lenz reiterou a disposição em cooperar com a África para que a TV digital seja implementada de forma muito mais ágil do que vem acontecendo em países que optaram por outros sistemas. Durante a conversa com os jornalistas, Lenz explicou que a expectativa é de que não haja necessidade de atualizações tecnológicas a médio prazo, amenizando os custos para a adoção do sistema.

O assessor disse que a TV digital trará oportunidades sociais e mercadológicas aos países. Segundo ele, surgirão muitos negócios para as empresas de telecomunicações, as indústrias e os canais de televisão.

Além da visita ao Ministério das Comunicações, os sul-africanos se reuniram com o assessor especial da Presidência da República para a Área de Políticas Públicas em Comunicação, André Barbosa. "Eu repassei a eles todo o projeto de integração da TV digital com a banda larga da internet", disse Barbosa à Agência Brasil.

Ele estima que atualmente 550 milhões de pessoas da América Latina e das Filipinas já tenham acesso à TV digital em padrão nipo-brasileiro. Com a inclusão dos países africanos, esse público pode chegar a 700 milhões de pessoas.

Os jornalistas sul-africanos conheceram também as principais emissoras de TV nacionais e foram a Santa Rita do Sapucaí (MG), município onde fica a base do silício brasileiro. A região abriga várias empresas de desenvolvimento tecnológico e fabricantes de componentes, principalmente transmissores.

A África do Sul faz parte da África Austral, bloco formado por 15 países, que deve decidir até setembro qual padrão de TV digital será adotado.

O Brasil já divulgou o padrão da TV digital nipo-brasileiro a diversos países africanos. A expectativa do governo é de que esse padrão de TV digital seja adotado por até 17 países do Continente Africano.


Fonte: Agência Brasil

terça-feira, 13 de julho de 2010

Jabulani redonda, relato quadrado

Por Alberto Dines

A Fifa esperava uma audiência de 700 milhões, mas calcula que a final Espanha x Holanda teria sido assistida por cerca de 1 bilhão de telespectadores, um sexto da população mundial.

O maior espetáculo sobre a terra é uma façanha desportiva ou midiática?

Uma partida menos ou mais aguerrida não alteraria o número de assistentes. Final de Copa é final de Copa, não importa a imagem do técnico, a escalação, o esquema tático, a retranca, a posse de bola, as finalizações a gol, o número de cartões, escanteios etc. Mas se os times fossem outros – EUA x China, por exemplo – este bilhão poderia ser facilmente acrescido de algumas centenas de milhões. Graças à telona da TV e não à telinha da web, independente da garra ou talento dos jogadores.

Descuido, rotina

Este observador jamais esqueceu o 6 a 5 sobre Polônia em 1938, com três gols de Leônidas da Silva (um deles descalço), narrado por Gagliano Netto, da Rádio Clube do Brasil – a primeira transmissão internacional do rádio brasileiro. Jogo sensacional aliado a uma nova tecnologia de transmissão, as demais partidas caíram no esquecimento. A imagem do receptor Phillips com o seu "olho mágico" verde juntou-se para sempre às radiofotos publicadas no dia seguinte em O Jornal, do Rio.

Para muitos americanos a Segunda Guerra Mundial confunde-se com a banda sonora do jornal cinematográfico Fox Movietone, para outros a Guerra do Vietnã associa-se ao noticiário de TV na hora do jantar. A mensagem é o meio que a transmite. O que nos permite dizer que a história dos Mundiais de Futebol é também a história dos meios de comunicação. Poucos têm o discernimento para entendê-los, raros são os que sabem tirar proveito disso.

Causa espanto o comportamento descuidado, sem inspiração, rotineiro, dos grandes grupos de comunicação quando começam a discutir a cobertura da Copa seguinte. O empenho resume-se à exclusividade de retransmissão, o resto é o resto. Resultado: mesmice, repetição.

Carga penosa

Qual foi a grande novidade introduzida na cobertura das últimas duas ou três Copas? A internet – ou pelo menos a internet brasileira – não conta, ela oferece ferramentas, facilita o trabalho de quem trabalha, finge que introduz novidades na esfera da interatividade, mas não influi decisivamente no teor ou qualidade da cobertura.

O fato de um twiteiro mandar um pergunta lá do meio da floresta amazônica para o comentarista ou narrador tiritando de frio num estádio na África do Sul não chega a constituir um efetivo avanço jornalístico. As atrações oferecidas aos leitores nesta Copa foram exatamente as mesmas das Copas anteriores, geralmente na linha da velha Rádio Nacional e seus programas de auditório.

O leitor hoje quer mais e melhores informações, quer contextos, quer o jogo e muito além do jogo. Quer situar-se no mundo e não apenas no que ocorre no gramado – ou melhor, quer o gramado no mundo. Como disse Paulo Roberto Falcão, o Rei de Roma e hoje comentarista da Globo: com a ajuda das novas tecnologias é possível analisar razoavelmente uma partida de futebol a 15 mil quilômetros de distância. Sem os desgastes dos deslocamentos de uma cidade para a outra e, sobretudo, sem a penosa carga de tarefas suplementares que recai sobre os privilegiados que foram escalados para a cobertura (blogs em qualquer hora, twitter, flashes para rádio e TV etc., etc.).

Boa razão

Aquilo que a empresa jornalística brasileira chama de "desempenho multimídia" é um sistema falsamente meritocrata (na realidade escravocrata) no qual alguns ganham muito bem, em compensação são sugados até a medula dos ossos e impedidos de usufruir do sublime prazer de esmerar-se na apuração e na escrita.

O resultado é aquilo que os espanhóis designam como espejismo, espelhamento: você abre o caderno da Copa de 2010 e parece que está lendo o de 2006 ou 2002.

Esta Copa foi fascinante – inclusive para os brasileiros – como todas foram e como todas serão. Mas a cobertura foi quadrada, pífia, não acendeu fogueiras, só foguinhos.

Razões? Uma: os donos do espetáculo – a Fifa, seus prepostos e parceiros na mídia – gostam de outras coisas.

Fonte:Observatório da Imprensa