segunda-feira, 2 de junho de 2008

Prof. Celestino Vaz Tomás

Estratégias de Comunicação e Marketing no Contexto do Mercado de Ensino Superior Alargado (Regional)

A introdução da economia de mercado moçambicano em 1987 colocou novos actores no cenário sócio -económico e cultural, designadamente o sector privado e a sociedade civil. É neste quadro que se criou o espaço legal que permitiu a intervenção do sector privado no Ensino Superior, através da Lei nº 1/93, de 24 de Junho - Lei do Ensino Superior que regula o Ensino Superior Público e Privado, iniciando-se desde modo o processo de criação das primeiras Instituições Privadas do Ensino Superior, designadamente, a Universidade Católica de Moçambique (UCM) pelo Decreto 43/95, o Instituto Superior Politécnico e Universitário em (ISPU) pelo Decreto 44/95, cujas actividades se iniciaram em Agosto de 1996. Em 1997 entra em funcionamento o Instituto Superior de Ciências e Tecnologia de Moçambique (ISCTEM), criado pelo Decreto 46/96.
Hoje, em Moçambique o número de Instituições de Ensino Superior é de 23 de entre Públicas (11) e Privadas (12). O número de estudantes do Ensino Superior ascende hoje 28.000, com cerca de 1.389 docentes a tempo inteiro em todas Instituições de Ensino Superior. O aumento de número de instituições de ensino superior privado vai aumentar logicamente a concorrência. Trata-se da implantação do mercado de ensino universitário que veio colocar desafios ao ensino superior publico.
As instituições de ensino superior moçambicano entraram numa fase de concorrência. A expansão das universidades transformou praticamente o mercado. O número de estudantes que buscam instrução de nível superior está crescer de forma galopante, mas nota-se uma bipolaridade: o fluxo de estudantes para o ensino público é na sua maioria estudantes de fraco poder aquisitivo que buscam cursos à preços acessíveis para seu nível de renda, enquanto o ensino privado é frequentado por estudantes da classe média alta e de estudantes trabalhadores.
Há poucos anos, a oferta de vagas era menor que a demanda, as instituições não necessitavam de se preocupar com a optimização do uso de recursos e de ofertas de cursos com saída imediata para o mercado do trabalho. Hoje o panorama mudou completamente e as instituições que querem ter sucesso necessitam de estabelecer a ligação entre universidade/mercado. Entretanto, a maioria das instituições não está preparada para uma mudança para um mercado de ensino mais agressivo e alargado.