terça-feira, 23 de agosto de 2011
Teles rejeitam percentual mínimo para velocidades na internet
As teles fecharam posição contra a proposta de percentuais mínimos nas velocidades dos acessos à internet. Tanto as empresas separadamente quanto o Sinditelebrasil apresentaram pedidos de adiamento das consultas públicas sobre o Serviço de Comunicação Multimídia por 90 dias - medida que, caso acatada, inviabiliza o prazo previsto pelo governo, de 31 de outubro, para definição de regras de qualidade para o serviço.
Em princípios, as empresas questionam o sistema de medição sob o qual devem ser cumpridos os critérios previstos no regulamento sobre a qualidade do Serviço de Comunicação Multimídia. Pela proposta da Anatel, os acessos devem garantir, no mínimo, 20% da velocidade contratada, mas de forma que seja respeitada a velocidade média mensal de 60% daquilo que está previsto no contrato.
Para as teles, a medição na casa dos clientes - que o novo regulamento do SCM prevê como obrigação de fornecimento do software gratuito para isso - está sujeita a interferências como o tipo de uso, o número de pessoas naquela conexão e até mesmo a possibilidade de vírus no equipamento de determinado consumidor.
Nesse sentido, querem que a medição seja feita em outro ponto da rede - de preferência na borda da rede - ainda que reconheçam que dessa maneira, a informação não estará diretamente disponível aos clientes, mas sim algo que as empresas é que terão. Dessa maneira, entendem as empresas que a verificação seria mais próxima do correto.
Segundo o diretor-executivo do Sinditelebrasil, Eduardo Levy, a Anatel afirma ter usado os critérios definidos em estudo conjunto com Inmetro e Comitê Gestor da Internet, mas aquela verificação tomou como base uma metodologia que eliminou as interferências causadas individualmente pelos equipamentos de cada consumidor. Algo que não está sendo considerado na regra proposta.
Mas mesmo que a Anatel aceitasse modificar a forma de medição das velocidades, as empresas ainda rejeitariam a imposição dos percentuais mínimos de garantia - que, pela proposta, começa em 60% e devem chegar em pelo menos 80% do que foi contratado dois anos após a entrada em vigor do novo regulamento de qualidade.
“Precisam ser estudados com muito cuidado os impactos técnicos e econômicos dessa medida, por isso pedimos que o prazo da consulta seja estendido em 90 dias”, resumiu Alexander Castro, do Sinditelebrasil, por sinal responsável por uma comissão criada no sindicato justamente para tratar desse assunto.
As teles já contam com um estudo que indica que a definição de percentuais mínimos de velocidade é pouco usual no mundo - segundo elas, restrita à Índia e Malásia. Mas outros estudos virão para sustentar a posição contrária ao que foi proposto. Além disso, as empresas querem realizar um seminário para discutir o tema, previsto para 1o de setembro.
O adiamento do prazo da consulta, no entanto, terá reflexo direto na data fixada no Decreto que estabeleceu as novas obrigações de universalização (PGMU 3). Ali, a presidência da República deu à Anatel até 31 de outubro para definir critérios de qualidade para a internet. Não é por menos que a consulta dos dois regulamentos relativos ao SCM - de serviço e qualidade - tem prazo até 8 de setembro. Com os 90 dias pedidos pelas teles, essa data seria estendida a 8 de dezembro - e portanto um regulamento ficaria para o ano que vem.
Fonte: Convergência Digital
segunda-feira, 22 de agosto de 2011
Internet está estagnada no Brasil, diz F/Nazca
sexta-feira, 12 de agosto de 2011
Muu mistura TV e internet e oferece programação da Globosat
segunda-feira, 11 de julho de 2011
França negocia com teles “tarifa social” para internet
Nesta sexta-feira, 8/7, os ministérios de Indústria e Economia Digital e de Comércio e Consumo convocaram as teles do país para uma reunião prevista para 13 de setembro – convocação essa que deriva de uma sentença favorável do órgão de defesa da concorrência francês.
A decisão do órgão regulador da concorrência, provocada pelo governo francês, considera que “as dificuldades de acesso à internet para as famílias mais modestas caracterizam uma carência do mercado” e, nessas circunstâncias, “o Estado está plenamente legitimado a responder”.
Segundo o anúncio conjunto dos ministérios, o objetivo é combater a exclusão digital na França, com a concessão de abono para banda larga a 21 milhões de franceses – quase um terço dos habitantes do país – tendo como uma das alegações o fato de que 91% dos desempregados utilizam a internet para procurar trabalho.
Na França, o entendimento do órgão de concorrência foi no sentido de que a banda larga pode ser objeto de subvenção para que sejam alcançados preços razoáveis que o mercado estaria impossibilidade de oferecer por si só. Além disso, sustenta que na França esse tipo de política já é adotada em relação a telefonia.
A exemplo do Brasil, porém, também parece existir resistência ao uso de recursos públicos para subsidiar os acessos. O mesmo órgão de concorrência defendeu como alternativa conferir o rótulo de “tarifa social” às ofertas das operadoras que “respondam a certos critérios, em particular de preços”, evitando assim a subvenção pública.
É mais ou menos o que o governo brasileiro fez ao negociar ofertas das teles a preços mais baixos. Com uma diferença sensível: na França é possível encontrar ofertas de serviço de internet por cerca de 30 euros – pouco mais de R$ 60. Valores como esse, no Brasil, são para pacotes de, no máximo, 1 Mbps. Lá, é possível garantir, no mesmo patamar de preços, conexões superiores a 20 Mbps – há ofertas de 35 euros para acessos a 50 Mbps.
Na negociação do governo brasileiro com as teles, o acerto se deu para ofertas de 1 Mbps por no máximo R$ 35 – sendo que essa velocidade só valerá até que os consumidores atingam o limite de downloads mensal – de 300 Mbps ou 150 Mbps, a depender se a conexão é fixa ou móvel.
* Com informações da EFE
Fonte: Convergência Digital
segunda-feira, 4 de julho de 2011
A internet e a anemia da imprensa
Reproduzido do Estado de S.Paulo, 30/6/2011; intertítulos do OI
As comunicações entre as pessoas vão bem – mas a imprensa anda anêmica na internet. Seu modelo de negócio vai mal. Como ela vai financiar as reportagens independentes, que são caras? Como cobrar do público pelos conteúdos noticiosos quando há tanta oferta de notícias gratuitas em toda parte? Como atrair mais anunciantes?
São perguntas velhas, é verdade. Mas elas ainda estão em aberto. Demoradamente em aberto. Estudo recente publicado em maio pela Universidade Columbia (The Story So Far: What We Know About the Business of Digital Journalism, disponível aqui) arrisca novas (e boas) respostas, mas não consegue ser conclusivo. Afirma que o jornalismo é e será essencial, mas sobre como ele se vai pagar... – bem, quanto a isso ainda temos uma boa (ou péssima) estrada pela frente.
O fato é que não tem sido simples para os jornalistas entender os desafios da era digital. O principal talvez tenha a forma de um paradoxo: a internet vem conjugando a diversidade de vozes, no plano do debate público, com o recrudescimento dos oligopólios, no plano econômico. Monopólios e pluralismo. Será essa uma combinação factível?
Vejamos a cena mais de perto. A era digital ampliou a comunicação, é evidente. Mais que isso: nos países onde há tiranias as redes interconectadas minam os controles oficiais e até propiciam levantes democráticos, atropelando as velhas formas de censura. Ao mesmo tempo, a oligopolização da chamada indústria do entretenimento nunca foi tão intensa. A tendência econômica das fusões, que há pelo menos duas décadas atinge todos os setores da economia mundial, do ramo de salsichas ao da especulação financeira, também gera efeitos no mercado da mídia. Aí, porém, sua fisionomia adquire esse hibridismo entre a concentração da propriedade e a multiplicidade de vozes.
Colunistas digitais
A tradição liberal supõe que o plano político e o plano econômico se espelham. Assim, haveria uma correspondência direta entre o número de agentes econômicos em competição no mercado e o número de vozes que têm lugar no espaço público. Na comunicação da era digital, no entanto, essa correspondência parece não existir, daí a sensação de que vivemos um paradoxo, uma contradição instável.
A bem da verdade, essa contradição não vem de hoje. Já no final do século 19, quando os diários se converteram em grandes negócios, ela se fazia sentir. Nem por isso a diversidade de opiniões na esfera pública se tornou inviável. Ao contrário: no correr do século 20 a democracia ganhou novas correntes ideológicas, ficou mais complexa, mais variada – enquanto a tendência de concentração econômica na mídia se acentuava.
E se acentuou mais ainda depois do aparecimento dos meios de massa (o rádio e a televisão). Ter uma emissora de TV era mais caro do que ter um diário impresso – e o jogo exigia jogadores com maior envergadura financeira. Com isso o número de empresas jornalísticas se reduziu ainda mais.
Nos anos 1980 o jornalista Ben H. Bagdikian (ex-editor do Washington Post e diretor da Escola de Jornalismo da Universidade da Califórnia em Berkeley) radiografou essa tendência num livro de nome inequívoco: O Monopólio da Mídia (publicado no Brasil pela Scritta Editorial, em 1993). Em 1998, a revista The Economist diagnosticou um fenômeno análogo no mercado globalizado do entretenimento. No hoje célebre A survey of technology and entertainment, publicado em novembro daquele ano, ela deu o nome dos protagonistas da “oligopolização”: Time Warner, Walt Disney, Bertelsmann, Viacom, News Corp., Seagram e Sony.
Agora, a indústria oligopolista que nasceu da imprensa começou a mastigar a imprensa. As bases de financiamento do jornalismo estão ameaçadas. O paradoxo agravou-se. Em 2008, consumou-se a quebradeira geral dos jornais locais nos EUA. Em seu lugar, os sites noticiosos não foram capazes de gerar o dinheiro perdido pelos jornais de papel que desapareciam. A propósito, o relatório da Universidade Columbia é didático ao mostrar como as práticas oligopolistas da velha mídia deixaram de funcionar nas plataformas digitais.
Por quê? Vai aqui uma hipótese: os anunciantes deixaram de precisar de órgãos de imprensa para falar com seus públicos, que se pulverizaram. De sua parte, muitas redações sumiram. Outras foram engolidas – não mais pelas concorrentes, mas por outros negócios, negócios muito maiores. Velhos títulos foram comprados por novos moguls da era digital; órgãos de imprensa que antes eram empresas independentes foram acomodados como meros departamentos de grandes grupos do entretenimento. Até mesmo os blogueiros – nascidos anteontem, já na era da internet –, que eram autônomos, viraram colunistas digitais de portais imensos, incorporados a grupos econômicos que faturam dezenas de bilhões de dólares por ano.
Oráculo da política
Tudo isso ocorreu num período em que a diversidade de vozes parece feérica, vigorosa, exuberante. São incontáveis os canais por assinatura, os portais, os sites, os blogs; as pessoas falam mais, escrevem mais, leem mais – em todas as línguas –, mas os nós dessa comunicação pertencem a proprietários que compõem um clube cada vez mais seleto e – aqui está o dado essencial – o negócio deles não é o jornalismo. O negócio deles é, sim, a diversificação das audiências – donde a impressão de pluralismo vertiginoso –, mas não é a independência editorial.
Por isso o desafio não é simples. Sabemos que sem independência jornalística – que saiba financiar-se com autonomia – não há mediação crítica para o debate público. Para piorar, a indústria do entretenimento julga prescindir de jornalistas independentes. Enquanto isso, a imprensa livre busca uma fórmula para fechar suas contas. Se ela não encontrar sua fórmula, o entretenimento será mais do que já é o oráculo da política. E a democracia, como a imprensa de hoje, sofrerá de anemia amanhã.
Fonte: Observatório da Imprensa
segunda-feira, 16 de maio de 2011
Jornal da Record News é o primeiro com conteúdo transmídia
O Jornal da Record News estreia no dia 23 de maio, sob comando do jornalista Heródoto Barbeiro, que divide a bancada com Thalita Oliveira, de segunda a sexta. O formato promete unir informação, humor, aprofundamento e interatividade com a contribuição de dez comentaristas especialistas em diferentes assuntos.
É a primeira vez que a TV brasileira fará uma transmissão transmídia, garante Antônio Guerreiro, diretor geral do departamento de internet. A ideia é levar a informação para outras plataformas de comunicação além da televisão, onde o telespectador possa participar diretamente da programação. Guerreiro diz que hoje no Brasil é utilizado o crossmedia, algo que de acordo com ele é “fácil fazer”.
O Jornal da Record News conta com uma página especial no portal R7. Os bastidores da atração serão exibidos no site 15 minutos antes da apresentação na TV. Além disso, quando entra o intervalo comercial, o internauta pode continuar vendo o que acontece nos estúdios, enquanto os apresentadores chamam os usuários para a interatividade via Twitter, Facebook ou para a página do portal. A intenção é fazer com que as pessoas interajam diretamente com os apresentadores em tempo real, participe e opine sobre o que vê.
O editor executivo, Marco Nascimento, ressalta que o jornal foi pensado para ser assistido pelo ciberespaço, com o intuito de “oferecer um gostinho de bastidores para quem assiste pela web.”
Segundo o vice-presidente de jornalismo, Douglas Tavolaro, a pretensão é ser diferente, pois o objetivo principal não é a busca pela audiência, mas produzir um telejornal feito com análise e profundidade através do debate de informações.
Três comentaristas falam sobre assuntos diversos a cada exibição diária. Integram a equipe Adibe Jatene (saúde), Beth Goulart (cultura), Cosme Rímole (esporte), David Uip, Daniel Castro (mídia e TV), Nirlando Beirão (polítiica), Ricardo Kotscho(política), Roberto Macedo (economia) e Rubens Edwald Filho (cinema).
Outra novidade é a presença de Bruno Motta, ator que vai levar um tom de humor aos comentários do telejornal. “Eu vou pegar as notícias como as pessoas veem em casa e trazer para a bancada”, conta.
Heródoto Barbeiro se mostrou bastante animado ao falar do jornal e crê que a tecnologia interativa seja um bom meio para divulgar o conteúdo e contribuir com o que chamou de “produção coletiva”. Para ele, este é um passo importante para a democracia, sociedade e jornalistas. “É mais do que um produto. Nós vamos e queremos ser cobrados pelo público”. E completa: “Eu quero ajudar a marca a ter a representatividade que ela merece.”
O investimento ainda não foi divulgado, mas o diretor comercial da Record News, Sidineu Ferrari, aposta que “vender esse formato vai ser muito fácil”.
Fonte: Adnews
quarta-feira, 4 de maio de 2011
Internet dá voz aos jornalistas
Agora, a internet lhe permitiu a volta como editor de um site de notícias de mesmo nome. “Oito anos depois de ser proibido por uma decisão judicial, que foi, na verdade, uma negação real da justiça para silenciar a imprensa independente, o semanárioDemain renasceu das cinzas na forma de um jornal eletrônico”, escreveu Lmrabet em seu primeiro editorial no site, no dia 28/3.
Repressão
Nos últimos dois anos, a sanção do regime marroquino à mídia independente ficou ainda mais dura: sentenças de prisão, censura, altas multas e boicotes de anúncios. “Houve uma deterioração significativa à imprensa desde agosto de 2009”, diz Soazig Dollet, encarregado da região do Maghreb pela organização Repórteres Sem Fronteiras. “Uma sanção severa começou no verão depois que o governo censurouTelQuel, revista popular em francês, por ter publicado uma pesquisa favorável ao rei. Mesmo sendo favorável, o governo alegou que a monarquia não podia ser julgada”.
Duas grandes publicações foram à falência no ano passado devido ao boicote de anúncios: Le Journal Hebdomadaire, revista investigativa reconhecida internacionalmente, e Nichane, versão árabe da TelQuel. Mas nos últimos quatro meses, repórteres observam que, ironicamente, o governo está lutando para reverter esta tendência e estabelecer liberdades – desta vez, online. Depois que a primavera árabe chegou ao Marrocos este ano, surgiu o Movimento 20 de Fevereiro, com manifestações pacíficas e o pedido de reformas constitucionais radicais, como a liberdade de imprensa.
Depois que a Le Journal Hebdomadaire fechou no ano passado, o ex-editor Aboubakr Jamai disse que pararia de exercer definitivamente o jornalismo no Marrocos. Mas, dias depois dos primeiros protestos em fevereiro, ele deu início a um site de notícias em francês e árabe, o Lakome.com. O site, admistrado por poucos jornalistas, publica notícias sobre os eventos políticos no país – expondo a brutalidade policial por meio de vídeos filmados com celulares e dando voz a figuras políticas controversas como Nadia Yassine, membro do partido político islâmico proibido Justiça e Caridade. O Lankome.com é o quarto site mais visitado no Marrocos e diz ter 60 mil visitantes por dia. Mas, como outros, sofre com falta de lucros. Até agora, o regime não fechou estes sites. No dia 9/3, o rei Mohammed VI anunciou reformas constitucionais. Informações de Aida Alami [28/4/11].
Fonte: Observatório da Imprensa
quarta-feira, 6 de abril de 2011
PLANO NACIONAL DE BANDA LARGA - Passado e futuro das políticas industriais
Por Valério Cruz Brittos e João Martins Ladeira A história se repete. Em meados dos anos 1970, uma decisão das elites burocráticas do Estado brasileiro deu início à tentativa de fabricar minicomputadores no país. Naquele momento, parecia uma boa opção, a fim de romper com o atraso de uma nação periférica em um setor de tecnologia de ponta intensamente controlado por um pequeno conjunto de multinacionais. O plano era estabelecer uma parceria entre Estado e capital privado, na qual o primeiro criaria condições para a ação do segundo. Sabe-se que os resultados foram distintos do planejamento. Empresas estatais terminariam por se transformar nas protagonistas de um investimento com resultados discutíveis, finalmente sepultado no começo da década de 1990. Anos depois, após a privatização do sistema brasileiro de telecomunicações e a adesão a um tipo de regulação pelo mercado que deixava de lado o projeto nacional-desenvolvimentista, surge outra proposta de cooperação entre Estado e capital nacional. O PNBL, Plano Nacional de Banda Larga, anunciado em 2009, com planejamento apresentado em 2010 e resultados preliminares previstos para 2011, é, sem dúvida, um projeto ousado, como havia sido a Política Nacional de Informática. A expectativa é conectar mais de 4.200 municípios no Brasil, cerca de 80% das cidades existentes no país. Deste total, 25% devem estar operando até o final deste ano e 70% até o fim de 2013. O investimento total deve ser de R$ 5,72 bilhões. MiniCom adia a discussão Por trás das dificuldades no fomento à universalização da banda larga no país, está o formato da privatização integral, que, na segunda metade dos anos 90, consubstanciou o projeto de atualização do sistema brasileiro de telecomunicações ao panorama internacional. Atrasado em relação aos países centrais e sem discussão com a sociedade (seguindo a regra nacional), o encaminhamento brasileiro contou com o apoio irrestrito da mídia, que agiu mais uma vez como instrumento de propaganda. Com isso, nem chegaram a ser discutidas alternativas importantes, como o controle por parte de capitais nacionais e a presença do Estado numa situação de agente tutor em nome do interesse social, e não somente como aplicador subsidiário através de suas estatais e fundos de pensão. Como no passado, a principal questão agora é o tipo de relação entre Estado e parceiros privados no empreendimento. Desde o princípio, as declarações oficiais frisavam que a Telebrás, antiga estatal de telecomunicações ressuscitada pelo PNBL, não venderia serviços ao usuário final. A empresa se tornaria responsável por operar anéis de fibra ótica atualmente fora de serviço, pertencentes à Petrobrás e Eletrobrás. A Telebrás negociaria com provedores interessados em levar internet a locais pouco explorados no Brasil: mais de 200 empresas já teriam se manifestado positivamente. Neste processo, um conjunto de pontos ainda tem que ser resolvidos: o preço é fator importante, mas a própria velocidade de conexão deve ser melhor analisada, adotando como referencial a largura de banda dos países desenvolvidos. A tentativa de romper com a concorrência das atuais cinco grandes corporações de telecomunicações atuantes no mercado brasileiro surge como a principal justificativa do PNBL, repetindo o embate do passado com IBM e Burroughs. Certamente, as próprias companhias de telecomunicações receiam que a Telebrás torne-se o único operador deste mercado. Próximo ao fim do governo Lula, o questionamento quase chegou a um embate jurídico: o SindiTeleBrasil, entidade de classe destas corporações, ameaçou processar o Estado, num imbróglio que a Agência Nacional de Telecomunicações (Anatel) mostrou-se incapaz de solucionar. O assunto passou a ser tratado pelo Ministério das Comunicações, cuja solução provisória foi adiar a discussão sobre os planos para universalização, previsto para este mês de abril. Um debate importante Com ou sem prorrogação, o assunto é qual posição o Estado deve ocupar num país que, há mais de uma década, adotou claramente um modelo de regulação pelo mercado e que, em setores-chave, parece tentar rever sua posição. Revela ainda a dificuldade de planejamento por parte do Estado brasileiro. Na verdade, se no modelo neoliberal o mercado cria o fato precedente e depois a regulamentação institucionaliza este arranjo, pensar em planejamento na configuração capitalista contemporânea é uma prática difícil de ser implementada em quaisquer dos países envolvidos pelo sistema. Ao mesmo tempo, se isto é uma realidade, há variações dentro deste quadro, sendo a capacidade de planejamento e a inserção em geral do Estado brasileiro na economia hoje bem maior do que 10 anos atrás. Todavia, o modelo nacional desenvolvimentista merece melhor reflexão: com exceção de algumas atividades muito específicas, em que a história de sucesso torna complexo abrir mão dos investimentos anteriores, parece difícil acreditar que tal caminho possa, aqui, realmente trazer resultados diferentes daqueles experimentados há 30 anos. Trata-se de questionar as possibilidades de criar uma janela específica exatamente numa indústria tão intensamente inserida nesta lógica do mercado. Será possível tão somente repetir experiências pregressas, algumas delas de pouco sucesso? Qual tipo de relação pode ser possível ou necessário criar entre Estado e mercado? A simples publicação de editais que privilegiem o capital nacional é suficiente? Trata-se de um debate político importante de ser travado, considerando a relevância da ampliação do acesso às redes de comunicação digitais no país. Fonte: Observatório da Imprensa | |
terça-feira, 29 de março de 2011
REDES SOCIAIS - Facebook, processos colaborativos e consumo
Por Valério Cruz Brittos e Rosana Vieira de Souza
O número de usuários das redes sociais cresceu consideravelmente no Brasil nos últimos anos, passando a constituir, depois dos mecanismos de busca, a maior categoria de uso na internet. Embora o Orkut mantenha a liderança no país, por meio de usuários leais (com média de 31,7 visitas/mês do país, segundo dados recentes da ComScore), o Facebook triplicou seu crescimento e hoje, com uma média mundial de 29,6 visitas/mês, é o grande responsável pelo avanço da categoria, chegando a mais de dois milhões de utilizadores no Brasil – e cerca de 500 milhões em todo o mundo.
Mas o que realmente se mostra tão atraente, a ponto das pessoas empregarem tanto tempo e energia em redes como o Facebook? O que leva os internautas a contribuírem para estes provedores de plataformas comerciais? Mesmo que não deixe de fazer parte de uma imensa teia em que é apenas parte da engrenagem, o indivíduo comum e amador, transformado agora em usuário de redes de computadores e mídias sociais, sente-se reconhecido por sua contribuição na disseminação de informação e, mais do que isso, na construção de conhecimento, para além das fontes tradicionais e profissionais de produção de conteúdo e notícias.
Justamente por isso, em 2006, a revista Time escolheu "Você" – sim, você, todos nós – como a personalidade de maior influência do planeta. É evidente que, ao ser capaz de tornar significativa e poderosa a pequena contribuição anônima, criativa e engajada de milhares de pessoas, a internet desempenhou papel central nesta escolha da Time. Não por acaso, quatro anos depois quem alcançou o cobiçado posto foi Mark Zuckerberg, o controverso fundador do Facebook, por sua relevância na construção de novas dinâmicas sociais marcadas pela interatividade e compartilhamento de informações e relações sociais. Na mesma direção deve ser considerado o filme A Rede, que narra a criação do Facebook, grande sucesso de bilheteria, ganhador de quatro prêmios Globo de Ouro e vencedor do Oscar em três categorias.
O controle dos conteúdos compartilhados
Mark Zuckerberg e a impressionante rede que construiu oferecem uma promessa quase irresistível: a de propiciar ao usuário a sensação de liberdade e de poder para produzir e gerenciar tanto conteúdos informacionais quanto novos vínculos interpessoais. No lugar de fontes centralizadas de geração de conteúdos, tem-se a participação fragmentada, voluntária e, aparentemente, não controlável, de indivíduos comuns, bem como o estabelecimento de novos arranjos sociais somente possíveis graças às possibilidades de interação entre usuários.
Este é o reflexo prático do estreitamento das distâncias entre as instâncias da produção e do consumo, o qual caracteriza um fenômeno particularmente marcante do capitalismo contemporâneo. Tal cenário, de infinitas possibilidades e expectativas no que se refere à participação ativa dos indivíduos na produção e na circulação de conteúdos, simboliza a rearticulação da ênfase histórica na produção/oferta como esfera geradora de valor da economia capitalista. Desta forma, a produção do consumo/demanda passa a desempenhar um papel mais determinante na construção permanente dos produtos e serviços, numa lógica que não chega a alterar a base do sistema, mas que é essencial num quadro de inovação acelerada.
Apesar das informações postadas serem de propriedade do usuário, ao compartilhá-las no Facebook ele concede licença de uso do conteúdo à rede sem a completa compreensão sobre as formas como este conteúdo poderá ser utilizado. A adesão aos inúmeros aplicativos propiciados pela rede, um dos seus grandes atrativos, constitui um claro exemplo de como os termos de uso do Facebook abrem espaço para dúvidas quanto a quem – e o quanto – controla os conteúdos compartilhados. Ainda assim, a rede não para de crescer.
Os usos estratégicos
As atividades baseadas na dinâmica colaborativa têm em comum o fato de se apresentarem, aparentemente, auto-organizadas e emergentes, não sendo, a princípio, motivadas economicamente por parte dos usuários comuns. A despeito da receita de mais de US$ 1 bilhão alcançada pelos acionistas do Facebook em 2010, não são claras as formas de obter lucros com o uso da rede pelo internauta que a utiliza. O sistema de valor que alimenta o crescente engajamento deste usuário residiria, então, na auto-realização socialmente reconhecida, uma espécie de combinação paradoxal onde, de um lado, há o espírito colaborativo orientado para comunidade e, de outro, a busca racional e reflexiva por auto-interesse, na verdade o grande motor da sociedade capitalista, individualista por excelência.
Talvez a história da produção online colaborativa, do compartilhamento e da interação sem precedentes tenha, de fato, começado a ser contada há quatro anos nos grandes meios de comunicação. Entender a lógica que motiva e sustenta o espírito colaborativo e reestrutura as relações entre os planos da produção e do consumo, ainda que sejam desconhecidos os riscos ligados ao novos hábitos e dinâmicas sociais, torna-se condição fundamental para qualquer discussão acerca dos usos estratégicos, por parte das grandes corporações, destas novas condições, assim como para se desenharem outras construções cooperativas, desligadas da base estrutural da atual formação histórica.
Fonte: Observatório da Imprensa
segunda-feira, 21 de março de 2011
Vídeos online responderão por mais de 50% do tráfego de Internet até 2014
Até 2015, o tráfego de Internet deve aumentar em sete vezes em relação ao volume registrado em 2010, de acordo com estimativas da Informa Telecoms & Media. A previsão é que passe de 183 mil petabytes registrados no último ano para 1,259 milhão de petabytes. E o grande propulsor será, como esperado, o vídeo. O interessante é que o pear-to-pear (P2P), que até então respondia pela maior concentração do tráfego de dados mundial, embora deva apresentar crescimento de 30% ao ano no período, perderá importância para o trafego gerado por vídeos online, que responderão sozinhos por mais de metade do tráfego até 2014.
De acordo com o relatório, já em 2010 o tráfego de vídeos online já ultrapassou o de P2P, por uma margem de apenas 0,7, cada um com cerca de 40% do volume total de dados trafegados mundialmente. Em 2015, a estimativa é de que vídeos online sejam pouco menos de 60% do tráfego, contra um volume de 20% de P2P.
O ponto-chave é que, até então, a maior parte dos streamings de vídeo acontece em computadores e em resolução-padrão (SD) e a tendência é de que até 2015 o streaming de vídeos em alta definição (HD) seja maior do que o de SD e a quantidade de vídeos online transmitidos diretamente para TVs conectadas chegue a 10% do tráfego total de dados em todo o mundo.
Fonte: Tela Viva
segunda-feira, 14 de março de 2011
Facebook está se tornando uma das maiores causas de divórcio nos EUA
Por Leonardo Carvalho
Advogados especializados em divórcio nos EUA estão observando um fenômeno interessante: boa parte dos casais que pedem separação estão começando a apontar o Facebook como causa do fim do casamento.
Segundo o jornal The Guardian, mesmo com as taxas de divórcio permanecendo estáveis nos últimos anos, os advogados e acadêmicos especializados em separação começam a apontar o Facebook como principal causa dos problemas de relacionamento que levam ao divórcio. O fenômeno está levando advogados a pedir acesso às páginas dos seus clientes nas redes sociais antes de começar o processo judicial de separação.
Uma pesquisa conduzida pela Academia Americana de Advogados Matrimoniais (AAML, na sigla em inglês), descobriu que de cada cinco advogados, quatro citaram aumento nos casos de pedidos de divórcio causados por redes sociais, com o Facebook à frente.
Um dos fatores causadores de divórcios são as contradições entre o discurso de uma das partes do casal e seu comportamento nas redes sociais. Um exemplo presente entre as estatísticas da AAML é o de pessoas que negam para seus cônjuges que consomem drogas ilícitas, mas na rede social falam abertamente sobre o uso de maconha. Isso pode pesar inclusive na disputa pela guarda dos filhos, segundo o estudo.
Conexões com velhos amigos dos tempos do colégio aliada à fragilidade do casamento atual é outro exemplo de “destruidor de lares” citado por especialistas como o psicólogo e conselheiro matrimonial Dr. Steven Kimmons: “se esse velho conhecido está disponível afetivamente as conexões podem se tornar mais ativas”, diz Kimmons. Mas considerando que o número de pedidos de divórcio continua estável, pode-se inferir que o uso do Facebook – ou qualquer outra rede social - não é a causa do divórcio. Trata-se apenas de um possível agravante em uma relação que já não vai bem.
Um portavoz da rede social diz ser “ridículo sugerir que o Facebook leva ao divórcio”. Para ele, “seja em um casamento ou um divórcio, o Facebook é apenas um meio das pessoas se comunicarem, como cartas, telefonemas ou emails”.
Fonte: MSN
Google cria localizador de pessoas após terremoto no Japão
O Google criou um site com o intuito de auxiliar na obtenção de informações sobre as vítimas do terremoto no Japão. Nomeado Person Finder: 2011 Japan Earthquake, a página está disponível em japonês e inglês. É possível fazer buscas e cadastrar informações de pessoas.
Para buscas, é só clicar em “I´m looking for someone” e informar o nome da pessoa. Para saber mais informações, o usuário deve clicar em “I have information about someone”, escrever o nome e sobrenome de quem procura e as referências disponíveis. Cerca de 5100 registros já foram postados.
Fonte: AdNews
quarta-feira, 9 de março de 2011
Acesso à internet pode se tornar direito social
A inclusão digital poderá ser inserida na lista de direitos sociais estabelecida pela Constituição Federal. Esse é o objetivo de uma proposta de emenda à Constituição (PEC 6/11) que tramita na Comissão de Constituição, Justiça e Cidadania (CCJ) do Senado Federal.
A PEC é uma iniciativa do senador Rodrigo Rollemberg (PSB-DF), que a justifica a medida em razão do precário acesso à internet constatado entre estudantes pobres, negros e moradores de regiões menos desenvolvidas do país.
O parlamentar alega que apesar de registrar avanços em suas redes de telecomunicações, o Brasil ocupava, em 2008, a 69ª posição entre 193 países com acesso à internet no ranking da União Internacional de Telecomunicações (UIT).
Ele completa dizendo o país está bem atrás de países como Austrália, Holanda, Suécia e Islândia, onde 70% a 90% da população se conectam à rede mundial de computadores. Segundo Rollemberg, o Brasil - com apenas 17,2% da população inserida no mundo virtual - também perde para países vizinhos como Argentina (17,8%), Uruguai (20,6%) e Chile (28,9%).
"O pior é que essa média baixa de inclusão digital encobre desigualdades extremas", alerta Rollemberg na justificação da PEC. "O desfrute de muitos direitos do cidadão, como o da informação, o da educação, o do trabalho e o da remuneração digna, depende cada vez mais do acesso às novas tecnologias da informação e comunicações. Daí a necessidade de incluir tal acesso como um direito constitucional", afirma. As informações são da Agência Senado.
Fonte: Tela Viva
sexta-feira, 4 de março de 2011
Facebook agora pode valer US$ 65 bilhões
Redação Estadão
A empresa de investimentos General Atlantic é mais nova a investir no Facebook, aumentando a valorização da rede social para US$ 65 bilhões, o que representa um aumento de 30% desde que recebeu seu último investimento em janeiro, de acordo com reportagem da CNBC.
A General Atlantic está negociando um bloco de US$ 2,5 milhões em ações do Facebook que pertenciam a ex-funcionários. O acordo, que ainda não foi fechado e ainda precisa da aprovação do Facebook, garantirá à General Atlantic a participação de 0,1% do Facebook de acordo com a reportagem.
A empresa se negou a comentar. O Facebook não havia respondido o pedido para comentar sobre o caso.
Em janeiro, o Facebook disse ter levantado US$ 1,5 bilhão de investidores, incluindo o Goldman Sachs e a Digital Sky Technologies, além de ofertas privadas de investidores extrangeiros negociadas pelo Goldman Sachs, o que daria ao site uma valorização de US$ 50 bilhões.
O site, que é a maior rede social do mundo, tem mais de 500 milhões de usuários.
Fonte: Estadão
quinta-feira, 3 de março de 2011
Rollemberg quer acesso à internet como direito constitucional
O senador Rodrigo Rollemberg (PSB-DF) quer inserir a inclusão digital na lista de direitos sociais estabelecida pela Constituição Federal. PEC (Proposta de Emenda à Constituição) de sua autoria já está tramitando na Comissão de Constituição e Justiça (CCJ) do Senado. O argumento de Rollemberg é o precário acesso à internet constatado entre estudantes pobres, negros e moradores de regiões menos desenvolvidas do país.
Apesar de registrar avanços em suas redes de telecomunicações, o Brasil ocupava, em 2008, a 69ª posição entre 193 países com acesso à internet listados pela União Internacional de Telecomunicações (UIT). Bem atrás de países como Austrália, Holanda, Suécia e Islândia, onde 70% a 90% da população se conectam à rede mundial de computadores, o Brasil - com apenas 17,2% de sua população, à época, inserida no mundo virtual - também perdia posição em relação aos vizinhos Argentina (17,8%), Uruguai (20,6%) e Chile (28,9%).
"O pior é que essa média baixa de inclusão digital encobre desigualdades extremas", alerta Rollemberg na justificação da PEC."O desfrute de muitos direitos do cidadão, como o da informação, o da educação, o do trabalho e o da remuneração digna, depende cada vez mais do acesso às novas tecnologias de informação e comunicação. Daí a necessidade de incluir tal acesso como um direito constitucional", afirma Rollemberg.
Fonte: Telesíntese
quarta-feira, 2 de março de 2011
As "fazendas de conteúdos" e a polêmica sobre o lixo informativo na internet
Por Carlos Castilho
A mais recente praga informativa na internet tem um nome curioso: “fazenda de conteúdos”, tradução literal do inglês content farm. O nome foi escolhido porque na verdade trata-se de páginas web com grande quantidade de artigos, geralmente maquiados de outras fontes, que por seu conteúdo popularesco atraem muitos leitores e por conseqüência também a publicidade.
O fenômeno cresceu tanto que o sistema de buscas Google resolveu alterar o seu mecanismo de classificação de páginas indexadas, atendendo às reclamações de milhares de internautas contrariados com a alta incidência de lixo informativo no topo da lista de resultados.
Também chamadas de “jornalismo McDonald´s”, as “fazendas” publicam artigos de jornalistas free lancers sem prestar muita atenção ao conteúdo e sim ao índice de visitação de internautas. Quanto mais visitas, maior o pagamento, que na esmagadora maioria dos casos não passa dos 30 ou 40 dólares por artigo. Um mesmo autor chega a produzir até 20 textos por dia. Os temas são menos importantes que a sua capacidade de atrair leitores.
A mais famosa “fazenda de conteúdos” é o site Demand Media, especializado em artigos curtos tipo “faça você mesmo” ou “como as coisas funcionam”. Outros sites muito visitados são o High Gear Media, especializado em temas automobilísticos e o Bleacher Report, só de esportes. Todos eles com audiências acima de 50 milhões de visitas mensais, cada.
A receita para tanta procura é simples. Todos os textos são formatados de maneira a ocupar os primeiros lugares nas listas de sites produzidas pelo Google, sempre que o usuário faz uma busca na internet.
Os sites, também apelidados de jornalismo fast food, conseguem identificar quais os critérios usados pelo mecanismo de buscas para classificar resultados e com isto produzem textos sob medida, que sempre aparecem no topo das listas de sites relacionados aos temas procurados.
Eles têm também uma lista de colaboradores cadastrados, e sempre que identificam um tema popular encomendam textos para vários autores. O que chegar primeiro é publicado, salvo nos casos em que o free lancer já conseguiu algum status por conta de preferências demonstradas pelo público em textos anteriores.
No início o sistema contou com a cumplicidade do Google porque este era indiretamente beneficiado; mas depois, com o acúmulo do lixo informativo nas listas de resultados, os interessados em buscas na web começaram a ficar cada vez mais irritados com a avalancha do que que foi classificado como “pseudo-jornalismo”. No fim de fevereiro, a empresa Google resolveu mudar o seu sistema de classificação, cedendo à pressão de seus usuários.
O modelo das “fazendas de conteúdos” não é novo. Na verdade ele foi copiado de revistas populares impressas, de programas de rádio e de televisão, geralmente em auditórios. A receita é a mesma: identificar o que o leitor gosta, identificar quem pode atender esta demanda, contratá-lo, buscar patrocinadores e oferecer o serviço para consumo do público.
A novidade da versão online é que o sistema está sendo apontado por alguns pesquisadores da imprensa — como o jornalista e escritor norte-americano James Fallows — como um estudo de caso para a sobrevivência do jornalismo na internet. Fallows, autor do famoso artigo How to Save the News, não defende as “fazendas de conteúdos” como a fórmula ideal, mas acha que no sucesso de sites como o Demand Media, existem elementos que podem ser usados para desenvolver um novo modelo de negócios para a imprensa no meio virtual.
O problema, no entanto, não parece estar tanto na fórmula, mas principalmente na maneira como os profissionais do jornalismo se relacionam com o público virtual. Não se trata mais de descobrir uma fórmula mágica, mas de criar interatividade com o internauta. Uma interatividade que contemple tanto as audiências de massa como os nichos de interesse jornalístico, já que é cada vez mais evidente que não haverá apenas um modelo de negócios para o jornalismo na web.Fonte: Observatório da Imprensa
segunda-feira, 28 de fevereiro de 2011
Falha no Gmail apaga os dados de 150 mil usuários
Por Leonardo Carvalho
Uma falha no Gmail ocorrida neste fim de semana causou um verdadeiro “apagão” nas contas de 150 mil usuários do serviço de emails ao redor do mundo – ou cerca de 0,08% do total de contas cadastradas. Mensagens, contatos e anexos sumiram das contas afetadas.
A Google informa que está trabalhando para restaurar as informações de todas as contas.
Isso lembra o resto dos usuários de emails online – de qualquer provedor – da importância de se fazer um backup local das suas mensagens e anexos.
Na verdade, como aponta o site Lifehacker, as informações mais seguras são as que estão salvas localmente e remotamente, ao mesmo tempo.
Considere que você tem um backup no seu HD e esse HD falha por algum motivo. Ter os dados em uma rede remota garante que você vai poder recuperar os dados perdidos. No entanto, se for o serviço de hospedagem onde você guarda seus arquivos que apresentar a falha você vai erguer as mãos para céu e agradecer por ter feito backup dos seus dados no seu HD.
O site dá algumas dicas para manter seus emails seguros
- Use um serviço de email para o desktop.
São muitas as opções, o mais conhecido deles é o Outlook que já vem embutido nas versões do pacote Office da Microsoft (exceto na versão Home & Student). Há também o gratuito Thunderbird e o Apple Mail – esse último para os usuários de Mac. Na página de ajuda da maior parte dos emails online constam as informações de configuração para que você possa baixar seus emails diretamente para o seu computador.
- Envie seus emails para uma conta secundária.
Ter mais de um serviço de emails pode ajudar. Quando mandar novas mensagens, copie seu email secundário como destinatário da mensagem. Claro que você corre o risco de receber resposta apenas no email primário – o destinatário pode responder apenas ao remetente ao invés de responder a todos - mas pelo menos uma parte da mensagem está salva. Se a resposta for realmente importante, basta encaminhar para seu email secundário.
Fonte: Msn
quarta-feira, 23 de fevereiro de 2011
Nielsen: 45% de crescimento do vídeo na web nos EUA
O relatório anual sobre audiência de vídeos na Internet da Nielsen dos Estados Unidos divulgado nesta segunda, 14, mostra que o tempo gasto pelos norte-americanos subiu 45% entre janeiro de 2010 e janeiro de 2011.Neste mesmo período, o número de internautas que acessam vídeos subiu apenas 3%.
A Nielsen reportou 144 milhões de visitantes únicos para os vídeos na internet no ano, o que totaliza 14,5 bilhões de streamings de vídeo, o que está 31,5% acima do ano anterior.
Nos EUA, o YouTube permanece como a marca mais popular para vídeos na internet, com 112,8 milhões de visitantes únicos, seguido pelo Facebook, num distante segundo lugar, com 32,3 milhões de visitantes. A plataforma Vevo chegou à terceira colocação, muito próxima do Facebook, à frente do Yahoo, com 25,5 milhões de visitantes únicos.
O portal de vídeos que apresentou a maior taxa de crescimento foi o MSN/Windows Live/Bing, com 173 milhões de visitantes. O Hulu, portal de conteúdos de vídeos chancelado pelos grandes estúdios, obteve a sexta colocação e o Netflix, serviço de vídeo o-demand pago, vem em seguida, com 7,4 milhões de visitantes únicos.
O Netflix, contudo, se apresenta como o portal de maior engajamento das marcas; nele, cada internauta gasta uma média de 11h08 assistindo a vídeos oferecidos pelo serviço.
Fonte: M&M Online
terça-feira, 22 de fevereiro de 2011
Acesso à banda larga cresce 53% e atinge 36,1 mi no Brasil
Por Sofia Fernandes
De janeiro de 2010 a janeiro de 2011, o país teve um aumento de 53% no número de acessos à banda larga. Atualmente são 36,1 milhões de acessos à internet em alta velocidade, tanto de banda larga fixa como móvel.
Isso é o equivalente a 24 novas instalações por minuto no país durante esse período, segundo dados divulgados nesta terça-feira pela Telebrasil (Associação Brasileira de Telecomunicações).
O crescimento dos acessos móveis, como modems e terminais 3G (como os smartphones) foi de 85%.
Os serviços de internet rápida são ofertados hoje em 88% dos municípios do país, um total de 4.897 cidades.
Mais de 3 mil cidades ainda contam com uma única prestadora de serviço de acesso à banda larga, o que dificulta a redução de preços pela falta de competitividade.
Fonte: Folha.com
segunda-feira, 21 de fevereiro de 2011
A nova bolha da internet
Por Renato Cruz
Em 1999, um ano antes do estouro da bolha das ponto com, quando escrevia minha dissertação sobre internet, meu orientador de mestrado, o professor Kardec Pinto Vallada, disse que aquela situação lembrava a história do menino que tentou vender um filhote de cachorro por US$ 1 milhão, mas que, sem conseguir comprador, acabou trocando-o por dois gatinhos de US$ 500 mil.
Valor pode ser um troço muito subjetivo. O valor de uma empresa reflete a expectativa de resultados futuros. Qual é o potencial das empresas que atuam num mercado novo? Ninguém sabe.
O Facebook vale US$ 50 bilhões e, em meados de 2010, valia US$ 10 bilhões. Recentemente, o Twitter, que é deficitário, recebeu propostas de compra entre US$ 8 bilhões e US$ 10 bilhões. Em dezembro, era avaliado em US$ 3,7 bilhões. O preço da Zynga, que criou o jogo Farmville, é de US$ 10 bilhões. No ano passado, o Groupon recusou uma oferta de US$ 6 bilhões do Google e tem hoje valor estimado de US$ 15 bilhões.
Acho difícil esse cenário não ser considerado de bolha. Mas existem diferenças em relação àquela que explodiu em 2000. Em primeiro lugar, naquela época havia uma corrida para a abertura de capital. Hoje, essas empresas buscam conseguir o máximo de recursos fora da bolsa, de grandes investidores, adiando o lançamento de ações. Com isso, o alcance da bolha é mais restrito.
Em segundo lugar, os modelos de negócios são mais sólidos. O Twitter nem tanto, mas o Facebook e o Groupon fazem dinheiro. Não são como a Pets.com, empresa típica da bolha 1.0. Ela tentava vender pacotes de comida de cachorro (entre outros produtos) e, como o frete custava mais do que o produto, subsidiava o frete. Não tinha como fazer dar certo. A questão principal das ponto com (quem se lembra do termo?) de hoje é a real capacidade de crescimento.
Mas existe um lado positivo das bolhas. Elas aceleram o desenvolvimento do mercado. Sem as redes de telecomunicações e os centros de dados criados durante a bolha 1.0, não teríamos chegado a esta bolha 2.0.
Fonte: Estadão