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quarta-feira, 24 de agosto de 2011

Entre promessas e a realidade do mercado

Por Valério Cruz Brittos e Luciano Correia dos Santos


Próximo de completar quatro anos de instalação oficial da televisão digital terrestre (TDT) no país, a maioria dos telespectadores (ou pelo menos aqueles que têm acesso a esta plataforma midiática) ainda se pergunta pelas maravilhas anunciadas para este novo patamar tecnológico. A opinião e os desejos dos consumidores, base concreta de um dos maiores mercados de TV aberta do mundo, são fundamentais, pois deles depende uma consolidação mais rápida ou a prorrogação de prazos de implementação que, em última instância, serão responsáveis pela velocidade da migração do analógico para o digital.
O brasileiro tem exibido uma dinâmica capaz de vencer etapas tecnológicas com surpreendente celeridade, por seu interesse pela atualização na área e, mais recentemente, pela distribuição de renda e consequente inclusão sócio-econômica de classes até então excluídas. Tal disposição para a mudança tecnológica deu-se, por exemplo, na chegada dos CDs, os compacts discs, que substituíram a longa hegemonia dos LPs, os long plays da indústria fonográfica. Também ocorreu o mesmo em relação ao DVD (digital versatile – ou video-disc), que em pouco tempo remeteu os aparelhos de VHS (video home system) e suas bolorentas fitas para o museu do audiovisual.
O mercado televisivo e suas variadas tecnologias de operação constituem uma situação complexa, que depende dos próprios recursos técnicos empregados, de aspectos econômicos, geográficos e culturais. Foi no interior desta complexidade que se desenvolveu o mercado de televisão paga, cuja expansão é recente, essencialmente neste século, devido à ampliação da renda do brasileiro (permitindo que ele invista mais no seu próprio consumo cultural), exigências de níveis de programação diferenciada e aumento da oferta de canais.
Interatividade e múltipla oferta
Pesquisas têm demonstrado que parte significativa da clientela de TV por assinatura busca, acima de tudo, melhor qualidade de imagem na transmissão, sendo os canais abertos os de maior audiência, mesmo no sistema pago. Tomando em conta esse dado, seria natural um encolhimento do mercado de pay TV, após a chegada da TDT, com imagem e som digitais, anúncio de maior oferta de canais e promessa de interatividade. Entretanto, o que se verificou no período pós-TDT foi não só a manutenção, como a ampliação da televisão paga, cuja base de assinantes cresceu 30,7% em 2010.
A existência de um mercado de TV fechada forte, por si, não implica problemas estruturais e, de algum modo, atende à necessidade de múltiplas ofertas, mas, na comparação, explicita os limites e as perspectivas ainda não efetivadas da televisão digital. Até o momento, a TDT não representa aumento da quantidade de emissoras abertas. Ao contrário, os canais digitais são poucos, pois nem todas as operadoras hertzianas das cidades já em transição transmitem no novo sistema. Deve-se ainda considerar as más condições de recepção do sinal digital em zonas urbanas de cidades como São Paulo, verdadeiras manchas que se constituem em problema para sistemas de transmissão aberta.
Também permanece no nível das promessas a implantação de um canal de retorno baseado numa interatividade avançada, com opções para a realização de variados serviços de modo a ampliar o tipo de interação simplista presente em alguns programas da televisão brasileira, geralmente viabilizada através de uma linha telefônica ou de uso de internet. A interatividade efetiva, que municie o telespectador de ferramentas decisórias para o exercício de uma cidadania audiovisual, como também o atendimento a uma múltipla oferta que contemple um conceito amplo de diversidade, são dois desafios a serem enfrentados no aguardado esforço de remodelação das políticas públicas do setor. Caso contrário, a expansão e consolidação da TDT irá demorar, não permitindo a democratização deste setor, historicamente tão concentrado.

quarta-feira, 10 de agosto de 2011

Organizações Globo abrem-se ao debate

Por Alberto Dines

Oportuna e sugestiva a publicação – ou republicação – da Declaração de Princípios das Organizações Globo no último fim de semana (O Globo e Época).

A crise de identidade que assola globalmente a indústria, suas precipitações, vacilações e, agora, a lama que Rupert Murdoch jogou no ventilador, impõem algum tipo exposição – ou expiação – mesmo naqueles que não compactuam com suas idéias e métodos.

A imprensa que legitimamente exige tantas explicações deve dispor-se a oferecê-las. Esta mutualidade dá credibilidade à relação dos veículos jornalísticos com os respectivos públicos. O leitor/espectador deixa a sua condição passiva para tornar-se observador.

A partir do momento em que a Associação Nacional de Jornais (ANJ) assumiu o compromisso público de adotar algum tipo de autorregulação, e diante do vexame que a entidade autorreguladora do Reino Unido ofereceu à opinião pública mundial como cúmplice dos ilícitos praticados pelo News of the World, esse exercício de auto-análise propiciado pela maior empresa jornalística do país deve ser saudado. E entendido como passo inicial de um salutar processo de transparência.

Conceito ausente

O documento, além de longo, é ambíguo: em alguns momentos defende princípios e valores, em outros se revela indeciso em questões cruciais, inclusive no tocante à definição da sua própria razão de ser. A “breve definição de jornalismo” é imensa, imprecisa, antiquada e maçante. Jornalismo é algo vivo, eletrizante; se a sua definição não consegue ter os mesmos atributos algo está errado – na ontologia ou na formulação.

Partes dele nada têm a ver com princípios editoriais ou profissionais: são normas funcionais preparadas por especialistas em Recursos Humanos. Na seção II afirma-se em certo momento que as Organizações Globo não relativiza seus rígidos compromissos com o público. Mais adiante, porém, admite que “cenas chocantes receberão o tratamento devido de acordo com as características do público-alvo”. Será isso uma preparação para as inevitáveis concessões à Sua Majestade, a classe C?

Na seção III, onde se examinam os valores defendidos pelas Organizações Globo, está dito que estas são laicas. Não são. Este observador dispõe-se a prová-lo, desde que no espaço ou tempo da sua qualificada veiculação. Neste Observatório esta questão tem sido tratada pelo menos desde 2008.

O que nos remete à seção I, item “Isenção”, parágrafo “d”, onde está dito de maneira cabal e insofismável: “Não pode haver assuntos tabus”.

O importante, transcendental, é que as Organizações Globo acenderam o sinal verde para o debate. Mesmo que a palavra “pluralismo” não tenha aparecido ao ser acionado o mecanismo de busca.

Fonte: Observatório da Imprensa


quinta-feira, 21 de julho de 2011

Quando os espectadores se tornam parte do processo

Reproduzido do semanário The Economist, 7/7/2011; intertítulos do OI; tradução de Jô Amado

O anúncio de que Barack Obama apareceria dentro em pouco na televisão veio tarde, na noite de 1º de maio. “Potus [sigla para President of the United States] falará à nação esta noite, às 22:30, horário da Costa Leste”, dizia o tweet de Dan Pfeiffer, diretor de Comunicações da Casa Branca. A mensagem provocou uma explosão de especulações no microblog. Teria Muamar Kadafi sido morto num ataque aéreo? Teria Osama bin Laden finalmente sido localizado? De início, ambas as teorias tinham o mesmo número de defensores, a julgar pelo volume de tweets. Foi então que Keith Urbahn, principal assessor de Donald Rumsfeld, ex-secretário de Defesa, recebeu um telefonema de um produtor de televisão bem relacionado que queria entrevistar Rumsfeld sobre o assassinato de Bin Laden. E Urbahn escreveu no Twitter: “Fico sabendo por uma pessoa respeitável que mataram Osama bin Laden. Cruzes!”

Sua mensagem logo se espalhou pelo Twitter. Telejornais começaram a divulgar o caso, que foi confirmado uma hora depois por Obama. Posteriormente, soube-se que Sohaib Athar, um consultor de informática que vivia em Abbottabad, o vilarejo paquistanês onde Bin Laden vinha se escondendo, descrevera como a operação sucedera numa série de tweets (“Um estrondo que estremeceu as janelas, aqui em Abbottabad... Espero que não seja o começo de algo ruim”).

No dia seguinte, começou a circular na internet uma foto que dizia mostrar o rosto ensanguentado de Bin Laden, mas no Twitter isso foi rapidamente exposto como falso. Uma semana depois, um depoimento num site obscuro atribuído ao filho de Bin Laden, Omar – denunciando a morte de seu pai como “criminosa” e seu corpo jogado ao mar como degradante –, foi divulgado pelo mundo todo quando foi adicionado um link pelo Twitter de Leah Farrall, analista em contraterrorismo. Tudo isso mostra como as redes sociais estão mudando o jornalismo, diz Mark Jones, editor para assuntos globais da agência de notícias Reuters. “Todos os ângulos da matéria estavam no Twitter.”

Antagonismo entre blogueiros e jornalões

Pesquisas feitas na Grã-Bretanha e nos Estados Unidos sugerem que de 7 a 9% da população usa o Twitter, comparado a quase 50% que usa o Facebook. Mas os usuários do Twitter também influenciam, diz Nic Newman, ex-executivo da BBC para “mídia do futuro” e atualmente professor no Instituto Reuters da Universidade de Oxford. “A audiência não está no Twitter, mas as notícias estão no Twitter”, resume Jones.

Graças à ascensão das redes sociais, a notícia já não é colhida pelo repórter e transformada numa matéria, mas emerge de um ecossistema no qual jornalistas, fontes, leitores e espectadores trocam informações. Essa mudança começou em torno de 1999, quando as ferramentas dos blogs se tornaram amplamente acessíveis, diz Jay Rosen, professor de Jornalismo da Universidade de Nova York. O resultado disso foi “a passagem das ferramentas de produção para as mãos das pessoas até então conhecidas como audiência”, diz ele. A isso seguiu-se outra mudança: a ascensão da “mídia horizontal”, que tornou rápido e fácil para qualquer pessoa compartilhar links (via Facebook ou Twitter, por exemplo) com um grande número de pessoas sem o envolvimento de uma organização jornalística tradicional. Em outras palavras, as pessoas podem agir coletivamente como uma rede de transmissão.

Inicialmente, muitas organizações jornalísticas eram abertamente hostis a estas novas ferramentas. Nos Estados Unidos, o auge do antagonismo entre blogueiros e os jornalões foi no final de 2004, quando o programa 60 Minutes, telejornal da noite da CBS, divulgou, com base em comunicados vazados, que George Bush Jr. tinha se utilizado de conexões familiares para receber um tratamento favorável da Air National Guard na década de 70. Imediatamente, blogueiros questionaram a autenticidade dos comunicados. Um ex-executivo de jornalismo da CBS ridicularizou o blogueiro como “um camarada sentado na sala, em pijamas, escrevendo o que lhe passa pela cabeça”. Mas os blogueiros tinham razão. A CBS voltou atrás e Dan Rather, um dos nomes mais respeitados no jornalismo norte-americano, renunciou ao seu posto de âncora no início de 2005.

A maior influência no mundo árabe

Mas nos últimos anos, as grandes organizações jornalísticas mudaram de atitude. O êxito do Huffington Post, que foi lançado em maio de 2005 com uma combinação de reportagens originais pelos membros da equipe, posts em seu blog de voluntários (incluindo muitos amigos célebres de Arianna Huffington, cofundadora do site) e links com matérias jornalísticas em outros sites, mostrou a sedução pelo que Arianna chama de abordagem “híbrida”, que mistura o velho e o novo, o profissional e o amador. Desde então, jornais e telejornais criaram seus próprios blogs, contrataram muitos blogueiros e permitiram aos leitores que deixassem comentários, como nos blogs. Também pedem fotos, vídeos e outras contribuições de seus leitores e procuram material publicado na internet, incorporando, dessa forma, não-jornalistas ao sistema de informação.

Os jornalistas vêm se tornando mais inclinados a ver os blogs, o Facebook, o Twitter e outras formas de mídia social como um acessório de valor à mídia tradicional (e, às vezes, um corretivo). “Vemos essas coisas como sendo muito complementares àquilo que fazemos”, diz Martin Nisenholtz, do New York Times. Muitos jornalistas que subestimavam a mídia social mudaram de tom nos últimos meses, quando seu valor ficou em evidência na cobertura das revoltas árabes e no terremoto japonês, diz Liz Heron, editora de mídia social no New York Times.

Quando um jovem tunisino, Mohammed Bouazizi, ateou fogo em si próprio no dia 17 de dezembro para protestar contra a polícia ter confiscado sua banca de frutas e contra a falta de emprego para jovens, sua ação provocou de imediato manifestações de outros jovens na cidade de Sidi Bouzid. O vídeo de um protesto, liderado pela mãe de Bouazizi, foi postado no Facebook onde foi visto pela equipe de reportagem da al-Jazira, uma emissora de notícias via satélite fundada em 1996 e sediada no Catar que se tornou a plataforma de maior influência no mundo árabe. A al-Jazira exibiu o vídeo e, quando Bouazizi morreu – no dia 4 de janeiro, devido às queimaduras –, explodiam protestos por toda a Tunísia que acabaram se espalhando pelo mundo árabe.

Material útil

Mark Lynch, especialista em questões da mídia no Oriente Médio na Universidade George Washington, diz que a mídia social e a televisão por satélite trabalharam em conjunto para chamar a atenção para a primavera árabe. A mídia social disseminou imagens dos manifestantes na Tunísia que, de outra forma, poderiam ter sido reprimidos pelo regime, escreveu Lynch em seu blog na Foreign Policy. “Mas foi o fato da al-Jazira ter posto esses vídeos no ar... que trouxe essas imagens para a grande massa do público árabe e mesmo para muitos tunisinos que, sem isso, poderiam não ter compreendido o que se passava.”

Ocorre que a equipe da al-Jazira que faz a transmissão em árabe e inglês tinha passado por um treinamento intensivo de mídia social apenas um mês antes. “Foi em cima da hora”, diz Moeed Ahmad, chefe do serviço de novas mídias da emissora. Embora a al-Jazira já tivesse usado material da internet em coberturas anteriores, na Tunísia não havia outra opção, pois não tinha repórteres no campo. Com seus jornalistas recém-treinados para o uso desse material, a teoria foi rapidamente posta em prática.

O treinamento culminou uma iniciativa de dois anos da al-Jazira de fazer melhor uso da mídia social e teve início quando, durante a guerra de três semanas em Gaza (2008-2009), a audiência do canal passava rapidamente para a internet. Isso significava convencer os jornalistas de que a mídia social não representa uma ameaça, e sim “o mais valioso recurso que você pode ter”. Ao invés de enviar um repórter, por avião, para qualquer lugar, a al-Jazira pode utilizar redes de voluntários confiáveis cuja credibilidade foi atestada. Há também um website, chamado Sharek, onde podem ser postados fotos e vídeos (após avaliação) para as reportagens da al-Jazira na televisão e na internet.

Outras organizações jornalísticas vêm trabalhando de modo semelhante. O Sharek, que foi lançado em 2008, parece ter tido como inspiração o website iReport, da CNN. Mais de 750 mil pessoas se apresentaram como voluntárias do iReport e trabalhos vêm sendo enviados de todos os cantos da Terra. A cobertura do terremoto no Japão, em março, que em grande parte se baseou em material do iReport, ganhou para a CNN os melhores índices de audiência dos últimos cinco anos. “Por ter acontecido de maneira tão repentina, e numa área tão remota, o material adicional do iReport foi imensamente útil”, diz Mark Whitaker, editor administrativo da rede americana. “Vê-se que está crescendo.” Mas o conteúdo é sempre investigado antes de ir ao ar, acrescenta Whitaker.

Prática do furo

Verificar o material para garantir que é apropriado para ser transmitido pode ser um processo complicado, diz Mohamed Yehia, da BBC em língua árabe. Jornalistas examinam fotografias e vídeos, procurando sinais reconhecíveis, placas de rua, veículos ou armas, para determinar se as imagens vêm, de fato, de uma cidade ou região específica. Os sons ajudam. A sombra pode sugerir a hora do dia. Comparar previsões do tempo com selos da data pode revelar se um vídeo ou uma fotografia foi realmente feito numa data específica. Yehia acrescenta que, mesmo após a verificação, o material não é utilizado caso identifique pessoas e possa colocá-las em perigo.

Verificar fragmentos de informação, como é o caso com o Twitter, é mais difícil. Os tweets podem ser uma maneira simples de avaliar a opinião do público sobre uma questão e são frequentemente incorporados à cobertura jornalística como “vox pops” digitais. Muitos jornalistas usam o Twitter para pedir dicas ou informações e localizar fontes. Mas o Twitter é um fórum público, no qual qualquer pessoa pode dizer qualquer coisa. Neal Mann, produtor que trabalha para o Sky News, canal britânico por satélite que é controlado pela News Corporation, acredita que é dever do jornalista fornecer informação confiável, no Twitter como em qualquer outro lugar. Ele trabalha com uma rede de contatos confiáveis por todo o mundo e passa seus tweets à sua equipe. Já Andy Carvin, estrategista de mídia social da NPR que se tornou conhecido por ter monitorado, via Twitter, os acontecimentos da primavera árabe, não tenta verificar a exatidão de cada tweet antes de publicá-lo. Em vez disso, pede à sua equipe que o ajude a avaliar a confiabilidade de tweets individuais.

De qualquer maneira, é evidente que há um papel para as pessoas – incluindo jornalistas, mas não apenas eles – selecionarem, filtrarem e analisarem a torrente de informações postadas na internet. “Ainda é necessária uma função editorial – ainda é necessário alguém que ponha sentido naquilo tudo”, diz Jack Dorsey, cofundador do Twitter. Esse processo é chamado, em jargão da mídia social, de “cura” [no sentido de conservação] e existe um grande número de ferramentas disponíveis para fazê-lo. O website Storify, por exemplo, permite aos usuários organizarem itens da mídia social (incluindo tweets, posts do Facebook, vídeos do YouTube e fotos do Flickr) em narrativas cronológicas. A narrativa que dali resulta pode ser fixada em páginas de outros sites. Os websites Keepstream e Storyful trabalham de maneira semelhante. Tudo isso levanta a questão de saber se algumas matérias podem ter melhor cobertura se forem constantemente atualizadas por fluxos de tweets, e não de artigos tradicionais. Resumindo, ao proporcionar mais material do que nunca de onde destilar a notícia, por um lado a mídia social dispensa o papel dos editores e, por outro, mostra a necessidade deles. As organizações jornalísticas já vêm abandonando a prática do furo, esforçando-se, em vez disso, por serem as melhores em verificar e “curar” a informação, diz Newman. Porém, como ocorre com outros aspectos do jornalismo, também esse papel agora está aberto a qualquer pessoa.

A “a recriação do refrigerador”

Assim como o envolvimento (caso queiram) na coleta, verificação e “cura” da informação, leitores e espectadores também se tornaram parte do sistema de distribuição da notícia, pois partilham e recomendam itens de interesse via e-mail e redes sociais. “Se a busca pela informação foi o desenvolvimento mais importante da década passada, a partilha da informação pode estar entre os mais importantes da próxima década”, destaca um recente estudo sobre o consumo de informação online nos Estados Unidos feito pelo Projeto para a Excelência do Jornalismo, do Centro de Pesquisa Pew. Tipicamente, cerca de 20 a 30% das pessoas que visitam websites de grandes organizações jornalísticas vêm do buscador Google ou de seu site de notícias, Google News. A proporção de visitantes que vêm do Facebook é inferior, mas cresce rapidamente na medida em que as características de partilha social se tornam mais comuns e mais fáceis de usar. Com um único clique na tecla “recomendar” do Facebook, por exemplo, você pode recomendar uma matéria, um vídeo ou um show de slides para toda a sua rede de amigos. Alguns sites de notícias apresentam aos visitantes uma lista de matérias recomendadas por seus amigos por acharem que a aprovação por parte de alguém que você conhece dá mais peso. “Este ano, você verá cada vez mais sites onde as referências às redes sociais superam aquelas das ferramentas de busca”, diz Joshua Benton, do Nieman Journalism Lab. “O Facebook começa a juntar-se ao Google como um dos mecanismos mais influentes em guiar audiências de notícias”, observa o estudo do Pew Center, pois a partilha social dirige os leitores para as matérias que são mais populares em seu círculo social.

Permitir que sua rede de amigos o guie para coisas que você pode achar interessantes faz todo o sentido, diz Nick Denton, fundador da rede de blogs Gawker Media. Os amigos são bons substitutos para o gosto das pessoas, diz ele, e a recomendação social é muito mais eficiente do que manter listas de palavras-chave relacionadas a tópicos de interesse. Ou, melhor ainda, “você recebe os felizes acasos que as pessoas diziam que se iriam perder com as notícias personalizadas”. Ao mesmo tempo, diz Bret Taylor, principal responsável pela tecnologia no Facebook, as recomendações sociais são “a recriação do refrigerador” ao aumentarem as possibilidades, num panorama de mídia fragmentada, de amigos e parentes poderem ver as mesmas coisas.

Milhões de novas pessoas

O Flipboard, um aplicativo acessível no iPad, vai mais longe. Pode compilar uma revista personalizada por inteiro, com páginas que se podem virar e nas quais os artigos são itens recomendados por contatos do usuário no Facebook e no Twitter. Outros aplicativos de notícias e websites, como News.me e Trove, fazem o mesmo. John-Paul Schmetz, veterano da indústria de mídia alemã e cofundador do Cliqz – outra recente recomendação social –, diz que esses serviços são necessários pois a explosão de conteúdo online na década passada significa que “você passa muito tempo filtrando e não passa muito tempo lendo”. Mais do que meramente confiar em editores humanos ou algoritmos irracionais para encontrar o melhor conteúdo, diz ele, faz sentido usar uma abordagem híbrida, analisando contatos e comportamento em redes sociais para encontrar itens interessantes. Nick Denton, no entanto, preocupa-se com o fato de que a passagem da informação por filtros sociais torna as organizações jornalísticas dependentes demais do Facebook. E Bret Taylor insiste que não existe conflito porque sua empresa não produz conteúdo – apenas proporciona uma “distribuição valiosa” para ele.

É evidente que cada vez mais leitores e espectadores se envolvem em coletar, filtrar e distribuir informação. Alan Rusbridger, editor do Guardian, chama isso de “mutualização” da informação. “Se você permite a contribuição de outros, geralmente obtém um conteúdo mais rico, melhor, mais diversificado e especializado do que se você tentar fazê-lo sozinho”, diz. O envolvimento de milhares de leitores por meio de fontes múltiplas [crowdsourcing] também permite às empresas jornalísticas fazer coisas que, de outra forma, seriam impraticáveis, como procurar, em pilhas de documentos, algum material interessante.

“Ao invés de pensarem que fazem a agenda e conduzem a conversa, as organizações jornalísticas precisam reconhecer que atualmente o jornalismo é apenas parte de uma conversa que, de qualquer maneira, continua”, aponta Jeff Jarvis, guru da mídia da City University, de Nova York. O papel dos jornalistas neste novo mundo é acrescentar valor a essa conversa proporcionando a reportagem, o contexto, a análise, a verificação, a desmistificação e tornando acessíveis ferramentas e plataformas que permitam às pessoas a participação. Tudo isso exige que os jornalistas reconheçam que não detêm o monopólio da sabedoria. “Dez anos atrás, essa era uma ideia incrivelmente ameaçadora – e ainda é, para algumas pessoas”, diz Rusbridger. “Mas no mundo real, o fato de se agregar aquilo que as pessoas sabem será, na maioria dos casos, mais do que sabemos sentados no escritório.”

Um estudo do Pew Research Center publicado em maio de 2010 salienta que 37% dos usuários de internet norte-americanos, ou 29% da população, “contribuíram para a criação de notícias, comentaram as notícias e as disseminaram por meio de posts em sites da mídia social, como o Facebook e o Twitter”. Hoje, esse número é provavelmente muito superior, pois a pesquisa do Pew Center, apurada em abril de 2010, é anterior à inauguração da tecla “Recomendar” do Facebook, que torna partilhar uma matéria jornalística (ou qualquer outra coisa) tão simples quanto um clique do mouse. Apenas uma pequena proporção dessas pessoas fornece conteúdo, ou comentários e partilhas. Mas, como destaca Jay Rosen, mesmo que apenas 1% da audiência esteja envolvida no sistema de informação, isso significa milhões de novas pessoas. “Não é verdade que todo mundo seja jornalista”, diz ele. “Mas muito mais gente está envolvida.”

Fonte: Observatório da Imprensa

segunda-feira, 27 de junho de 2011

Vídeos online: a paixão dos brasileiros

Que os brasileiros estão entre os maiores usuários de internet do mundo já é um consenso. Novos dados de uma pesquisa, porém, mostram que, além de gostar de navegar na web, os internautas do País também são os maiores admiradores dos vídeos online.

Segundo um estudo feito com 6,5 mil internautas da Alemanha, Austrália, Brasil, Espanha, Estados Unidos, Itália e Reino Unido pela Accenture, os brasileiros são aqueles que mais assistem a vídeos pela internet. Dos entrevistados do Pais, 89% afirmou assistir frequentemente a vídeos em seu computador. O índice é maior do que o segundo país colocado na pesquisa, os Estados Unidos (80%) e o Reino Unido (75%).

Apesar disso, as mídias tradicionais (como a televisão) continuam no topo da preferência dos brasileiros. Para 90% dos internautas do País, é na TV que eles preferem assistir a diferentes tipos de conteúdo. Apesar da conservação de antigos hábitos, a diversificação de mídia e de telas já é algo evidente no Brasil e também nas outras nações.

Considerando os entrevistados de todos os países da pesquisa, 72% afirmaram utilizar laptops para assistir a vídeos, enquanto 63% consomem o conteúdo também por telefone celular e 21% já são adeptos do vídeo pelos tablets.

Já no Brasil, 40% dos pesquisados já assistem a conteúdos em vídeos por laptops, netbooks, notebooks ou smartphones. Até o hábito de assistir à programação televisiva já está migrando para a telinha do computador, uma vez que 35% dos entrevistados garantem que veem seus programas de TV na web.

sexta-feira, 24 de junho de 2011

Brasileiro lê mais jornais via tablets

O brasileiro é o povo que mais lê jornais por meio de tablets e de smartphones. Segundo um levantamento feito pela consultoria norte-americana ComScore, O Brasil é a nação com maior tráfego de sites de conteúdo jornalístico fora de computadores e notebooks (ou seja, com acesso via aparelhos móveis).

De acordo com a avaliação da consultoria, que foi publicada na edição desta sexta-feira, 24 de junho, do jornal Folha de S.Paulo, a média da leitura de jornais em tablets e smartphones no Brasil chega a ser duas vezes maior do que o acesso a outros tipos de notícias.

A ComScore avaliou 13 mercados e concluiu que, após o Brasil, o Chile é o segundo país com maior leitura de jornais via dispositivos móveis. No Brasil, somente o iPad (tablet da Apple) é responsável por 31,8% de todos os acessos a jornais por dispositivos móveis. O segundo aparelho mais utilizado é o iPhone, também da Apple, que detém 21% do uso total.

sexta-feira, 17 de junho de 2011

A mídia como freio social

Por Luciano Martins Costa

Na semana passada, durante debate na Pontifícia Universidade Católica de São Paulo, estudantes questionavam por que razão a imprensa tradicional funciona como um freio na sociedade, embora se esforce por parecer moderna e vanguardista.

Os participantes do evento não avançaram na discussão, mas o tema merece alguma reflexão.

De fato, se observarmos os movimentos sociais, iremos constatar que, de modo geral, a imprensa, como instituição, não atua de modo constante como força mobilizadora de mudanças. Quase sempre faz conjunto com as forças mais conservadoras da sociedade.

Há exceções, condizentes com os papéis que assume este ou aquele veículo de comunicação, principalmente no temas comportamentais ou mundanos.

Mas, no que se refere aos assuntos centrais do noticiário, como a política e a economia, pode-se perceber que a primeira resposta de jornais, revistas e meios eletrônicos associados às empresas dominantes de comunicação é sempre a mais conservadora.

Continuidade

Mesmo quando algum evento extremo ou escandaloso evidencia a necessidade de reformas, por exemplo, a imprensa se omite no aprofundamento dos debates e deixa esfriar o ânimo da mudança. Nesse sentido, pode-se alinhar uma série de acontecimentos que nunca merecem continuidade ou destaque no noticiário.

Por exemplo, as propostas legislativas de iniciativa popular, as consultas públicas e outras formas de suprir deficiências do sistema representativo são apenas pontualmente noticiadas mas nunca merecem o tratamento de alternativas válidas para as omissões do Parlamento.

Da mesma forma, os crimes na fronteira agrícola da Amazônia saem nos jornais mas logo desaparecem e nunca se discute o conflito agrário e as possíveis relações entre mandantes de assassinatos.

Instituição a serviço da imobilidade

Mesmo que rotineiramente se dedique a expor as mazelas do sistema, a imprensa se nega a colocar em debate público a possibilidade de mudanças estruturais, ainda que cabíveis no regime democrático e republicano.

Uma das causas pode ser o fato de que a mídia, em sua natureza, seleciona e oferece padrões, dita modas e modos, incorporando novos comportamentos às estruturas sociais e culturais já consolidadas, domesticando a novidade para que caiba nos padrões convencionais. Trata-se de uma instituição a serviço da imobilidade, ou de uma mobilidade relativa e sempre sob controle.

Como todas as instituições que fiscaliza e critica, a mídia tem ojeriza a rupturas. Por essa razão, é vista mais como freio do que como acelerador de mudanças na sociedade.

publicado originalmente no Observatório da Imprensa

Fonte: Adnews

terça-feira, 24 de maio de 2011

Net amplia leque de canais em HD

Por Redação Meio e Mensagem

A Net deve anunciar em breve os novos canais em HD que passam a fazer parte do line up. São quatro novos canais: Record HD, History Channel HD, Sony HD e Warner HD. Com isso, a operadora passa a ter 24 canais.

A Net também trabalha na expansão do serviço Now, plataforma de vídeo on demand (VOD) lançada há pouco para clientes HD da empresa. “O now tem quase 90% de conteúdo gratuito. O conteúdo pago é a janela do DVD que ainda não chegou à TV por assinatura, como o filme Tropa de Elite 2, que pode ser alugado virtualmente pelo Now”, afirma o diretor de programação da Net, Fernando Magalhães.

Com mais de dois mil títulos disponíveis, o Now deve estar disponível para todos os clientes da Net HD do Rio de Janeiro e de São Paulo até o final deste ano, afirma Magalhães.

quarta-feira, 4 de maio de 2011

Mídia no Brasil: mais do mesmo

Por: André Porto Alegre


A divulgação dos resultados dos cinco maiores grupos de comunicação do Brasil apresentados na última edição do Meio & Mensagem, é reflexo do comportamento dos profissionais de mídia e condiz com a realidade vivida nas salas de espera das grandes agências brasileiras.

Apesar do discurso fácil que defende a pulverização da verba publicitária dos anunciantes pelos mais variados meios e veículos de comunicação, o dia a dia de uma agência de propaganda apresenta um único dado de realidade: o número de PI`s (pedidos de inserção) para Globo, Estadão, Folha, RBS e Abril (e seus respectivos grupos de empresas) é diretamente proporcional ao número de contatos publicitários dos outros veículos sentados na sala de espera. Ou seja, crescem as PI`s dos cinco à medida que crescem as oportunidades de mídia em outras plataformas de comunicação, que, com muito custo, conseguem espaços nas agendas dos atolados profissionais de mídia envolvidos no penoso e trabalhoso processo de autorizar inserção para cinco empresas.

Portanto não há o que comemorar no crescimento de 17,7% do bolo publicitário que resulta em um faturamento de 29,1 bilhões de reais se, desse montante, 18 bilhões ou 61% se destina aos cinco grupos de comunicação.

Não se trata de colocar em dúvida a capacidade dessas empresas, ícones da comunicação nacional, em promover um constante e consistente processo de modernização capaz de encantar agências e anunciantes com inovações pertinentes (SIC). Não se fortalece uma indústria, principalmente a de comunicação, com concentração de recursos em um país de 200 milhões de habitantes espalhados por 8 milhões de quilômetros quadrados.

A concentração dos investimentos de mídia no Brasil é um inequívoco sinal de atraso da nossa indústria incapaz de financiar as novas alternativas. Continuamos a fazer mais do mesmo, míopes diante da mudança de comportamento do consumidor. Continuamos a acreditar na ladainha promovida pelos que só se interessam pela manutenção desse status quo e disfarçam seus objetivos com os argumentos de defesa do modelo de negócio da propaganda brasileira.

Esse é o nosso modelo de negócio, o modelo da concentração e da hegemonia que, convenhamos, é desprovido de afinidade com a realidade dos consumidores e por isso, só por isso, tem seus dias contados.

Fonte: Meio e Mensagem

terça-feira, 3 de maio de 2011

A morte de Osama nos meios de comunicação

Por: Redação M&M Online

Após ter amanhecido com a bombástica notícia do assassinato do homem mais procurado do mundo, a mídia impressa nos Estados Unidos dedicou todo seu espaço e capas para noticiar o extermínio daquele que, há uma década, era considerado o principal algoz do pais: Osama Bin Laden.

Por conta do horário em que o presidente Barack Obama discursou - 22h30 hora local de Nova York -, anunciando ao mundo que Bin Laden havia sido capturado e morto pelas tropas dos Estados Unidos, praticamente todos os jornais (de todos os distritos) dos Estados Unidos tiveram tempo para preparar capas bem chamativas, com grande destaque para a foto do ex-líder da Al-Qaeda e textos curtos – alguns com apenas uma palavra – que exprimiam a vitória do País contra o inimigo.

As frases “Bin Laden killed” e “USA kills Bin Laden” dominaram as capas dos principais jornais dos Estados Unidos. Alguns, como o Arizona Daily Star e o The Bakersfield Californian, foram mais ufanistas, destacando uma das frases do presidente norte-americano: “Justice has been done” (a justiça foi feita). Em todo o país, mais de uma centena de capa de jornais (de grande e menor circulação) deram espaço para a notícia.
As capas dos jornais norte-americanos desta segunda-feira 2 podem ser conferidas na seção “Today’s Front Pages” do site Newseum , especializado na cobertura da mídia naquele país (clique aqui para ver)

Brasil

Por conta do avançado horário – passavam de 23h45 quando a notícia começou a repercutir na internet e se iniciaram as exibições nos canais internacionais da TV por assinatura -, a maioria dos jornais brasileiros já estava com suas primeiras páginas fechadas e em fase adiantada de impressão nas gráficas, sendo possível aos mais tecnicamente capazes incluir a nova notícia em partes dos exemplares da tiragem.
Na televisão, o programa Manhattan Connection, da GloboNews, quase ao final teve sua transmissão interrompida para a entrada do plantão.

No entanto, na TV aberta, só após quase meia hora, mais precisamente às 0h27, a Rede Globo interrompeu a exibição do longa “A Rocha” e entrou com o plantão ao vivo, trazendo de volta à tela a dupla de apresentadores do Fantástico, Patricia Poeta e Zeca Camargo.

A esta altura, os grandes portais de notícias nacionais já estampavam na sua home a notícia.

Minutos depois, o pronunciamento do presidente Barack Obama foi transmitido pela Globo e Globonews, ao lado dos canais de notícia internacionais CNN e Fox News.

terça-feira, 19 de abril de 2011

REGULAÇÃO EM DEBATE - Propaganda, estratégias e controle

Por Valério Cruz Brittos e Francine Bandeira

"Uma mentira cem vezes dita, torna-se verdade." Foi pensando assim que a propaganda nazista do ditador Adolph Hitler, desenvolvida com a colaboração direta de Joseph Goebbels, dono da frase, prosperou durante 12 anos. A propaganda sugere ideias que, aos poucos, podem modificar a conduta, as escolhas e até as convicções filosóficas ou religiosas. A propaganda é elemento vital da política e da ideologia, sendo a arte de convencer pela palavra antiga. Antes mesmo de Lênin e Trotski, houve líderes que reconheceram a importância da propaganda política, como Napoleão Bonaparte.

Os nazistas acreditavam que a propaganda era essencial para disseminar sua ideologia. A maioria da propaganda na Alemanha foi produzida pelo Ministério da Conscientização Pública e Propaganda. Goebbels, peça fundamental na difusão do nazismo, foi encarregado desse Ministério logo após a tomada do poder por Hitler, em 1933. Além de censurar os veículos de imprensa, Goebbels fazia filmes que ludibriavam a população com promessas de um mundo melhor através da supremacia ariana. Controlava o rádio, a televisão e os jornais, divulgando seus filmes e discursos panfletários em favor do nazismo.

No século 20, os três suportes da propaganda tradicional – a imagem, a escrita e a palavra oral – foram expandidos. O grande meio de comunicação, na época da ascensão do nazismo, era o rádio. Hitler aumentou a potência e a quantidade de transmissores e receptores, realizou audições comunitárias, com alto-falantes nos postes, para que deixasse de ser hipnotizado pela palavra do führer. Leni Riefenstahl, através da arte politizada no cinema, estabeleceu uma nova linguagem do audiovisual.

A força da propaganda

Se, naquele tempo, com os recursos insuficientes da primeira metade do século 20, toda essa alegoria comunicacional foi feita, comparando com o momento atual, a era da comunicação globalizada, dos meios de comunicação de massas em tempo real, o impulso publicitário pode fazer muito mais com a população quando esta pode receber mensagens de modo segmentado e até individualizado, recriando-as, a partir da lógica dos produtores, o que, por isso, não elimina o caráter massificado do modelo que impera no sistema comercial.

A análise do nazismo mostra que o esquema interno da propaganda política foi construído através da união de técnica, arte e ideologia. Ao condenar-se com veemência esse momento sangrento da história, deve-se admitir que foram Hitler e Goebbels, seu braço direito e ministro, que obtiveram com maior sucesso os resultados das técnicas usadas para o controle de opinião pública. Hitler usou a propaganda com insistência para unificar o país que fora retalhado pelo Tratado de Versalhes, identificando e classificando o que considerou seus inimigos comuns. O êxito dele foi uma enorme perda para a sociedade alemã e mundial.

O principal em toda campanha de propaganda é a permanência do conceito unida à multiplicidade de apresentação. Mesmo com todo o aparato técnico e criativo, Hitler, felizmente, não atingiu seu objetivo, o que não foi por responsabilidade da propagada. Portanto, neste momento em que, no Brasil, se discute um marco regulatório para as comunicações, é importante que se tenha reafirmada a força da propaganda, devendo ela também estar sob controle social, para que, por consequência, esteja a serviço da democracia e da solidariedade, de forma que ditaduras e barbáries fiquem cada vez mais distantes.

Fonte: Observatório da Imprensa

segunda-feira, 21 de março de 2011

Vídeos online responderão por mais de 50% do tráfego de Internet até 2014

Por Leitícia Cordeiro

Até 2015, o tráfego de Internet deve aumentar em sete vezes em relação ao volume registrado em 2010, de acordo com estimativas da Informa Telecoms & Media. A previsão é que passe de 183 mil petabytes registrados no último ano para 1,259 milhão de petabytes. E o grande propulsor será, como esperado, o vídeo. O interessante é que o pear-to-pear (P2P), que até então respondia pela maior concentração do tráfego de dados mundial, embora deva apresentar crescimento de 30% ao ano no período, perderá importância para o trafego gerado por vídeos online, que responderão sozinhos por mais de metade do tráfego até 2014.

De acordo com o relatório, já em 2010 o tráfego de vídeos online já ultrapassou o de P2P, por uma margem de apenas 0,7, cada um com cerca de 40% do volume total de dados trafegados mundialmente. Em 2015, a estimativa é de que vídeos online sejam pouco menos de 60% do tráfego, contra um volume de 20% de P2P.

O ponto-chave é que, até então, a maior parte dos streamings de vídeo acontece em computadores e em resolução-padrão (SD) e a tendência é de que até 2015 o streaming de vídeos em alta definição (HD) seja maior do que o de SD e a quantidade de vídeos online transmitidos diretamente para TVs conectadas chegue a 10% do tráfego total de dados em todo o mundo.

Fonte: Tela Viva

terça-feira, 15 de fevereiro de 2011

Mídia social faz do Egito janela para jovens

Por Luciana Coelho

Para especialista da NPR, rádio pública dos EUA, milhões no mundo árabe estão atentos ao que ocorreu no país. Andy Carvin agiu como "curador" de notícias nos 18 dias da revolta, filtrando e repassando informações on-line

BOSTON - Se havia dúvidas sobre o papel das mídias sociais nos movimentos populares recentes, os protestos que culminaram na queda do ditador Hosni Mubarak no Egito as dissiparam. Sobrou apenas a questão da dimensão. "Não dá para adivinhar o que vai acontecer daqui para frente, mas há dezenas de milhões de jovens no mundo árabe prestando muita atenção ao que acaba de ocorrer no Egito", diz Andy Carvin. Estrategista-sênior para mídias sociais na NPR, a respeitada rede pública de rádio americana, Carvin organiza comunidades on-line há mais de uma década. Durante a revolta, ativou contatos no Egito e tuitou 18 dias sem parar, atuando como editor-curador do noticiário -viesse ele de jornalistas ou ativistas, Carvin impôs um padrão de qualidade. A Folha conversou com Carvin por e-mail sobre ativismo, redes sociais, jornalismo e as formas como os três se interligaram no Egito.

Folha - Quão cruciais foram as redes sociais no Egito?
Andy Carvin - Não há dúvida de que tiveram um papel. Há anos existe um grupo de blogueiros dissidentes, tanto dentro quanto fora do Egito, que se comunica e comunica ao mundo seu desejo de mudança. Eles também usam o Facebook e o Twitter para atrair mais gente.

Claro, em última análise, a ação teve que acontecer no mundo real -protestos, ocupações-, mas parte dessas atividades foi organizada e difundida por mídias sociais.

O jornalista Malcolm Gladwell argumenta que as redes sociais não criam movimentos sozinhas se as condições para isso não existirem em campo. Afinal, elas são catalisadores ou detonadores?
Por centenas de anos, as revoluções usaram as ferramentas que tinham à mão para avançar. É esquisito argumentar que manifestantes não usariam a mídia social, que é a ferramenta de hoje.

Uma crítica ao Twitter é que muita gente fala e ninguém ouve. O assunto Egito dominou a rede por três semanas. O interesse o surpreendeu?
Passei quatro anos no Twitter cultivando fontes, interagindo com pessoas. Não estou surpreso. A diferença, desta vez, é que muita gente que eu retuitava estava envolvida na revolução. Virei um curador de informações.

Como foi lidar com essa quantidade de informação?
Sigo vários veículos de imprensa, e na maior parte do tempo estava com Al Jazeera ou CNN ligadas. Montei minhas listas de jornalistas no Egito, especialistas em Oriente Médio, ativistas etc., além de monitorar vídeos no YouTube e no Facebook.

Eu conhecia vários dos manifestantes egípcios havia anos, sabia que podia confiar neles. Em muitos casos, as pessoas em campo eram mais confiáveis do que os veículos, mas isso é anormal numa situação tão fluida.

Também pedi para citarem a fonte da informação. Ajudou a separar fato de boato.

Como você vê a interação entre jornalismo e Twitter?
A Al Jazeera tinha meia dúzia de jornalistas tuitando, e segui-los foi bem útil naqueles dias. A CNN, a ABC, a NBC [redes de TV americanas] e a NPR também tinham gente tuitando, embora menos. Muitos estavam usando o Twitter como ferramenta para reportagem; outros, para encontrar as pessoas dentro de seu processo de apuração.

Apesar de censuras e prisões, o Egito mostrou ter uma comunidade vibrante on-line. O que tornou isso possível?
Acesso à internet e um grupo de pessoas mais educadas e familiarizadas com tecnologia, que estava cheia desse regime havia muito tempo.

Que semelhanças essa comunidade tem com outras?
O Egito parece ser o país [da região] com a cultura de blogs políticos mais forte. Muito semelhante à Tunísia, mas em escala bem maior. Acho que isso fez diferença.

Fonte: FNDC

sexta-feira, 11 de fevereiro de 2011

CRISE NO EGITO - Sinais que a mídia não capta

Por Alberto Dine

Acostumada com a linearidade e as simplificações ocidentais, a mídia não está percebendo a linguagem cifrada, sutil, que chega do Oriente.

Os telejornais e portais da noite de quinta-feira (10/2) não souberam fazer a leitura correta dos despachos que chegavam do Cairo. Queriam a renúncia formal do ditador Hosni Mubarak e não perceberam que o rais já não manda, agora é apenas o chefe de Estado, de jure. A república castrense voltou a funcionar ostensivamente como acontece há quase 60 anos consecutivos, desde a derrubada do rei Faruk.

Mais competência

Na reunião de quinta-feira do Conselho Supremo das Forças Armadas – sem a presença de Mubarak, teoricamente seu chefe – foi emitida uma nota de apoio às exigências legítimas do povo, denominada de Comunicado Número 1:

"O Exército continuará examinando medidas a serem tomadas para proteger a nação e as ambições do maravilhoso povo egípcio".

Mas quem ameaça o Egito? É exatamente isto que falta explicar à multidão acampada na Praça Tahrir. Em algum momento a explicação será dada, porém sem dramatizações. O líder oposicionista El-Baradei já pediu a intervenção do exército antes que o país seja varrido por uma explosão popular.

O cenário está armado, faltam os novos atores. A mídia trouxe a Praça Tahrir para o centro do mundo. Agora, além da coragem para enfrentar a repressão precisará de muita competência e conhecimento para traduzir as complexidades de uma revolta sem revolução.

Fonte: Observatório da Imprensa

sexta-feira, 4 de fevereiro de 2011

Ministro reafirma que governo não intenciona controlar conteúdo da mídia

Redação Portal IMPRENSA

O ministro das Comunicações, Paulo Bernardo, reafirmou que o governo não quer controlar o conteúdo das emissoras de rádio e TV pelo fato de ser "inconstitucional". A declaração foi feita nesta sexta-feira (04), após o ministro ter sido questionado sobre o projeto de criação do marco regulatório para a mídia. "Essa intenção do governo de regular a mídia eletrônica está na Constituição. Tem pelo menos quatro ou cinco artigos da Constituição que mencionam isso e que tratam do conteúdo", disse Bernardo em entrevista ao canal NBR TV.

O ministro ressaltou que a Constituição Federal já estabelece regras para as redes de rádio e TV do país, e que proíbe "manifestação de cunho racista e atentado contra crianças e adolescentes". Bernardo disse, ainda, que o governo pretende "fortalecer a democracia" e não retroceder. "Agora, se a Constituição prevê essas coisas, nós temos de ter uma legislação dizendo como isso vai se dar", informou.

O anteprojeto de regulação da mídia foi deixado pelo ex-ministro da Secretaria da Comunicação Social (Secom), Franklin Martins, e abrange a regulamentação de artigos da Constituição sobre produção de conteúdo nacional e investimento de capital estrangeiro em veículos de mídia brasileiros.

Além disso, o texto prevê a criação da Agência Nacional de Comunicação (ANC), que substituiria a Agência Nacional de Cinema (Ancine) e teria poderes para aplicar multas em caso de programação considerada abusiva ou imprópria para determinado horário, além de proibir a concessão de emissoras de rádio e TV a políticos.

Durante a entrevista, Bernardo falou sobre a entrada das empresas de telecomunicações no setor de comercialização de TV por assinatura, e acredita que deve haver uma regulação para a área. "Hoje é comum, você vai mandar ligar um telefone e já te oferecem TV a cabo, internet. Acho importante fazer a regulação dessas coisas", disse.

terça-feira, 1 de fevereiro de 2011

CONVERGÊNCIA DE MÍDIAS - As propriedades descruzadas

Por Nelson Hoineff

O projeto de concessão única para os meios de comunicação estabelece o óbvio: no século 21, a ideia de "propriedade cruzada" é anacrônica. Desde os anos 1990, os meios de comunicação tornaram-se, em qualquer parte do mundo, inclusive no Brasil, uma coisa só. O que muda é a plataforma. E a compreensão das fronteiras existentes entre a produção e a difusão da informação.

Atribui-se ao empresário Nelson Tanure, nos últimos anos do Jornal do Brasil impresso, a afirmação que "jornal não é feito para produzir notícias, mas para divulgá-las". Verdadeira ou não, a expressão traz muitos ensinamentos. O JB, por exemplo, deixou de existir no momento em que optou por não mais produzir informação; sua migração para a internet tornou-se irrelevante justamente por causa disso – não interessa o mínimo, para um veículo de comunicação, a plataforma através da qual ele não produz informação.

Formas narrativas de massa

Empresas de comunicação do planeta inteiro unificaram, com diferentes nomes e modelos, seus núcleos de produção de informação, precisamente porque na produção da informação está a base única sobre a qual qualquer veículo se assenta. Não há como, em nome de defesa de postos de trabalho, por exemplo, exigir que seja de outra maneira. Os postos de trabalho transferem-se naturalmente para a formatação do conteúdo – jornal, internet, televisão, telefonia móvel, o que for.

Retardar artificialmente o desenvolvimento tecnológico nunca deu em boa coisa. O Brasil tem vários exemplos disso. Os setores da informática e da TV por assinatura são só alguns. Naquele caso, a reserva de mercado fez com que até hoje lutemos para reduzir a multidão de excluídos digitais; neste, um freio de quase 15 anos desenhou um mercado que hoje atinge menos de 15% da população.

A convergência midiática teve que ser assumida nos últimos cinco ou seis anos, de maneira gritante, pela indústria do entretenimento audiovisual. Até então, era possível falar-se em cinema, televisão, DVD, games, como indústrias distintas e autônomas. Hoje, é muito difícil – e impossível, no caso das grandes corporações – pensar na construção de conteúdo que não seja multiplataforma.

Imaginar que isso restringiu a demanda por produção é um brutal engano. Narrativas transmidiáticas tornaram-se necessárias para a própria existência do conteúdo. Muitas coisas nascem daí. Uma delas é a percepção de que o usuário identifica-se com o meio, mais talvez que com o conteúdo. Outra é o entendimento que formas novas de expressão transmidiáticas foram criadas e ficarão para sempre. Não são gadgets atrelados ao modismo; são formas narrativas de massa, onde a televisão depende da internet, que por sua vez depende de qualquer outra mídia.

Desenvolvimento e obscurantismo

Em 2011, o criador audiovisual que entregar uma ideia em Los Angeles que não tenha seus tentáculos no cinema, na televisão, na internet, nos games e no que mais for necessário, ocupará melhor seu tempo procurando um novo emprego. As mídias e o tratamento são diferentes, mas dependem da mesma história. Ao se interconectarem, potencializam o conteúdo e o mercado. Daria uma boa paródia uma trama em que algum ministério ou agência reguladora de qualquer país fosse dizer que, na feitura de Lost, a televisão teria que ser tratada por uma empresa, a internet por outra, o SMS por uma terceira.

Até prova em contrário, então, o projeto que está sendo gestado pelo Ministério das Comunicações apenas coloca as coisas no seu devido lugar – o século 21 dentro do século 21. Na nossa época, é mais moderno falar-se em luta de classes do que em cruzamento de propriedade dos meios de comunicação. É difícil, como afirma o conselheiro da Anatel João Resende, imaginar-se que o projeto de concessões únicas possa ser revertido.

O problema é que a adequação ao desenvolvimento tecnológico é uma imposição bem mais visível do que a adesão às mínimas normas éticas. Ali, podemos alcançar o nosso século; aqui, podemos rondar o obscurantismo. Em tese, a Constituição veda a concessão de emissoras de rádio e TV a parlamentares; na prática é como se ela exigisse. Ao Estado de S.Paulo, o ministro Paulo Bernardo disse que "é mais fácil fazer o impeachment de um presidente do que cassar uma concessão". Isso, infelizmente, não é bem a tecnologia que pode resolver.

Fonte: Observatório da Imprensa

quarta-feira, 26 de janeiro de 2011

Papa Bento 16 faz discurso sobre novas mídias

Redação Portal Imprensa

O Papa Bento 16 fez nesta segunda-feira (24), na sala do Pontifício Conselho para as Comunicações Sociais, discurso anual em celebração ao 45º Dia Mundial das Comunicações Sociais. Na versão deste ano o Pontífice falou sobre a era digital e as novas mídias com o título "Verdade, anúncio e autenticidade de vida na era digital". É a segunda mensagem do religioso sobre o tema.

De acordo com a Rádio Vaticana, o texto lido pelo Papa ressaltou no ser humano os processos de comunicação considerando um tempo que as novas tecnologias são predominantes. O texto aponta, entretanto, que "os novos instrumentos utilizados não aumentam nem modificam o nível de credibilidade de cada um dos operadores". .Juntamente com Bento 16 estavam o arcebispo Claudio Maria Celli, presidente do conselho, Dom Paul Tighe, secretário, Dom Giuseppe Antonio Scotti, secretário adjunto, e Angelo Scelzo, subsecretário.

Fonte: Portal IMPRENSA

quarta-feira, 22 de dezembro de 2010

Venezuela aprova inclusão da internet em lei de mídia do país

Redação Portal IMPRENSA

Na última segunda-feira (20), a Assembleia Nacional da Venezuela aprovou a nova lei de mídia, que estende as regras de exibição e transmissão já existentes para rádio e TV aos conteúdos da internet. A nova legislação foi considerada pela Comissão Interamericana de Direitos Humanos da Organização dos Estados Americanos (OEA) como um golpe à liberdade de expressão na web.

Segundo o jornal Folha de S.Paulo, a Lei de Responsabilidade Social em Rádio e Televisão (Resorte) passa a ter o termo "Meios Eletrônicos", que prevê punição caso o provedor ou o portal não restrinja, sem demora, o acesso a mensagens que incitem "o ódio" ou que "não reconheçam autoridades", entre outras cláusulas.

Em comunicado, a Comissão da OEA afirma que a "iniciativa penaliza os intermediários por discursos produzidos por terceiros por meio de normas ambíguas, sob pressupostos que a lei não define e sem que exista garantias de devido processo nas normas".

Mesmo polêmica, a lei aprovada pela Assembleia perdeu trechos que previam punição a quem cometesse delito contra "os bons costumes" e que obrigava sites a seguirem restrições de horário para veicular determinado conteúdo. O deputado Manuel Villalba, presidente da Comissão de Mídia, declarou que as alterações foram "fruto da nossa discussão, própria do trabalho legislativo".

A Assembleia Nacional é dominada por parlamentares ligados ao presidente da Venezuela, Hugo Chávez. A lei de mídia aprovada na segunda faz parte de um pacote legislativo que deve ser votado até o dia 5 de janeiro de 2011 - período em que começa a nova legislatura que deixará os chavistas em minoria.

O pacote também possui propostas de reforma da lei de telecomunicações e partidos políticos, além da mudança do regulamento da casa. Na última quarta (15), a Assembleia Nacional já havia aprovado, em primeiro turno, a reforma das leis Resorte e Orgânica das Telecomunicações. A segunda votação da legislação das teles ainda não tem data prevista para acontecer.

Fonte: Portal IMPRENSA

terça-feira, 21 de dezembro de 2010

Lula cobra aprovação de lei para regular mídia

Por Vera Rosa

BRASÍLIA - Na última reunião do ano com a Executiva Nacional do PT, o presidente Luiz Inácio Lula da Silva pediu nesta segunda-feira, 20, ao partido que se dedique a três prioridades no primeiro ano do governo de Dilma Rousseff: reforma política, marco regulatório dos meios de comunicação e programas para a juventude.

"Quero ver quem vai afinar, hein?", disse Lula, segundo relatos de participantes do encontro, quando citou a polêmica proposta de regulamentação da mídia. O projeto que cria o marco regulatório da comunicação eletrônica ainda não foi enviado ao Congresso, mas já desperta desconfianças sobre o interesse do governo em relação ao controle social da mídia.

Ao abordar o assunto com os petistas, no Palácio da Alvorada, Lula deixou claro que nem ele nem Dilma nunca planejaram censurar a liberdade de expressão. Para o ministro da Comunicação Social, Franklin Martins, o marco regulatório "vai garantir a concorrência, a competição, a inovação tecnológica e o atendimento ao direito da sociedade à informação".

Com o mesmo argumento, o futuro ministro das Comunicações, Paulo Bernardo, disse ao Estado que o governo não vai vigiar a mídia. "Agora, não é sensato simplesmente achar que a imprensa pode tudo e o cidadão, o político - porque político também é gente -, não tem direito a nada", reagiu Bernardo, hoje titular do Planejamento.

Brigas

A 11 dias de deixar o Palácio do Planalto, Lula pediu aos companheiros do PT que parem de brigar internamente e também com os outros aliados, principalmente do PMDB, por cargos no primeiro escalão. "A nossa prioridade é o governo Dilma e vocês precisam ajudá-la", insistiu o presidente.

Diante da cúpula petista, Lula reafirmou o que já dissera ao ex-ministro da Casa Civil José Dirceu: fora do governo, quer desmontar a "farsa do mensalão" e trabalhar pela reforma política, com financiamento público de campanha. O mensalão foi a maior crise que atingiu o governo Lula, em 2005, e por pouco não resultou no impeachment do presidente. Dirceu e outros réus do processo que tramita no Supremo Tribunal Federal (STF) serão julgados em meados de 2011.

Lula solicitou aos dirigentes do PT que defendam Dilma dos esperado bombardeio da oposição e até mesmo de estocadas de partidos da base aliada. Lembrou que, durante o escândalo do mensalão, o próprio PT ficou acuado. "Todos me achincalhavam na tribuna, uma corrente do PT brigava com a outra e ninguém me defendia. Eu tinha pena de mim mesmo", comentou o presidente.

Com o diagnóstico de que o PT - hoje com 30 anos - envelheceu, Lula também insistiu para que o partido auxilie Dilma na preparação de programas para a juventude. Trata-se de uma bandeira permanentemente levantada por Dirceu em seu blog.

Sem o ar choroso que marcou seu encontro com a bancada do PT no Congresso, na semana passada, o presidente garantiu que deve tirar de um a três meses de férias. Depois, pretende cuidar das relações com a América do Sul e a África, além de criar um fórum de esquerda no Brasil. As cartas e todas as lembranças que ganhou nos oito anos como presidente serão abrigados em uma espécie de memorial na Universidade Federal do ABC.

Fonte: Estadão

quinta-feira, 16 de dezembro de 2010

Minuta do marco regulatório da mídia será entregue a Dilma em janeiro

Por Lúcia Berbert

A definição de um novo marco regulatório para as comunicações eletrônicas foi defendida novamente nesta quinta-feira (16), pelo ministro Franklin Martins, da Secretaria de Comunicação Social da Presidência, em audiência pública na Comissão de Ciência e Tecnologia do Senado. Segundo ele, a renovação da legislação garantirá que o Brasil ingresse, de fato, na sociedade da informação e do conhecimento.

Para isso, frisou, é essencial ter organização, ambiente de certeza jurídica, para que todos os parceiros possam encontrar as suas formas de oferta de conteúdos. Para decepção dos senadores, Martins não adiantou qualquer item da proposta. “Nós estamos com uma minuta, mas não é a versão definitiva, a expectativa é de que o anteprojeto seja entregue até 31 de janeiro a presidente eleita Dilma e ela vai decidir o que fazer, se vai dar prosseguimento ou não”, informou. Ele acha que a nova presidente pode inclusive pedir que os novos ministros trabalhem mais encima do texto proposto. Depois disso, acredita que o anteprojeto passará por ampla consulta pública antes de ser enviada ao Congresso Nacional.

“É um trabalho árduo porque essa área é extremamente complexa, importantíssima, sensível e acho que estamos negociando bem, mas falta ainda avançar bastante”, disse Martins. Ele também defendeu que o marco regulatório chegue ao Congresso Nacional em forma de projeto de lei e não de medida provisória. “Acho que ninguém pensou em usar esse instrumento, também não é assunto para urgência constitucional. As mudanças no marco regulatório precisam de amadurecimento. Acho que foi um erro lá trás, quando o governo Fernando Henrique mudou o marco do petróleo e de telecomunicações”, assinalou.

Martins ressaltou que os debates não podem ser impedidos pelos “fantasmas” e “preconceitos” de cada setor. Ele lembrou que o processo de adaptação à convergência das mídias é inevitável e está se acontecendo no mundo e se não for regulado, valerá a lei do mercado, com os mais fortes “atropelando” os mais fracos. O ministro descartou incluir a internet nas discussões e confirmou que propostas aprovadas na 1ª Conferência Nacional de Comunicação (Confecom) foram aproveitadas, apesar das críticas de senadores ao evento.

A assessora especial do Ministério das Comunicações, Zilda Beatriz de Campos Abreu, disse que, apesar de velho, o Código Brasileiro de Telecomunicações (de 1962) é moderno e ágil e aceita todas as legislações posteriores, como a de licitação. Apesar disso, reconhece que há espaço para aperfeiçoamento.

O procurador-geral da Anatel, Marcelo Bechara, citou diversas divergências entre legislação da radiodifusão que, em sua opinião, precisam ser unificadas. “Precisamos parar de ter medo dessa palavra regulação, que não limita, mas sim preserva a isonomia, a competição e a convivência harmoniosa entre os próprios agentes da comunicação”, disse.

Inclusão da internet

O representante da Associação Nacional de Jornais (ANJ), Paulo Tonet, pediu para incluir no debate o conteúdo divulgado na internet, que não está sujeito a quaisquer regras. O representante da Associação Brasileira de Emissoras de Rádio e Televisão (Abert), Luis Roberto Antonik, também defendeu a inclusão da internet nos debates, mas acha que o maior motivo de preocupação é a permissão de propriedade cruzada no setor. E defendeu que a área de distribuição de conteúdo fique nas mãos de brasileiros.

O representante da Associação Brasileira de Radiodifusão (Abra), Kalleb Adib, apesar de apoiar a renovação do marco regulatório do setor, disse que a convergência de mídia só é possível hoje para quem pode pagar. O diretor-executivo da Telebrasil, Eduardo Levy, disse que o país precisará investir entre R$ 80 bilhões a R$ 100 bilhões nos próximos cinco anos para atingir a meta de universalizar os serviços de comunicações. Ele acredita que as teles poderão ter um papel importante caso sejam criadas as condições para que possam expandir seus negócios.

O professor da Universidade de Brasília, UnB, Murilo Ramos, reconheceu as transformações que a internet tem provocado nos meios de comunicação, mas afirmou que essa discussão não pode ser feita dentro do novo marco regulatório, porque o assunto, segundo ele, não está ainda maduro sob o ponto de vista normativo. “Podemos tratá-la simultaneamente, mas ela não pode ser um obstáculo ao andamento do marco “, disse.

Fonte: Telesíntese

sexta-feira, 10 de dezembro de 2010

Venezuela quer regular internet com projeto de lei de mídia

Redação Folha.com

A Venezuela planeja incluir a internet em uma legislação que regulamenta a mídia, segundo proposta apresentada na quinta-feira ao parlamento do país e que a oposição afirma ser resultado de censura.

Manuel Villalba, legislador do partido do presidente Hugo Chávez, afirmou que a lei tem como objetivo proteger os cidadãos do país.

"Em nenhum lugar uma restrição do acesso à internet está sugerida. Mas deve haver proteção da moral dos cidadãos, da honra e da ética", afirmou Villalba, que preside a comissão de mídia da Assembleia Nacional.

O projeto propõe ampliar os limites sobre conteúdo em "mídia digital" de acordo com a hora do dia, com conteúdo adulto sendo reservado para publicação após a meia-noite.

Tais limitações já existem para a TV e emissoras de rádio. Não ficou claro como eles serão impostos para a internet.

A proposta também permite que o governo restrinja o acesso a sites se forem considerados como emissores de mensagens ou informação que incite violência contra o presidente. Chávez frequentemente acusa a oposição de planejar tentativas de assassinato contra ele.

Chávez tem sido criticado por grupos de liberdade de imprensa por forçar uma emissora de televisão de oposição a sair do ar e por retirar licenças de funcionamento de uma série de emissoras de rádio.

O governo afirma que a elite da Venezuela usa a imprensa para minar a posição de Chávez.

Fonte: Folha.com