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sexta-feira, 12 de agosto de 2011

Em meio a conflitos, Grã-Bretanha quer proibir redes sociais

Os britânicos podem perder o acesso a redes sociais por conta da onda de protestos que ocorre em Londres. O primeiro-ministro, David Camaron, informou que serviços como Twitter e o Blackberry Messenger (BBM) podem ser suspensos por estarem sendo usados pelos desordeiros. As informações são da Reuters.

Ironicamente, o uso de redes sociais foi um dos principais recursos encontrados por manifestantes de países como Egito para denunciar abusos nos confrontos de rua. A atitude, na época, recebeu franco apoio do Twitter – agora ameaçado por um dos países com forte histórico na democracia.

"Estamos trabalhando com a polícia, os serviços de inteligência e a indústria para ver se seria correto interromper a comunicação das pessoas via websites e serviços quando soubermos que eles estão conspirando para a violência, desordem e criminalidade", disse Cameron ao Parlamento.

Autoridades locais afirmam que as redes têm sido usadas para organização de ataques em conjunto e que o preferido seria o BBM. A escolha do serviço da Research in Motion se deu principalmente porque as mensagens são criptografadas, o que não acontece com o Twitter, por exemplo.

Mas nos últimos dias também foi noticiado que os londrinos estavam usando o recurso para trocar informações que ajudassem a evitar locais onde há conflitos ou, ainda, para cooperar na limpeza das ruas.

A RIM não quis confirmar se pretende fornecer à Grã-Bretanha informações sobre os usuários do BBM, mas disse que responde a todas as autoridades de órgãos regulatórios da Justiça e das telecomunicações.

Fonte: Adnews

quinta-feira, 11 de agosto de 2011

Quando a notícia nunca morre

Por Cleyton Carlos Torres

O jornalismo tradicional imputava ideias e conceitos em uma sociedade pré-formulada e estruturalmente composta por elementos que basicamente não possuíam os mecanismos necessários para maiores questionamentos e interpretações de uma informação colocada. Nem mesmo as precárias vias da carta do leitor ofereciam uma continuidade significativa de um assunto, já que o tempo em que se levava para filtrar, censurar e editar as correspondências fazia com que um determinado tema caísse no esquecimento com as edições posteriores.

Com as redes sociais, uma notícia nunca morre. A instantaneidade com que uma informação é testada e questionada faz com que um turbilhão de colocações sobre um mesmo tema seja exibido por todos e para todos na rede, sem contar o fato de que a informação cria vida própria pós-publicação, sendo trabalhada no local original da postagem ou em grupos de discussão pela internet que “arrastam” a notícia para debates mais profundos e específicos.

Profissionalismo e participação

Um jornalista multimídia não deve deixar de observar esses pontos salientes. Se uma notícia cria ambientes próprios e desenvolve várias vertentes, o profissional de comunicação deve ficar atento para um aproveitamento do ocorrido e até mesmo procurar conduzir a discussão com a aplicação de novas doses informacionais e levar aquele fluxo produtivo de volta para o local original da publicação, conseguindo uma conversão significativa de audiência engajada.

São fatos como esse que fazem do jornalismo digital algo dinâmico e ao mesmo tempo duradouro. A rapidez com que uma informação se alastra como pólvora e a capacidade com que a internet perpetua uma discussão com públicos renováveis faz com que o jornalismo digital demonstre que seu potencial gigantesco ainda só está no início. Saber aproveitar o profissionalismo de um lado com a disposição de participação do outro fará toda a diferença para o universo da comunicação.

Fonte: Observatório da Imprensa


quinta-feira, 21 de julho de 2011

Quando os espectadores se tornam parte do processo

Reproduzido do semanário The Economist, 7/7/2011; intertítulos do OI; tradução de Jô Amado

O anúncio de que Barack Obama apareceria dentro em pouco na televisão veio tarde, na noite de 1º de maio. “Potus [sigla para President of the United States] falará à nação esta noite, às 22:30, horário da Costa Leste”, dizia o tweet de Dan Pfeiffer, diretor de Comunicações da Casa Branca. A mensagem provocou uma explosão de especulações no microblog. Teria Muamar Kadafi sido morto num ataque aéreo? Teria Osama bin Laden finalmente sido localizado? De início, ambas as teorias tinham o mesmo número de defensores, a julgar pelo volume de tweets. Foi então que Keith Urbahn, principal assessor de Donald Rumsfeld, ex-secretário de Defesa, recebeu um telefonema de um produtor de televisão bem relacionado que queria entrevistar Rumsfeld sobre o assassinato de Bin Laden. E Urbahn escreveu no Twitter: “Fico sabendo por uma pessoa respeitável que mataram Osama bin Laden. Cruzes!”

Sua mensagem logo se espalhou pelo Twitter. Telejornais começaram a divulgar o caso, que foi confirmado uma hora depois por Obama. Posteriormente, soube-se que Sohaib Athar, um consultor de informática que vivia em Abbottabad, o vilarejo paquistanês onde Bin Laden vinha se escondendo, descrevera como a operação sucedera numa série de tweets (“Um estrondo que estremeceu as janelas, aqui em Abbottabad... Espero que não seja o começo de algo ruim”).

No dia seguinte, começou a circular na internet uma foto que dizia mostrar o rosto ensanguentado de Bin Laden, mas no Twitter isso foi rapidamente exposto como falso. Uma semana depois, um depoimento num site obscuro atribuído ao filho de Bin Laden, Omar – denunciando a morte de seu pai como “criminosa” e seu corpo jogado ao mar como degradante –, foi divulgado pelo mundo todo quando foi adicionado um link pelo Twitter de Leah Farrall, analista em contraterrorismo. Tudo isso mostra como as redes sociais estão mudando o jornalismo, diz Mark Jones, editor para assuntos globais da agência de notícias Reuters. “Todos os ângulos da matéria estavam no Twitter.”

Antagonismo entre blogueiros e jornalões

Pesquisas feitas na Grã-Bretanha e nos Estados Unidos sugerem que de 7 a 9% da população usa o Twitter, comparado a quase 50% que usa o Facebook. Mas os usuários do Twitter também influenciam, diz Nic Newman, ex-executivo da BBC para “mídia do futuro” e atualmente professor no Instituto Reuters da Universidade de Oxford. “A audiência não está no Twitter, mas as notícias estão no Twitter”, resume Jones.

Graças à ascensão das redes sociais, a notícia já não é colhida pelo repórter e transformada numa matéria, mas emerge de um ecossistema no qual jornalistas, fontes, leitores e espectadores trocam informações. Essa mudança começou em torno de 1999, quando as ferramentas dos blogs se tornaram amplamente acessíveis, diz Jay Rosen, professor de Jornalismo da Universidade de Nova York. O resultado disso foi “a passagem das ferramentas de produção para as mãos das pessoas até então conhecidas como audiência”, diz ele. A isso seguiu-se outra mudança: a ascensão da “mídia horizontal”, que tornou rápido e fácil para qualquer pessoa compartilhar links (via Facebook ou Twitter, por exemplo) com um grande número de pessoas sem o envolvimento de uma organização jornalística tradicional. Em outras palavras, as pessoas podem agir coletivamente como uma rede de transmissão.

Inicialmente, muitas organizações jornalísticas eram abertamente hostis a estas novas ferramentas. Nos Estados Unidos, o auge do antagonismo entre blogueiros e os jornalões foi no final de 2004, quando o programa 60 Minutes, telejornal da noite da CBS, divulgou, com base em comunicados vazados, que George Bush Jr. tinha se utilizado de conexões familiares para receber um tratamento favorável da Air National Guard na década de 70. Imediatamente, blogueiros questionaram a autenticidade dos comunicados. Um ex-executivo de jornalismo da CBS ridicularizou o blogueiro como “um camarada sentado na sala, em pijamas, escrevendo o que lhe passa pela cabeça”. Mas os blogueiros tinham razão. A CBS voltou atrás e Dan Rather, um dos nomes mais respeitados no jornalismo norte-americano, renunciou ao seu posto de âncora no início de 2005.

A maior influência no mundo árabe

Mas nos últimos anos, as grandes organizações jornalísticas mudaram de atitude. O êxito do Huffington Post, que foi lançado em maio de 2005 com uma combinação de reportagens originais pelos membros da equipe, posts em seu blog de voluntários (incluindo muitos amigos célebres de Arianna Huffington, cofundadora do site) e links com matérias jornalísticas em outros sites, mostrou a sedução pelo que Arianna chama de abordagem “híbrida”, que mistura o velho e o novo, o profissional e o amador. Desde então, jornais e telejornais criaram seus próprios blogs, contrataram muitos blogueiros e permitiram aos leitores que deixassem comentários, como nos blogs. Também pedem fotos, vídeos e outras contribuições de seus leitores e procuram material publicado na internet, incorporando, dessa forma, não-jornalistas ao sistema de informação.

Os jornalistas vêm se tornando mais inclinados a ver os blogs, o Facebook, o Twitter e outras formas de mídia social como um acessório de valor à mídia tradicional (e, às vezes, um corretivo). “Vemos essas coisas como sendo muito complementares àquilo que fazemos”, diz Martin Nisenholtz, do New York Times. Muitos jornalistas que subestimavam a mídia social mudaram de tom nos últimos meses, quando seu valor ficou em evidência na cobertura das revoltas árabes e no terremoto japonês, diz Liz Heron, editora de mídia social no New York Times.

Quando um jovem tunisino, Mohammed Bouazizi, ateou fogo em si próprio no dia 17 de dezembro para protestar contra a polícia ter confiscado sua banca de frutas e contra a falta de emprego para jovens, sua ação provocou de imediato manifestações de outros jovens na cidade de Sidi Bouzid. O vídeo de um protesto, liderado pela mãe de Bouazizi, foi postado no Facebook onde foi visto pela equipe de reportagem da al-Jazira, uma emissora de notícias via satélite fundada em 1996 e sediada no Catar que se tornou a plataforma de maior influência no mundo árabe. A al-Jazira exibiu o vídeo e, quando Bouazizi morreu – no dia 4 de janeiro, devido às queimaduras –, explodiam protestos por toda a Tunísia que acabaram se espalhando pelo mundo árabe.

Material útil

Mark Lynch, especialista em questões da mídia no Oriente Médio na Universidade George Washington, diz que a mídia social e a televisão por satélite trabalharam em conjunto para chamar a atenção para a primavera árabe. A mídia social disseminou imagens dos manifestantes na Tunísia que, de outra forma, poderiam ter sido reprimidos pelo regime, escreveu Lynch em seu blog na Foreign Policy. “Mas foi o fato da al-Jazira ter posto esses vídeos no ar... que trouxe essas imagens para a grande massa do público árabe e mesmo para muitos tunisinos que, sem isso, poderiam não ter compreendido o que se passava.”

Ocorre que a equipe da al-Jazira que faz a transmissão em árabe e inglês tinha passado por um treinamento intensivo de mídia social apenas um mês antes. “Foi em cima da hora”, diz Moeed Ahmad, chefe do serviço de novas mídias da emissora. Embora a al-Jazira já tivesse usado material da internet em coberturas anteriores, na Tunísia não havia outra opção, pois não tinha repórteres no campo. Com seus jornalistas recém-treinados para o uso desse material, a teoria foi rapidamente posta em prática.

O treinamento culminou uma iniciativa de dois anos da al-Jazira de fazer melhor uso da mídia social e teve início quando, durante a guerra de três semanas em Gaza (2008-2009), a audiência do canal passava rapidamente para a internet. Isso significava convencer os jornalistas de que a mídia social não representa uma ameaça, e sim “o mais valioso recurso que você pode ter”. Ao invés de enviar um repórter, por avião, para qualquer lugar, a al-Jazira pode utilizar redes de voluntários confiáveis cuja credibilidade foi atestada. Há também um website, chamado Sharek, onde podem ser postados fotos e vídeos (após avaliação) para as reportagens da al-Jazira na televisão e na internet.

Outras organizações jornalísticas vêm trabalhando de modo semelhante. O Sharek, que foi lançado em 2008, parece ter tido como inspiração o website iReport, da CNN. Mais de 750 mil pessoas se apresentaram como voluntárias do iReport e trabalhos vêm sendo enviados de todos os cantos da Terra. A cobertura do terremoto no Japão, em março, que em grande parte se baseou em material do iReport, ganhou para a CNN os melhores índices de audiência dos últimos cinco anos. “Por ter acontecido de maneira tão repentina, e numa área tão remota, o material adicional do iReport foi imensamente útil”, diz Mark Whitaker, editor administrativo da rede americana. “Vê-se que está crescendo.” Mas o conteúdo é sempre investigado antes de ir ao ar, acrescenta Whitaker.

Prática do furo

Verificar o material para garantir que é apropriado para ser transmitido pode ser um processo complicado, diz Mohamed Yehia, da BBC em língua árabe. Jornalistas examinam fotografias e vídeos, procurando sinais reconhecíveis, placas de rua, veículos ou armas, para determinar se as imagens vêm, de fato, de uma cidade ou região específica. Os sons ajudam. A sombra pode sugerir a hora do dia. Comparar previsões do tempo com selos da data pode revelar se um vídeo ou uma fotografia foi realmente feito numa data específica. Yehia acrescenta que, mesmo após a verificação, o material não é utilizado caso identifique pessoas e possa colocá-las em perigo.

Verificar fragmentos de informação, como é o caso com o Twitter, é mais difícil. Os tweets podem ser uma maneira simples de avaliar a opinião do público sobre uma questão e são frequentemente incorporados à cobertura jornalística como “vox pops” digitais. Muitos jornalistas usam o Twitter para pedir dicas ou informações e localizar fontes. Mas o Twitter é um fórum público, no qual qualquer pessoa pode dizer qualquer coisa. Neal Mann, produtor que trabalha para o Sky News, canal britânico por satélite que é controlado pela News Corporation, acredita que é dever do jornalista fornecer informação confiável, no Twitter como em qualquer outro lugar. Ele trabalha com uma rede de contatos confiáveis por todo o mundo e passa seus tweets à sua equipe. Já Andy Carvin, estrategista de mídia social da NPR que se tornou conhecido por ter monitorado, via Twitter, os acontecimentos da primavera árabe, não tenta verificar a exatidão de cada tweet antes de publicá-lo. Em vez disso, pede à sua equipe que o ajude a avaliar a confiabilidade de tweets individuais.

De qualquer maneira, é evidente que há um papel para as pessoas – incluindo jornalistas, mas não apenas eles – selecionarem, filtrarem e analisarem a torrente de informações postadas na internet. “Ainda é necessária uma função editorial – ainda é necessário alguém que ponha sentido naquilo tudo”, diz Jack Dorsey, cofundador do Twitter. Esse processo é chamado, em jargão da mídia social, de “cura” [no sentido de conservação] e existe um grande número de ferramentas disponíveis para fazê-lo. O website Storify, por exemplo, permite aos usuários organizarem itens da mídia social (incluindo tweets, posts do Facebook, vídeos do YouTube e fotos do Flickr) em narrativas cronológicas. A narrativa que dali resulta pode ser fixada em páginas de outros sites. Os websites Keepstream e Storyful trabalham de maneira semelhante. Tudo isso levanta a questão de saber se algumas matérias podem ter melhor cobertura se forem constantemente atualizadas por fluxos de tweets, e não de artigos tradicionais. Resumindo, ao proporcionar mais material do que nunca de onde destilar a notícia, por um lado a mídia social dispensa o papel dos editores e, por outro, mostra a necessidade deles. As organizações jornalísticas já vêm abandonando a prática do furo, esforçando-se, em vez disso, por serem as melhores em verificar e “curar” a informação, diz Newman. Porém, como ocorre com outros aspectos do jornalismo, também esse papel agora está aberto a qualquer pessoa.

A “a recriação do refrigerador”

Assim como o envolvimento (caso queiram) na coleta, verificação e “cura” da informação, leitores e espectadores também se tornaram parte do sistema de distribuição da notícia, pois partilham e recomendam itens de interesse via e-mail e redes sociais. “Se a busca pela informação foi o desenvolvimento mais importante da década passada, a partilha da informação pode estar entre os mais importantes da próxima década”, destaca um recente estudo sobre o consumo de informação online nos Estados Unidos feito pelo Projeto para a Excelência do Jornalismo, do Centro de Pesquisa Pew. Tipicamente, cerca de 20 a 30% das pessoas que visitam websites de grandes organizações jornalísticas vêm do buscador Google ou de seu site de notícias, Google News. A proporção de visitantes que vêm do Facebook é inferior, mas cresce rapidamente na medida em que as características de partilha social se tornam mais comuns e mais fáceis de usar. Com um único clique na tecla “recomendar” do Facebook, por exemplo, você pode recomendar uma matéria, um vídeo ou um show de slides para toda a sua rede de amigos. Alguns sites de notícias apresentam aos visitantes uma lista de matérias recomendadas por seus amigos por acharem que a aprovação por parte de alguém que você conhece dá mais peso. “Este ano, você verá cada vez mais sites onde as referências às redes sociais superam aquelas das ferramentas de busca”, diz Joshua Benton, do Nieman Journalism Lab. “O Facebook começa a juntar-se ao Google como um dos mecanismos mais influentes em guiar audiências de notícias”, observa o estudo do Pew Center, pois a partilha social dirige os leitores para as matérias que são mais populares em seu círculo social.

Permitir que sua rede de amigos o guie para coisas que você pode achar interessantes faz todo o sentido, diz Nick Denton, fundador da rede de blogs Gawker Media. Os amigos são bons substitutos para o gosto das pessoas, diz ele, e a recomendação social é muito mais eficiente do que manter listas de palavras-chave relacionadas a tópicos de interesse. Ou, melhor ainda, “você recebe os felizes acasos que as pessoas diziam que se iriam perder com as notícias personalizadas”. Ao mesmo tempo, diz Bret Taylor, principal responsável pela tecnologia no Facebook, as recomendações sociais são “a recriação do refrigerador” ao aumentarem as possibilidades, num panorama de mídia fragmentada, de amigos e parentes poderem ver as mesmas coisas.

Milhões de novas pessoas

O Flipboard, um aplicativo acessível no iPad, vai mais longe. Pode compilar uma revista personalizada por inteiro, com páginas que se podem virar e nas quais os artigos são itens recomendados por contatos do usuário no Facebook e no Twitter. Outros aplicativos de notícias e websites, como News.me e Trove, fazem o mesmo. John-Paul Schmetz, veterano da indústria de mídia alemã e cofundador do Cliqz – outra recente recomendação social –, diz que esses serviços são necessários pois a explosão de conteúdo online na década passada significa que “você passa muito tempo filtrando e não passa muito tempo lendo”. Mais do que meramente confiar em editores humanos ou algoritmos irracionais para encontrar o melhor conteúdo, diz ele, faz sentido usar uma abordagem híbrida, analisando contatos e comportamento em redes sociais para encontrar itens interessantes. Nick Denton, no entanto, preocupa-se com o fato de que a passagem da informação por filtros sociais torna as organizações jornalísticas dependentes demais do Facebook. E Bret Taylor insiste que não existe conflito porque sua empresa não produz conteúdo – apenas proporciona uma “distribuição valiosa” para ele.

É evidente que cada vez mais leitores e espectadores se envolvem em coletar, filtrar e distribuir informação. Alan Rusbridger, editor do Guardian, chama isso de “mutualização” da informação. “Se você permite a contribuição de outros, geralmente obtém um conteúdo mais rico, melhor, mais diversificado e especializado do que se você tentar fazê-lo sozinho”, diz. O envolvimento de milhares de leitores por meio de fontes múltiplas [crowdsourcing] também permite às empresas jornalísticas fazer coisas que, de outra forma, seriam impraticáveis, como procurar, em pilhas de documentos, algum material interessante.

“Ao invés de pensarem que fazem a agenda e conduzem a conversa, as organizações jornalísticas precisam reconhecer que atualmente o jornalismo é apenas parte de uma conversa que, de qualquer maneira, continua”, aponta Jeff Jarvis, guru da mídia da City University, de Nova York. O papel dos jornalistas neste novo mundo é acrescentar valor a essa conversa proporcionando a reportagem, o contexto, a análise, a verificação, a desmistificação e tornando acessíveis ferramentas e plataformas que permitam às pessoas a participação. Tudo isso exige que os jornalistas reconheçam que não detêm o monopólio da sabedoria. “Dez anos atrás, essa era uma ideia incrivelmente ameaçadora – e ainda é, para algumas pessoas”, diz Rusbridger. “Mas no mundo real, o fato de se agregar aquilo que as pessoas sabem será, na maioria dos casos, mais do que sabemos sentados no escritório.”

Um estudo do Pew Research Center publicado em maio de 2010 salienta que 37% dos usuários de internet norte-americanos, ou 29% da população, “contribuíram para a criação de notícias, comentaram as notícias e as disseminaram por meio de posts em sites da mídia social, como o Facebook e o Twitter”. Hoje, esse número é provavelmente muito superior, pois a pesquisa do Pew Center, apurada em abril de 2010, é anterior à inauguração da tecla “Recomendar” do Facebook, que torna partilhar uma matéria jornalística (ou qualquer outra coisa) tão simples quanto um clique do mouse. Apenas uma pequena proporção dessas pessoas fornece conteúdo, ou comentários e partilhas. Mas, como destaca Jay Rosen, mesmo que apenas 1% da audiência esteja envolvida no sistema de informação, isso significa milhões de novas pessoas. “Não é verdade que todo mundo seja jornalista”, diz ele. “Mas muito mais gente está envolvida.”

Fonte: Observatório da Imprensa

sexta-feira, 29 de abril de 2011

Globo usa Twitter para comemorar 46 anos

Por: Redação Meio e Mensagem

Para comemorar seus 46 anos de existência, a TV Globo escolheu como palco da festa uma das redes sociais de maior popularidade no País: o Twitter. A emissora aproveitou o seu perfil (@rede_globo) para fazer uma promoção na qual oferece aos internautas, como prêmio, 46 autógrafos de astros e estrelas de seu elenco.

Para participar, os seguidores do perfil devem responder, de forma criativa, a pergunta “Por que eu quero receber 46 autógrafos no aniversário de 46 anos da rede Globo?”, com a hashtag #globo46. O autor da mensagem mais criativa receberá um livro, montado com 46 autógrafos de atores, atrizes, jornalistas e apresentadores da casa. Entre as personalidades escolhidas estão Tiago Leifert, Tadeu Schmidt, Jô Soares, entre outros.

Desde que deu início à promoção, nesta semana, a Globo conseguiu quebrar um recorde. O interesse dos internautas em participar do concurso levou o perfil da emissora a superar a marca de 1 milhão de seguidores. Até a manhã desta quinta-feira 28, a @rede_globo já contava com mais de 1,3 milhões de pessoas em seu perfil.

Para celebrar a marca, a Central Globo de Comunicação fez uma homenagem a alguns dos seguidores do perfil, enviando a eles, via Twitter, a imagem de um mosaico composto pelas fotos de perfil dos seguidores. Todas essas ações de comunicação aproveitaram para reforçar o novo slogan da casa, lançado esta semana: “Globo, a gente se liga em você!” (leia mais sobre o novo slogan aqui).

quarta-feira, 27 de abril de 2011

Mentiras e videotape

Por: Christopher Walker e Robert W. Orttung em 26/4/2011
Reproduzido do New York Times, 23/4/2011; intertítulos do OI; tradução deJô Amado
O Facebook, o Twitter e outras redes sociais revolucionaram o panorama da imprensa global, ajudando a afastar ditadores na Tunísia e no Egito e fomentando protestos no Bahrein e na Síria. Mas um outro tipo de revolução vem ganhando espaço, simultaneamente, nas instituições da velha mídia – e pode quebrar os grilhões mantidos pela mídia oficial em sociedades sem liberdade.

Os ditadores têm um motivo para manter os noticiários sob controle. Para a maioria dos Estados autoritários, o noticiário oficial, particularmente a televisão, ajudou os líderes a permanecerem no poder criando uma realidade paralela para suas populações e impedindo dissidentes de terem uma maior audiência. A situação dos noticiários na Tunísia era normalmente classificada entre as mais opressivas do mundo na avaliação anual de liberdade de imprensa feita pela Freedom House até a revolução deste ano. No Egito, a televisão estatal ficou firme atrás do presidente Hosni Mubarak, mostrando um antigo vídeo de uma decepcionante Praça Tahrir vazia, ao invés de transmitir as imagens dos milhões que ali protestavam.

"Abordagem equivocada"

Os governos autocráticos não medem esforços para garantir que seus noticiários oficiais ofereçam às suas audiências uma dieta permanente de notícias e informações amigáveis ao regime. No Egito de Mubarak, cerca de 46 mil pessoas trabalhavam no complexo midiático do governo e a Rádio e Televisão União, controlada pelo governo, ainda detém os direitos de transmissão de todas as emissoras – exceto as que transmitem por satélite. Embora um número crescente de telespectadores tenha passado a acessar a Al-Jazira e outros canais privados, uma parcela significativa da população do Egito continua a confiar no noticiário oficial. Um estudo de 2007 revelou que 72% dos egípcios acessava a televisão estatal como principal fonte do noticiário político.

Além disto, o Estado ainda detém 99% das distribuidoras e bancas de jornais. Nos últimos anos, os jornais independentes fizeram progressos significativos, mas seus números são diminutos se comparados aos do noticiário oficial: o jornal Al-Ahram, controlado pelo governo, reivindica uma circulação de cerca de um milhão de exemplares, enquanto a totalidade dos jornais independentes do país imprime menos de 200 mil exemplares por dia.

O noticiário oficial permanece dominante até agora, embora as correntes reformistas venham trabalhando para mudar isso. Em resposta às exigências dos protestos, o governo militar interino do Egito eliminou o cargo de ministro da Informação em fevereiro e, no início deste mês, demitiu três funcionários do primeiro escalão da televisão e rádio oficiais.

Nesse meio tempo, o levante na Líbia evidenciou a depredação da mídia estatal. Com o coronel Muamar Kadafi ainda no poder, a televisão estatal líbia continua a alimentar sua audiência com uma mistura distorcida de conspiração e simulação. É o caso, por exemplo, de Eman al-Obeidy, a mulher líbia que disse que foi violentada pelas forças de segurança do coronel Kadafi. Ela procurou, desesperadamente, contar sua história a repórteres estrangeiros, mas foi desavergonhadamente vilipendiada pela mídia estatal, que alegou tratar-se de uma prostituta, e clinicamente louca.

Na Síria, a televisão estatal vai ao ar como se os crescentes protestos e uma crise do governo não estivessem acontecendo; em vez disso, os telespectadores são alimentados com imagens de manifestações pró-governamentais e fala-se de conspirações contra o regime. Mas começam a aparecer rachaduras. Na semana passada, um importante jornalista da televisão, Maher Deeb, demitiu-se em protesto e escreveu em sua página no Facebook: "Não consigo aguentar mais a abordagem equivocada da imprensa síria oficial... assim como sua omissão em cobrir as práticas de alguns setores da segurança e comissões populares, que torturam, prendem e atacam as pessoas que protestam."

Visão distorcida

As revoluções ocorrem quando um número suficiente de pessoas decide ignorar as advertências da mídia estatal, vai para a rua e se junta aos manifestantes, como fizeram na Praça Tahrir. Mas o Egito foi uma exceção estimulante. Nos países em que suas raízes são mais profundas, o noticiário oficial é um obstáculo quase insuperável para a sociedade civil e para os grupos de oposição política, impedindo-os de se comunicarem com grandes audiências. Embora as redes sociais tenham sido uma ferramenta crítica para criar aberturas políticas, os grupos de oposição precisam de veículos de abrangência nacional, caso as reformas institucionais venham a realizar-se em sociedades que foram submetidas a uma manipulação e repressão extraordinárias.

Os avanços obtidos pelos manifestantes egípcios e tunisianos – a reforma de sua mídia sob controle do Estado – não devem ser considerados garantidos. A transformação das redes de televisão e rádio, antes politicamente controladas, em instituições democráticas, é um processo longo e difícil e a ampla maioria dos cidadãos de Estados autoritários pelo mundo afora – da Líbia e Síria, à Rússia e China – continua a consumir uma versão distorcida da realidade através do espelho da televisão estatal.

Fonte: Observatório da Imprensa

sexta-feira, 4 de março de 2011

Facebook agora pode valer US$ 65 bilhões

Redação Estadão

A empresa de investimentos General Atlantic é mais nova a investir no Facebook, aumentando a valorização da rede social para US$ 65 bilhões, o que representa um aumento de 30% desde que recebeu seu último investimento em janeiro, de acordo com reportagem da CNBC.

A General Atlantic está negociando um bloco de US$ 2,5 milhões em ações do Facebook que pertenciam a ex-funcionários. O acordo, que ainda não foi fechado e ainda precisa da aprovação do Facebook, garantirá à General Atlantic a participação de 0,1% do Facebook de acordo com a reportagem.

A empresa se negou a comentar. O Facebook não havia respondido o pedido para comentar sobre o caso.

Em janeiro, o Facebook disse ter levantado US$ 1,5 bilhão de investidores, incluindo o Goldman Sachs e a Digital Sky Technologies, além de ofertas privadas de investidores extrangeiros negociadas pelo Goldman Sachs, o que daria ao site uma valorização de US$ 50 bilhões.

O site, que é a maior rede social do mundo, tem mais de 500 milhões de usuários.

Fonte: Estadão

segunda-feira, 21 de fevereiro de 2011

A nova bolha da internet

Por Renato Cruz

Em 1999, um ano antes do estouro da bolha das ponto com, quando escrevia minha dissertação sobre internet, meu orientador de mestrado, o professor Kardec Pinto Vallada, disse que aquela situação lembrava a história do menino que tentou vender um filhote de cachorro por US$ 1 milhão, mas que, sem conseguir comprador, acabou trocando-o por dois gatinhos de US$ 500 mil.

Valor pode ser um troço muito subjetivo. O valor de uma empresa reflete a expectativa de resultados futuros. Qual é o potencial das empresas que atuam num mercado novo? Ninguém sabe.

O Facebook vale US$ 50 bilhões e, em meados de 2010, valia US$ 10 bilhões. Recentemente, o Twitter, que é deficitário, recebeu propostas de compra entre US$ 8 bilhões e US$ 10 bilhões. Em dezembro, era avaliado em US$ 3,7 bilhões. O preço da Zynga, que criou o jogo Farmville, é de US$ 10 bilhões. No ano passado, o Groupon recusou uma oferta de US$ 6 bilhões do Google e tem hoje valor estimado de US$ 15 bilhões.

Acho difícil esse cenário não ser considerado de bolha. Mas existem diferenças em relação àquela que explodiu em 2000. Em primeiro lugar, naquela época havia uma corrida para a abertura de capital. Hoje, essas empresas buscam conseguir o máximo de recursos fora da bolsa, de grandes investidores, adiando o lançamento de ações. Com isso, o alcance da bolha é mais restrito.

Em segundo lugar, os modelos de negócios são mais sólidos. O Twitter nem tanto, mas o Facebook e o Groupon fazem dinheiro. Não são como a Pets.com, empresa típica da bolha 1.0. Ela tentava vender pacotes de comida de cachorro (entre outros produtos) e, como o frete custava mais do que o produto, subsidiava o frete. Não tinha como fazer dar certo. A questão principal das ponto com (quem se lembra do termo?) de hoje é a real capacidade de crescimento.

Mas existe um lado positivo das bolhas. Elas aceleram o desenvolvimento do mercado. Sem as redes de telecomunicações e os centros de dados criados durante a bolha 1.0, não teríamos chegado a esta bolha 2.0.

Fonte: Estadão

sexta-feira, 4 de fevereiro de 2011

Agora é a hora de vender o MySpace

Por Murilo Roncolato

O chefe de operações da News Corp., Chase Carey, disse ontem em uma conversa com analistas que “agora é a hora certa” de finalizar negociações acerca do site MySpace. O executivo considera como possibilidades a venda, a entrada de um investidor no negócio ou uma reorganização da direção da empresa.


“O novo MySpace tem sido bem recebido pelo mercado, e nós temos números bem encorajadores. Mas o plano de fazer o MySpace atingir seu potencial máximo pode ter melhor efeito sob outra direção”, disse Carey ao portal de economia paidContent.

Em novembro do ano passado o executivo já havia feito comentários sobre os prejuízos que o MySpace vinha dando à gigante News Corp. Ele havia classificado as perdas de US$ 174 milhões no terceiro trimestre de 2010 como “nem aceitáveis, nem sustentáveis”, e disse que os executivos da News Corp. precisavam “lidar com isso urgentemente”.

O site criado em 2003 já vinha assumindo perdas, principalmente pela evasão de usuários causada pelas então novas redes sociais como Facebook e Twitter. Em janeiro deste ano a News Corp., a fim de diminuir os prejuízos, a gigante demitiu 47% do corpo de funcionários do MySpace, cerca de 500 ao todo.

Apesar da situação, Carey disse ao portal ainda que acredita que o negócio possui um “futuro real” e ele acredita que ainda há uma “oportunidade para realmente se tornar algo especial”.

Fonte: Estadão

REDES SOCIAIS - Um novo ícone da liberdade

Por Muniz Sodré

Na mesma edição (sábado, 29/1) em que noticiava o aumento da circulação de jornais no Brasil (alta de 2%no ano passado, segundo o IVC), O Globo mostrava com tintas fortes, em sua cobertura da revolta civil no mundo árabe, o papel estratégico da internet, dos celulares e das redes sociais.

Segundo o IVC e o jornal, a participação de mercado dos jornais populares não se alterou em relação à fatia dos chamados jornais qualificados, consolidando a tendência dos últimos anos. Para o gerente-geral de Mercado Leitor da Infoglobo, Alexandre Kabarite, "isso demonstra que, apesar de algumas dúvidas em relação ao futuro do jornal impresso, o mercado brasileiro ainda é bastante promissor para os leitores, anunciantes e editores".

Não deixa de ser auspicioso esse tipo de notícia para a classe jornalística como um todo, mas também não deixa de chamar a atenção do observador a evidência de que, em nenhum instante, se tocou no papel da imprensa tradicional na convulsão social do mundo árabe em demanda de mudanças políticas. O que se sabe com certeza é que o presidente Barack Obama proclamou a internet como um "ícone da liberdade", mídia sobre a qual o governo egípcio se empenha em exercer estreito controle.

Esse controle cresceu no momento em que milhares de pessoas passaram a enfrentar blindados nas ruas, o que levou a cortes esporádicos em redes sociais como Facebook e Twitter, e depois no SMS, três das principais ferramentas que ajudaram a alimentar os protestos. Verificou-se então aquilo que os analistas do setor têm chamado de "ciberguerra". Mas não se trata dos cenários de ataques terroristas imaginados por estrategistas militares americanos ou mesmo por roteiristas de cinema, e sim do confronto da sociedade civil com o poder de Estado.

Censura, modos de usar

Como bem se sabe, as fortalezas cibernéticas estão repletas de pontos vulneráveis em meio à complexidade técnica das conexões eletrônicas. A exemplo de uma rede de pesca, os vértices interligados da web deixam pequenos espaços vazios, por onde se infiltra a "contracensura". Cientes das brechas, mais de 16 milhões de internautas egípcios recorreram aos servidores proxy, que garantem o anonimato dos usuários e são muito conhecidos na luta contra a censura na China.

Há algo de notável em toda essa movimentação quando se leva em conta que, até mesmo um velho espaço urbano, como é o caso do Cairo, transmuta-se topologicamente em um novo, na medida em que se deixa atravessar pela lógica reticular (a lógica da rede) no nível das relações sociais.

Em tempos de crise ou de normalidade institucional, essa lógica caracteriza-se peladescentralização (não há uma posição única, e sim uma multiplicidade de conexões), pela interdependência coordenada dos elementos (o que implica tanto a solidariedade entre vizinhos quanto o comum das associações ou de grupos ligados por um mesmo projeto), pela abertura (capacidade de extensão da rede), pela particularização(formação de nichos relacionais no interior de um conjunto ou subconjuntos autônomos e legítimos), pela acessibilidade (a partir de um ponto, pode-se atingir qualquer outro) e pela mobilidade (liberação ou plasticidade dos movimentos). Estas características implicam desterritorialização – e reterritorialização – de espaços tradicionalmente demarcados.

Ao mesmo tempo, é um choque de realidade tomar conhecimento de que é possível ao Estado controlar todos os principais provedores de internet e telefonia celular, derrubando o sistema quando bem quiser. É precisamente o que ocorre no Egito, onde o governo, dando-se conta da insuficiência do controle sobre as redes sociais como o Facebook, simplesmente forçou as operadoras móveis a suspender os serviços.

Sem rede elétrica, sem telecomunicações, sem operadores, a censura acaba sendo exercida de modo semelhante ao que sempre ocorreu nos regimes de exceção, quando exército ou polícia invadia as redações de jornais, rádio e televisão, apreendendo equipamentos e prendendo jornalistas.

Dispositivo tradicional

Apesar do choque, é forçoso constatar que existe mesmo uma nova lógica informativa, subversiva do modelo tradicional, em que o fatos de uma sociedade presumidamente pronta e constituída eram transmitidos a um público-leitor por uma corporação profissional que se industrializou progressivamente ao longo da História – a dos jornalistas. Agora, o complexo informacional conhecido como "mídia" não ocupa mais o lugar de mera correia de transmissão de relatos, porque é um verdadeiro sistema ou um dispositivo capaz de conformar aspectos da própria sociedade.

"Eu chamo dispositivo tudo aquilo que tem, de uma maneira ou de outra, a capacidade de capturar, orientar, determinar, interceptar, modelar, controlar e de assegurar os gestos, as condutas, as opiniões e os discursos dos seres vivos", explica o filósofo italiano Giorgio Aganbem. Dispositivos – telefone portátil, computador, televisão, automóvel etc. – não são, para ele, meros objetos de consumo, e sim funções estratégicas (sempre inscritas em jogos de poder) na disseminação de novas subjetividades.

O jornal confirma-se agora como um dispositivo tradicional, aparentemente mais exultante com a sua própria sobrevida (refletida nos números do IVC) do que com a esfera pública, que animou politicamente no passado. Se o "ícone da liberdade" era o impresso no tempo de Benjamin Constant, passa a ser o virtual na era de Barack Obama.

Fonte: Observatório da Imprensa

sexta-feira, 28 de janeiro de 2011

Redes sociais reduzem o uso do e-mail

Redação Coletiva.net

O uso do e-mail vem sendo ameaçado pela expansão das redes sociais. É o que registra o estudo realizado pela empresa comScore, dos Estados Unidos. A pesquisa aponta que, enquanto os usuários mais velhos se mantêm apegados à ferramenta, os adolescentes estão trocando o e-mail pelas redes sociais. De acordo com os dados, a queda no uso chegou a 24% em 12 meses.

No último ano, o número de usuários de sites que oferecem serviços de e-mail, como o Gmail (Google) e Hotmail (Microsoft), caiu cerca de 6% em audiência, além de reduzir em 10% o tempo gasto pelos internautas nesses endereços. O que aumentou 36% neste período foi o número de acessos a caixas de mensagens através dos telefones celulares, o que mostra a mudança de cultura no meio digital. “O declínio no uso do email é só uma prova desta nova dinâmica, onde impera a comunicação sob demanda e atendida por diversas opções", avaliou Mark Donovan, vice-presidente de mobile da comScore.

quinta-feira, 25 de novembro de 2010

Cofundador do Twitter quer criar rede social de notícias

Redação MSN

O cofundador do conhecido microblog Twitter, Biz Stone, disse que quer usar as informações postadas pelos usuários no serviço para criar uma grande rede social de notícias. De acordo com ele, seria algo voltado para a “coleta” de notícias externas e não funcionaria necessariamente no site do Twitter. A proposta é de criar um novo site, que funcionasse em parceria com o microblog.

“Desde o começo, parece um terminal de notícias de todos os cantos do mundo”, disse Stone nos bastidores de um evento de tecnologia em Oxford. “Creio que o Serviço de Notícias do Twitter será algo muito aberto e compartilhado por diversas organizações de notícias em todo o mundo”.

Já existe um compartilhamento das informações publicadas por seus usuários com os sites de busca Google, Yahoo! e o Bing, mas Stone crê que é possível lançar um sistema mais especializado de notícias.

O twitter permite aos usuários a enviarem mensagens de até 140 caracteres. Já são 174 milhões de usuários cadastrados no sistema, que já enviaram cerca de 95 milhões de mensagens até o momento, entre pensamentos, notícias e propagandas.

Fonte: MSN

terça-feira, 23 de novembro de 2010

O Brasil tem mania de colonizar as redes sociais

Redação IHU

Criado em 2006, desde o último ano o Twitter tomou uma maior dimensão no país e, assim como aconteceu com o Orkut, os brasileiros começaram a colonizar a rede social, ocupando seus espaços e dominando algumas pautas em discussão. “A cultura de se comunicar por escrito e por pequenas frases, porque são 140 caracteres de cada vez, é algo muito interessante porque faz com que novas técnicas de comunicação se desenvolvam. É preciso saber se comunicar de forma curta, é preciso pensar o que dizer para caber naquele espaço. A mudança vai mais propriamente nesse sentido”, explica Gabriela Zago durante a entrevista que concedeu à IHU On-Line por e-mail.

Gabriela Zago graduou-se em Jornalismo pela Universidade Católica de Pelotas e em Direito pela Universidade Federal de Pelotas. É mestre em Comunicação e Informação pela Universidade Federal do Rio Grande do Sul.

Confira a entrevista.

IHU On-Line – O Twitter e outras redes sociais foram amplamente utilizados na campanha eleitoral deste ano. Como você analisa o uso dado pelos políticos às redes sociais de informação no Brasil?

Gabriela Zago – O uso dos políticos ainda está muito em fase de teste para dizermos se vai funcionar ou não a estratégia que eles estão traçando. Muitos não explorando as potencialidades. Outros interagiram com o público e souberam trabalhar com a ferramenta. Por exemplo, o candidato Plínio de Arruda Sampaio. Quando não era convidado para os debates principais, opinava sobre o que estava sendo discutido, abria a TweetCam e postava ali o que não estava podendo participar também, não deixava de expressar a opinião dele. Alguns políticos souberam utilizar muito bem, fizeram sucesso, até fizeram campanhas virais na internet.

IHU On-Line – Pela proporção do crescimento do uso do Twitter no Brasil e no mundo, podemos dizer que estamos “falando pelos dedos”? Estaríamos, então, voltando a uma espécie de cultura de transmissão oral de informação e conhecimento?

Gabriela Zago – O Twitter tem um papel complementar em relação às outras formas de comunicação. Mas também não substitui outros meios, outras formas de comunicação. Até porque a utilização da internet não atinge toda a população. A cultura de se comunicar por escrito e por pequenas frases, porque são 140 caracteres de cada vez, é algo muito interessante porque faz com que novas técnicas de comunicação se desenvolvam. É preciso saber se comunicar de forma curta, é preciso pensar o que dizer para caber naquele espaço. A mudança vai mais propriamente nesse sentido.

IHU On-Line – Com as possibilidades do Twitter, podemos afirmar que estamos caminhando para um futuro pós-imprensa?

Gabriela Zago – Acho que não exatamente. Estamos, provavelmente, caminhando para um futuro em que a imprensa vai ter cada vez mais um outro caminho para contestar, reverberar, repercutir aquilo que está sendo discutido em outros canais. Porém, ainda vai haverá uma separação entre o jornal e o Twitter, digamos assim.

IHU On-Line – Os usuários do Twitter, em geral, pensam que este serviço é livre, que dá a sensação de liberdade de expressão. Mas como podemos analisar a empresa que o administra? O que ela faz com os esquemas de comportamento expressados pelos tweeters?

Gabriela Zago – A questão da liberdade dele é um pouco relativa. A empresa que administra o Twitter está querendo ganhar dinheiro, tanto que agora tem os tweets promocionais. Além disso, eles têm regras extremamente restritas de como usar a marca, proíbem as pessoas de usar a palavra Twitter em outros lugares, fora os do próprio site. Então tem todo esse aspecto fechado da empresa. Ela até cria a sensação de que as pessoas podem falar abertamente no Twitter, mas ele é um espaço como qualquer outro. Se alguém falar alguma coisa ofensiva vai ser responsabilizada por isso.

IHU On-Line – Muito se fala no controle da internet. Depois das eleições, o Twitter foi alvo de discussão devido ao fato de que alguns usuários manifestaram opiniões preconceituosas no microblog. O que você pensa sobre esse possível controle da internet?

Gabriela Zago – Não é preciso ter um controle formal e central. Os próprios usuários do Twitter se encarregam de fazer esse controle. Então, quando Mayara Mancuso falou uma frase preconceituosa no Twitter, achando que podia falar qualquer coisa que ninguém ia ver, aquilo foi visto pelas pessoas e repercutiu de uma forma que talvez ela nem imaginasse que poderia repercutir. Isso mostra que a própria rede estabeleceu um controle daquilo que foi dito.

IHU On-Line – No Brasil, os repórteres do CQC têm mais seguidores do que os principais jornais. O que isso significa?

Gabriela Zago – Tenho observado, pelo menos o que tem sido postado no Twitter sobre alguns acontecimentos jornalísticos, que existe uma cultura bastante grande no Brasil de postar piadas e comentários engraçados no Twitter. Talvez o fato de seguir bastantes apresentadores de um programa humorístico seja o reflexo dessa cultura de se postar bastantes coisas engraçadas no microblog. É provável que isso reflita o perfil das pessoas que usam a ferramenta no Brasil, mais para essa parte de humor do que propriamente para o jornalismo.

IHU On-Line – Por que o Twitter é tão popular no Brasil?

Gabriela Zago – Não sei se é o caso do Twitter, mas o Brasil tem mania de colonizar as redes sociais. Se uma pessoa usa, vai todo mundo usar. Isso aconteceu com o Orkut, no início apenas queriam passar o número de estadunidenses, depois tomaram conta. Mas esse foi o primeiro fator que fez com que essa rede social se popularizasse por aqui. O Twitter recebeu da mídia um forte destaque, principalmente a partir do ano passado quando começou a ser notícia na TV, nos jornais. Esse destaque contribuiu para retroalimentar e fazer com que crescesse ainda mais no país.

IHU On-Line – Quais são as diferenças do uso dos brasileiros no Twitter em relação ao uso de usuários de outros países?

Gabriela Zago – Os brasileiros costumam usar bastante para informação muito mais do que para conversação. No ano passado, Raquel Recuero e eu fizemos uma pesquisa onde identificamos isso, ou seja, que o brasileiro costuma usar bem mais para compartilhar informação ao invés de conversar com outras pessoas. Essa é uma característica específica do perfil do público daqui. Também vejo mais essa questão do humor em relação às notícias, ao invés de fazerem comentários sérios, o público brasileiro preferem fazer piada.

IHU On-Line – Por que no Brasil é tão importante colonizar as redes sociais?

Gabriela Zago – Estamos num país que não é tão famoso, que não é tão rico, tão grande. Porém, é um dos países que mais usam as redes sociais no mundo e tem essa coisa do orgulho de ser brasileiro, de querer mostrar o Brasil, de querer mostrar que é do Brasil. Outros países não têm interesse em fazer isso dessa forma. E, ao querer mostrar que é do Brasil, o público tenta reunir mais brasileiros e tentar colonizar o meio pela quantidade.

IHU On-Line – Como você analisa a forma como os veículos de comunicação estão fazendo uso do Twitter?

Gabriela Zago – Inicialmente, eles estavam fazendo um uso bastante simplório, digamos assim, só colocando manchetes e links. Atualmente, cada vez mais eles têm se apropriado da ferramenta de forma criativa, superando o potencial de interatividade. Tem veículos que criam perfis nos quais interagem ou respondem algumas dúvidas dos leitores, retuitam outros espaços. Tudo ainda é uma questão de experimentação, não existe um modelo para usar o Twitter, mas já tem alguns usos bastante interessantes.

IHU On-Line – O Twitter é um novo espaço para discussões políticas?

Gabriela Zago – É mais um espaço. Acho que talvez os blogs sejam mais propícios para essas discussões políticas. Isso porque os 140 caracteres do Twitter são limitadores. Não é possível fazer uma aprofundada discussão política. Porém, ele é mais um espaço, principalmente em função da quantidade de informação que circula, da importância que se dá aos Trending Topics [TT's]...

IHU On-Line – E qual é a importância dos TT’s para os brasileiros?

Gabriela Zago – Os TT’s são uma espécie de reflexo do que está sendo dito. Este espaço está sendo usado como uma ferramenta de manifestação política. Há muitos casos de mobilizações para que determinados assuntos apareçam lá. No entanto, isso vai desde “#JonasBrothersnósamamosvocês” até o apoio a um determinado candidato ou campanha ou evento. Os TT’s refletem aquilo que está sendo discutido. Ele tem um papel importante para mostrar o que está sendo discutido neste momento, mas também para mostrar aquilo que se gostaria que estivesse sendo discutido, mas que não recebe destaque em outros espaços fora do Twitter.

Fonte: Instituto Humanitas Unisinos

'As redes sociais são uma ameaça', diz fundador da web

Por Carrie-Ann Skinner

Sir Tim Berners-Lee também criticou a Apple e o iTunes pelo seus métodos restritivos e centralizadores.

O fundador da Web, Sir Tim Berners-Lee, criticou o uso das redes sociais afirmando que elas são "uma grande ameaça aos princípios da internet".

De acordo com Berners-Lee, o Facebook e as demais mídias sociais encorajam os usuários a fornecerem suas informações. No entanto, não compartilham estes dados com os outros websites.

"Na verdade, elas [as redes sociais] são mecanismos que restringem as informações dos internautas, impedindo sua utilização pelo restante da web", disse ele à revista Scientific American.

"As redes sociais se tornaram uma plataforma central de conteúdo fechado. Quanto mais esse tipo de arquitetura ganhar espaço, mais a web se tornará fragmentada e, consequentemente, menor será o ambiente onde as pessoas poderão compartilhar conteúdo de modo universal", analisou Berners-Lee.

Além disso, ele também criticou a Apple e o iTunes pelo seus métodos "restritivos e centralizadores".

"Você só pode acessar um link do iTunes utilizando o próprio programa patenteado pela Apple. Você não está mais na web, na verdade, você está restrito a uma loja e não em uma ambiente aberto. Apesar de todas as características incríveis, sua evolução é limitada ao desejo de uma única companhia", analisou ele.

Já sobre neutralidade na web, outro tema polêmico, Berners-Lee declarou que ela não só deve existir, como também deve incluir neutralidade nas linhas fixas e de banda larga móvel.

Seus comentários vêm apenas alguns dias depois do ministro da Cultura do Reino Unido, Ed Vaizey, sugerir que o país tivesse um projeto contrário as regras de democracia na rede, para que provedores e internautas, que pagam pelo acesso, tenham prioridade sobre o tráfego.

No entanto, Vaizey voltou atrás e alegou que seus comentários estão de acordo com os pensamentos de Berners-Lee.

Fonte: FNDC

segunda-feira, 22 de novembro de 2010

A internet entre os oligopólios e os nichos

Por Carlos Castilho

Pouco mais de uma década depois de alimentar esperanças e utopias, a rede mundial de computadores está entrando numa fase sombria que será marcada por uma guerra implacável entre grandes empresas e um esforço hercúleo de iniciativas locais e hiperlocais para obter sustentabilidade financeira.

Esta foi a impressão dominante entre os participantes da sétima Conferência Web 2.0, criada em 2004 e considerada o principal termômetro de tendências na internet. Para os veteranos da web, entre eles Tim O’Reilly, criador da conferência, a possibilidade de uma guinada radical na web tornou-se assustadoramente presente.

A conseqüência mais mencionada na web 2.0 é uma previsível redução no ritmo da inovação e uma ênfase maior na competição feroz, quando o crescimento das grandes empresas será feito mais à base da compra de empresas menores do que na criatividade interna.

A guinada seria materializada por consolidação de duas tendências:

1) Uma concorrência brutal entre os gigantes da web como Google, Facebook, Apple, Microsoft e Amazon pelo controle cada vez maior de serviços, formando oligopólios cada vez mais poderosos. A tendência está confirmada pelo contínuo expansionismo de empresas como a Google, Facebook e Apple em direção a segmentos como webTV, telefonia celular, internet móvel, vídeos por encomenda e comércio eletrônico.

2) O aumento da segmentação de iniciativas de pequenos e médios empreendedores e criadores visando a exploração de nichos de consumidores e público em geral por meio da publicidade boca a boca.

São duas estratégias bem diferentes e usando métodos opostos. Enquanto as grandes empresas usam o seu peso político e econômico para disputar posições hegemônicas cientes de que não podem deixar espaços para concorrentes, o segmento dos nichos usa a colaboração e a descentralização para desenvolver serviços que muito provavelmente acabarão sendo comprados pelos grandes, numa versão digital do canibalismo corporativo do final do século 20.

Há elementos interessantes nesta competição entre os oligopólios e os nichos. Na guerra entre as grandes empresas não há espaço para acordos, pelo menos por enquanto. Google, Facebook e Apple estão movidas pela lógica da concentração porque seus projetos corporativos estão associados à convergência de serviços.

É cada vez mais difícil separar áreas como telefonia, mensagens, dados e vídeo. Quem domina uma área é levado a dominar também as outras porque deixar espaços para a concorrência significa permitir brechas que poderão ser exploradas pelos adversários, já que a lógica da convergência empurra todas as grandes empresas da web para a mesma direção.

Na era do capitalismo analógico e industrial era possível dividir mercados para evitar uma guerra comercial, mas na era da digitalização e da informação esta repartição é improvável porque teria que se basear na colaboração, e não em meros acordos de não agressão. Está na cara que vai ser muito difícil a Google colaborar com a Apple em qualquer área da web.

Por seu lado, os pequenos empreendedores têm diante de si duas possibilidades: o desenvolvimento independente, o que significa apostar na colaboração e cooperação; ou trabalhar isoladamente esperando ser comprados por alguma grande empresa, como tem acontecido com freqüência cada vez maior.

É obvio que prever um desenlace é coisa para bola de cristal. Mas há uma pequena grande diferença no quadro atual, se comparado com o predominante no século passado, antes da revolução tecnológica. A possibilidade dos pequenos criarem redes colaborativas para desenvolverem projetos é muito maior do que no passado, porque a internet permite a integração de mercados. A diferença pode vir por aí. É a grande esperança de que não tenhamos mais do mesmo na era digital.

A mesma análise aplica-se ao setor da imprensa online, com a crescente concorrência entre os grandes grupos midiáticos, como já acontece na Europa e Estados Unidos, por um lado, enquanto do outro multiplicam-se os blogs e projetos comunitários baseados na produção colaborativa de informações.

Fonte: Observatória da Imprensa

sexta-feira, 19 de novembro de 2010

Para 45% dos internautas brasileiros, redes sociais substituem portais de notícias

Por Izabela Vasconcelos

Uma pesquisa realizada pelo Ibope Mídia revela que 45% dos internautas brasileiros consideram que as redes sociais substituem as informações dos portais de notícias. Para 60%, as redes sociais oferecem toda a informação necessária para se manter atualizado. O estudo “ Many-to-many- o fenômeno das redes sociais no Brasil ” foi feito em setembro e divulgado na última semana. O Ibope ouviu mais de oito mil pessoas, em onze regiões metropolitanas do Brasil.

Otimização de tempo
Para Juliana Sawaia, gerente de Inteligência de Mercado do Ibope Mídia, o resultado não vai contra os portais, já que muitas das informações transmitidas pelas redes partem dos próprios sites noticiosos. “A maioria das matérias postadas nas redes são provenientes de algum outro site, portais, blogs, fóruns etc, e muitos veículos de comunicação já possuem páginas e perfis nas Redes. Com essa opção os usuários seguem os assuntos que efetivamente lhes interessam, otimizando o seu tempo em vez de irem diretamente a sites específicos”, avalia.

Informação e relacionamento
Para a gerente do Ibope, o relacionamento nas redes é importante nesse contexto, porque os internautas tendem a buscar com mais frequência as informações de seus contatos. “Um outro fator a ser analisado é que esse fenômeno das Redes fortalece o laço das pessoas que participam dela. Portanto, a tendência é que cada um confie mais nas informações dos seus “contatos” e que busque por elas mais frequentemente do que em um portal de notícia por exemplo”.

Portais x grau de instrução
Apesar de 45% dos internautas considerarem que as redes substituem os portais de notícias, essa aceitação cai gradativamente conforme o grau de instrução do entrevistado, e chega a 22% das pessoas que possuem nível superior. “É interessante ver que quanto maior o grau de instrução, menor é essa dependência das redes”, explica a especialista.

O estudo também mostra que o Orkut é acessado por 91% dos internautas brasileiros, o Facebook por 14%, Twitter 13%, MySpace 2% e Sonico 1%. Desses entrevistados, 74% preferem seguir amigos e familiares, 60% celebridades e artistas, 35% jornalistas e sites de notícias, 26% empresas e profissionais relacionados ao trabalho e 18% empresas/produtos que consomem.

Fonte: Comunique-se

quinta-feira, 11 de novembro de 2010

Empresas não podem mais resistir às redes sociais, dizem executivos

Por Julio Wiziack

O crescimento do uso das redes sociais principalmente entre os consumidores emergentes (classe C) fez aumentar o volume de reclamações contra empresas, produtos e serviços, segundo executivos de grandes empresas durante o 4º Seminário de Mídia Online (MediaOn).

Os executivos que participaram do debate não apresentaram dados, mas todos afirmam que a prova desse crescimento é a própria presença da maior parte das grandes companhias em sites de relacionamento.

Segundo eles, operadoras de telefonia, montadoras de veículos, fabricantes de celulares e redes varejistas foram obrigados a entrar na rede não só para monitorar reclamações, mas para terem uma atuação mais próxima junto a pessoas que se tornaram "formadoras de opinião".

Afinal, uma reclamação no Procon (órgão de defesa do consumidor) não tem o peso de uma reclamação feita por um internauta seguido por milhões no Twitter.

"Meus pêsames à empresa que não estiver nas redes sociais", disse Sérgio Valente, presidente da agência de publicidade DM9DDB. "Certamente, essa marca já está sendo comentada e não está participando desse processo."

Carlos Werner, diretor de marketing da Samsung, defendeu a presença das companhias nas redes sociais não só como uma ferramenta de solução de problemas mas também de pesquisa de mercado. "Podemos detectar grandes ondas", disse. "Temos uma equipe de inteligência que usa informações obtidas nas redes para o nosso desenvolvimento de produtos."

Segundo João Batista Ciaco, diretor de publicidade e marketing da Fiat, a montadora italiana foi obrigada a se abrir ao consumidor. "Antes tínhamos somente um canal de comunicação com os consumidores e ele ocorria via assessoria de imprensa", disse. "Ao entrarmos nas redes sociais, assumimos mais riscos e ainda estamos nos adaptando a essa mudança."

Fonte: Folha.com

segunda-feira, 8 de novembro de 2010

Redes sociais são trampolins ou buracos sem fundo?

Por Thaís Naldoni

As redes sociais são partes fundamentais do trabalho de um profissional de comunicação. Twitter, Facebook, Orkut... quem ainda não aderiu a, pelo menos, uma dessas redes, logo mais vai aderir. Não há nada pior para um jornalista do que se sentir desatualizado.

No entanto, o bacana das redes é que elas reúnem pessoas com mais os diversos interesses e pelos mais diversos motivos. Seja uma família espalhada no mundo que criou uma comunidade no Orkut para juntar o pessoal e manter contato; seja os jornalistas que falam sobre tudo o tempo todo no Twitter ou Facebook; atores, arquitetos, engenheiros, cantores, músicos, professores, estudantes. Todos são bem-vindos às redes e todos encontram seu espaço.

Esse lugar tão democrático, porém, tem suas armadilhas. E por mais que o princípio do "seja você mesmo" seja o "mote" das redes, já vi gente que se deu bem e gente que se deu mal, pela forma com que se expõe. Explico: se em todos os seus posts do Twitter a vida está um saco, você está com dor de cabeça, o trabalho é enfadonho, eu vou pensar vinte vezes quando considerar você para prestar algum serviço em sua área de atuação, seja ela qual for.

Ao mesmo tempo em que você pode se tornar interessante para alguém que nem o achava tanto assim, se você se mostra diferente do que o seu interlocutor imaginava. É a mágica da internet, que se coloca contra ou a favor de quem a usa.

Quanto aos veículos de comunicação, o uso das redes ainda é um mistério, desvendado dia após dia. Existem algumas regras, existem demissões por opiniões colocadas. É muito difícil, certamente, supor a força e a velocidade com que um simples "detestei a matéria tal" circula pela rede e vira, de repente, um "trending topic".

A grande pergunta é: quem faz o uso da rede? No meu caso, é a Thaís, pessoa física, filha do João Carlos e da Cida Naldoni, ou é a Thaís Naldoni, jornalista, editora-executiva do Portal IMPRENSA? Existe diferença nesse uso?

Quero muito saber sua opinião. Na próxima coluna, escrevo relatando as impressões de vocês.

Fonte: Portal IMPRENSA

terça-feira, 5 de outubro de 2010

Usuários de mundos virtuais passam 1 bi, estima consultoria

Redação Folha.com

O número de usuários registrados em mundos virtuais ultrapassou a marca de 1 bilhão durante o 3º trimestre deste ano.

Mundos virtuais são comunidades on-line nas quais pessoas operam avatares em um ambiente simulado por computador --como o Second Life ou World of Warcraft.

De acordo com a consultoria britânica KZero, que analisa mundos virtuais e bens de mercado virtuais, há um aumento de 51 milhões em relação ao 2º trimestre deste ano, e de 350 milhões em relação ao mesmo período do ano passado.

Segundo informações do site ReadWriteWeb, 468 milhões desses usuários têm idade entre 10 e 15 anos. Essa faixa etária teve um aumento de 24 milhões de usuários no 2º trimestre do ano.

O mundo virtual mais popular, segundo a companhia, é o Stardoll (cujo público tem 15 anos ou menos), com 288 milhões de contas registradas.

Fonte: Folha.com

segunda-feira, 4 de outubro de 2010

Filme sobre Facebook aponta fenômeno cultural contemporâneo

Por Alexei Oreskovic

Um em cada dois norte-americanos já são usuários do Facebook, que, se fosse um país, hoje teria população inferior apenas às da China e da Índia, e cujo valor estimado supera os US$ 30 bilhões de dólares --maior que o da rede Starbucks.

Qual poderia ser o próximo avanço para esse site criado em uma residência universitária de Harvard, seis anos atrás? Que tal um filme de Hollywood, "A Rede Social", que estreou nos EUA na sexta-feira e já está motivando discussões sobre possíveis Oscar?

Muitos dos detalhes do filme são contestados. Mas a própria noção de que o público mediano possa ir assistir a um filme sobre a história de uma empresa de tecnologia ressalta até que ponto o Facebook já virou parte do cenário cultural geral.

"O Facebook é mais que apenas um fenômeno 'geek'. É uma coisa do grande público", disse Dave McClure, ex-executivo da empresa de pagamentos online PayPal e hoje investidor em empresas de tecnologia recém-fundadas.

Maior rede social do mundo, o Facebook possibilita a seus usuários entrarem em contato on-line com seus amigos e conhecidos do mundo real e fazer de tudo com eles, desde compartilhar fotos de bebês e notícias pessoais até jogar versões eletrônicas de Palavras Cruzadas.

Avós, políticos e roqueiros estão entre os mais de 500 milhões de usuários do serviço em todo o mundo, que ajudaram o Facebook a ultrapassar o Google como o site no qual os norte-americanos passam mais tempo todos os meses.

O Facebook atende à necessidade básica que as pessoas têm de se comunicar, disse David Weinberger, pesquisador do Centro Berkman de Internet e Sociedade da Universidade Harvard.

"Os humanos somos uma espécie naturalmente sociável", disse Weinberger. "Nós nos reunimos em sites de relacionamento social como se isso fosse natural, porque é natural."

Sob a direção de Mark Zuckerberg, o cofundador de 26 anos do Facebook, a empresa passou de serviço disponível apenas a estudantes universitários a uma grande empresa na internet, tendo superado uma série de questões complexas de privacidade ao longo de sua trajetória.

Analistas da internet dizem que ela se tornou tão grande e tão popular que já representa uma ameaça financeira a empresas consolidadas, como Google e Yahoo!.

Paul Thiel, membro do conselho de direção do Facebook, disse que a empresa, que ainda é uma companhia limitada, não vai começar a vender ações ao público antes de 2012.

Mas já existe um mercado dinâmico de ações particulares do Facebook, e a empresa é avaliada em mais de US$ 30 bilhões, segundo negociações recentes no Sharespost, um mercado secundário desse tipo.

Thiel acha que o novo filme --que ele afirma conter "muitas imprecisões e pequenas mentiras e distorções"-- vai, mesmo assim, intensificar a influência do Facebook.

"O filme vai incentivar americanos jovens a se mudarem para o Vale do Silício e tentarem criar novas empresas. Portanto, acho que vai fazer mais bem do que mal", disse ele.

Fonte: Folha.com

segunda-feira, 13 de setembro de 2010

Em sua nova geração, a internet são várias redes. Não uma só

Por Pedro Doria

Já estamos vivendo uma nova era na história da internet. É sua quarta geração. É difícil precisar quando começou, tem um quê mais de um ano, mas já se trata de uma rede fundamentalmente diferente daquela que existiu. Sua principal característica é a fragmentação.

A primeira geração da internet durou duas décadas e meia, entre seu nascimento enquanto ArpaNet, em 1969, até o surgimento da web gráfica, em meados da década de 1990. Foi uma internet pequena, principalmente acadêmica, pela qual se navegava usando comandos escritos contra tela preta, letras e números num verde brilhante típico dos terminais de computadores de muito tempo atrás.

A segunda geração da rede foi a da web gráfica navegada via Netscape ou Explorer na qual os mais tarimbados pioneiros tinham a própria homepage. (Naquele tempo, não se falava de site. Era uma única página, em geral com imagens piscantes e a plaquinha informando que tudo estava em construção.)

A terceira é aquela batizada por Tim O’Reilly, um editor de livros sobre tecnologia, de Web 2.0. Sua principal característica é a interação. A nova web, inaugurada após a bolha, trazia sites inteligentes que vão de blogs ao YouTube, da Wikipedia ao Orkut. Sites que não eram só de texto e imagens fixas mas que permitiam comentários, relações entre pessoas, sites ao menos parcialmente construídos por seus usuários.

Há uma disputa em jogo por quem define melhor o que é esta quarta geração da internet. Na capa da Wired de um mês atrás, a notícia era de que ‘a web morreu’. Segundo o editor Chris Anderson, a internet estava deixando a tela do Firefox ou Explorer para se distribuir num mundo de apps em vários aparelhos entre smartphones e tablets.

A revista britânica The Economist, que faz uma das melhores coberturas das ideias que circulam no Vale do Silício na imprensa, aposta num conceito parecido embora diferente. Não é que a web esteja morta, apenas que ela ficou menos importante. Há um processo de balcanização da internet, explica seu correspondente no Vale.

A internet não é mais uma só, aberta, toda conectada entre si. Agora ela é muitas. Há exemplos óbvios, caso do Facebook, que vive na web porém é uma rede fechada, quase desconectada do resto. (Na semana passada, o Facebook ultrapassou o Google, agora é o site no qual as pessoas passam mais tempo na internet mundial.)

E há casos menos óbvios. A internet começa a ser um pouco mais local e menos global. De dentro da China, da Arábia Saudita ou do Egito, não se vê a rede completa. E o instrumento dos censores está mais usado com outros fins. A Austrália começará a impedir acesso a pornografia infantil usando as mesmas ferramentas. O Hulu, site de vídeos legais que exibe séries de TV, só é acessível nos EUA. Parte do conteúdo do YouTube também. Tem pedaços da rede que só se vê em um lugar, outros que não se vê em outros. A internet não é mais uma só.

No caso dos apps para celular e tablets a confusão ainda impera. No mundo da Apple, de iPods, iPhones e iPads, tudo é fechado, um universo à parte. Faz parte da internet, é muito usado, mas sequer é percebido por quem não convive com os aparelhos da empresa.

O Google, com seu Android, pretende crescer ao ponto de se tornar um concorrente de peso. Tem chances e uma desvantagem. Como seu sistema para aparelhos móveis é aberto, cada empresa implementa a seu modo. O resultado são dezenas de pequenas incompatibilidades. O programinha testado em um aparelho não funciona necessariamente em outro. A turma do buscador está correndo atrás para fechar um pouco mais a plataforma e impor um padrão mínimo. Só assim será possível criar um ecossistema de apps capaz de enfrentar o mundo Apple.

De muitas formas diferentes, a internet em que vivemos já é outra. Nela, a web é menor e os conteúdos não estão disponíveis a todos. Há os limites geográficos e também os financeiros. Cada vez mais tem gente cobrando pelo acesso ao que produz. Assim como há gente pagando.

Esta nova rede precisa de um nome. Web 3.0 não serve, pois se a web foi o centro das duas gerações anteriores, ela é apenas um componente desta de agora. O concurso pelo nome já abriu.

Fonte: Estadão