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terça-feira, 31 de maio de 2011

A desconstrução da perfeição

Por Valério Cruz Brittos e Jonathan Reis

A indústria cinematográfica está tão presa à bilheteria que tende a esquecer a qualidade das produções para satisfazer o grande público. São filmes repletos de narrativas clichês (e repetitivas), com diversos apelos. Nesse cenário, as melhores obras cinematográficas são conhecidas e aclamadas por um público menor e alternativo, recebendo maior valorização em festivais e premiações. Neste ano, houve uma exceção. Em Cisne Negro, dirigido pelo consagrado Darren Aranofsky, encontra-se originalidade, qualidade e uma bilheteria satisfatória (quase US$ 100 milhões só nos Estados Unidos).

No filme, Natalie Portman interpreta uma bailarina que possui obsessão pela perfeição, o que se torna mais evidente diante da oportunidade de consagrar-se interpretando as personagens principais de “O Lago dos Cisnes”. A busca de qualidade e evolução é positiva, mas os excessos são prejudiciais e devem ser tratados. Para a construção de tal obsessão, existe a mãe da personagem, possessiva, manipuladora e repressora dos desejos de toda ordem da filha. A partir disso, há descobertas e excessos capazes da personagem não conseguir separar o real e o imaginário de sua mente.

Para viver de maneira satisfatória, com dificuldades e desafios, necessita-se de estrutura e equilíbrio. São ciclos evolutivos, onde cada desafio deve existir de acordo com a maturidade do ser humano. No filme, nota-se que a personagem de 28 anos de idade vive encarcerada, vivendo de forma infantil, sem passar pelas etapas por que mulheres mentalmente saudáveis passam. No cotidiano da personagem, não há vida social, mudanças ou vontades. Na opinião de bailarinos profissionais, há acertos em relação aos pensamentos da personagem para abordar um novo papel, mas há situações extremas, que fazem o balé tornar-se negativo.

Papel fundamental

No Brasil, nota-se que esportes como o futebol estão cercados de pontos positivos e negativos. Há emoção, assim como sensacionalismo e falta de respeito, os quais resultam em violência dentro e fora dos campos. Entre os aspectos positivos, destaca-se a geração de integração e incentivo aos jovens, mas não se pode esquecer os negativos, resultado da alienação e irracionalidade, mostrando certa animalização diante da vitória ou derrota. É preciso preparo psicológico e educação para enfrentar essas situações.

O Cisne Negro mostra parte da sociedade. Basta abrir o jornal impresso ou assistir à televisão que se identifica o quanto as pessoas ficam cegas diante de recursos e situações para os quais não estão preparadas para lidar. Na atual formação histórica, o dinheiro está em primeiro lugar e a verdadeira felicidade é esquecida. São filhos assassinando pais e vice-versa, preconceito, intolerância e ignorância, num quadro de extremo individualismo. Infelizmente, a cada dia a situação torna-se mais insatisfatória. Para a reversão deste quadro, a comunicação e seus recursos podem ter um papel fundamental nos processos educacionais.

Fonte: Observatório da Imprensa

sexta-feira, 25 de março de 2011

Ancine une Brasil e Argentina em edital

Redação M&M online

Com o objetivo de aproximar as culturas cinematográficas do Brasil e a da Argentina, a Agência Nacional de Cinema (Ancine) abriu as inscrições para o edital de Coprodução Brasil-Argentina, que visa captar produções da indústria de cinema das duas nações latinas.

O projeto é realizado em conjunto com o Instituto Nacional de Cine y Artes Audiovisuales – Incaa, da Argentina, e prevê o investimento de US$ 800 mil para a produção de quatro longas metragens independentes – US$ 200 mil para cada uma - nos gêneros de ficção, animação ou documentário.

Os projetos poderão ser enviados até o dia 11 de abril. As ideias serão analisadas por uma comissão técnica, formada por profissionais do setor do audiovisual dos dois países.

Fonte: M&M online

sexta-feira, 11 de março de 2011

BRUNA SURFISTINHA - A condensação e o deslocamento

Por Por Affonso Romano de Sant’Anna

Onde começa a imagem da atriz Deborah Secco e onde termina a figura real de Bruna Surfistinha? Para mim não há dúvida, distingo a atriz da personagem. No entanto, tomo uma matéria publicada n’O Globo (23/2/2011) a propósito do lançamento nacional do filme Bruna Surfistinha, dirigido por Marcos Baldini. Estamos diante de um texto (ou contexto) que ilustra alguns dos impasses da ideologia da cultura contemporânea. É um texto sintomático. O que tem isto a ver com a fusão do público e do privado, com a superposição do centro e da periferia e com a questão do real e sua representação?

Tomemos o texto. Ele expõe uma ambiguidade textual e contextual. A rigor, a duplicidade Bruna/Deborah começou já numa outra ambigüidade anterior: Bruna/Raquel. Bruna é a personagem criada pelo jornalista Marcelo Duarte no livro O doce veneno do escorpião e Raquel Pacheco – a autêntica garota de programa que teve sua vida biografada. Aliás, biografada ou romanceada? (Os que se interessarem por isto academicamente, podem desdobrar aqui o item biografia/ficção – um dos tópicos preferidos da pós-modernidade).

Concentremo-nos na ambigüidade Deborah/Bruna tal como vem estampada no texto jornalístico. Esta duplicidade é um típico exemplo daquilo que Freud ao falar de mecanismos de nosso inconsciente chamava de "condensação" e "deslocamento", e os linguistas, posteriormente, a partir de Roman Jakobson denominaram de "metáfora" e "metonímia". Resumindo: pela condensação fundimos Bruna e Deborah numa só pessoa e pelo deslocamento falamos de uma no lugar da outra. Os dois movimentos são complementares, às vezes a condensação (metáfora) é dominante, às vezes o deslocamento (metonímia) é o que predomina.

Esses mecanismos existem não só nos sonhos, nas artes, mas nas representações sociais. A publicidade recorre a isto constantemente. Ao botar, por exemplo, uma linda mulher ao lado de um automóvel está procedendo primeiro a uma condensação (o automóvel tem os atributos da mulher irresistível) e depois a um deslocamento (eu compro o carro, investido do desejo anunciado). Ou seja, uma imagem contamina a outra.

As verdadeiras

Voltemos ao nosso caso exemplar: o jornal traz uma foto de Deborah Secco, lindíssima, em roupa de gala na estréia do filme Bruna Surfistinha (no Cine Odeon, Rio) sendo cumprimentada por umas cinco moças. A foto representa uma realidade, o lançamento do filme. No entanto, embaixo da foto a legenda faz uma condensação: "Bruna e as companheiras de michê". Estabelece-se a ambigüidade. A foto é de Deborah. Mas reparem, o texto não diz Deborah, mas Bruna. E pode-se pensar ambiguamente, que aquelas não são as atrizes (companheiras de Deborah), mas as companheiras de Bruna, a prostituta.

Por outro lado o titulo da matéria é igualmente ambígua: "Bruna Surfistinha tira a maior onda". De qual Bruna Surfistinha se trata? De Deborah a atriz presente na estréia da peça ou de Bruna propriamente dita, ausente fisicamente, mas presente simbolicamente?

A ambigüidade continua. Noutra parte, descrevendo as pessoas e as cenas na estréia do filme, o jornal formaliza a dubiedade escrevendo os nomes de Deborah e de Bruna separados por uma barra: "Deborah/Bruna(...)está ao lado da mãe. Dona Silvia assiste a tudo impassível". Ambigüidade de novo: se Deborah é Bruna, pode-se ficar na dúvida se Dona Silvia é mãe de Deborah ou Bruna.

A matéria continua expondo a ambigüidade. Dentro e fora da tela, dentro e fora do teatro. No filme, uma personagem, encenada pela atriz Drica Moraes, diz: "Tá cheio de mulher bonita gostosa e universitária querendo trabalhar". Bem, neste caso é outra atriz representando outra personagem, que faz essa afirmativa que define algo da sociedade atual. Segundo essa afirmativa, Bruna ou melhor, Raquel, é uma figura exemplar, pois exemplificaria um desejo de moças de classe média hoje.

A realidade e a ficção voltam a se misturar, agora de outra forma. Há outra vez uma mistura entre ficção e realidade: não é mais a personagem que Drica Moraes representa, mas outra pessoa concreta, uma atriz, Giulia Gam, na platéia do filme e não na tela, declarando: "Ah, toda mulher tem o fetiche de ser prostituta por um dia, nem que seja para o namorado". (É uma afirmação categórica à qual outras mulheres poderiam responder com mais propriedade.)

No entanto, face a essa afirmativa, a própria Deborah saindo da pele da Bruna, deixando o espaço de identificação e condensação, sentindo-se inconfortável diante dessa declaração tem a seguinte reação assim narrada pelo jornal: "Deborah pode até concordar, mas ficou ruborizada e disse que era ‘puramente artístico’ o seu interesse em viver uma prostituta".

Com efeito, a atriz havia declarado que preparando-se para o filme fez workshop, indo conversar com prostitutas verdadeiras para conhecer melhor a realidade delas. E confessou também que o papel era para ela uma possibilidade (artística), como se diz hoje, de desconstruir-se.

Empenho realista

Porém, voltemos à cena narrada pelo jornal. A condensação das duas imagens com o eventual deslocamento continua. Dou um exemplo: ali no Cine Odeon (diz o jornal) está uma ex-integrante do Big Brother – programa que para alguns é o espaço da permissividade e da prostituição chique. Cida Moreira, que saiu da tela do Big Brother para a tela de outra emissora em que agora trabalha (nova condensação/deslocamento entre ficção e realidade), acena para a atriz do filme e recebe um beijo de volta da Deborah/Bruna.

Consideremos, nessas alturas, contrastivamente, outros fatos artísticos que giram em torno da temática da prostituição. Remeto o leitor interessado ao livro O canibalismo amoroso (Editora Rocco) onde estudo a imagem da "prostituta sagrada" e o fenômeno da "hierogamia" seja entre os babilônios seja na tradição cristã com duas Marias: a mãe de Jesus e Maria Madalena. Contudo, embora em nossa tradição exista um farto material que inclui A dama das camélias/ A Traviata os romances de Jorge Amado ou a filmes como Uma linda mulher ( Julia Roberts) consideremos, dentro dos estreitos limites deste ensaio, a peça Navalha na carne de Plínio Marcos que teve, em 1968, Tônia Carreiro no papel de prostituta.

Quando Tônia representou a prostituta, por mais realista que fossem o texto e a cena, nem por isto sua imagem na imprensa e na ideologia da época foi confundida com a da personagem. A imprensa e o público sabiam que aquilo era "representação". A ambiguidade era zero. As coisas ocorriam no nível do simbólico, da representação. Evidentemente Tônia estava encarnando uma personagem, enquanto Deborah está encarnando uma pessoa viva, transformada pela mídia em personagem. Mas, estratégica e sintomaticamente, as entrevistas com Bruna/Raquel/Deborah que estão sendo feitas para o lançamento do filme reforçam ainda mais a condensação e o deslocamento.

E surge um outro fato para fértil análise.

Coincidentemente, nesses dias, A navalha na carne está sendo encenada no Hotel Paris, na Praça Tiradentes, no quarto de uma prostituta. O teatro contemporâneo (como a arte oficial de nosso tempo) tem trabalhado com essa experimentação. Não há mais fora e dentro, rascunho e texto definitivo, certo e errado, teatro e outras artes, platéia e palco, autoria e apropriação. Não há mais limites, trabalha-se sobre a indiferenciação ética e estética.

No caso da encenação no prostíbulo do Hotel Paris, o papel principal está com a atriz Marta Paret e o espetáculo é dirigido por Rubens Carmelo. É um empenho realista, digamos total, dentro de uma tendência do teatro atual de abolir o limite entre o espaço imaginário e o real, reforçando os mecanismos de condensação e deslocamento.

A diferença

Houve, portanto, um tempo em que era mais nítida a diferença entre a representação e o representado ou, então, isto era uma estratégia claramente delimitada. Um ator representando um assassino não era necessariamente tido como um assassino, quem representava um louco não era necessariamente um louco e assim por diante. Liam-se o texto e o contexto diferentemente.

Mas a cultura contemporânea propõe, em certas obras, uma coisa intrigante e de alto risco, conquanto às vezes muito criativa: abole-se a fronteira entre a realidade e ficção, o real invade o lugar do simbólico, como se a realidade (in presentia) fosse mais forte que a imaginação (in ausentia). A ordem é apresentar o real ao invés de representar ou de reapresentá-lo. Com isto o símbolo passa ser substituído pela realidade.

Seria isto um empobrecimento, um beco sem saída? Qual a diferença entre mergulhar jubilosamente no "mal estar da civilização" e, diferentemente, analisar isto enquanto sintoma? O que é que a tal ambiguidade, a quebra de fronteiras e limites têm a ver com o que Gregory Batteson chamava de double bind, ou seja, o discurso duplo de uma sociedade esquizofrênica que emite ordens contraditórias?

Onde começa a desrepressão pessoal e social e onde começa a anomia? De que modo, o fato de abolir as "diferenças", além de redefinir papéis nos joga no indiferenciado?

Nesses dias, também no jornal, li uma matéria sobre este mesmo assunto, mas era algo "diferente", "diferenciado". Desta vez a personagem real era Gabriela Leite, notória líder das prostitutas e ex-prostitutas brasileiras . Estava ela acompanhada de duas líderes de prostitutas alemãs que foram com ela visitar o cemitério das "polacas", ou seja, as prostitutas enterradas no século passado no cemitério dos judeus no Rio. Denunciavam assim o trabalho a que eram submetidas as escravas sexuais, desta vez sem nenhuma glamourização. E havia diferença. A condensação foi para o segundo plano. Operou-se um deslocamento crítico.

Fonte: Observatório da Imprensa

quarta-feira, 24 de novembro de 2010

Ancine libera R$ 17 mi para investir em projetos de TV

Redação Folha.com

A Ancine (Agência Nacional do Cinema) libera hoje R$ 17,7 milhões para a produção de 23 obras independentes --de 22 produtoras-- para a televisão.

No ano passado, quando começou a operação do FSA (Fundo Setorial do Audiovisual), devido à inconsistência dos demais projetos, só cinco projetos foram escolhidos.

Havia R$ 7 milhões para gastar, mas só foram distribuídos R$ 3 milhões.

O comitê optou por aplicar a diferença neste ano.

A informação é da coluna Outro Canal, assinada por Keila Jimenez e publicada na Folha desta quarta-feira (24). A íntegra da coluna está disponível para assinantes do jornal e do UOL.

Fonte: Folha.com

quarta-feira, 17 de novembro de 2010

Parceria Brasil/Cuba resulta em animação em 3D

Redação AdNews

O Ministério da Cultura do Brasil, por meio da Secretaria do Audiovisual, e o Ministério da Cultura de Cuba, assinaram em 2009, um termo de cooperação artística e técnica em animação para a infância, que resultou no curta-metragem Caminho das Gaivotas. O vídeo será lançado em dezembro deste ano, no Festival Internacional de Cinema de Havana, como o primeiro curta de animação em 3D stereo da série animada Histórias de Coração.

O público poderá acompanhar o dia-a-dia da produção, relatos de experiências, o diálogo entre as equipes, as produções, as contribuições dos especialistas, os dilemas e os desafios, por meio do blog da iniciativa.

À frente do O Caminho das Gaivotas está uma equipe formada por profissionais da área de animação, design, comunicação, educação e psicologia. Equipe que já participou de outras propostas – individuais e institucionais – de políticas públicas com foco em animação e na infância, formada por profissionais de dois países: Brasil e Cuba.

A iniciativa tem por objetivo experimentar, possibilitar e promover uma linha de produção que coadune anseios e desejos de uma política pública voltada para a qualificação da animação brasileira e de Cuba, no que diz respeito à produção voltada para a infância.

Fonte: AdNews

sexta-feira, 5 de novembro de 2010

O Som no Cinema: Primeiros Acordes

Por Carine Toledo

Até 1927, quando foi lançado o primeiro longa-metragem sonoro, O Cantor de Jazz (The Jazz Singer), o cinema era um espetáculo mudo. Apesar de nunca exibidos totalmente em silêncio - era comum o acompanhamento de músicos ou efeitos sonoros executados ao vivo - foi a invenção do Vitaphone que permitiu sincronizar som a um filme. Os diálogos e música não eram impressos na película de filme diretamente, mas tocados separadamente em um disco, simultaneamente à projeção.

O aparelho foi desenvolvido pela Western Eletric, empresa que foi comprada pela Warner Bros. em 1925. A aquisição permitiu ao estúdio experimentações com som em mais de 2 mil curtas-metragens e o lançamento de Don Juan (1926), primeiro filme mudo a ser sincronizado com música e efeitos sonoros, mas ainda sem diálogos.

No entanto, as inconveniências do Vitaphone eram muitas: baixa qualidade na amplificação do som, chiados e a facilidade com que os discos se riscavam, tirando o filme de sincronia. Não demorou para que o aparelho fosse aposentado e substituído por processos mais eficientes, que permitissemm que o som fosse gravado no próprio filme, em uma faixa óptica lateral.

Independente da tecnologia utilizada no processo de captação, era evidente que a combinação de som e imagem em movimento tinha chegado para ficar. Depois de lançar O Cantor de Jazz, a Warner Bros. lançou outros dez longas-metragens totalmente falados. Em 1929, de um total de 290 filmes lançados em Hollywood, apenas 28 não tinham som. A inovação rapidamente espalhou-se pelos Estados Unidos e Europa. No Oriente, o som foi sendo adotado lentamente, mas logo ficou evidente que figuras como o japonês benshi, cuja narração dramática ao vivo acompanhava os filmes mudos, em breve perderiam o emprego.

Na década de 1930, os filmes falados ficaram conhecidos como talkies e a moda era abarrotá-los de diálogos - fenômeno similar ao que acontece hoje nos filmes 3D, com a profusão de objetos lançados para fora da tela a fim de evidenciar a tecnologia. Apesar da Grande Depressão, que instaurou-se a partir de 1929 e vitimou estúdios economicamente, o público dos cinemas só crescia, em decorrência dos talkies.

A receita gerada pelo crescimento do público possibilitou aos estúdios de Hollywood o luxo de investir em dois níveis de produção, paralelamente. Os filmes tipo "A" eram produções de gêneros mais populares, como épicos, faroestes, musicais e filmes de guerra, enquanto os filmes tipo "B" eram os imorais, como os noir, e os que ninguém levava a sério, como as ficções científicas, que reciclavam material e cenários usados nos filmes "A".

Assim, a década iniciada com os primeiros passos dos longa-metragens sonoros não podia terminar melhor. Enquanto a Europa se enchia com a tensão de uma guerra iminente, o cinema estadunidense lançava em 1939 os clássicos O Mágico de Oz (The Wizard of Oz), ...E o Vento Levou (Gone with the Wind), No Tempo das Diligências (Stagecoach) e A Mulher faz o Homem (Mr. Smith Goes to Hollywood), ficando para a história como o que alguns consideram o melhor ano da história do cinema.

Fonte: Omelete

sexta-feira, 15 de outubro de 2010

Em momento histórico, filmes brasileiros superam produções estrangeiras em salas de exibição do país

Por Guss de Lucca

Pela primeira vez na história, há mais salas de cinema exibindo filmes nacionais do que internacionais. No momento 51,6% dos espaços no Brasil estão ocupados por produções feitas no país. "Tropa de Elite 2" encabeça a lista, com 32,4%, seguido por "Nosso Lar, com 15,8% e "Eu e Meu Guarda-Chuva", com 3,4%. E o mais impressionante é que esse número vai aumentar.

"A partir do próximo fim de semana entram no circuito mais 40 cópias de 'Tropa de Elite 2' - coisa que eu nunca vi", afirmou Paulo Sérgio Almeida, cineasta e diretor do portal Filme B, em entrevista ao iG. "E esse filme ainda tem uma grande dificuldade, que é a censura de 16 anos - o 'Avatar', por exemplo, é pra toda família."

Paulo mostrou otimismo quando questionado sobre a possibilidade de 2010 superar o mítico 2003, ano apontado como o melhor para o cinema nacional após a retomada, totalizando 22 milhões de espectadores. "Ontem eu diria que não, mas hoje ninguém sabe onde 'Tropa de Elite 2' vai chegar", disse.

De acordo com ele, até o momento os filmes brasileiros totalizam um público de 11,5 milhões - número que deve engordar 500 mil com "Nosso Lar" e muito mais com o novo "Tropa". "Não sei até onde vai um filme que deve fazer mais de 3 milhões na primeira semana e ainda cresce no circuito", completou - até esta quarta-feira o longa-metragem já batia a marca dos 2,4 milhões.

Muito mais otimista está Marco Aurélio Marcondes, distribuidor do filme que conversou com o iG por telefone em sua passagem por São Paulo. "Nossa meta original é que o 'Tropa' chegue aos 6,5 milhões de espectadores, mas têm pessoas falando em até 12 milhões", contou.

"Em sua primeira semana ele já superou todos: 'Homem-Aranha', 'Avatar', 'Era do Gelo 3'. No momento estou pesquisando na internet o 'Titanic', que ele já deve ter superado também, pois não teve uma abertura muito boa", disse Marcondes, feliz com o aumento previsto para a próxima semana, que deve subir "Tropa 2" para 780 salas em todo o país.

"Estive ontem no shopping Eldorado, em São Paulo, por volta das 16h, e ouvi do gerente do cinema que já haviam vendido todos os ingressos do dia e as duas primeiras sessões do dia seguinte. Esses cinemas estão demandando mais cópias, pois o crescimento é exponencial", explicou, citando como exemplo a cidade de Macaé, no litoral do Rio de Janeiro, onde um cinema pequeno fez 7 mil pessoas neste fim de semana.

"Eu acho que isso demonstra a força do cinema brasileiro. Quanto mais filmes nacionais em cartaz, melhor. Eu acho que o 'Tropa 2' colabora com isso sem dúvida", encerrou.

Fonte: FNDC

quinta-feira, 14 de outubro de 2010

Filme levará drama dos mineiros chilenos para a televisão

Redação Folha.com

A produtora espanhola "Antena 3 Films" e a colombiana "Dynamo Factory" iniciaram as filmagens de um longa-metragem para a TV chamado "Os 33 de San José", baseado na história dos mineradores chilenos resgatados ontem (13) após permanecerem soterrados a quase 700 metros de profundidade por mais de dois meses.

"A ideia surgiu no instante em que os mineradores ficaram presos involuntariamente. O roteiro começou a ser elaborado naquele momento, e a aprovação da versão definitiva foi feita na semana passada", informou nesta quinta-feira a rede de televisão "Antena 3", proprietária da Antena 3 Films.

As cenas externas do filme começaram a ser gravadas há dez dias, e na próxima segunda-feira, dia 18, terão início as sequências filmadas na locação que reproduz a mina San José, em Copiapó.

CONCORRÊNCIA

A história, no entanto, também desperta o interesse de outros cineastas e produtoras.

Recentemente, o diretor Rodrigo Ortúzar disse que planeja rodar o "Los 33". "É uma grande história para se contar", afirmou.

O artista antecipou que o filme será "uma mistura de ficção e imagens já gravadas" por emissoras de TV do país e por sua equipe. O cineasta está registrando imagens das operações de resgate em pleno deserto de Atacama.

"Minha ideia é fazer uma história que esteja focada no soterramento e, ao mesmo tempo, no renascimento dos mineiros quando eles voltarem à superfície", explicou.

O filme também terá uma duração de 1 hora e 33 minutos.

A produção cinematográfica de tragédias é comum. A história do grupo de sobreviventes de um acidente aéreo nos Andes, de 1972, por exemplo, foi levada aos estúdios.

A produção de 1993, "Vivos", realizada nos EUA, contou o que ocorreu com a equipe de rúgbi do Uruguai que viajava ao Chile para disputar uma partida. Dos 45 passageiros sobreviveram 16.

Fonte: Folha.com

quarta-feira, 6 de outubro de 2010

Onda no cinema faz canal espírita crescer na TV paga

Redação Folha.com

Após o sucesso de filmes como "Bezerra de Menezes", "Chico Xavier" e "Nosso Lar", a presença da TV CEI (Conselho Espírita Internacional), mantida pela Federação Espírita Brasileira, nas operadoras de televisão por assinatura vai dobrar até o final do ano.

A emissora, que está no ar desde 2006 na internet e de 2009 no satélite, teve dificuldades para entrar nas primeiras 20 operadoras, todas de pequeno ou médio porte.

"Da metade do ano para cá, percebemos uma facilidade muito maior na negociação com as operadoras. Muitas delas nos procuram porque assinantes ligam pedindo o canal", afirma Luis Hu Rivas, coordenador-geral da TV CEI.

No ano passado, um abaixo-assinado com 11 mil assinaturas pediu, sem sucesso, a entrada do canal na Sky. Já as negociações com a Net estão avançadas.

Fonte: Folha.com

segunda-feira, 4 de outubro de 2010

Filme sobre Facebook aponta fenômeno cultural contemporâneo

Por Alexei Oreskovic

Um em cada dois norte-americanos já são usuários do Facebook, que, se fosse um país, hoje teria população inferior apenas às da China e da Índia, e cujo valor estimado supera os US$ 30 bilhões de dólares --maior que o da rede Starbucks.

Qual poderia ser o próximo avanço para esse site criado em uma residência universitária de Harvard, seis anos atrás? Que tal um filme de Hollywood, "A Rede Social", que estreou nos EUA na sexta-feira e já está motivando discussões sobre possíveis Oscar?

Muitos dos detalhes do filme são contestados. Mas a própria noção de que o público mediano possa ir assistir a um filme sobre a história de uma empresa de tecnologia ressalta até que ponto o Facebook já virou parte do cenário cultural geral.

"O Facebook é mais que apenas um fenômeno 'geek'. É uma coisa do grande público", disse Dave McClure, ex-executivo da empresa de pagamentos online PayPal e hoje investidor em empresas de tecnologia recém-fundadas.

Maior rede social do mundo, o Facebook possibilita a seus usuários entrarem em contato on-line com seus amigos e conhecidos do mundo real e fazer de tudo com eles, desde compartilhar fotos de bebês e notícias pessoais até jogar versões eletrônicas de Palavras Cruzadas.

Avós, políticos e roqueiros estão entre os mais de 500 milhões de usuários do serviço em todo o mundo, que ajudaram o Facebook a ultrapassar o Google como o site no qual os norte-americanos passam mais tempo todos os meses.

O Facebook atende à necessidade básica que as pessoas têm de se comunicar, disse David Weinberger, pesquisador do Centro Berkman de Internet e Sociedade da Universidade Harvard.

"Os humanos somos uma espécie naturalmente sociável", disse Weinberger. "Nós nos reunimos em sites de relacionamento social como se isso fosse natural, porque é natural."

Sob a direção de Mark Zuckerberg, o cofundador de 26 anos do Facebook, a empresa passou de serviço disponível apenas a estudantes universitários a uma grande empresa na internet, tendo superado uma série de questões complexas de privacidade ao longo de sua trajetória.

Analistas da internet dizem que ela se tornou tão grande e tão popular que já representa uma ameaça financeira a empresas consolidadas, como Google e Yahoo!.

Paul Thiel, membro do conselho de direção do Facebook, disse que a empresa, que ainda é uma companhia limitada, não vai começar a vender ações ao público antes de 2012.

Mas já existe um mercado dinâmico de ações particulares do Facebook, e a empresa é avaliada em mais de US$ 30 bilhões, segundo negociações recentes no Sharespost, um mercado secundário desse tipo.

Thiel acha que o novo filme --que ele afirma conter "muitas imprecisões e pequenas mentiras e distorções"-- vai, mesmo assim, intensificar a influência do Facebook.

"O filme vai incentivar americanos jovens a se mudarem para o Vale do Silício e tentarem criar novas empresas. Portanto, acho que vai fazer mais bem do que mal", disse ele.

Fonte: Folha.com