Mostrando postagens com marcador TV. Mostrar todas as postagens
Mostrando postagens com marcador TV. Mostrar todas as postagens

segunda-feira, 15 de agosto de 2011

Governo toma de volta concessões de rádio e TV

Por meio do Ministério das Comunicações, o governo vai reaver 42 licenças de rádio e uma de TV. De acordo com reportagem da Folha de S.Paulo, as compradoras não honraram os pagamentos e, por isso, perderão as concessões.

O preço alto teria sido o principal motivo pela falta de pagamento. Agora que os primeiros colocados na ordem de licitação terão as emissoras tomadas, os que ficaram na segunda posição serão convocados para assumir. Em alguns casos, informa o jornal, a diferença de valor entre as duas posições varia em 300%.

A única concessão para emissora de TV, por exemplo, custaria ao comprador R$ 5,27 milhões, de acordo com o acertado na licitação. O segundo colocado ofereceu apenas R$ 1,46 milhão, podendo então ficar com a estação por um valor 72% mais baixo que o primeiro.

Os preços se elevam porque a presença de empresas ligadas a políticos e igrejas, além de especuladores, fazem com que o interesse cresça. No caso dos especuladores, há interesse nas outorgas para revenda posterior.

Se os novos vencedores não se interessem, haverá outra concorrência pública, com regras diferentes, a ser anunciada até o fim deste mês.

Fonte: Adnews

segunda-feira, 4 de julho de 2011

Cresce a audiência dos breaks nos EUA

A média de espectadores da progrmaação televisiva continua caindo, mas os anunciantes observam um crescimento no índice dos comerciais


Estariam os comerciais se tornando mais atraentes para um grupo seleto de viciados em TV? Embora o número de telespectadores, em geral, continue em queda, os compradores de mídia pesquisados por Advertising Age acreditam que, sabendo escolher os programas e horários certos, é possível atingir certos nichos nos quais se projeta um aumento da audiência dos anúncios.

Por exemplo, na ABC, na segunda-feira à noite, espera-se uma subida com relação às estimativas do ano passado na audiência dos comerciais de “Dancing With the Stars", “Castle” e "The Bachelor”, que entra no horário no meio da temporada. O mesmo deve ocorrer na quarta-feira, com "The Middle” e “Modern Family”. Na CBS, prevê-se um aumento em "Blue Bloods”, na sexta-feira, bem como nas duas primeiras horas do sábado à noite, com a exibição de episódios inéditos de “Rules of Engagement” às 20h00.

Na rede The CW, na qual, normalmente, se observam os menores índices da TV aberta, “Supernatural” está, a duras penas, conseguindo uma pequena elevação na sexta-feira. Acredita-se que "The X Factor", da Fox, venha a ter um impacto positivo nos programas exibidos na sequencia. "Glee” também deve registrar uma melhora.

Até mesmo a NBC, cujos números vêm dando o que falar há anos, está embarcando na onda. Nesta temporada, preveem-se melhores índices para os comerciais do campeão da rede, “Sunday Night Football”, sempre atraente para quem gosta de jogos ao vivo. Além disso, como "Harry’s Law” entrará no lugar de "Law & Order:SVU”, deve haver um aumento da audiência de comerciais, segundo constatou a pesquisa da Ad Age. O "Aprendiz”, de Donald Trump, também deve registrar uma elevação.

O levantamento baseou-se na média das projeções para o quarto e o primeiro trimestres fornecidas por três grandes agências de compra de mídia. O índice C3, da audiência dos comerciais, mede o número dos que realmente veem aos intervalos de um determinado programa, sem pulá-los na gravação com DVR ou mudar de canal. Os espectadores que assistem aos anúncios ao vivo ou até três dias após sua exibição são incluídos no índice. Desde o início da temporada 2007-2008, as negociações de mídia são baseadas no C3, em vez dos índices tradicionais, cujo foco é o programa como um todo.

No entanto, os destaques acima não chegam a reverter uma tendência contínua de uma queda da audiência. As projeções dos compradores de anúncios para a temporada 2010-2011, há pouco encerrada, eram de 7,57 para “Two and a Half Men”, da CBS; 7,34 para “Grey’s Anatomy”, da ABC; e 4,96 para “Biggest Loser”, da NBC. Para o próximo ciclo, as estimativas de C3 para esses mesmos programas são de 6,63, 5,96 e 3,71 respectivamente. No momento, cada ponto corresponde a cerca de 1,15 milhão de lares.


O que está por trás desse declínio é a dispersão do público devido a todos os tipos de tecnologia de transmissão de vídeo, tais como os dispositivos portáteis, que não permitem uma aferição que possa ser utilizada nas negociações entre os canais de mídia e os anunciantes. Alguns programas até conseguem reverter o quadro ou, pelo menos, ter um desempenho melhor do que o antecessor. O venerável “CSI”, da CBS, atingiu o estágio da maturidade e talvez não consiga mais segurar a audiência de quinta-feira à noite como antes. Contudo, basta colocar a série na quarta-feira no mesmo horário para se ter um ganho sobre “The Defenders”, que não se deu bem no canal no ano passado.

O que ocorre nos bastidores? Os executivos compradores de mídia parecem crer que os profissionais de marketing estejam aumentando as projeções para programas mais recentes que ganharam fôlego na segunda temporada.

Das estreias do próximo outono americano, preveem que “The X Factor” registrará o maior C3, 10,22, no episódio da quarta-feira à noite, na Fox, e 9,64 na quinta-feira à noite, na TV aberta. Só "Sunday Night Football," "Dancing with the Stars" e "American Idol" o superam.

* Do Advertising Age.
** Com tradução de Antonio Carlos Silva

Fonte: Meio e Mensagem

segunda-feira, 27 de junho de 2011

Vídeos online: a paixão dos brasileiros

Que os brasileiros estão entre os maiores usuários de internet do mundo já é um consenso. Novos dados de uma pesquisa, porém, mostram que, além de gostar de navegar na web, os internautas do País também são os maiores admiradores dos vídeos online.

Segundo um estudo feito com 6,5 mil internautas da Alemanha, Austrália, Brasil, Espanha, Estados Unidos, Itália e Reino Unido pela Accenture, os brasileiros são aqueles que mais assistem a vídeos pela internet. Dos entrevistados do Pais, 89% afirmou assistir frequentemente a vídeos em seu computador. O índice é maior do que o segundo país colocado na pesquisa, os Estados Unidos (80%) e o Reino Unido (75%).

Apesar disso, as mídias tradicionais (como a televisão) continuam no topo da preferência dos brasileiros. Para 90% dos internautas do País, é na TV que eles preferem assistir a diferentes tipos de conteúdo. Apesar da conservação de antigos hábitos, a diversificação de mídia e de telas já é algo evidente no Brasil e também nas outras nações.

Considerando os entrevistados de todos os países da pesquisa, 72% afirmaram utilizar laptops para assistir a vídeos, enquanto 63% consomem o conteúdo também por telefone celular e 21% já são adeptos do vídeo pelos tablets.

Já no Brasil, 40% dos pesquisados já assistem a conteúdos em vídeos por laptops, netbooks, notebooks ou smartphones. Até o hábito de assistir à programação televisiva já está migrando para a telinha do computador, uma vez que 35% dos entrevistados garantem que veem seus programas de TV na web.

quinta-feira, 16 de junho de 2011

Comcast leva o Skype para a TV

O serviço de telefonia via internet Skype anunciou esta semana que fechou parceria com a companhia de TV a cabo americana Comcast. Assinantes dos pacotes de HDTV da Comcast poderão fazer chamadas de vídeo pela TV usando um kit com um adaptador, uma câmera e um controle remoto especial – que também permitirá que os usuários troquem mensagens de texto. Quando receberem uma chamada ou mensagem, eles verão uma notificação na tela – e poderão atender em tela cheia ou em uma janela menor, se quiserem continuar a ver a programação de TV.

A Comcast afirmou que o serviço deve ser desenvolvido nos próximos meses e prometeu mais detalhes até o fim do ano. O Skype foi comprado pela Microsoft por US$ 8,5 bilhões no mês passado. Com informações do Washington Post [14/6/11].

Fonte: Observatório da Imprensa

segunda-feira, 6 de junho de 2011

Lista do Minicom reativa corrida para identificar políticos com outorgas

Por Pedro Caribé e Ana Rita Cunha

A divulgação dos sócios nos contratos de concessão de rádio e TV por meio de uma lista pelo Ministério das Comunicações (Minicom) deflagrou nova corrida para identificar políticos que integram os contratos em desrespeito a Constituição Federal. Até o momento os membros do Congresso Nacional são os mais visados por infringirem a Carta Magna de forma mais contundente, já que são responsáveis pelos processos de liberação e renovação das outorgas.

No projeto Excelências da ONG Transparência Brasil são identificados 69 parlamentares do Congresso com posse de licenças. Os dados foram obtidos nas declarações de bens à Justiça Eleitoral, a partir do que eles informam em seus perfis nas respectivas Casas legislativas e em outras fontes. O próximo que pode figurar nessa lista é o senador Aécio Neves (PSDB-MG) que depende de aval do Minicom para integrar diretamente o quadro societário da Rádio Arco-Íris ao lado de sua mãe e uma irmã. A rádio é associada à rede Jovem Pan e licenciada para operar em Betim, mas a sede é na capital Belo Horizonte.

O caso de Aécio é emblemático porque o fato dele entrar efetivamente na sociedade da rádio não impede de exercer influência desproporcional sob a programação. O Intervozes - Coletivo Brasil de Comunicação Social emitiu nota nesta terça-feira, dia 31 de maio, na qual reivindica revisão dos artigos da Constituição que impedem a posse de concessão para políticos ao incluir proibição explicita também a cônjuge, companheiro ou parente em linha reta, colateral ou por afinidade, até o terceiro grau. No caso dos membros do Congresso o Intervozes reforça o argumento da ilegalidade ao alegar nepotismo.

Falta transparência

O Consultor Internacional da Organização das Nações Unidas para a Educação, a Ciência e a Cultura (Unesco), Toby Mendel, ao analisar o panorama brasileiro, identificou a necessidade de coibir a propriedade de fachada das emissoras e foi explícito sob caso evolvendo familiares, no Seminário Internacional Convergência de Mídias em novembro de 2010. Mendel citou a impossibilidade de definir quando familiares atuam de forma conjunta para controlar o conteúdo das emissoras e os impactos negativos desse modelo na concentração da propriedade dos meios de comunicação no país.

A professora da Pós Graduação da Escola de Comunicação da UFRJ, Suzy dos Santos, endossa o coro daqueles que encontram dificuldades para encontrar os reais donos das empresas de radiodifusão brasileiras. Ao analisar a nova lista publicada pelo Minicom, Santos já conseguiu identificar problemas que atrapalham a transparência, como: a ausência das percentagens de cotas dos acionistas; o fato da relação das entidades por localidades não separar ativos e inativos; a falta de informações sobre os prazos das concessões; e o fato dos nomes das entidades ser apenas pela razão social e ocultar o nome fantasia.

Além desses entraves, Santos também cita erros na lista, como o fato da TV Itapoan na Bahia ter o falecido senador Antônio Carlos Magalhães como sócio: "Mesmo se atualizassem para espólio, é uma TV que ele perseguiu".

Em relação à lista publicada e retirada em 2003, ela vê poucas diferenças entre as quais a qualidade da diagramação e o fato de atualizar alguns falecidos para espólio, como é o caso do Pedro Affonso Collor de Mello nas empresas da família Collor em Alagoas.

Parentes são incluídos nos trabalhos da pesquisadora, bem como deputados estaduais, prefeitos, vereadores, suplentes de senadores e líderes partidários. Ela acha que nessa linha consegue algo mais abrangente, apesar das dificuldades nos atuais mecanismos de busca: "O maior problema é detectar afilhados e parentes. Também continua o problema das associações que só vêm com diretores e não com todos os associados".

Os dados utilizados por Suzy Santos para sua tese de doutorado defendida em 2004 apontavam que 33,6% das geradoras e 18,03% das retransmissoras são controladas por políticos, na maioria, dos partidos PMDB, PSDB e DEM. Já o projeto Excelências identifica 51 deputados estaduais em atividade que detém concessão de rádio e/ou televisão em 22 casas legislativas.

Atualmente Santos busca atualizar seus números sobre políticos com outorgas e aprofundar a compreensão sobre fluxo entre radiodifusores regionais e o poder federal. Porém a pesquisadora deixa o alerta que o foco nos números pode escamotear uma visão mais complexa do fenômeno: "Não dá pra simplesmente entender que o poder da radiodifusão nas mãos dos políticos se dá apenas pelas outorgas que eles detêm, temos que perceber que há alianças mais fortes neste processo".

Velocidade

É possível mensurar a velocidade com que os dados nesse campo são alterados nas reuniões da Comissão de Ciência e Tecnologia, Comunicação e Informática (CCTCI) da Câmara dos Deputados. No último dia 1 de junho, quarta-feira, foi aprovada por unanimidade na Comissão a renovação de duas concessões cujos sócios são políticos. A primeira é a da Rádio Pérola do Turi, no município de Santa Helena (MA) tem como sócia a prefeita da cidade, Helena Maria Lobato Pavão. A outra é a da Rádio Tempo FM de Juazeiro do Norte (CE) tem como sócio o 1° vice-presidente do PMDB-CE, Gaudêncio Gonçalves de Lucena.

O deputado federal Emiliano José (PT-BA) reforça os problemas deste tipo de associação: "existe um claro abuso no mundo das emissoras de rádio e televisão pelos políticos locais. A gente sabe que quando políticos detêm concessões públicas de radiodifusão, os veículos de que eles são sócios só vão defender seus interesses, esmagando outras opiniões".

Emiliano integra a coordenação da Frente Parlamentar pela Liberdade de Expressão e Direito à Comunicação e responsabiliza a fragilidade da legislação por perpetuar essa anomalia: "Isso acontece porque há brechas na legislação quanto às concessões. O Congresso precisa se debruçar sobre esse assunto para criar mecanismos legais que impeçam esse uso inapropriado das concessões públicas de radiodifusão".

Fonte: Observatório do Direito à Comunicação

quarta-feira, 11 de maio de 2011

Globo estreia TV ao vivo em ônibus

Por: Redação Adnews

O conteúdo passa a seguir cada vez mais o público que passa horas fora de casa. De olho nisso, a rede Globo começou a exibir programação ao vivo em televisores dos ônibus de Brasília. A primeira contemplada foi a linha que liga o aeroporto da capital ao Planalto, onde circulam cerca de 1 milhão de pessoas. Outros locais também receberão a tecnologia.

A emissora mantém desde 2009 o serviço com a Bus Mídia. No Rio de Janeiro e São Paulo, são transmitidos resumos de programas gravados.

A regulamentação para se exibir conteúdo ao vivo nos ônibus saiu também em agosto de 2009. À época, a emissora chegou a lançar um programa diário antes da regulamentação, mas teve a exibição interrompida porque o material tinha de ser aprovado pelos técnicos da SPTrans com antecedência.

Com informações de Keila Jimenez para a Folha de São Paulo

Fonte: Adnews

quinta-feira, 5 de maio de 2011

Governo vai mudar procedimento para novas outorgas de rádio e TV

Por : Jacson Segundo

Em face às constantes comprovações de que muitos concessionários de rádio e TV utilizam o nome de terceiros como dirigentes de suas empresas para burlar a lei, o Ministério das Comunicações (Minicom) afirmou que irá adotar novos procedimentos para evitar que a prática continue a ocorrer no país. Elas servirão, segundo o Ministério, para comprovar a capacidade financeira dos grupos que concorrem nas licitações pelos canais. Enquanto isso, todos os pedidos de novas concessões estão suspensas no Executivo e no Legislativo.

Duas novas medidas são referentes à caução que as empresas pagam para participarem de uma licitação. Primeiro, o Minicom afirma que vai aumentar essa garantia de 0,5% para 20% do valor do contrato. Além disso, o governo também vai revisar o Decreto nº 52.795, de 1963, para fazer com que as empresas antecipem as cauções. Metade do valor será pago no ato da outorga e a outra parte no ato das assinaturas, após aprovação do Congresso. Atualmente a segunda parcela só é depositada um ano depois da assinatura dos contratos.

Outra cobrança que o Ministério garante que vai fazer é exigir a apresentação por parte do interessado no canal de pareceres de dois auditores atestando que a empresa tem condições de pagar a outorga e montar a estrutura de operação da emissora. Existem, atualmente, 800 processos de licitação suspensos no Minicom


Essas novas exigências do governo foram impulsionadas por material feito pela jornalista Elvira Lobato publicado na Folha de S.Paulo, em 27 de março deste ano, demonstrando que pessoas sem condições financeiras, como donas de casa e cabeleireira, emprestavam seus nomes para empresas que dirigiam as emissoras de fato. O valor de concessões de rádio e TV passa dos milhões de reais em muitos casos.


Grupos utilizam “laranjas” para escamotear os reais proprietários de um canal porque vários já possuem outros meios de comunicação, evitando assim a constatação que contribuem para o oligopólio no setor. Outros utilizam desse recurso para ocultar as movimentações financeiras, como a venda irregular da concessão. É comum políticos e igrejas por trás desse tipo de fraude.


A denúncia da Folha de S.Paulo não é nova e esse tipo de operação é tão comum que é possível encontrar sites especializados nesse comércio. Apesar de permitir o lucro de entes privados a partir de um bem público, a lei permite que emissoras sejam vendidas após cinco anos de funcionamento.


No entanto, o Decreto 52.795/63, em seu artigo 90, afirma que nenhuma transferência pode ser feita sem prévia autorização do Governo Federal sendo nula, de pleno direito, qualquer transferência efetivada sem observância desse requisito . Na prática, o que ocorre é que as empresas que cometem esse tipo de ilegalidade vendem suas emissoras por contratos de gaveta entre as partes, sem o conhecimento do Minicom.

Fiscalização

Os novos procedimentos anunciados pelo governo para concessão das outorgas só valem para os novos pedidos. Mas pouco terão efeito se a falta de fiscalização no setor continuar possibilitando essas e outras irregularidades dos concessionários. Esse é um dos maiores nós do setor no país.


Tanto que só agora, depois de 13 anos em que são outorgadas concessões por licitação no Brasil, é que o Minicom entrou em acordo com a Agência Nacional de Telecomunicações (Anatel) sobre o papel de cada órgão no que diz respeito à fiscalização das emissoras. “Isso para mim é crítico”, diz o professor de comunicação aposentado da UnB, Venício A. de Lima.

O que o Ministério das Comunicações tem defendido é que não cabe a ele encontrar casos de fraudes nas composições societárias das emissoras. “Nada podemos fazer a não ser encaminhar ao Ministério Público Federal para investigar. Uma vez comprovada a fraude, podemos atuar”, disse em audiência pública no Senado, em 27 de abril, o secretário de Serviços de Comunicação Eletrônica do Minicom, Genildo Lins de Albuquerque Neto. “Queremos que em quatro anos todas as rádios e televisões do país passem por uma fiscalização”, emendou.


O subprocurador-geral da República, Antônio Carlos Fonseca, afirmou, na mesma audiência pública, que o Ministério Público Federal (MPF) está investigando as denúncias feitas pela Folha de S.Paulo. Ele aproveitou para criticar a atuação do governo na fiscalização da radiodifusão. “Primeiro é um problema de uma legislação ineficiente e depois um problema de gestão. A sociedade está no pior dos mundos”, criticou o representante do MPF.


O professor Venício Lima avalia que as novidades que o Minicom anunciou são importantes, mas ainda são tímidas em relação ao tamanho das mudanças necessárias para o setor. Ele chama atenção, por exemplo, que atualmente uma concessão de radiodifusão é concedida àquele grupo que apresenta a maior proposta financeira. Pouco se leva em conta o uso que o interessado prentede fazer do canal. Além disso, as poucas exigências de conteúdo acordadas nos contratos não são fiscalizadas pelo Executivo e o Legislativo.


O Ministério também estuda consultar os dados da empresa participante de uma licitação de rádio e TV junto à Receita Federal antes de conceder a outorga. “Isso é óbvio. Nosso imposto de renda tem esses cruzamentos. Como isso ainda não tinha ocorrido?”, questiona o professor. “A impressão que tenho é que a equipe do Minicom está trocando o pneu com o carro andando. Não conhecem bem a legislação”, arremata.

Marco legal

Várias medidas que a nova gestão do Minicom vem implantando são mudanças de procedimentos internos e, na maioria dos casos, não necessitam de alterações legais. As mudanças mais significativas para o setor de radiodifusão, no entanto, estão sendo esperadas na proposta de revisão do marco regulatório, que o ministro Paulo Bernardo afirmou colocar em consulta pública e enviar para o Congresso no segundo semestre deste ano.

Enquanto isso não ocorre, deputados e senadores vem se movimentando para sugerir algumas mudanças nos critérios de concessão e renovação de outorgas. Após as denúncias da presença dos “laranjas” nos canais, as comissões que aprovam as outorgas nas duas casas suspenderam o trâmite dos processos.

Um grupo de senadores deve apresentar nesta quarta-feira (4) algumas dessas propostas. O senador Walter Pinheiro (PT-BA) adiantou que pretende apresentar uma Proposta de Emenda à Constituição que diminua o quórum exigido para a negação de um pedido de renovação de concessão para a maioria simples dos presentes em plenário. Hoje, o parágrafo 2º do Artigo 223 da Constituição diz que a não-renovação da concessão ou permissão dependerá de aprovação de, no mínimo, dois quintos do Congresso Nacional, em votação nominal.

Outra mudança que Walter Pinheiro pretende sugerir será para alterar o parágrafo 4º do Artigo 223, que garante que o cancelamento da concessão ou permissão, antes de vencido o prazo, só poderá ser feito mediante decisão judicial. O senador entende que o Congresso também tem o respaldo para tal ato e não apenas a Justiça. Além de Pinheiro compõem o grupo responsável por elaborar as propostas os senadores Aloysio Nunes (PSDB-SP) e Valdir Raupp (PMDB-RO).

Já a Comissão de Ciência e Tecnologia, Comunicação e Informática da Câmara (CCTCI) pretende já nesta quarta voltar a apreciar os pedidos de renovação de concessões que estavam paralisados desde abril. As novas outorgas de emissoras comerciais, porém, não serão votadas até que o Minicom publique nova portaria regulamentando o procedimento licitatório, conforme anunciado. Assim, cerca de 150 dos 197 processos de radiodifusão devem ser aprovados nesta quarta.


Fonte: Observatório do Direito à Comunicação

terça-feira, 12 de abril de 2011

GLOBO vs. RECORD - Poderes assimétricos no mercado de TV aberta

Por Valério Cruz Brittos e Diego Costa

Em meados dos anos 2000, houve uma mudança significativa no mercado televisivo brasileiro envolvendo as emissoras concorrentes diretas à liderança da audiência. A disputa Globo e SBT, que imperou nas décadas de 80 e 90, foi superada, com a Record assumindo a segunda posição, no lugar da rede de Silvio Santos. Dispondo do apoio da Igreja Universal do Reino de Deus (Iurd), a Record cresceu e seu sinal abrange atualmente 77,3% do território nacional, num processo de sedução econômica de afiliadas.

Embora neste momento a Globo não tenha seu império ameaçado, pois é líder em praticamente todas as faixas de horário, a Record desponta no segundo lugar utilizando os mesmos artifícios do grupo televisual fundado por Roberto Marinho para conquistar o público. Contratando atores da emissora líder por salários elevados, perseguindo o padrão tecno-estético global e com sua grade de programação nos mesmos moldes, esta estratégia, bem-sucedida até o presente, chegou ao campo (ou ao tapetão) do futebol.

Com a entrada da emissora liderada pelo bispo Edir Macedo na disputa da licitação para transmissão dos jogos do Campeonato Brasileiro para o triênio 2012-2014, o Clube dos 13 (entidade fundada em 1987 para defender os interesses políticos e comerciais dos 20 principais times de futeboldo Brasil) acabou implodindo, a Globo passou a negociar com os clubes individualmente e a RedeTV! formalmente venceu a licitação. Em síntese: a Globo reafirmou seu poder, influenciando os resultados desta dinâmica.

Um novo capítulo

Esta configuração confirmou que os grupos empresariais líderes têm um poder de influência que vai além de seu espaço econômico, no respectivos mercados em que atuam. Tratando-se de mercados de comunicação, isto é reforçado pela dimensão simbólica dos produtos que processam, permitindo múltiplas negociações com produtores, anunciantes e parceiros em geral, considerando sua presença junto aos receptores. No caso da televisão, tais poderes assimétricos multiplicam-se, tratando-se da principal mídia.

Nessa direção, faz parte do jogo do mercado a pressão de patrocinadores para que os clubes fechem contrato com a Rede Globo, a fim de que seus produtos tenham maior visibilidade. Com exposição numa janela como a Globo, os clubes e os próprios jogadores lucram muito mais, direta e indiretamente, tendo em vista o que isso repercute em seus ganhos e na possibilidade de fechar outros contratos, frente à força de suas imagens. Esse é um círculo difícil de quebrar, reafirmando o domínio da líder.

Ao mesmo tempo, com os direitos de transmissão assegurados para as Olimpíadas de 2012 e com o caixa pronto para fazer os investimentos necessários – em recursos humanos e equipamentos –, este novo capítulo reafirma a Rede Record como grande desafiante da Rede Globo, capaz de oferecer quantias acima do mercado para obter os conteúdos que decide investir. No entanto, ante o aporte econômico que dispõe e as relações que mantém, deve-ser reafirmar que é ingênuo ver a Record como uma alternativa não-hegemônica.

Fonte: Observatório da Imprensa

sexta-feira, 25 de março de 2011

Anatel destina mais frequências para TV por assinatura via satélite

Redação Telesíntese

O Conselho Diretor da Anatel aprovou a destinação adicional das subfaixas de radiofrequências de 12,2 GHz a 12,7 GHz e de 17,3 GHz a 17,7 GHz para uso, em caráter primário, por serviços de telecomunicações via satélite. Esse serviço tem puxado o crescimento de TV por assinatura no Brasil.

Essa alteração, frisa a agência, possibilita ampliar a competição na prestação do serviço de TV por assinatura na tecnologia DTH (do inglês, Direct to home). As subfaixas de 12,2 GHz a 12,7 GHz estavam destinadas ao Serviço Auxiliar de Radiodifusão e Correlatos (Sarc), em caráter primário. Já as subfaixas de 17,3 GHz a 17,7 GHz não possuíam destinação.

Os serviços de DTH ganharam mais de nove pontos percentuais de participação do mercado de TV por assinatura entre janeiro de 2010 e janeiro deste ano. O serviço fechou o ano com 46,5% dos assinantes do país, contra 37,4% em janeiro de 2010.

Fonte: Telesíntese

segunda-feira, 21 de março de 2011

Vídeos online responderão por mais de 50% do tráfego de Internet até 2014

Por Leitícia Cordeiro

Até 2015, o tráfego de Internet deve aumentar em sete vezes em relação ao volume registrado em 2010, de acordo com estimativas da Informa Telecoms & Media. A previsão é que passe de 183 mil petabytes registrados no último ano para 1,259 milhão de petabytes. E o grande propulsor será, como esperado, o vídeo. O interessante é que o pear-to-pear (P2P), que até então respondia pela maior concentração do tráfego de dados mundial, embora deva apresentar crescimento de 30% ao ano no período, perderá importância para o trafego gerado por vídeos online, que responderão sozinhos por mais de metade do tráfego até 2014.

De acordo com o relatório, já em 2010 o tráfego de vídeos online já ultrapassou o de P2P, por uma margem de apenas 0,7, cada um com cerca de 40% do volume total de dados trafegados mundialmente. Em 2015, a estimativa é de que vídeos online sejam pouco menos de 60% do tráfego, contra um volume de 20% de P2P.

O ponto-chave é que, até então, a maior parte dos streamings de vídeo acontece em computadores e em resolução-padrão (SD) e a tendência é de que até 2015 o streaming de vídeos em alta definição (HD) seja maior do que o de SD e a quantidade de vídeos online transmitidos diretamente para TVs conectadas chegue a 10% do tráfego total de dados em todo o mundo.

Fonte: Tela Viva

sexta-feira, 18 de março de 2011

Record faz oferta milionária e esquenta briga pelo Brasileirão

Por Lúcia Berbert

A oferta supera a apresentada pela Globo, que promete pagar o mesmo valor, mas inclui as outras plataformas de transmissão – TV fechada, pay-per-view, internet e celular -, enquanto a proposta da Record se refere apenas à TV aberta. O Corinthians, por exemplo, previa receber R$ 70 milhões da Globo na TV aberta e R$ 30 milhões nas outras mídias. Porém, o presidente do clube, Andrés Sanchez, disse que pretende conseguir até R$ 150 milhões anuais pelos direitos de imagem dos jogos do clube no Brasileirão.

A negociação das outras mídias separadamente pode render um valor muito mais alto aos clubes. É essa a aposta da Record, que pretende fazer um corpo a corpo com dirigentes de outros clubes na segunda-feira (21) em São Paulo. Os representantes da emissora aproveitarão o lançamento à noite em um evento da Loteria É Gol, uma parceria dela com os clubes e a Caixa Econômica, para iniciar as conversas.

O Clube dos 13 manteve as licitações da TV fechada e pay-per-view para a próxima quarta-feira (23). As de internet e celular, no dia seguinte, também foram confirmadas. A licitação da TV aberta, feita pela entidade, foi vencida pela Rede TV!, única emissora a apresentar proposta de um total de R$ 1,548 bilhão, pelos jogos do campeonato de 2012 a 2015. Mas já avisou que não pagará nada sem a assinatura de todos os clubes no contrato.

Veja o comunicado na íntegra:
"A Rede Record, como sempre agiu desde o início do processo de negociação do Campeonato Brasileiro de Futebol, reafirma sua intenção de negociar, com total e absoluta transparência, diretamente com todos os clubes envolvidos.

Por isso, decidimos apresentar, publicamente, nossas propostas. Assim, todos terão conhecimento dos valores e propósitos oferecidos para cada um dos clubes que disputam a Série A da competição.

A decisão prioriza o respeito aos clubes, torcedores, telespectadores, patrocinadores, autoridades do CADE (Conselho Administrativo de Defesa Econômica) e até concorrentes.

Iniciamos essa etapa da negociação apresentando ao Clube de Regatas Flamengo e ao Sport Club Corinthians Paulista as nossas propostas e, ao mesmo tempo, registramos os documentos em cartório para provarmos que agimos de acordo com as determinações do CADE e da livre concorrência. A proposta é de R$ 100 milhões por ano, para cada um dos clubes, pela transmissão de, no mínimo, 19 jogos a cada temporada dos Campeonatos Brasileiros de 2012 a 2016.

Dessa forma, acreditamos que podemos colaborar com o esporte mais popular do País e que mexe com a paixão dos torcedores.

Clareza de propósitos, negociações à luz do dia, em horário comercial e com respaldo jurídico são os nossos objetivos em todo o processo.

Se as partes envolvidas agirem assim, temos a absoluta certeza de que, nos próximos cinco anos, o futebol brasileiro vai ser protagonizado pelas maiores estrelas do nosso futebol e coroado com a recuperação econômica dos clubes, aumento do interesse dos torcedores e dos telespectadores pelo espetáculo, exibição das partidas em horários mais adequados e ampliação do número de patrocinadores.

Esse é o caminho que a Rede Record acredita que pode perpetuar o Brasil como o país do melhor futebol e também do mais disputado campeonato do mundo."

O presidente do Cade (Conselho Administrativo de Defesa Econômica), Fernando Furlan, disse à Folha de São Paulo que, caso se forme um novo bloco de clubes que recebam propostas em conjunto, será aberto novo processo para analisar se há desrespeito à concorrência de mercado. Segundo ele, uma possível liga das agremiações estaria sujeita às regras antitruste que já haviam sido negociadas anteriormente com o Clube dos 13 e a emissora.

Fonte: FNDC

A industrialização do sagrado

Por Valério Cruz Brittos e Rafaela Chagas Barbosa

A mercantilização do sagrado é um fenômeno corriqueiro na contemporaneidade, com um grupo reduzido de igrejas liderando empreendimentos dentro e fora da área do divino, ao instituir produções simbólico-religiosas para difundir práticas doutrinárias, aqui pensando o meio evangélico na perspectiva do (neo)pentecostalismo.

Malgrado essa realidade, o universo pentecostal tem em sua gênese a distinção de procedimentos da Igreja católica, como veneração de santos, respeito a imagens e confissão individual para remissão dos pecados, preservando seus preceitos históricos. Com as mudanças socioeconômicas e culturais que o capitalismo desencadeou no mundo, ocorreram reordenamentos nas organizações religiosas. Uma parte dessa estrutura passou a seguir as lógicas capitalistas como forma de sobrevivência econômica, adotando posturas fundamentadas mais no consumismo do que na doutrina, tendo a mídia um papel central em suas dinâmicas.

Nesse sentido, na origem do movimento era impossível imaginar indivíduos indo aos templos realizar apostas divinas ou até mesmo a constituição de uma bancada evangélica como estratégia de articulação, junto ao Poder Legislativo. Há mais de quatro décadas, houve uma expansão neopentecostal, conhecida também como terceira onda frente ao meio pentecostal, que surgiu em 1970, partindo das promessas da sociedade de consumo, do acesso de crédito aos consumidores e das possibilidades de entretenimento criadas pela indústria cultural. As alternativas eram manter-se fiel aos seus princípios de origem, aumentando sua defasagem em relação à sociedade e aos interesses ideais e materiais dos seus adeptos, ou fazer concessões.

O alargamento da Igreja Universal

Destarte, algumas denominações evangélicas subdividiram-se para atender a essa fatia do mercado em franca expansão. O pentecostalismo teve seus desdobramentos até o surgimento do (neo)pentecostalismo. Este último incorporou procedimentos inovadores aos métodos protestantes, como a pregação de cultos por meio da mídia, o firmamento da autoridade do cristão frente ao plano espiritual e a aplicação da Teologia da Prosperidade (TP). Nesse contexto, compreende-se a TP como o conjunto de princípios teológicos que sustentam ter o cristão verdadeiro o direito de obter prosperidade, tanto no âmbito material quanto espiritual, e de exigi-la por meio da doação de ofertas e dízimos para Deus. Assim, o fiel pode, durante a vida presente na Terra, desfrutar de tudo aquilo que lhe é garantido.

No cenário brasileiro, sob a perspectiva midiática, depois do decênio de 1990, quando a Igreja Universal do Reino de Deus (Iurd) compra a Rede Record, evidenciam-se o alargamento empresarial desta denominação religiosa no setor de radiodifusão, que na atualidade dispõe da adesão territorial de 85 afiliadas e 14 filiadas.

No exterior, parte do crescimento da Iurd na América Latina, e em alguns países da América do Norte e Europa, é creditada ao alcance midiático nacional e internacional que a Record vem conquistando ao longo dos anos. É válido ressaltar que a gestão e as estratégias construídas perante os cenários culturais de atuação fazem a diferença. Além disso, a Iurd constituiu um complexo de empresas estruturadas nos moldes da indústria cultural, onde os setores fonográfico, literário, radiofônico, televisivo e de distribuição de informações (Unipress Internacional – Agência de notícias, imagens e vídeo), dentre outros, fortalecem o processo comunicativo institucionalizado, entre colaboradores, adeptos e mercado.

O poder comunicacional endossa o discurso de prosperidade, seja para tentar ganhar adeptos, seja para comercializar suas produções espirituais. Cabe observar que a TV serve como reforço comunicacional das mensagens veiculadas pela Iurd, tendo em vista que ela não gera, necessariamente, mudanças (ao contrário da "Igreja Eletrônica" norte-americana) e acaba sendo mais uma plataforma tecnológica para reforçar interesses e ideais do que instrumento de conversões e curas. Somados, o uso dos meios de comunicação e de técnicas de marketing e propaganda, a legitimação da TP e, sobremaneira, o trabalho dos dirigentes e colaboradores, que focam seus empenhos na proliferação da Iurd pelo mundo, asseguram o desenvolvimento da Igreja Universal, podendo projetar economicamente os outros negócios do grupo empresarial do bispo Edir Macedo, como a Rede Record.

quinta-feira, 10 de março de 2011

Com "briga" pelo futebol e eventos esportivos em alta, emissoras apostam em novas modalidades

Por Luiz Gustavo Pacete

O futebol ainda concentra o maior volume de investimento em publicidade esportiva além de ser muito representativo em relação à audiência dos canais, principalmente os especializados em esportes. Entretanto, as emissoras de rádio e televisão estão investindo na transmissão de outras modalidades.

As mudanças ocorrem pela exigência de uma audiência em busca de novos produtos e pela possibilidade dos veículos de oferecer novos formatos às marcas, que já estão de olho em eventos como os Jogos Pan-Americanos de Guadalajara de 2011, os Jogos Olímpicos de 2012 e 2016 e eventos menores de Rúgbi, basquete, circuitos de tênis e natação.

Além de novos formatos e produtos, aproveitar a credibilidade jornalística para agregar valor é uma saída, constata Marcio Lino, diretor da Rádio Eldorado/ESPN. Ele afirma que atrelar jornalismo e esporte atrai não só uma nova audiência, mas uma demanda reprimida do mercado anunciante. "Temos o exemplo do Itaú, que esta com presença muito forte em futebol e investindo em jornalismo, e o Bradesco que investe bastante em jornalismo, mas agora está entrando na área olímpica".
Conrado Nakata, sócio da Bravo Marketing Esportivo, lembra que a mídia brasileira pode aproveitar melhor a variedade esportiva, principalmente nos canais abertos. "O mercado brasileiro ainda esta começando a desenvolver a cultura de investir de forma mais inteligente no esporte. Tanto por parte das marcas, que perceberam que gastar milhões em um clássico na TV nem sempre é a melhor saída, quanto por parte das emissoras, que estão valorizando outras modalidades".

A própria Rádio Eldorado/ESPN já aposta em transmissões de vôlei, tênis, basquete, natação, rúgbi e golfe. A Record transmitiu os Jogos Olímpicos de Inverno de Vancouver, em 2010, e neste ano transmite o Pan-Americano de Guadalajara. O Portal Terra que também negocia o Brasileirão com o Clube dos 13 e vai transmitir os Jogos Olímpicos de 2012 em dispositivos moveis.

Para Fernando Trevisan, diretor da Trevisan Escola de Negócios, as empresas já acordaram para o quanto podem ganhar com o esporte de forma completa. "Tirando a questão de direitos de transmissão, que é algo mais complexo, as empresas que patrocinam, já estão colocando dinheiro em coisas novas. Além disso, os próprios meios já estão dando espaço a outras modalidades".

Sobre os direitos de transmissão, Trevisan se refere à recusa da TV Globo de participar da licitação para a transmissão do Campeonato Brasileiro entre 2012 e 2014. Desde 1987, a emissora é detentora dos direitos da competição. Começou pagando US$3,4 milhões, o que hoje está sendo avaliado em R$540 milhões para o triênio. Ao que tudo indica, há chances de movimentação no setor nos próximos anos, o que certamente vai mexer com as emissoras, os anunciantes e os telespectadores. É esperar para ver.

Fonte: Portal IMPRENSA

quarta-feira, 9 de março de 2011

BIG BROTHER BRASIL 11 - A vida longa dos shows de realidade

Por Valério Cruz Brittos e Andres Kalikoske

Em 2010, antes da décima edição do Big Brother Brasil (BBB) estrear, a Globo já havia faturado R$ 67,5 milhões com a comercialização das cotas de patrocínio. Até que o último candidato confinado fosse eliminado, o programa arrecadou R$ 300 milhões. Para a edição de 2011, ainda no ar em sua trajetória final, o faturamento deve ser recorde, de R$ 350 milhões, números excelentes, especialmente para o período de férias, tradicionalmente uma temporada de recuo nos investimentos publicitários, o que este reality show conseguiu alterar.

A mansão de iletrados da Globo também não fez feio na audiência: o primeiro episódio desta décima primeira temporada registrou média de 35 pontos, de acordo com o Ibope, garantindo liderança absoluta no horário. Ainda assim, é uma das mais baixas entre as estreias deste show de realidade. A Record posicionou-se em segundo lugar, com 12 pontos, e o SBT em terceiro, com cinco. Band e RedeTV! apostaram na chamada contra-programação (counter-programming), oferecendo conteúdos alternativos, como esporte e filmes norte-americanos, respectivamente. O bendito fôlego do BBB ainda não foi visto em outros realities, como A Fazenda, da Record, e menos ainda no Solitários, do SBT, que, apesar de possuir uma dinâmica interessante, perde muito por ser exibido totalmente gravado.

Os reality shows são paradigmáticos para o mercado televisivo. Há 15 anos, seria tecnicamente impossível gravar um grupo de pessoas durante o dia todo, através de mais de 30 câmeras, e editar rapidamente o material para ir ao ar na mesma noite. O programa também prejudicou a noção mais sofisticada de programação, consolidada pela Globo nos anos 60, que consiste em exibir um programa diário sempre no mesmo horário e com igual duração. Na academia, provocou uma avalanche de análises teóricas que se esforçam em estudar – e tentar compreender – seu apelo voyeurístico.

Renovação constante

Nos marcos da era da convergência, seu formato também é pioneiro, uma vez que possibilita atuação em diversas mídias, inclusive a internet. Potencial para esta plataforma deslanchar não falta. Recentemente, o uso da internet desbancou a televisão nos Estados Unidos, Europa e China, segundo um estudo promovido com 50 mil usuários, de 16 a 60 anos de idade, em 46 países. Na América Latina, a TV continua sendo o meio mais utilizado, assim como na Ásia, Oriente Médio e África. Isso demonstra que a vida longa dos shows de realidade não tem data para acabar, especialmente considerando seu potencial multimídia.

Em tempos de rápida obsolescência, multiplicam-se as tentativas de prolongamento de atrações como o Big Brother Brasil. Mesmo desvencilhando-se de preconceitos, é facilmente observável que são as gincanas hostis e os corpos sarados, muitas vezes desnudos, que conquistam as audiências durante o verão. O padrão de produção, no caso do BBB, também tem sido uma peça-chave para o sucesso: trata-se de uma narrativa muito similar à praticada pelas novelas, desde os planos de câmera até as maledicências potencializadas no processo de edição.

Artisticamente, o formato holandês adquirido pela Globo – e produzido em regime de co-produção com a Endemol – soube reciclar-se com astúcia. Em primeiro lugar, porque sua exibição ocorre exclusivamente uma vez ao ano, havendo tempo necessário para o telespectador descansar de seu formato. Segundo, por ser um programa que se supera enquanto atração televisiva, com mecanismos de mudança de elevada aleatoriedade. A própria Globo atribuiu às novidades implantadas ao longo dos anos o segredo para sua longevidade. Trata-se de uma produção de custos relativamente baixos, quando comparados a um produto de ficção, embora não apresente potencialidade para redifusão e exportação.

sexta-feira, 4 de março de 2011

O poder de uma devassa

Por Marcos Bedendo

As ações de marketing, apesar de cada vez mais embasadas em pesquisas junto aos consumidores, continuam tendo algo de mágico. Por mais que se aumentem as fontes de informação para a tomada de decisão, ao final elas ainda se resumem a uma escolha: um caminho, normalmente sem volta, que é definido pelos estrategistas da marca.

A Devassa fez mais uma dessas escolhas ao anunciar Sandy como sua garota-propaganda para o carnaval de 2011. De tão inusitada, tornou-se alvo de discussões acaloradas entre aqueles que gostaram, os que criticaram e os que admitiram simplesmente não entender.

A associação entre uma marca e um personagem, seja ele real ou fictício, é comum e muito usada para a criação de uma “personalidade de marca”. Ela constrói ou escolhe um porta-voz e incorpora as suas características à sua própria imagem.

A Nike é exemplo de empresa pioneira – não no uso de celebridades – na maneira como incorporou estes atributos à sua marca e também aos seus produtos, transformando-a em sua estratégia global. Ao aproveitar um momento único de expansão da NBA e da cultura norte-americana do basquete ao redor do mundo, a Nike se associou ao seu astro maior, Michael Jordan, um exemplo de sucesso, qualidade, superação, integridade e técnica que a marca incorporou aos seus próprios valores e produtos. Com isso, passou a ser a empresa líder no desenvolvimento de sistemas de amortecimento e propulsão para tênis. E transformou o produto em símbolo desta união: o Nike Air Jordan, um ícone que todo adolescente e jovem adulto, mesmo aqueles que não jogavam basquete, queriam possuir.

O uso de uma personalidade para comunicar seus atributos foi a estratégia que a Devassa escolheu para o lançamento nacional da sua marca em 2010. Ao escolher Paris Hilton, a socialite americana conhecida pelo seu comportamento irresponsável, hedônico, transgressor, surpreendente e inesperado, a Devassa incorporou essas características.

A marca também escolheu o momento do carnaval para iniciar a campanha, o que por si só também incorpora valores de alegria, descontração, festividades e excessos. Ao explorar ao limite a sensualidade em seus anúncios de lançamento, a ponto de ter comunicações proibidas pelo Conar, a cerveja demonstrava que estava em sintonia com a sua personagem e com a época do ano que resolveu se apropriar.

Desta forma passou do total desconhecimento para uma personalidade distinta e facilmente reconhecida: uma cerveja transgressora, moderna, festeira, surpreendente e com atitudes inesperadas. E não seria tão inesperada para uma marca com estas características a contratação de Sandy como garota-propaganda?

“Todo mundo tem um lado devassa”, diz o texto do anúncio. Ou seja, a cerveja está aí para corromper. E quem não é passível de ser corrompido, se até a Sandy, nesta época de carnaval, pode pintar os seus cabelos, tradicionalmente morenos, para ficar “Bem Loura”? “Todo mundo tem um lado descontraído, desencanado, desinibido”, diz a propaganda. Alguma mentira aí?

A imagem de devassidão da Devassa não é tão inatingível quanto a da ex-garota-propaganda. Ela está aí, ao alcance de todos os potenciais consumidores, especialmente nesta época do ano. Neste ponto, as suas associações de marca não são refeitas, apenas reforçadas.

A Devassa parece não ter o poder de investimento suficiente para se manter em alta na mídia durante todo o ano. Mas tem conseguido se apropriar de maneira relevante do momento do carnaval. Roubou a cena das demais cervejarias no ano passado com a Paris Hilton, e o faz novamente este ano com a Sandy.

Ao que parece, a marca ainda tem muito a ganhar com toda a exposição obtida em função de sua nova garota-propaganda. A maneira com que a cerveja transforma até a Sandy em “devassa” faz com que seus valores de marca permaneçam ativos e consistentes na cabeça dos consumidores. E quem sabe, com investimentos mais intensos, a exemplo daqueles feitos pela Nike no passado, esta marca consiga romper a barreira de ser apenas uma “paixão de carnaval”.

Fonte: M&M online

quarta-feira, 2 de março de 2011

A busca de diretrizes

Por Valério Cruz Brittos e Carine Fekl Prevedello

A televisão é o principal meio de comunicação no Brasil, com mais de 98% de abrangência, sendo a mídia que mais concentra audiência e anunciantes. É, portanto, um meio atuante de maneira decisiva na representação social e na formação de valores. Mas a TV aberta, acessível a toda a população, é atravessada por uma contradição permanente: é um patrimônio público, na medida em que se trata de concessão pública, mas em geral é estabelecida como direito privado, isto é, de exploração econômica. Essa situação gera o seguinte conflito: interesses mercadológicos predominam em um setor de centralidade social e cultural que deveria estar permeado por diretrizes que atendessem ao interesse público. Assim, questiona-se se é possível definir um conceito ou um grupo de temáticas que caracterizem a noção de interesse público na programação da televisão brasileira.

Como premissa inicial, a oposição entre os conceitos de interesse privado e público remete à distinção entre a finalidade intrínseca das atividades e organizações de mercado, isto é, de posse, manutenção e exploração particular, restrito a pessoa ou grupo, e das instituições de interesse público, de atendimento à coletividade. Exatamente por estar associado à pretensão de definir valores coletivos, o conceito de interesse público encontra uma série de resistências em nível de definição teórica, amplificadas quando envolvem uma área sensível como a comunicação demarcada por subjetividades em todas as fases de seu processo.

Impessoalidade, moralidade, publicidade e legalidade

A regulamentação de radiodifusão dos Estados Unidos, na primeira metade do século 20, e a consolidação da BBC são reconhecidas como antecedentes históricos da experiência concreta de organização da área de Comunicação, o segundo caso contemplando fortemente a dimensão do interesse público. Entre os fatores fundamentais relacionados à experiência britânica – um exemplo que permanece modelo de referência –, estão a instalação do serviço público televisivo antes da permissão para exploração às empresas privadas, por uma compreensão cultural dos serviços de Comunicação como de interesse público, assim como o modelo de financiamento público, através das licenças pagas pela audiência.

No Brasil, as reflexões da área do Direito associam o conceito de interesse público aos princípios norteadores da administração pública, previstos na Constituição Federal, e à utilidade pública como característica das entidades às quais se aplicariam as previsões relacionadas ao interesse público, considerando-se os serviços de comunicação como um direito humano. Os princípios da impessoalidade, moralidade, publicidade e legalidade, instituídos constitucionalmente, estão contemplados nas organizações públicas com maior autenticidade, por não atenderem a interesses particulares e a finalidades lucrativas, mas sim, a funções de: a) resguardo de valores coletivos, como a promoção da cultura e da ciência, no caso das universidades; b) controle público, na medida em que atendem à prestação de contas pública ou a Conselhos e ainda estão sujeitas às penalidades legais advindas do mau uso de recurso público; e c) publicidade de atividades ligadas a entes públicos.

Metas a serem perseguidas

O posicionamento da Comunicação como serviço público também está embasado na associação dos direitos sociais e culturais com a essencialidade do direito à comunicação, à informação e à cultura para o exercício da cidadania na contemporaneidade. Isso pode ser facilmente identificado nas funções de publicização das campanhas governamentais de saúde, educação e saneamento, assim como de divulgação de estratégias para valorização das peculiaridades regionais e integração cultural, atividades primordiais desenvolvidas pelos meios de comunicação na promoção da diversidade e do acesso à informação.

Define-se, portanto, como ponto de partida, a necessidade de compreensão das emissoras ligadas a instituições públicas e estatais como pressuposto para a atenção ao interesse público. Compreende-se, a partir daí, a viabilidade para se iniciar um debate sobre as diretrizes que definiriam esse conceito na programação da TV brasileira, passando, obrigatoriamente, pelas noções de compromisso com a prestação de um serviço público, e com a promoção de valores da cidadania, dos direitos humanos e da representatividade regional. São metas a serem permanentemente perseguidas, desde já se reconhecendo tal caminho como uma trilha primeira, que não se esgota sem discutir o papel social dos meios privados e como o serviço público pode desenvolver-se em instituições não estatais.

sexta-feira, 25 de fevereiro de 2011

TV Record: Juca Kfouri afirma que emissora usa dinheiro dos fiéis da Universal

Redação FNDC

O jornalista Juca Kfouri declarou que o dinheiro da TV Record vem dos fiéis da Igreja Universal do Reino de Deus (Iurd). A afirmação de Juca foi feita nesta quinta-feira (24/2), em sua coluna na Folha de S. Paulo. A emissora de TV e a igreja pertencem ao mesmo empresário, Edir Macedo.

A critica de Juca ao canal 7 de São Paulo está relacionada ao fato de seis clubes terem deixado o Clube dos 13 para negociar de forma independente os direitos de transmissão do Campeonato Brasileiro. De acordo com o colunista, a briga entre os times e a entidade aconteceu "porque os que saíram (Botafogo, Corinthians, Coritiba, Flamengo, Fluminense e Vasco da Gama) não querem saber de mudanças e preferem a Globo".

"Eu, aliás, também preferiria, ainda mais que o dinheiro da Record é uma forma de concorrência desleal, porque da Iurd. Só os adeptos daquele chinês que não se importa com a cor do gato, desde que ele coma ratos, não dão bola à origem do dinheiro, como o Corinthians, com o aval de seu atual presidente, não se importou com a grana da MSI", diz Juca, em sua coluna, ao mostrar que também prefere ter sua imagem exibida na emissora da família Marinho.

Comentário parecido
Na noite desta quarta-feira (23/2), o jornalista já havia feito criticas à TV Record durante participação na jornada esportiva da CBN. Em conversa com o narrador Marcelo Gomes e com o apresentador Paulo Massini, Juca declarou que o dinheiro da emissora de Edir Macedo vem "da fé" e que as agências de publicidade preferem divulgar produtos na TV Globo, ao invés de veicularem na Record.

Antes disso, no quadro "Momento do Esporte", durante o "Jornal da CBN 2ª Edição", Juca questionou a parcialidade da Record. "A Record bateu no Andrés não foi por razões jornalísticas, foi pelo fato de ele ser a favor da Globo", disse.

Procurada pela reportagem, a Record disse que não irá se manifestar sobre as declarações de Juca.

Fonte: FNDC

terça-feira, 22 de fevereiro de 2011

Moldando famílias, comportamentos e influência

Por Valério Cruz Brittos e Jonathan Reis

A televisão é um poderoso instrumento de comunicação. Diferente do ouvinte de rádio, que utiliza a imaginação para completar as lacunas da mensagem, o telespectador recebe as informações prontas, com imagens finalizadas e extremamente produzidas, sem a necessidade de imaginar rostos e cenários, o que, se implica em perda de espaço para a criatividade, também significa obras mais completas, algo relevante para a formação do conhecimento. Isso não representa que na TV o usuário não interaja simbolicamente, pois, inclusive, decodifica os dados recebidos considerando outros elementos prévios.

O poder de manipulação e alienação exercido pela televisão ainda é muito grande, notadamente no Brasil, embora o receptor filtre este consumo a partir de um conjunto de outras mediações. No mínimo, isto limita os comportamentos sociais, impondo padrões e prejudicando quem não consegue neles integrar-se. Por exemplo, o modelo de beleza próprio dos programas de humor e telenovelas torna-se um referencial, difícil de ser alcançado por quase toda a população. Isto influi diretamente na sociabilidade, de forma que a sociedade, na forma como concebida hoje, está diretamente colada no que é a TV e suas práticas.

A influência do produto televisivo, em especial das telenovelas, nas opiniões e gostos dos brasileiros, gera bloqueios, preconceitos, exclusões e aceitações, que, além de repercussões individuais, trazem consequências sociais. Durante a exibição de Laços de Família, a leucemia tornou-se o assunto central no país. Logo, quando Caminho das Índias foi veiculada, a cultura indiana predominou. São pautas importantes, mas que se vinculam à lógica da mídia, a qual se sobrepõe à agenda social. A audiência está em primeiro lugar, sendo o número de capítulos das realizações reduzido ou ampliado a partir dos dados de audiência.

Efeitos negativos e positivos

Em 2009, dois estudos recentes do Banco Interamericano de Desenvolvimento (BID) mostraram que as telenovelas apresentadas nos últimos 40 anos vêm moldando as famílias em aspectos como número de filhos e divórcios. A análise de 115 novelas transmitidas pela Rede Globo, nos horários das 19 e 20 horas, constatou famílias com menos filhos, comportamento reproduzido no cotidiano social. A emancipação feminina mostrada, com a entrada da mulher no mercado de trabalho, incentivou a independência, repercutindo no número de divórcios.

Os personagens televisivos influenciam o comportamento das pessoas em seu círculo social. O deslumbre causado pela mídia repercute na sociedade, onde situações que antes não eram assimiladas pela maioria passam a ser aceitas. Esse fato pode resultar em efeitos negativos e também positivos. Um dos efeitos negativos é a generalização, na qual, por exemplo, a imagem da mulher, representada de forma incorreta, principalmente em programas de humor, como alguém sem capacidade intelectual, é indicada como engraçada. Os aspectos positivos estão na grande quantidade de informações diferenciadas veiculadas, visto que permite ao público conhecer novos locais, culturas e novidades sem sair de casa.

Devem ser projetadas soluções coletivas

As telenovelas brasileiras não estão apenas influenciando e causando polêmica no Brasil. Em Angola, por exemplo, são os programas de maior sucesso. O comércio também é influenciado, levando centenas de vendedoras informais angolanas a atravessarem o Atlântico e desembarcarem em São Paulo à procura de mercadorias para revenda em seu país. Para as mulheres de Angola, as novelas brasileiras são referência sobre o que vestir. Os audiovisuais mostrados influenciam diretamente as populações da Comunidade dos Países de Língua Portuguesa (Palop) pelas características específicas de uso do português entre os povos de Angola, Brasil, Cabo Verde, Guiné-Bissau, Moçambique, Portugal e São Tomé e Príncipe.

O adequado aproveitamento das informações pode depender do telespectador, analisando-as e selecionando-as em busca de resultados positivos. Já quanto às crianças, os pais têm obrigação de apontar limites, visando à sua melhor formação. Há conteúdo apelativo, mas também existe o alternativo de qualidade. O telespectador adulto, mesmo não podendo criar o material, possui o poder de mudar de canal. A questão é que este é um recurso individual e devem ser projetadas soluções coletivas, que não só imponham obrigações sociais aos operadores privados, mas construam saídas que conjuguem serviço público e diversidade.

sexta-feira, 28 de janeiro de 2011

Regulamento de cabo deve entrar em consulta em março

Redação Tal Viva

Em breve a Anatel deverá entrar na reta final da reforma das regras para a oferta de TV a cabo no país. O conselheiro João Rezende disse nesta quinta-feira, 27, que o novo Regulamento de TV a Cabo deve entrar em consulta pública em março deste ano. Por enquanto, o documento está sendo revisto pela Superintendência de Serviços de Comunicação de Massa (SCM). Mas Rezende, que é o relator da proposta no Conselho Diretor, está otimista de que o documento será finalizado rapidamente.

O regulamento é a última parte de uma longa reforma nas regras de TV por assinatura promovida pela Anatel com o intuito de abrir o setor para novos concorrentes. Esse processo teve início com a edição de uma medida cautelar suspendendo o limite no número de outorgas por cada município brasileiro. Essa suspensão já foi formalizada com a aprovação de um novo planejamento do serviço no ano passado. E, com isso, a agência abriu caminho para que novas prestadores de TV por assinatura entrem no mercado sem que haja um limite ao número de outorgas. As mais interessadas no serviço são as concessionárias de telefonia fixa, que querem empacotar múltiplos serviços.

A atualização do regulamento é muito importante neste momento de renovações de licenças e emissão de novas outorgas especialmente por trazer o preço que essas autorizações terão. A Anatel já sinalizou por duas vezes - na aprovação do planejamento e, hoje, na definição do custo das renovações - que cobrará o preço administrativo pelas outorgas, de R$ 9 mil. Mas o valor só será formalizado quando a agência incluí-lo formalmente no novo regulamento.

Renovações

Outros documentos envolvendo a oferta de TV a cabo deverão passar por consulta pública no próximo mês. São as condicionantes para a renovação das outorgas de TV a cabo que vencem a partir do dia 12 de dezembro deste ano, como adiantou este noticiário. A regra geral manda que a Anatel coloque em consulta cada uma das licenças que serão renovadas. Mas, como 79 outorgas estão em prestes a vencer, a agência reguladora resolveu juntar em um mesmo processo as licenças pertencentes a cada grupo de mídia interessados, para permitir um acesso mais organizado aos dados.

Assim, serão colocados em consulta os condicionamentos para 18 grupos (veja lista abaixo). A necessidade de divulgar as condicionantes à sociedade já estava prevista, mas até então a Anatel não havia confirmado quando e como iria apresentar os dados.

A agência não entrou em detalhes sobre as condicionantes, restringindo apenas a dizer que elas serão focadas na expansão e melhoria da qualidade do serviço. Mas as diretrizes já foram expostas no manual para o pedido de licenças novas, associado ao novo planejamento de cabo. Basicamente, a agência trabalha na imposição de metas de abrangência, fazendo com que as empresas ampliem sua área de atuação. Vale lembrar que essas outorgas que vencem entre 2011 e 2012 não possuíam nenhum compromisso de atendimento, por serem originárias do serviço de DISTV lançado em 1996, quando as condicionantes não era a praxe do setor.

Pontuação

A grande novidade está no método de apuração do cumprimento dessas obrigações. A agência pretende estipular uma espécie de sistema de pontuação, onde a classe social das residências atendidas pela empresa influencia o cumprimento da meta. Simplificando o sistema, clientes com maior poder aquisitivo (classes A e B) contam mais "pontos" para o cumprimento das metas do que os clientes das classes D e E. Na prática, o sistema torna mais fácil o cumprimento das obrigações pelas empresas que hoje atuam em áreas com populações mais abastadas.

À primeira vista, o modelo pode parecer um contrasenso para uma agência que pretende estimular a expansão dos serviços. Mas, na verdade, o sistema simplesmente admite uma realidade natural do mercado: de que as empresas, sem condicionantes, concentraram-se nas áreas mais rentáveis para promover sua oferta. Assim, espera-se que, consciente dessa realidade, a agência imponha metas equilibradas o suficiente para garantir uma expansão mínima da oferta, mesmo admitindo que a concentração desse serviço está nas classes A e B atualmente.

Fonte: Tela Viva

quarta-feira, 26 de janeiro de 2011

O CLONE - Um campeão de audiência no ar outra vez

Por Andres Kalikoske e Éderson Pinheiro da Silva

Consagrada como um dos maiores sucessos da TV brasileira na década de 2000, O Clone está de volta dez anos após sua primeira exibição. Com roteiro de Glória Perez, direção de Jayme Monjardim e elenco consagrado, esta superprodução da Globo carrega consigo a difícil missão de elevar os índices de audiência do Vale a Pena Ver de Novo, carro-chefe da programação vespertina. Sua antecessora, Sete Pecados, apesar de uma exibição inédita vitoriosa, derrubou a audiência da tradicional sessão de reprises. No ar desde o último dia 10/01, O Clone não demorou em mostrar sua potencialidade: na Grande São Paulo registrou média de 18 pontos com pico de 21. Há uma forte tendência destes números se potencializarem com o desenrolar da história, já que, com o falecimento do personagem Diogo (Murilo Benício), o cientista Albieri (Juca de Oliveira) resolverá criar um clone a partir de amostras genéticas de seu irmão, Lucas (também interpretado por Benício).

Ainda é cedo para afirmar se O Clone repetirá, até seus últimos capítulos, o sucesso de outras novelas exibidas no Vale a Pena Ver de Novo, como Senhora do Destino, em 2010, A Viagem, em 2006, História de Amor, em 2002 ou Mulheres de Areia, em 1997. Estes títulos, em sua segunda exibição, chegaram a registrar maior audiência que a inédita novela das seis da Globo, criando um problema entre a emissora e seus anunciantes. Isso porque o anunciante da faixa de reprises está desembolsando muito menos dinheiro do que quem anuncia às seis da tarde. Deve-se levar em conta que, ao menos em tese, não se trata do mesmo perfil de telespectador: a audiência que compõe o prime time (ora ampliado, comportado entre as seis da tarde e a meia-noite) possui maior renda e se interessa por uma diversificada gama de produtos e serviços. Como grau comparativo, o valor de tabela de um anúncio de 30 segundos em rede nacional, exibido no início do prime time da Globo, estava fixado em 350 mil reais em 2010. Em contrapartida, no Vale a Pena Ver de Novo o anunciante podia ter seu produto anunciado por 35 mil reais. Preços de tabela, logicamente, que são devidamente barganhados pelas agências conforme a quantidade de inserções e outras infinitas variáveis.

Revelando o Oriente desconhecido

O ineditismo das temáticas que a autora ofereceu para cada núcleo foram os pontos fortes da novela. Além da clonagem humana, a história abordou os conflitos culturais entre brasileiros e muçulmanos; o tráfico de drogas, que contou ainda com depoimentos de ex-dependentes químicos; e o islamismo, hoje posicionado como a segunda maior religião do mundo, registrando 1,4 bilhão de seguidores.

O Clone foi produzida com muito cuidado, recebendo toda atenção que merecia. Para as gravações em Marrocos, por exemplo, a Globo fez questão de enviar uma equipe inteiramente masculina, a fim de diminuir ao máximo eventuais conflitos na região. Durante a pré-estreia, a Globo realizou forte campanha institucional, encomendando aos seus programas jornalísticos reportagens sobre temas abordados em O Clone. Menções sobre clonagem e curiosidades sobre a religião muçulmana eram bem-vindas. Na semana que antecedeu a estreia da novela, um Globo Repórter sobre os avanços da ciência no âmbito da clonagem humana também foi exibido.

Nos momentos finais, como os resultados estavam além das expectativas dos executivos da Globo, a emissora resolveu esticar O Clone em um mês. Criou barrigas para conflitos paralelos que já estavam em desenvolvimento até que o produto totalizasse 221 capítulos. Mesmo com as idas e vindas de Jade (Giovanna Antonelli) e Lucas, a história não se acomodou e a novela das nove hipnotizava o país. Seu último capítulo, exibido em 14/06/02, obteve 64 pontos de audiência; e numa média de toda sua exibição, registrou 47 pontos. No fim dos trabalhos, pode-se avaliar que O Clone foi um folhetim multifacetado. A competência de Glória Perez soube revelar o Oriente desconhecido pelo telespectador brasileiro, ainda traumatizado com a midiatização em escala global das ações terroristas de 11/09.

Os dependentes químicos

Como característica principal de suas novelas, Glória Perez investiu no chamado merchandising social. Ainda que esta terminologia se apresente muito mais como uma estratégia ideológica da Globo, no sentido de reforçar seu comprometimento como empresa de comunicação, cabe resgatar brevemente algumas ações de O Clone que ultrapassaram os limites de um produto de ficção e efetivamente alcançaram visibilidade social.

Retratar a vida de dependentes químicos foi um dos pontos altos. A personagem Mel (Débora Fallabella), inicialmente deprimida e depois revoltada com a vida, unindo-se aos seus amigos Cecéu (Sérgio Marone) e Nando (Tiago Fragoso) para consumirem drogas, ampliou o debate desta problemática que hoje atinge todas as classes sociais. Com mesma temática se apresentou Lobato (Osmar Prado), um homem de meia-idade viciado em álcool. As cenas de desespero e violência destes personagens, lutando para a manutenção de seu vício a qualquer preço, foram méritos absolutos do diretor e sua equipe, composta pelos profissionais Marcos Schechtman, Mário Márcio Bandarra, Marcelo Travesso e Teresa Lampreia. Reconhecimentos para O Clone não tardaram, com homenagens da Associação Brasileira de Alcoolismo e Drogas (Abrad) e um prêmio concedido pelos órgãos norte-americanos Federal Bureau of Investigation (FBI) e pela Drug Enforcement Administration (DEA), dois dos principais responsáveis pelo controle do tráfico de drogas naquele país.