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terça-feira, 9 de agosto de 2011

Sobre revoluções e democracias

Por Valério Cruz Brittos e Eduardo Silveira de Menezes

Não faz tanto tempo assim. Certamente o leitor lembrará que, em 1968, milhares de estudantes e trabalhadores tomaram as ruas da França protagonizando um dos movimentos políticos de maior repercussão na história recente. Estava em evidência a luta pelos direitos civis. A famosa greve geral, do dia 13 de maio daquele ano, levou mais de um milhão de pessoas a organizarem-se, na base dos sindicatos e nos centros acadêmicos das universidades, para exigir mudanças radicais nas políticas conservadoras adotadas, à época, pelo general Charles de Gaulle. Hoje, as revoltas no mundo árabe e a crise econômica na Europa apontam na direção de uma mudança significativa, pelo menos a nível operacional, na forma de organizar a luta política.

Esse processo é acompanhado de perto pelos meios de comunicação, que têm papel fundamental na formatação da imagem dos personagens envolvidos no conflito e no próprio entendimento destes acontecimentos históricos por parte do público. A cobertura da chamada “grande mídia” não apenas molda o caráter das agitações populares (proliferando os chamados “eventos midiáticos”), como, também, dá-lhes novo relevo. Na década de 1960, a contracultura, representada no âmbito midiático pelo lema “sexo, drogas e rock’n roll”, repercutiu fortemente no Brasil e inspirou, por exemplo, a chamada Tropicália. O grupo de artistas que compunha esse movimento rapidamente foi absorvido pela indústria cultural e suas reivindicações – sintetizadas no princípio da igualdade entre os sexos – ficaram restritas à confrontação artístico-cultural.

Relativização do acontecimento

Embora a origem das exigências populares, na França, tenha sido determinada por questões de interesse coletivo – inclusive, motivando discussões sobre discriminação racial nos Estados Unidos e, paralelo a isso, o surgimento do movimento hippie – é importante destacar que os meios de comunicação, naquele dado momento, procuraram evidenciar certos aspectos em detrimento de outros, seguindo sua regra de ocultação e acentuação. É evidente a relevância das manifestações artísticas e a reflexão que, por vezes, permitem evocar. São experiências fundamentais para a construção de uma sociedade mais justa e fraterna. No entanto, a ação política não pode ser suplantada e, tal feito ocorre, repetidamente, na história da publicização dos fatos. Com a atual cobertura dos conflitos internacionais é possível evidenciar, mais uma vez, esse processo. Desloca-se o núcleo de interesse das matérias para o âmbito tecnológico, deixando em segundo plano a importância da ação direta, ou seja, o embate político.

Os neo-revolucionários, formatados pela mídia hegemônica, são descritos como jovens de classe média, bem-educados e com amplo domínio de sites de relacionamento e disseminação de conteúdos, como Twitter e Facebook. Aliás, foi através destes mecanismos que, recentemente, púberes espanhóis, organizados por meio do movimento “Democracia Real Já”, conclamaram seus pares a amplificarem a luta contra as medidas tomadas pelo governo do socialista José Luis Rodríguez Zapatero. Embora, na Espanha (para não dizer globalmente), o neoliberalismo dê mostras de sua falência, com os cortes realizados na área social atingindo desde os trabalhadores mais jovens até os aposentados, os meios de comunicação preferem relativizar o acontecimento.

Defesa do livre mercado

Constantemente, os principais noticiários da mídia eletrônica – também brasileira – destacam o papel quase imprescindível desempenhado pelas redes sociais na organização da luta promovida pelos insurretos. Nada se fala da efetiva motivação de tais movimentos, o progressivo abandono da política do welfare State e a consequente adesão catastrófica ao modelo do Estado mínimo, própria do neoliberalismo. Para tentar contornar o déficit orçamentário, privilegiam-se banqueiros e cortam-se os benefícios da maior parte da população, mas o foco central da midiatização dos fatos recai sobre o perfil dos ativistas cibernéticos e suas ferramentas de luta.

No Egito, por ocasião dos protestos contra o governo de Muhammad Hosni Said Mubarak, o acesso móvel ao Twitter foi bloqueado. A medida foi adotada logo após o governo tomar conhecimento de que os protestos estavam sendo transmitidos para todo o mundo via internet. Essa ação serve como um bom álibi para se defender a liberdade do uso tecnológico e, progressivamente, chegar à defesa do livre mercado, pois, para a mídia dominante, quem quiser se sublevar, no atual contexto das mídias digitais, precisa fazer uso de tais instrumentos. Contudo, a legítima condenação da censura não pode ser confundida com defesa de mercado desregulamentado, sem proteção social.

Barricadas virtuais

Não se trata de desconsiderar as potencialidades da internet, especialmente porque se reconhece sua importância, com destaque para quando o uso das redes é direcionado para contribuir na organização dos movimentos sociais. Acontece que este determinismo tecnológico, resultante do fetichismo digital contemporâneo, acaba colaborando para minar antigas formas de organização popular, responsáveis por importantes mudanças no comportamento da sociedade mundial, a exemplo do que ocorreu em 1968.

A glorificação do uso das redes corrobora para a construção de um novo perfil revolucionário, o qual, antes de tudo, precisa estar apto a consumir tecnologia. É como se não fosse mais possível conformar a luta política pelos meios convencionais. Assembleias, atividades de formação, panfletagens, colagens e seus congêneres são, pouco a pouco, convertidos em práticas antiquadas. Com isso, promove-se o enfraquecimento do esforço da militância, amputa-se o verdadeiro sentido das manifestações populares e incentiva-se a construção de meras barricadas virtuais. Para a identificação do que está por trás disso tudo, basta considerar-se a eficácia deste modelo para o custeio da democracia liberal e o apoio do governo norte-americano para a sua devida concretização.

Fonte: Observatório da Imprensa


segunda-feira, 4 de abril de 2011

A estratégia de Obama junto ao Google e ao Facebook

Por Alexandre Matias

Há trinta anos não poderíamos saber que algo chamado ‘internet’ nos levaria a uma revolução econômica. O que podemos fazer agora – o que os EUA fazem melhor do que qualquer um – é instigar a criatividade e a imaginação de nossa gente. Colocamos carros nas estradas e computadores nos escritórios”, disse Barack Obama, em janeiro passado, no tradicional discurso Estado da Nação que o presidente norte-americano apresenta no início de ano. “Somos a nação de (Thomas) Edison e dos irmãos Wright; do Google e do Facebook. Nos EUA, a inovação não só muda as nossas vidas. É como nós a vivemos.” E continuou: “Há meio século, quando os soviéticos nos ultrapassaram ao lançar no espaço um satélite chamado Sputnik, não tínhamos ideia que chegaríamos antes deles à Lua. Não existia tal ciência. Nem a Nasa. Mas depois de investir muito em pesquisa e educação, nós não só passamos os soviéticos como lançamos uma nova onda de inovação que criou milhões de novos empregos. Este é o momento Sputnik de nossa geração.”

Ou seja: a corrida espacial do século 21 acontecerá entre nossos computadores e celulares. O discurso de Obama só não diz com todas as letras que a internet é uma invenção norte-americana. Afinal, não é. A rede Arpanet foi sim criada pelo Pentágono e foram as universidades norte-americanas as primeiras a reconhecer naquela rede um objetivo mais prático do que o que deu origem a ela – inventada por militares, servia para salvar informações que pudessem ser destruídas no caso de um ataque inimigo. Mas a rede só se popularizou graças a uma invenção europeia, a World Wide Web.

Mas se Obama não diz literalmente que a internet é americana, ele sublinha que seus principais personagens atuais – Google e Facebook – são. E isso não fica só no discurso, como pode-se perceber no jantar em que o presidente norte-americano recebeu os principais nomes desta indústria (Zuckerberg, Jobs, dois nomes do Google, entre outros) em fevereiro, além da movimentação de executivos entre os dois sites e a Casa Branca.

Uma das principais especulações sobre essa dança das cadeiras, aliás, diz respeito a um dos personagens centrais desta indústria. Eric Schimdt já passou pela Bell, pelo histórico PARC da Xerox, pela Sun e pela Novell, antes de virar CEO do Google e entrar do conselho da Apple. No mesmo mês em que jantou com Obama, anunciou que deixaria o cargo no Google. Mas um rumor que ganhou força durante o mês de março é que ele assumiria o cargo que hoje é de Gary Locke, o secretário de Comércio dos EUA que veio reunir-se com a ministra da Cultura Ana de Hollanda no mês passado, conforme apurou a repórter Tatiana de Mello Dias no Link há duas semanas. Locke assumiria o cargo de embaixador dos EUA na China, cedendo a vaga para Schimdt – que deixa de ser o homem do Google para se tornar o homem do comércio exterior daquele país.

Será esse um novo tipo de imperialismo, em que filmes, discos e livros não precisam ser boicotados? Uma coisa é tentar execrar uma obra, outra coisa é convencer as pessoas a não usar esses dois sites… O problema é que internet não é só Google e Facebook. E como o próprio Obama disse, se Google e Facebook são seu Sputnik, pode ser que alguém reaja a isso com uma nova Nasa para o século digital.

Fonte: Estadão

terça-feira, 8 de fevereiro de 2011

Cuba não vê obstáculos políticos para liberar acesso à Internet

Redação AdNews

Cuba não vê "nenhum obstáculo político" para abrir o acesso da população à Internet, disse na segunda-feira o vice-ministro de Comunicações, Jorge Luis Perdomo, na semana em que um cabo de fibra ótica venezuelano entrará em operação e aumentará a velocidade de conexão na ilha.

No entanto, Perdomo disse que o novo cabo não será uma "varinha mágica" e que ainda falta investimento em infraestrutura para disponibilizar o acesso à Internet na casa dos cubanos.

"Não há nenhum obstáculo político... que possa deter esse processo", disse Perdomo a jornalistas ao ser perguntado se Cuba abrirá o acesso à Internet à população.

Fonte: AdNews

quarta-feira, 3 de novembro de 2010

Para coordenadores de campanha, internet ampliou militância

Redação Terra Notícias

Nunca a internet teve um peso tão determinante numa disputa eleitoral como em 2010, reflexo da mudança do ano passado que deu liberdade para todos utilizarem os espaços da web como ferramenta de campanha. Antes, as ações online eram, por lei, limitadas às páginas oficiais das candidaturas. Para aqueles que coordenaram as campanhas dos dois candidatos à Presidência que chegaram ao segundo turno - Dilma Rousseff (PT) e José Serra (PSDB) - na internet, as novas regras ampliaram a militância, tanto a das ruas quanto a virtual.

"Nessa eleição se revelou um novo bloco formador de opinião, que transcende aos tradicionais: o das mídias sociais. As disputas mais quentes deste pleito aconteceram na internet. O próprio debate feito dentro da rede ajudou alguns eleitores a definirem os seus votos. A web passou a ser o principal espaço de organização das atividades de rua da militância e foi muito importante para a própria democracia. Pela primeira vez, milhões de pessoas influenciaram nas campanhas dos próprios candidatos", disse Marcelo Branco, coordenador de estratégia nas redes sociais da campanha de Dilma.

Para a jornalista Sonia Francine Gaspar Marmo, a Soninha, coordenadora da campanha de Serra na internet, "antes, para saber o que um candidato pensava sobre o País, suas propostas e carreira, era necessário ir para algum lugar ou ter acesso a materiais impressos. Agora, dá para encontrar a informação de maneira incomparável. Isso trouxe para o engajamento pessoas que normalmente não seriam militantes da forma tradicional de fazer campanha. Esta, para mim, é a grande surpresa desta eleição", afirmou Soninha.

Este tema será ampliado no painel 2 do 4º MediaOn e também terá a presença, além de Marcelo e Soninha, de Caio Túlio Costa, jornalista e professor que coordenou as mídias digitais da campanha de Marina Silva (PV), ajudando a angariar os quase 20 milhões de voto da candidata, e do jornalista e escritor Heródoto Barbeiro. O evento que acontecerá entre os dias 9 e 11 de novembro no Itaú Cultural, em São Paulo, debate este novo paradigma eleitoral no dia 10, das 11h30 às 13h.

O 4º Seminário Internacional de Jornalismo Online - MediaOn, encontro realizado anualmente pelo Terra e Itaú Cultural, é um dos principais fóruns de debates sobre jornalismo digital e novas mídias. O evento, que tem apoio das redes de televisão CNN e BBC, terá transmissão ao vivo. Os debates contarão com a presença de representantes de veículos brasileiros, da América Latina, Europa e Estados Unidos.

O tema do evento deste ano será "Os novos caminhos do jornalismo: o que a audiência quer consumir e como?". Além dos debates entre profissionais, um painel mostrará ao vivo como os consumidores vêm se apoderando das novas mídias.

Para esquentar as discussões, o MediaOn traz profissionais que estão diretamente envolvidos com a "digitalização" e "socialização" de suas redações. Susan Grant, da CNN, e Aron Pilhofer, do New York Times, abrirão o evento com um debate sobre como inovar em redações habituadas com o velho formato de produção e difusão de notícias. A dupla ainda debate a concorrência: quem são os novos concorrentes na briga pela audiência?

Twitter, tables, smatphones, v-blogs, humor, anunciantes, agências, redações integradas são assuntos que também serão abordados nos três dias de MediaOn.

Todos os debates são gratuitos. Para garantir a vaga, os interessados devem chegar ao Itaú Cultural (avenida Paulista, 149, Estação Brigadeiro do Metrô. Fones: 11. 2168-1776/1777) com 30 minutos de antecedência ao início de cada painel. Grupos podem fazer reserva antecipadamente para assistir aos debates por meio do email itaucultural@comunicacaodirigida.com.br.

Fonte: Terra

terça-feira, 28 de setembro de 2010

Em dois anos, Brasil sofreu 70 atentados contra a liberdade de imprensa, diz ANJ

Redação Portal IMPRENSA

Um relatório divulgado pela Associação Nacional de Jornais (ANJ), na última segunda-feira (27), revelou que a imprensa brasileira teria sofrido 70 atentados contra a liberdade de informação nos últimos dois anos.

Segundo o jornal O Estado de S. Paulo, o levantamento, sobre a Liberdade de Imprensa no País, lista casos de censura, ameaças, agressões a jornalistas e outras formas de pressão contra o direito de informar, entre agosto de 2008 a setembro de 2010.

O diretor-executivo da ANJ, Ricardo Pedreira, afirmou que a situação é preocupante, pois todos os casos "representam flagrante desrespeito à Constituição do País". O relatório da entidade destaca os números de ordens judiciais impondo censura aos meios de comunicação: dos 70 casos, 26 se referem a decisões do Poder Judiciário, além da determinação de 10 medidas restritivas pela Justiça Eleitoral.

A ANJ ressalta, ainda, o aumento da quantidade de decisões judiciais que proíbem jornais de divulgar matérias sobre determinados temas ou conteúdo, seja em período eleitoral ou não. Durante o período do levantamento, o Comitê de Liberdade de Expressão denunciou 20 casos de censura, segundo a entidade.

O relatório incluiu dois casos de censura ao Estadão. O primeiro, que impede o jornal de publicar informações sobre a Operação Boi Barrica, da Polícia Federal, que investiga o empresário Fernando Sarney, filho de José Sarney. O segundo, que aconteceu na última sexta (24), quando o Tribunal Regional Eleitoral de Tocantins (TRE-TO) proibiu o Estado e outros 83 veículos de comunicação de citarem o nome do governador Carlos Gaguim (PMDB) em um caso de investigação de fraude em licitações públicas.

A liminar, concedida pelo desembargador Liberato Póvoa, favoreceu a coligação de Gaguim, "Força do Povo" (PMDB, PT, PP, PDT, PSB, PPS, PSL, PSDC, PHS, PCdoB e PRP). Porém, o governador - e candidato à reeleição - voltou atrás e, na última segunda, pediu a suspensão da censura.

Fonte: Portal Imprensa

Vírus, vermes e comunicação

Por Muniz Sodré

Em sua coluna semanal (O Globo, 22/9), o poeta e ensaísta Francisco Bosco vale-se da hipótese da "compulsão à emissão", formulada pelo crítico alemão Christoph Türcke, para falar do horror ao vazio que assaltaria a sociedade contemporânea, levando-a a manter-se ocupada o tempo todo em torno de e-mails, Facebook, Orkut, Twitter etc. Aliás, daí surge aos poucos uma curiosa linguagem: o verbo "tuitar", por exemplo. Até mesmo Barack Obama, dizem, tuíta.

O comentário da coluna coincidiu com a notícia, no mesmo dia, do ataque de hackers ao Twitter. Segundo a imprensa, durante horas uma enxurrada de mensagens se espalhou pelo Twitter com piadas, pornografia e vermes. Até então se falava de vírus, mas estes, ao que consta, são programas com um número adequado de instruções transgressivas. O verme é uma inovação em matéria de software transgressor, uma vez que realiza com poucos signos a sua tarefa de violação do campo comunicativo alheio. E mais: o verme desencadearia por "conta própria" efeitos suplementares, atinentes à lógica interna da máquina e de sua linguagem.

Estes dois tópicos, se bem examinados, podem lançar alguma luz sobre as relações entre a atualidade política e o espaço público brasileiro, no quadro das discussões sobre mídia e opinião pública. A primeira coisa a se sublinhar é que o desenvolvimento das democráticas ferramentas de comunicação – dentro da dinâmica de convergência entre as telecomunicações, a informática e o audiovisual – em nada democratizou a natureza oligopolística do império transnacional das tecnologias de informação e comunicação. Cerca de uma dezena de gigantes da multimídia controlam em torno de 90% dos mercados midiáticos mundiais, em termos de equipamentos, redes e conteúdos.

A hipótese de mediações culturais

Isso não é nenhuma novidade. Em torno dessa realidade oligopolística, giraram ao longo do último terço do século passado as críticas dirigidas pelos "pós-modernistas" à mídia ou ao que se vem chamando de "sociedade do espetáculo". Este prisma analítico, popularizado no meio acadêmico pelo teórico francês Guy Debord, é matéria corrente em teses, conferências e livros.

Movido pelas concepções frankfurtianas no sentido de uma sociedade regida pela "administração total", Debord fez do espetáculo o conceito unificador de uma enorme variedade de fenômenos, sob a égide do turbo-capitalismo ou da sociedade de mercado global. De um lado, havia o momento histórico em que o consumo parecia atingir a ocupação total da vida social; de outro, a evidência da exploração psíquica do indivíduo pelo capital. O espetáculo impunha-se, assim como uma verdadeira relação social, em meio à qual emergia a imagem como uma espécie de forma final da mercadoria, reorientando as percepções e as sensações.

Entretanto, com o desenvolvimento da comunicação eletrônica e o advento das chamadas "redes sociais" na internet, torna-se necessário revisar alguns aspectos dessa teoria do espetáculo porque esta supõe um espaço público unificado e "culturalizado" pela mídia. Não que tenha desaparecido o fascínio do espetáculo, que deu lugar, num determinado instante, a uma hierarquia classificatória da cultura (elitista, intermediária, popular) e à hipótese de mediações culturais.

Resultado das eleições

Mas o que agora ocupa o primeiro plano do fascínio é propriamente a "distração" ou o "divertimento" comunicativo, que consiste em inserir-se numa espécie de realidade integral da comunicação por meio de uma escrita e uma leitura ("lecto-escritura", talvez) fragmentárias, mas intermináveis, através dessas novíssimas "ferramentas" (twitter etc.) na rede eletrônica. Como numa adicção qualquer, o gozo está em manter-se "ligado", tecnicamente vinculado a um outro, que não é verdadeiramente uma alteridade, e sim, uma inscrição digital no espaço virtual. O divertimento é literalmente "celular".

Questões emergentes: pode-se falar de espaço público nessa realidade feita de digitalismo e espectro de frequências de telecomunicações? Ou então, existe mesmo opinião pública nesse espaço virtual em que a informação política e o interesse pela atualidade foram substituídos pelos tweets da banalidade? A informação e a comunicação não estariam dando lugar ao puro e simples preenchimento do vazio existencial pelo frenesi da presença de cada um na rede?

Não são indagações meramente acadêmicas. Se de fato a realidade da informação e da comunicação desceu de seu patamar público para essa esfera privada onde o grande acontecimento é a proliferação de "vírus" e "vermes", é possível que o discurso da mídia tradicional (jornais, TVs, rádios, revistas etc.), um discurso ainda tecnicamente público, deslize apenas sobre si mesmo, sem incidência forte sobre a vida comum.

Uma consequência prática disso tudo seria a inutilidade das ofensivas políticas por parte da mídia num período eleitoral como o de agora. Num vazio de cidadania política, não há de fato opinião pública, porque o "som" (do discurso, da fala) não se reproduz no vácuo. O resultado das urnas vindouras periga ser muito educativo para o jornalismo em voga.


Fonte: Observatório de Imprensa

terça-feira, 21 de setembro de 2010

PT organiza "ato contra golpismo midiático" em SP

Redação Portal IMPRENSA

Representações sindicais, partidos da base governista e movimentos sociais marcaram, para a próxima quinta-feira (24), um "Ato contra o golpismo midiático", que será sediado no auditório do Sindicato dos Jornalistas Profissionais do Estado de São Paulo (SJSP). O encontro pretende militar contra o que classificou de "ofensiva antidemocrática" da mídia, que objetiva levar o candidato tucano à Presidência, José Serra, ao segundo turno.

O evento divulgado pelo PT, presidido por José Eduardo Dutra, acusa a imprensa de "castrar o voto popular", "deslegitimizar as instituições" e destruir a democracia. O convite, no entanto, não faz qualquer menção as denúncias que contribuíram para a queda de Erenice Guerra, ex-ministra chefe da Casa Civil.

"Conduzida pela velha mídia, que nos últimos anos se transformou em autêntico partido político conservado, essa ofensiva antidemocrática precisa ser barrada. No comando estão grupos de comunicação que, pelo apoio ao golpe de 64 e à ditadura militar, já demonstraram seu desapreço pela democracia", diz o texto.

No anúncio do ato, segundo informa o jornal O Globo, o PT afirma que a a imprensa busca "forçar a ida do candidato do PSDB ao segundo turno". O convite sublinha, ainda, que "boatos de campanha" indicam que "o jogo sujo" irá pior até a eleição.

Estão confirmadas as presenças de políticos petistas e de coligações do partido, como PDT, PC do B e PSB. Pelo lado das lideranças sindicais e movimentos sociais, CUT, Força Sindical, CTB, CGTB, MST e UNE

Fonte: Portal Imprensa

sexta-feira, 10 de setembro de 2010

Café Intercom - Política cultural em tempos liberais

Ocorreu nesta quinta-feira (09/09) o programa Café Intercom promovido pela Sociedade Brasileira de Estudos Interdisciplinares da Comunicação (Intercom). O tema debatido foi Política cultural em tempos liberais (de Sarney a FHC), com o palestrante-convidado Prof. Dr. Alexandre Barbalho, professor e pesquisador dos Programas de Pós-Graduação em Políticas Públicas da Universidade Estadual do Ceará (UECE) e de Comunicação da Universidade Federal do Ceará (UFC). Alexandre é também coordenador do Grupo de Pesquisa Comunicação para a Cidadania da Intercom e vice-coordenador do Grupo de Pesquisa Comunicação e Cidadania da Compós. O evento teve como debatedora a Profª Dra. Deisimer Gorczevski, da Universidade Federal do Ceará.

Alexandre inicia sua palestra relacionando a necessidade do governo de criar de uma identidade cultural do brasileiro, no período entre o governo Vargas e a ditadura (1930 a 1985). O modelo relacionava-se mais ao padrão francês, ao qual o Governo incentiva e fiscaliza os programas nacionais de cultura. Nessa época a cultura foi amplamente incentivada, porém a identidade cultural da “brasilidade”, uma proposta patriota, se reportava mais aos interesses da elite brasileira.

Com a lei de incentivo fiscal, proposto pelo governo Sarney, o poder público promove uma relação com o setor privado, onde o segundo fica isento de impostos e por sua vez investe em determinado produto cultural, criando um tipo de mercado cultural de arte. Nessa época o Estado passaria a perder poder para empresas, contrariando ao ocorrido durante a ditadura militar.

O governo Collor foi caracterizado pela extinção de diversas instituições, sobre os quais o recém criado, após a ditadura, Ministério da Cultura. Durante o governo foi criada a lei Rouanet e o Fundo de Investimento Cultural e Artístico (FICART), legitimava-se assim o caráter comercial da cultura. Posteriormente, na gestão de Itamar Franco, surge a Lei do Audiovisual, seguindo a linha comercial do presidente anterior.

Alexandre mostrou-se irredutível quanto às leis de incentivo a cultura, acredita que elas têm favorecido muito mais aos empreendimentos privados do que as políticas de cultura. Mas acredita que com as novas propostas encaminhadas possam se reportar mais a comunidade, principalmente aos grupos minoritários.

Durante o governo FHC o Ministério da Cultura é recriado, porém, mantém-se vigente a cultura de mercado juntamente com as sucessivas privatizações, criando o que o Prof. Alexandre define como “democracia paradoxal”. A ironia pós-ditadura de o governo possibilitar que empresários adquiram e administrem instituições brasileiras, abdicando do poder público em prol de melhorias.

O debate terminou com uma discussão sobre neoliberalismo onde Alexandre posicionou-se contra em relação à gestão das políticas nacionais de cultura atualmente, onde empresas detém o poder de optar pelo tipo de produto cultural, ignorando os demais menos mercadológicos.

O Café Intercom é um evento aberto a toda comunidade, alcançando uma aplicação além do meio acadêmico, aberto a todos interessados em participar. Essa edição do Café Intercom foi uma realização conjunta dos Grupos de Pesquisa Mídia, Cultura e Cidadania e Comunicação, Economia Política e Sociedade (CEPOS) do Programa de Pós-Graduação em Ciências da Comunicação da Unisinos.

quarta-feira, 25 de agosto de 2010

Receita vasculhou sigilos de mais 3 pessoas ligadas a Serra e FHC

Investigação revela que Luiz Carlos Mendonça de Barros, Ricardo Sérgio de Oliveira e Gregório Marin Preciado também tiveram sigilos quebrados


Por Leandro Colon e Rui Nogueira

Investigação interna da Receita Federal revela que acessos suspeitos aos sigilos fiscais de adversários do PT foram além do manuseio dos dados do vice-presidente do PSDB, Eduardo Jorge. Os documentos mostram que, no mesmo dia, de um mesmo computador e em sequência, servidores do Fisco abriram os dados sigilosos de Eduardo Jorge e de mais três pessoas ligadas ao alto comando do PSDB. São elas: Luiz Carlos Mendonça de Barros, Ricardo Sérgio de Oliveira e Gregório Marin Preciado.

O Estado teve acesso a informações do processo aberto pela Corregedoria da Receita para saber quem acessou e por que os dados de Eduardo Jorge foram abertos em terminais da delegacia da Receita Federal em Mauá (SP). Essas informações foram parar num dossiê que teria sido montado por integrantes do comitê de campanha da candidata à Presidência Dilma Rousseff (PT). A oposição acusa funcionários do governo de violarem os sigilos fiscais de tucanos para fabricar dossiês na campanha eleitoral.

Os dados da investigação revelam que as declarações de renda de Eduardo Jorge e dos outros três tucanos foram acessadas do mesmo computador, por uma única senha, entre 12h27 e 12h43 do dia 8 de outubro do ano passado. O terminal usado foi a da servidora Adeilda Ferreira Leão dos Santos. A senha era de Antonia Aparecida Rodrigues dos Santos Neves Silva. Às 12h27, foi aberta a declaração de renda de 2009 de Mendonça de Barros, ex-ministro das Comunicações do governo de Fernando Henrique Cardoso. Três minutos depois, às 12h30, acessaram os dados do empresário Gregorio Marin Preciado, casado com uma prima de José Serra. Às 12h31, a declaração de Renda de Ricardo Sérgio foi aberta. Ele é ex-diretor do Banco do Brasil no governo FHC. Às 12h43m41s daquele mesmo dia, o mesmo terminal acessou a declaração de renda de 2009 de Eduardo Jorge. Quatorze segundos depois, os dados referentes a 2008 foram abertos por um servidor da Receita.

Os nomes dos tucanos foram destacados pela própria investigação da Receita Federal, como "contribuintes que despertaram interesse na apuração". O trabalho de apuração da Receita compreendeu os acessos ocorridos naquela delegacia entre 3 de agosto e 7 de dezembro de 2009. Em depoimento à corregedoria da Receita, as duas funcionárias negam envolvimento na abertura desses dados. Dona da senha usada, Antonia Aparecida alega que repassou o código a outras duas colegas e que não sabe quem fez essas consultas.


Fonte: Estadão

quarta-feira, 18 de agosto de 2010

Debate sobre a popularidade de Lula é raso

Por Luciano Martins Costa

A chamada grande imprensa, aquela que supostamente propõe a agenda pública do País, ainda não aprendeu a lidar com a exuberante popularidade do atual presidente da República.

Entre aqueles, poucos, que até algum tempo atrás repetiam que tal índice de aprovação deriva de políticas populistas, de projetos sociais que oferecem "esmolas" aos pobres, brotam agora os que descobriram a expressão "feel good factor", assim mesmo em inglês, querendo dizer que a população escolhe aquele que, nos seus sentimentos simples, ela vê como responsável por uma situação mais confortável. O crescimento da economia, a maior oferta de empregos e oportunidades de geração de renda seriam as fontes desse bem-estar.

Mas se tudo é assim tão simples, como se encaixariam nesse raciocínio os grandes desafios nacionais, apontados em todas as pesquisas de opinião e em recorrentes relatos da imprensa, como a sensação de insegurança pública, a má qualidade do ensino, as deficiências no setor de saúde, a dura vida de quem depende de transporte público nas grandes cidades e tantos outros motivos de insatisfação?

Será que o cidadão comum, aquele que a Rede Globo qualifica como o simplório e pouco honesto Homer Simpson, é o padrão nacional, que se satisfaz com uma ocupação insalubre, uma cervejinha no fim da tarde e o futebol no fim de semana, relevando questões importantes como a ética na política e nos negócios?

A questão do apoio ao presidente Lula da Silva revela raízes mais profundas e muito mais complexidade do que tem alcançado a imprensa. Veja-se, por exemplo, a pesquisa de mobilidade social divulgada em fevereiro de 2009 pela Fundação Getulio Vargas, e já tratada aqui neste Observatório. Esse trabalho, referendado posteriormente por reportagens de iniciativa da própria imprensa, revelou que no Brasil as classes de renda A e B foram muito mais impactadas pela crise financeira internacional do que as classes de renda C e D, consideradas o núcleo original de onde emana a grande popularidade do governo.

Portanto, não se trata apenas de um "feel good factor" que possa ser analisado isoladamente. Trata-se de uma sensação geral de pertencimento que exige mais esforço para ser interpretada.

A imprensa não parece estar fazendo esse esforço.

Uma nova cidadania

Não é fácil encontrar referências nos estudos sobre desenvolvimento que expliquem aquilo que a imprensa chama agora de "feel good factor". Se aceitarmos que o cidadão médio é mesmo um Homer Simpson, fica mais fácil afirmar que, para esse indivíduo medíocre, basta que se lhe ofereça a oportunidade de comprar uma televisão de tela plana, um computador e uma máquina de lavar roupa em trocentas prestações para que se manifeste em sua plenitude a sensação de bem-estar que, na suposição da imprensa, seria a plena e completa explicação da popularidade de Lula.

Mas até o mais obtuso entre os analistas sabe que a questão é mais complexa quando observamos o fenômeno da mobilidade social. Esse fenômeno sempre se relaciona a uma consciência de pertencimento, ao ingresso do cidadão em determinado contexto no qual ele se sente cidadão.

A imprensa deveria prestar muita atenção nesse cenário, porque, assim como a indústria do entretenimento, o turismo e outros setores da economia, o negócio da comunicação tem muito a ganhar quando se agrega ao mercado de consumo um contingente fabuloso como esse que é representado pela nova classe média brasileira.

Depois dos itens básicos de consumo que consolidam sua nova condição social, esse contingente da sociedade vai querer fazer sua primeira viagem de avião, vai visitar os parentes na cidade de origem e desembarcar gloriosamente no aeroporto local, e em seguida vai descobrir como é chique receber um jornal à sua porta pela manhã, ou chegar no fim do dia com o jornal dobrado embaixo do braço.

Por enquanto, o que as empresas de comunicação estão dando a ele é um jornal cheio de notícias de crimes, com fotos de mulher pelada e futricas do futebol.

Esse cidadão quer mais, ele se mira no seu igual que saiu de uma fábrica e se tornou presidente da República. Ele quer ver esse processo ser consolidado e quer ser reconhecido como cidadão de primeira classe. É isso que estão dizendo as pesquisas e não simplesmente um suposto "feel good factor".


Fonte: Observatório da Imprensa

sexta-feira, 13 de agosto de 2010

ÁSIA: Junta militar anuncia as primeiras eleições gerais de Mianmar em 20 anos

A junta militar que governa Mianmar anunciou nesta sexta-feira que realizará no dia 7 de novembro as primeiras eleições gerais do país em duas décadas.

A eleição será a primeira desde que o partido da líder pró-democracia do país Aung San Suu Kyi, a Liga Nacional Democrática (NLD, na sigla em inglês), venceu eleições por maioria esmagadora, em 1990.

A junta militar, que governa o país desde 1962, nunca permitiu que o partido de Suu Kyi assumisse o poder. O partido foi desmantelado e ela foi presa.

Críticos afirmam que a eleição será uma farsa, devido, principalmente, a leis eleitorais que favorecem as autoridades militares.

A nova Constituição do país reserva 25% do novo Parlamento às Forças Armadas, e vários dos partidos inscritos para a eleição também são vistos como partidos de fachada para os militares.

Intimidação

Suu Kyi, que passou os últimos 20 anos na cadeia ou em prisão domiciliar, não pode participar da eleição, devido às suas condenações na Justiça. Outros ativistas pró-democracia estão na mesma situação.

Pessoas com afiliações religiosas também não podem participar das eleições, o que descarta também os monges que lideraram protestos contra o governo em 2007.

Um partido não ligado ao governo denunciou à Comissão Eleitoral do país que seus integrantes estão sendo intimidados.

A lei eleitoral restritiva – que também proíbe passeatas que possam "danificar a imagem do país" – foi anunciada em março. Em protesto, o NLD se opôs à lei e anunciou um boicote às eleições. Em contrapartida, o partido foi extinto pelo governo em maio.

Desde então, outro grupo – a Força Democrática Nacional (NDF) – foi formado com ex-integrantes do partido e participará da eleição. O líder Than Nyein disse esperar que o pleito traga mudanças ao país. Outros 40 partidos deverão participar das eleições.

O anúncio da data foi feito em um breve pronunciamento da Comissão Eleitoral em rádio e televisão.

"Eleições gerais multipartidárias para o Parlamento do país acontecerão no domingo, sete de novembro", disse a comissão, no anúncio.


Fonte: BBC Brasil

quinta-feira, 12 de agosto de 2010

Veracidade subjetiva e a paz de espírito

Por Eugênio Bucci

"Twitter, my friends!"

Assim falou Plínio de Arruda Sampaio. E prosseguiu:

"É twitter! Eu sou o maior twittador agora."

Com essa conclamação, o candidato à presidência da República pelo PSOL intimou seus seguidores a "twittar" e entrar "diretamente" no debate político. Aos 80 anos de idade, vem esbanjando jovialidade – e não apenas quando demonstra familiaridade com certas modas tecnológicas. No debate da TV Bandeirantes, na quinta-feira (5/8), era ele o mais bem-humorado, o menos previsível, o menos careta. Plínio tinha mais frescor e mais presença de espírito. Roubou a cena, como disseram.

Nos dias subsequentes, comentários nos jornais encontraram uma explicação plausível para uma performance tão descontraída e desapegada: Plínio não tem nada a perder. Do alto de seu 1% nas pesquisas eleitorais, pode arriscar tudo, pois, mesmo perdendo tudo, não perderá grande coisa. E até poderá sair ganhando, ou seja, poderá ganhar simpatia, poderá marcar positivamente a imagem do PSOL como um partido que não tem nada a esconder. Se demonstrar que não está disposto a trocar voto por fingimento, ele tem chance de sair no lucro, mesmo que não conquiste voto.

A explicação parece óbvia, mas, no fundo, não dá conta de decifrar o fenômeno chamado Plínio de Arruda Sampaio (aliás, quanto ao sobrenome Arruda, ele faz piada, dizendo que não é "o Arruda do DEM", aquele tal, de Brasília, mas é "o Arruda do Bem"). Enfim, a explicação parece óbvia, mas é anêmica. O brilho particular dessa candidatura nanica não se deve simplesmente à condição daquele que, não tendo nada a perder, sai por aí bancando o franco atirador, como também já se disse. Ele não está fazendo o tipo "aventureiro feliz". Há mais elementos nessa história, há algo mais interessante aí. No meu modo de ver, Plínio se comunica bem porque está bem – em tempo, é justamente por isso que o tema me interessa, por se referir à qualidade da comunicação política entre um candidato e seu público –, porque está inteiro no que diz. Ele dá a sensação de não ter uma agenda oculta. Ele olha no olho do interlocutor e manda ver. Que outros candidatos podem se abrir da mesma forma?

É por aí que começo a minha discussão.

Sejamos acadêmicos...

É notório, notável e incrível como o candidato do PSOL está de bem consigo próprio. Ele é "o Plínio do bem", como brinca, e também o Plínio de bem. É por isso, também, que consegue olhar direto nos olhos da gente sem pestanejar, sem piscar, sem vacilar, e dizer o que pensa com naturalidade. Ele não tem rancor ou raiva; tem apenas determinação. E aí fazer essa conversa olho-no-olho – para usar aqui a expressão preferida do jornalista Celso Nucci, quando discorre sobre comunicação pública.

Não se pode afirmar que Plínio enuncie "a" verdade, uma vez que suas teses são, no mínimo, controversas, e às vezes carregam uma nostalgia utópica com toques de baile da saudade. Mas, de outro lado, não há dúvida de que ele fala "a sua" verdade, sem torcer nem edulcorar. Pode parecer pouco, mas isso o diferencia radicalmente dos outros. Nesse sentido, tenho a impressão que o diferencia não é tanto o programa, mas a postura pessoal, embora as duas coisas não se desvinculem por inteiro.

Quero me deter um pouco mais sobre isso de alguém falar "a sua" verdade, uma verdade na qual acredita sinceramente. Peço licença para um breve exercício de pedantismo. Vou citar um filósofo que andou em voga de algumas décadas para cá, Jürgen Habermas. Se o leitor vai se espantar, vai se abespinhar, vai falar "ah, assim não dá", o problema é do leitor. Eu vou citar Habermas assim mesmo.

A certa altura da sua Teoria da Ação Comunicativa, o filósofo alemão se refere à "veracidade subjetiva" como uma das características da fala do sujeito orientado para o entendimento. Tem a tal "veracidade subjetiva" aquele que expressa uma idéia que, em sua consciência, de boa fé, ele toma por verdadeira. Nesse caso, "a intenção expressada pelo falante coincide realmente com o que ele pensa", escreve Habermas. Poderíamos chamar a isso de honestidade intelectual; rigorosamente, a veracidade subjetiva seria apenas um dos aspectos daquilo que costumamos chamar de honestidade intelectual. Tanto que Habermas lista de três pretensões de validade a ser atendidas pelo cidadão que se orienta para o entendimento. As outras duas são a "retidão normativa" e a "verdade proposicional", das quais não vou me ocupar agora. Fiquemos, então, com esse requisito apenas, o da veracidade subjetiva, ou, em outras palavras, fiquemos apenas com essa parcela do que poderia ser a honestidade intelectual. Pronto. Fim da citação de Habermas.

... mas não sejamos tão complicados

A gente olha nos olhos apertados de Plínio de Arruda Sampaio e somos convidados a crer que ele crê na coincidência entre o que diz e o que pensa. Ele parece, no mínimo parece, acreditar que o que diz coincide com o que pensa. Não é pouco, não é mesmo. Ao vê-lo discursar, o espectador não se vê surpreendido pela desconfiança de que, em privado, ele diria algo diferente. Não há sinais de que ele nos esconda uma parte do que pensa. É fantástico.

Outra coisa, totalmente outra, é saber se o que ele diz é verdadeiro. Ou, em outras palavras, outra questão seria saber se, verdadeiramente, o que ele prega representa a melhor solução para o Brasil. Devo, nesse ponto, deixar bem claro o que penso – o que também não sei se é efetivamente verdadeiro, mas ao menos é o que penso que penso. Devo declarar que, a meu juízo, as teses do PSOL nem sempre conjuminam com os desafios postos por essa outra categoria discursiva, essa tal a que damos o nome de realidade. Respeito, respeito muito alguns dos integrantes do PSOL, como o deputado federal Chico Alencar, entre outros, mas não me vejo sinceramente convencido das propostas que os unificam. Por vezes, tenho a impressão de que eles habitam outro planeta, e, nessas horas, repito comigo mesmo que o pessoal do PSOL vive no mundo da PLUA.

O que não importa. Não estou aqui para julgar que carta-programa é melhor, a desse partido ou daquele outro. Não sou comentarista político, nem cabo eleitoral de um ou outro. Falo sobre comunicação, ou, ao menos, procuro falar sobre isso e ser útil aos interessados no assunto. O meu ponto é procurar entender por que um dos candidatos, o Plínio de Arruda Sampaio, consegue uma comunicação com o público que, se não leva à cooptação e ao voto, se não serve para ganhar a eleição, ao menos inspira confiança, não no enunciado, mas no enunciante (sim, a palavra não existe no dicionário, mas você entendeu).

Se é verdade que, ouvindo o Plínio, a gente, ainda que não concorde com o que ele diz, tende a acreditar que ele acredita no que diz – e, logo, acredita que ele não está tentando nos tapear –, temos aí um ponto que merece atenção. Ele nos propõe um jogo limpo, e por isso se sobressai. Ele não é o que é por não ter nada a perder, mas talvez por não ter nada a esconder. Aí está sua veracidade subjetiva, uma condição que quase nunca a gente encontra num político.

Eu vi o debate na Bandeirantes. Senti sono, mas resisti. Às vezes, tive a sensação de que ele, o Plínio, funcionava como um anti-ponto-de-fuga em geometria. O ponto de fuga, sabemos, é aquele que, sem estar incluído nos quadrantes e na superfície que encerram o desenho, funciona para organizar as retas e semi-retas na folha de papel. É aquele para o qual convergem as linhas da perspectiva. O anti-ponto-de-fuga é o oposto disso, mas ainda funciona como a referência a partir da qual podemos compreender as inclinações dos demais. Na arena do debate, ele nos ajudava a entender a lógica dos outros, os que têm chances de vencer o pleito. Atuando no "espaço off", servia para realçar os contrastes. Em lugar de representar o ponto para o qual as linhas convergem, representava o ponto do qual elas divergem. Plínio era o coro crítico daquele teatro, era um ET mais outsider que os jornalistas que fizeram perguntas.

Alguém dirá que todos os fundamentalistas são assim. Fechados em seus princípios supostamente puros, eles não concedem nada, nunca, e seguem adiante, possuídos pelo gozo de se supor prenhes da verdade absoluta. Eles nada têm a esconder, também, e em seus olhos se nota a luz desinteressante do fanatismo. Mas não é disso que se trata, aqui. Existe o elemento do humor, bastante acentuado, na comunicação de Plínio de Arruda Sampaio – e humor é algo que não se mistura com fanatismo e ou fundamentalismo.

A certa altura do debate, Plínio fez piadas a respeito do "bom-mocismo" dos outros três debatedores, e eu fiquei pensando nele como uma forma de "bom-velhismo", o bom-velhismo que é seu nirvana total. Com seu 1%, ele, que é católico, está no seu auge espiritual. Não precisa de mais do que isso para estar feliz. Ele se realiza e, sem ponta de culpa, se diverte largamente. Ele está lá por missão, é verdade. Mas também está lá a passeio. Eis aí outro aspecto que distingue a comunicação que ele é capaz de pôr em marcha.

Eu via o debate, pensava nisso, pensava em bom-velhismo, pensava em Habermas, pobre de mim, e pensava que teria um artigo para escrever, pobre de você. Pensava na comunicação olho-no-olho com Plínio. Não penso o que ele pensa. Não concordo com o que ele enuncia. Mas, mesmo assim, vejo nele um homem em paz de espírito. Ele não é fanático, não é um profeta dos fanáticos, é apenas um ego tranqüilo, que, mais do que não ter nada a perder, não deve nada a ninguém.

Conheço Plínio de Arruda Sampaio de outros carnavais, de outras quaresmas, de outras procissões. Nunca o admirei tanto como agora.


Fonte: Observatório da Imprensa

Dilma terá 10 minutos do horário eleitoral; Serra, 7 e Marina, 1

Por Carol Pires, de Brasília

A coligação “Para o Brasil seguir mudando”, da candidata do PT à Presidência, Dilma Rouseff, terá 10 minutos e 38 segundos de cada um dos dois blocos de 25 minutos do horário eleitoral gratuito que irá ao ar a partir do próximo dia 17, terça-feira, na TV e no Rádio.

O horário eleitoral funciona como uma espécie de vitrine dos presidenciáveis para o eleitorado, que se informa, na maioria, por meio da TV e do Rádio. As inserções ocorrerão sempre às terças, quintas e sábados até 30 de setembro. O tempo de TV e Rádio de cada coligação foi divulgado nesta quinta-feira, 12, pelo Tribunal Superior Eleitoral (TSE).

José Serra (PSDB), da coligação “O Brasil Pode Mais”, ficou com o segundo maior tempo do horário: sete minutos e 18 segundos. Marina Silva, do PV, terá um minuto e 23 segundos. O PSOL, do candidato Plínio de Arruda Sampaio, terá um minuto e um segundo.

Os demais cinco candidatos à Presidência terão 55 segundos de tempo na TV e no Rádio. São eles: Rui Costa Pimenta (PCO), José Maria de Almeida (PSTU), José Maria Eymael (PSDC), Levy Fidelix (PRTB) e Ivan Pinheiro (PCB).

A ordem de aparição dos candidatos no horário eleitoral foi definida por sorteio, no início do mês, pelo Tribunal Superior Eleitoral, e ficou assim, seguindo do primeiro ao último: José Serra, Plínio de Arruda Sampaio, Rui Costa Pimenta, José Maria de Almeida, Dilma Rousseff, José Maria Eymael, Levi Fidelix, Marina Silva e Ivan Pinheiro.


Fonte: Estadão

segunda-feira, 9 de agosto de 2010

Eleitor, o grande ausente na cobertura da campanha eleitoral de 2010

Por Carlos Castilho

Segundo os valores democráticos convencionais, os eleitores são os grandes atores de uma votação, pois esta seria a sua principal oportunidade para influir nos destinos do país. Pelo menos é isto que dizem os livros, mas, na prática, as campanhas eleitorais foram transformadas em competições em que o importante é saber quem está na frente e quem tem chances de ganhar.

É a velha imagem da corrida de cavalos, criada pela imprensa norte-americana há mais de 50 anos e que continua válida até hoje, tanto lá como cá. Esta simplificação extrema do processo eleitoral é uma conseqüência direta das estratégias dos candidatos e da política editorial da imprensa — que invariavelmente reduz a cobertura da campanha à briga pela pole position nas pesquisas de intenção de voto.

O resultado é o abandono, em maior ou menor escala, da informação sobre as posições, preocupações e desejos dos eleitores. É raríssimo encontrar um jornal, revista, emissora rádio ou TV que vá às comunidades sociais para investigar o que elas estão pensando, abra espaços para os debates que acontecem dentro delas e crie uma interface entre o público e os candidatos.

O resultado é que o eleitor acaba por sentir-se um mero espectador num processo em que ele deveria ser o protagonista, se fosse levada em conta a retórica democrática. Daí uma das mais prováveis razões do desinteresse crescente do cidadão pelas eleições, vistas cada vez mais como mais do mesmo.

Na última metade dos anos 1990 houve uma tentativa de reduzir a apatia e a abstenção eleitoral nos Estados Unidos por meio de um projeto chamado Jornalismo Cívico, nascido no meio universitário e que depois obteve recursos do Centro Pew e a adesão de cerca de 30 jornais regionais norte-americanos.

A proposta era simples. Em vez de cobrir os candidatos, os jornais passaram a dar espaços para as comunidades urbanas expressarem opiniões sobre os seus problemas, sobre a campanha e os partidos. Além disso, jornais começaram a promover audiências públicas para as quais os candidatos eram convocados a discutir com a população uma agenda montada pelos repórteres e editores.

O Centro Pew de Jornalismo Cívico (hoje inativo) chegou a colocar 10 milhões de dólares no projeto que tinha como principal referencial as eleições presidenciais norte-americanas de 1996 e de 2000. Mas, apesar dos esforços da fundação, de intelectuais como o professor de jornalismo Jay Rosen e dos editores de jornais, a proposta do jornalismo cívico acabou não prosperando.

Houve uma forte oposição dos grandes jornais como The New York Times, The Washington Post e Wall Street Journal, que rotularam o projeto como um envolvimento indevido do jornalismo na política, contrariando as normas de isenção e imparcialidade. Houve muito debate, mas acabou prevalecendo a tendência do não envolvimento com os eleitores, a pretexto de preservar a independência das redações.

Hoje esses argumentos perderam boa parte de sua consistência na medida em que os eleitores começam a encontrar outros meios, como os blogs, twits, comunidades sociais e fóruns online, para expressar suas preocupações e apatia diante de mais uma edição da corrida eleitoral protagonizada por candidatos, tribunais e pela imprensa, aqui no Brasil.

Mantendo-se fiel à rotina, os jornais perdem uma oportunidade única para procurar uma aproximação com os eleitores num momento em que cresce o número de jovens que abandonam a mídia convencional como fonte de informações. A opção preferencial pela cobertura dos candidatos feita pela maioria dos jornais brasileiros parece mais vinculada à rotina interna e uma vinculação atávica com a disputa pelo poder, do que por uma atitude lógica.

A imprensa precisa do público para sobreviver como negócio, mas evita uma alternativa como o jornalismo cívico que poderia melhorar a sua imagem diante dos eleitores, especialmente os mais jovens, a um custo quase zero em relação às estratégias editoriais já em curso para a cobertura da campanha de 2010.

Fonte: Observatório da Imprensa

sexta-feira, 6 de agosto de 2010

25 pessoas aguardam execução por apedrejamento no Irã, estima ONG

Por Arícia Martins

SÃO PAULO - Além de Sakineh Mohammadi Ashtiani, de 43 anos, condenada à morte acusada de adultério e por supostamente conspirar para o homicídio do marido, outras 25 pessoas, entre homens e mulheres, aguardam pena de morte por apedrejamento no Irã, segundo o Comitê Internacional Contra Apedrejamento, ONG que monitora execuções deste tipo na República Islâmica.

Segundo a ativista iraniana Mina Ahadi, coordenadora do comitê, podem haver 50 pessoas esperando serem apedrejadas no país. Segundo outra ONG, a Campanha Global pelo Fim da Morte de Mulheres por Apedrejamento (SKSW Campaign, na sigla em inglês), desde 2006, sete pessoas morreram deste modo no país.

O sistema judiciário iraniano considera ilegal que cidadãos monitorem suas ações. Por isso, organizações de direitos humanos têm dificuldade em saber quantas pessoas estão atualmente esperando a sentença de apedrejamento, e quantas morreram desse modo nos últimos anos.

Além disso, para não despertar protestos, o Judiciário executa os condenados em segredo, em locais remotos ou mesmo nas prisões. Em alguns casos, os corpos nem mesmo são retornados às famílias.

Este tipo de sentença não é compatível com a cultura do Irã, cuja população condena essas execuções, dizem as ONGs. Segundo Ahadi, no passado os apedrejamentos eram públicos, mas nos últimos anos essa prática se tornou velada. A ativista conta que haviam casos em que as pessoas presentes na execução pegavam pedras do chão e as jogavam contra as autoridades do governo e autoridades religiosas presentes.

O próprio termo "apedrejamento" é proibido na imprensa iraniana, para evitar protestos. O caso de Sakineh só veio à tona no país depois que ganhou repercussão na comunidade internacional. Seu advogado, Mohammad Mostafaei, escreveu um artigo em seu blog clamando pela vida da cliente. Dias depois, o presidente Luiz Inácio Lula da Silva ofereceu o Brasil como 'asilo humanitário' para a iraniana, o que foi descartado pelo governo.

Onde é aplicada

O apedrejamento está previsto na lei islâmica, a Sharia, para punir tanto mulheres como homens adúlteros e homossexuais. Alguns países muçulmanos, como o Irã, o Sudão e a Nigéria instituíram esta visão radical do Islã em seu sistema judicial. A prática resiste também no Afeganistão e no Paquistão, que já aboliram esta pena.

Nesses países, a pena é raramente aplicada pelo Estado, o que não significa que pessoas não sejam apedrejadas até a morte. Encorajadas pela Sharia, comunidades aplicam o apedrejamento como uma forma de fazer justiça com as próprias mãos, e mulheres que, ao contrário de Sakineh, não tiveram sequer um julgamento, morrem em silêncio, muitas vezes pelas mãos dos homens da própria família.

A pena de morte por apedrejamento voltou a ser imposta no Irã após a Revolução Iraniana de 1979, quando o país passou a ter um regime teocrático islâmico. Desde então, 109 pessoas morreram apedrejadas, segundo o Comitê Internacional Contra Apedrejamento. Mesmo que o judiciário iraniano regularmente suspenda as execuções por apedrejamento, frequentemente os condenados são executados de outras maneiras, como na forca.

Dificuldades legais

As mulheres são mais propensas a ser acusadas de adultério no Irã porque elas não podem requerer o divórcio, ao contrário de seus maridos, que podem o fazer quando estiverem insatisfeitos. Além do homem ter o direito de se casar com cinco mulheres, ele também pode manter relações sexuais com uma mulher solteira por meio do "casamento temporário".

Essa opção legal não existe para as mulheres, que só podem ter relações dentro do casamento, mesmo após a morte de seu marido. Assim, se uma mulher se relacionar com outro homem, e ainda não for casada com ele, mesmo sendo viúva, como Sakineh, estará cometendo o crime de adultério.

As mulheres também são desfavorecidas na própria aplicação da pena. Em alguns casos, se o condenado a apedrejamento conseguir escapar durante a execução da sentença, pode ser libertado. No entanto, o artigo 102 do Código Penal Islâmico iraniano determina que os homens que serão apedrejados devem ser enterrados até a cintura, ao passo que as mulheres devem ser cobertas até a altura do peito, o que dificulta a sua fuga.

Segundo o artigo 106 do código, as pedras não podem ser grandes o suficiente para matarem a pessoa em um ou dois golpes, nem muito pequenas.

Enfrentar a Justiça é outro desafio para as mulheres iranianas. Em Estados onde o apedrejamento é previsto na lei, o adultério precisa ser provado na corte por quatro testemunhas oculares apenas homens ou três homens e duas mulheres. O crime também pode ser provado por meio de quatro confissões separadas do acusado perante o juiz.

O artigo 105 da lei iraniana, no entanto, prevê que uma pessoa pode ser condenada por adultério com base na "intuição" ou "conhecimento" do magistrado responsável pelo caso, o que dá brecha para julgamentos arbitrários. Sakineh foi condenada por adultério com base no "conhecimento" de três juízes.

O que diz o Corão

Apesar de não haver menção ao apedrejamento no Alcorão - que estipula a pena de cem chibatadas ou de prisão perpétua para adúlteros - defensores deste tipo de condenação afirmam que ela está no Hadith, uma compilação sagrada de leis, lendas e histórias sobre Maomé e, por isso, faz parte da Sharia, a lei muçulmana.

No entanto, não há consenso na comunidade islâmica sobre a validade da prática do apedrejamento. Em 2002, o então chefe do Judiciário iraniano, o aiatolá Mahmoud Hashemi-Shahroudi, ordenou a suspensão das execuções por apedrejamento. Contudo, juízes locais ainda podem ordenar apedrejamentos, enquanto as leis não forem integradas.


Fonte: Estadão

quinta-feira, 5 de agosto de 2010

Diferença de Dilma sobre Serra sobe para 10 pontos porcentuais, aponta CNT/Sensus

Por Carol Pires

A vantagem da candidata do PT à presidência da República, Dilma Rousseff, sobre o adversário do PSDB, José Serra, passou de 2 para 10 pontos percentuais na pesquisa Sensus divulgada nesta quinta-feira, 5, pela Confederação Nacional dos Transportes (CNT).

Dilma aparece, nesta pesquisa, com 41,6% das intenções de voto contra 31,6% do candidato tucano. Marina Silva, do PV, tem 8,5%. A pesquisa foi feita entre os dias 31 de julho a 2 de agosto com 2 mil pessoas de todo o país. A margem de erro é de 2% para mais ou para menos.

Zé Maria, do PSTU, tem 1,9% das intenções de voto. Plínio de Arruda Sampaio, do PSOL, 1,7%. José Maria Eymael (PSDC) aparece com 0,5%, Ivan Pinheiro (PCB), Levy Fidelix (PRTB) e Rui Costa Pimenta (PCO) aparecem com 0,1% cada. Brancos e nulos somam 3,4% e 10,9% não souberam responder.

Na última pesquisa CNT/Sensus, divulgada há três meses, Dilma tinha 35,7%, José Serra 33,2%, e Marina Silva 7,3%. O resultado foi considerado empate técnico entre os candidatos do PT e do PSDB.

Segundo turno

A CNT também apurou um cenário em que Dilma e Serra disputariam o segundo turno. Neste caso, a petista venceria com 48,3%, contra 36,6% do tucano. Brancos e nulos seriam 5,7% e 9,6% não souberam responder. Na última pesquisa, em maio, Dilma tinha 41,8% e Serra 40,5%. Em janeiro, o candidato do PSDB ainda aparecia como vencedor do segundo turno com 44% contra 37,1% de Dilma.

Caso Marina Silva disputasse o segundo tuno com Dilma, a vitória da petista seria ainda maior: 55,7% contra 23,3%. 9,4% votariam em branco ou nulo e 11,7% não souberam responder. Em maio o placar tinha ficado em 51,7% contra 21,3%.

Na última lista, Marina Silva disputaria o segundo turno com José Serra. Neste caso, sairia eleito o candidato do PSDB com 50% contra 27,8% da candidata verde. Nesse cenário, brancos e nulos somam 9,9% e indecisos, 12,4%. Em maio este cenário era: 50,3% x 24,3%.

Espontânea

Na pesquisa espontânea - quando o entrevistado responde em quem pretende votar para presidente sem ter os nomes dos candidatos disponíveis – a maioria, 30,4%, respondeu que votará em Dilma Rousseff. José Serra foi lembrado por 20,2% dos entrevistados e Marina Silva por 5%. O presidente Lula, que não pode disputar um terceiro mandato, também foi citado por 5%.

Rejeição

A candidata do PT à presidência, Dilma Rousseff, tem 63,4% na lista da pesquisa CNT/Sensus que aponta o limite de voto dos candidatos. Nesta opção, Dilma foi apontada como única candidata em quem o entrevistado votaria por 34,6% e como candidata que "poderia votar" por 28,8%. A taxa de rejeição dela é de 25,3%. Em maio, Dilma tinha 60% de teto de voto e 26,1% de rejeição.

A maior taxa de rejeição é de José Serra: 30,8%. Em maio era de 29,5%. Em contrapartida o limite de votos dele, entre os que o tem como único candidato ou possível candidato, é de 58,1%, contra 61,5% apurados em maio. Marina Silva tem teto de votos de 51,6% e taxa de rejeição de 29,7%. Em maio esses índices eram de 43,6% e 34,4%.

Apesar de Dilma Rousseff ser apontada como candidata de 41,6% dos entrevistados da pesquisa CNT/Sensus, é maior o número de eleitores que acreditam na vitória dela: 47,1%. José Serra, apontado como candidato de 31,6%, é citado como provável vitorioso das eleições por 30,3%. Marina Silva deve ser eleita para 2,2% dos entrevistados. Ela é indicada como candidata por 8,5%.

Fonte: Estadão

sexta-feira, 30 de julho de 2010

A web ajuda ou atrapalha o debate pré-eleitoral?

Por Carlos Castilho

Faltando pouco mais de 60 dias para as eleições deste ano, o que surpreende é o baixo indice de participação do público na campanha eleitoral. A reação espontânea da maioria das pessoas é ver o pleito como uma coisa dos políticos e, secundariamente, como uma obrigação cidadã.

Trata-se de uma mudança significativa em relação a eleições recentes — e como a web é um componente novo na campanha, é inevitavel a pergunta se ela tem alguma coisa a ver com este fenômeno.

Como experiência brasileira com politica digital ainda é muito recente, precisamos recorrer a dados de outros paises para procurar uma resposta tentativa; e a primeira constatação é a de que a imprensa convencional já não é mais o único canal de comunicação entre os eleitores.

Até agora, os jornais e a televisão eram hegemônicos na mediação entre os candidatos e o público. Agora, existem os blogs, o Twitter, os videos do YouTube e as comunidades do Orkut.

A web ainda é privilégio de uma minoria de brasileiros, mas ela cresce aceleradamente em dois segmentos com influência crucial nas tendências de voto: na classe A e entre os jovens. Ao contrário dos Estados Unidos, Inglaterra e Alemanha, onde o percentual de eleitores conectados à internet já passa dos 50% da população, aqui ficamos abaixo dos 25%, o que ainda é pouco significativo em termos absolutos.

Mas a classa A tem um grande poder de inhfluência na fixação da agenda dos meios de comunicação, enquanto os jovens com menos de 25 ou 30 anos formam o maior contingente dos eleitores céticos, aqueles que estão cada vez mais distantes do processo convencional de caça ao voto e que são majoritários no universo dos blogs, twits, chats, videos amadores e comunidades sociais.

As novas ferramentas de comunicação na web têm características diferenciadas em relação à imprensa convencional e devem ser levadas em conta na avaliação de sua influência sobre a campanha eleitoral.

Os blogs, twits, fóruns e comunidades são basicamente ambientes de discussão e de troca de idéias, ao contrário dos jornais e da TV, cuja função é essencialmente a de mediação entre os partidos ou candidatos e o eleitor. Enquanto o ambiente digital é, por natureza, confuso e desordenado, o papel da imprensa é o de organizar a informação.

Esta diferença, por si só, determina papéis bem diferentes na disputa eleitoral. Enquanto os blogs favorecem a diversidade, os jornais são, por limitações espaciais e técnicas, forçados a uniformizar e padronizar a realidade eleitoral para poder levá-la até o eleitor.

A web tende a funcionar como refúgio dos desiludidos, e como grande caixa de ressonância dos eleitores apáticos, enquanto a imprensa convencional serve de foro para os participantes do jogo do poder.

São duas realidades diferentes e o fato de elas existirem já é um fato novo transcendental no processo eleitoral. Ele não está mais sendo decidido apenas na mediação da imprensa tradicional, mas também no caos dos blogs e dos twits.

Quem analisa a campanha pela ótica da mídia tradicional tende a desqualificar os canais da web como agentes perturbadores da ordem. Mas acontece que são justamente os blogs, o Twitter, os vídeos amadores e as comunidades do Orkut que tornam o debate eleitoral mais próximo da realidade social, ao espelharem minimamente a diversidade social.

Fonte: Observatório da Imprensa

quinta-feira, 29 de julho de 2010

Senadores põem na campanha assessores pagos pelo Congresso

Por Leandro Colon

Uma tropa de cabos eleitorais pagos pelo Senado está trabalhando na campanha dos senadores candidatos nos Estados. São assessores que, oficialmente, deveriam apenas cumprir expediente nos gabinetes, mas estão nas ruas pedindo voto, coordenando e ajudando na corrida eleitoral dos parlamentares.

Levantamento feito pelo Estado identificou uma intensa transferência de servidores registrados em Brasília para os redutos eleitorais dos senadores e a reportagem flagrou assessores que recebem salário do Senado atuando na campanha.

A reportagem constatou que, dos 53 senadores que disputam as eleições, 33 aumentaram o quadro de servidores de confiança entre julho de 2009 e julho de 2010 e transferiram a maioria para os Estados. Quem não aumentou adotou a segunda manobra e tirou seus funcionários de Brasília. Só nos últimos 23 dias, desde o início oficial da campanha, 53 assessores foram realocados, segundo dados do sistema interno de Recursos Humanos, para os "escritórios de apoio" dos senadores, entre eles os dos candidatos Renan Calheiros (PMDB-AL), Marcelo Crivella (PRB-RJ), Heráclito Fortes (DEM-PI), Marconi Perillo (PSDB-GO) e Paulo Paim (PT-RS). Desde início de fevereiro, foram cerca de 175, uma média de uma transferência por dia.

Os senadores aproveitaram a calmaria no Congresso - serão realizadas apenas duas semanas de votações até as eleições de outubro - para esvaziar seus gabinetes em Brasília. Hoje, há cerca de 1,1 mil assessores espalhados pelo País recebendo salários do Senado sem nenhum tipo de fiscalização por perto que os impeça de atuar como cabos eleitorais.

Velho hábito. O Senado regulamentou no ano passado a antiga prática dos senadores de ter assessores de confiança nos escritórios regionais com um controle de frequência quase nulo. A campanha eleitoral deste ano é a primeira em que é possível saber o número oficial de funcionários do Senado à disposição dos parlamentares nos Estados durante a disputa, uma vantagem estrutural em relação aos demais adversários.

Candidato a governador do Paraná, Osmar Dias (PDT) tem apenas três servidores oficialmente registrados em Brasília, informação confirmada ontem pela reportagem em visita a seu gabinete. Outros 21 estão como assessores no Estado.

Primeiro-secretário do Senado e candidato à reeleição, Heráclito Fortes colocou 25 servidores no Piauí e deixou apenas 8 em Brasília.

Vice-presidente da Casa e de olho na eleição para governador, o tucano Marconi Perillo deslocou 25 assessores para Goiás e manteve apenas quatro no Senado. Os campeões são Efraim Morais (DEM-PB) e Mão Santa (PMDB-PI). O paraibano tem, oficialmente, 52 servidores lotados em seu Estado durante a campanha, enquanto o peemedebista conta com 34.

Em Santa Catarina, os dois senadores postulantes ao governo encheram seus escritórios de apoio no Estado. Dos 26 assessores de Raimundo Colombo (DEM), 20 trabalham em Santa Catarina. Entre os 22 funcionários de Ideli Salvatti (PT) no Estado está Claudinei do Nascimento. Além de secretário de finanças do diretório do PT, é um dos coordenadores de campanha de Ideli.

Oficialmente, recebe salários do Senado como assessor no escritório de apoio dela, que tirou licença durante a campanha.

São Paulo. Os dois senadores paulistas que disputam a eleição de outubro têm mais assessores nos Estados do que em Brasília. Candidato ao governo, Aloizio Mercadante (PT) tem 16 servidores em São Paulo e apenas cinco no Congresso. Já Romeu Tuma (PTB) goza dos serviços de 15 funcionários por perto. O senador Marcelo Crivella (PRB-RJ) faz parte do grupo que tem transferido assessores para o Rio nos últimos meses. São 20 até o momento ao lado do parlamentar.

Um dado curioso: o senador Antônio Carlos Valadares (PSB-SE) não tem nenhum funcionário lotado em Brasília, mas 29 estão em seu Estado. A artimanha foi colocar servidores que vivem na capital federal como funcionários da liderança do PSB - o regimento permite que apenas gabinetes de senadores tenham assessores nos Estados. O presidente nacional do PT, José Eduardo Dutra, é o suplente na chapa de Valadares ao Senado.

O líder do governo no Senado, Romero Jucá (PMDB-RR), pôs 16 assessores em Roraima, enquanto o presidente do PSDB, Sérgio Guerra (PE), terá, durante a campanha para deputado federal, 21 servidores em Pernambuco. Seu aliado e candidato a governador, senador Jarbas Vasconcelos (PMDB), deixou apenas sete assessores em Brasília e lotou 19 no Estado.

Fonte: Estadão

quarta-feira, 28 de julho de 2010

TV é a principal fonte de informação dos eleitores

Por Uirá Machado

A televisão é o principal meio de comunicação utilizado pelos eleitores brasileiros para se informar sobre os candidatos que disputam as eleições neste ano.

Segundo o Datafolha, 65% dos entrevistados afirmam que a TV é a mídia preferida para obter informações.

Os jornais aparecem em segundo lugar, com 12% de preferência, e a internet e o rádio vêm em terceiro, com 7% cada um. Conversas com amigos ou familiares são apontadas por 6%.

INTERNET


Nas eleições presidenciais dos Estados Unidos, em 2008, segundo informações do Pew Research Center, instituto de pesquisa americano, a internet era a principal fonte de informação de um quinto do eleitorado do país.

No Brasil, a popularidade da rede é baixa mesmo quando o Datafolha pede para os entrevistados citarem três meios de comunicação usados para se informar: 27% mencionam a internet, que fica atrás de conversas com amigos e familiares (32%).

A TV é lembrada por 88% e continua em primeiro lugar. Em segundo vêm os jornais, com 54%, e rádio aparece em terceiro, com 52%.

O Datafolha ouviu 10.905 eleitores em 379 municípios de todo o país (exceto Roraima). A margem de erro da pesquisa é de dois pontos percentuais.

SEGMENTOS

Entre os principais candidatos à Presidência, a internet tem maior penetração entre os eleitores de Marina Silva (PV): 11% dizem que a rede mundial de computadores é a principal fonte de informação, contra 7% dos que têm intenção de votar em José Serra (PSDB) e 7% dos que afirmam querer votar em Dilma Rousseff (PT).

Acima da média nacional, 70% dos nordestinos afirmam que a TV é a principal fonte de informação sobre os candidatos, e os moradores do Sudeste são os que menos preferem essa mídia (60%).

A TV é também o veículo mais citado pelos mais pobres: 68% entre os que têm renda familiar mensal acima de dois salários mínimos, em contraposição aos 47% dos que ganham acima de dez salários mínimos.

O jornal, por sua vez, tem maior penetração entre os mais ricos: 24% dos que têm renda familiar mensal acima de dez mínimos.

O melhor desempenho da internet ocorre entre os mais escolarizados (20% entre os que têm ensino superior), os mais ricos (18%) e os mais jovens (14% dos que têm de 16 a 24 anos).

Editoria de Arte/Folhapress


Fonte: Folha.com

segunda-feira, 26 de julho de 2010

Ex-Assessor de Clinton e Membro do Bilderberg: Apenas um ataque terrorista pode salvar Obama

Por Paul Joseph Watson

Um ex-assessor sênior do presidente Bill Clinton afirmou que a única coisa que poderia salvar o controle do poder cada vez mais fraco de Barack Obama, em um momento que seus índices de aprovação continuam a cair desastrosamente, é um ataque terrorista na mesma escala de Oklahoma City ou do 11 de Setembro, um outro lembrete chocante que tais eventos apenas servem para beneficiar aqueles em posição de autoridade.

Perdido em meio um artigo do Financial Times sobre como a crise de credibilidade de Obama vem crescendo e dos medos em nome dos democratas de que eles podem perder não só a Casa Branca, mas também o Senado aos republicanos, Robert Shapiro deixa claro que Obama está contando com uma surpresa de outubro no forma de um ataque terrorista para salvar sua presidência.

"A ponto principal aqui é que os americanos não acreditam na liderança do presidente Obama", disse Shapiro, acrescentando: "Ele tem que encontrar alguma maneira entre agora e novembro de demonstrar que ele é um líder que pode comandar a confiança e, um fora um evento de proporções como do 11 de setembro ou um bombardeio de Oklahoma, não sei como ele poderia fazer isso."

O aviso mascarado de Shapiro não deve ser menosprezado. Ele foi subsecretário de Comércio para a posse dos Assuntos Econômicos no mandato de Clinton e também atuou como principal consultor econômico de Clinton em sua campanha de 1991-1992. Shapiro é agora diretor da Iniciativa de Globalização da NDN e também presidente da Força Tarefa do Clima. Ele é um globalista proeminente que compareceu a várias reuniões do grupo Bilderberg na última década.

Shapiro está claramente comunicando a necessidade de um ataque terrorista ser lançado, a fim de dar a Obama a oportunidade de unir o país em torno de sua agenda, em nome da luta contra os terroristas, assim como o presidente Bush fez na sequência do 11 de setembro, quando o seu índice de aprovação subiu de cerca de 50%, para bem acima de 80%.

Do mesmo modo, Bill Clinton foi capaz de extinguir uma rebelião anti-incumbente (voto exercido contra os oficiais elegidos em poder, como forma de mostrar descontentamento) que se formava em meados da década de 1990, explorando o bombardeio de Oklahoma para demonizar seus inimigos políticos como extremistas de direita. Como Jack Cashill aponta, Clinton "chegou a Oklahoma City com um índice de aprovação por volta de 40% e deixou a cidade com um índice bem acima dos 50 e com a revolução republicana enterradas nos escombros."

Uma febre anti-incumbente está dominando o clima político mais uma vez, com os democratas enfrentando sérios desafios dos candidatos do Tea Party (partido que era inicialmente libertário e que é cada vez mais infiltrado), pessoas como o líder da maioria democrata no Senado, Harry Reid, que tem uma batalha em suas mãos contra Sharron Angle, uma candidata que a mídia corporativa tentou demonizar como uma extremista de direita porque apoia medidas populistas como a remoção de fluoreto de sódio do abastecimento de água e suporta o Oath Keepers, uma organização centrada na defesa dos direitos dos estados e da Constituição dos EUA.

Somente através da exploração de um ataque terrorista interno que podesse ser atribuído aos "radicais de direita" é que Obama pode esperar reverter a onda de candidatos anti-incumbentes que ameaçam diluir drasticamente o monopólio do poder dos candidatos do establishment (ordem dominante) de ambos os principais partidos políticos em Washington.

Shapiro é de modo algum o primeiro a assinalar que os ataques terroristas em solo americano ou mesmo em qualquer lugar do mundo servem apenas para beneficiar aqueles em posições de poder.

O apresentadir da CNN Rick Sanchez admitiu em seu show esta semana que os bombardeios mortais em Uganda, que mataram 74 pessoas foram "úteis" para a agenda do complexo militar-industrial para expandir a guerra contra o terrorismo na África.

Durante os últimos anos da presidência de Bush, o secretário da Defesa Donald Rumsfeld devaneou com a cúpula do Pentágono o suporte decrescente do congresso americano para expandir a guerra contra o terror poderia ser corrigida com a ajuda de outro ataque terrorista. O áudio confidencial foi liberado através do Freedom of Information Act e pode ser ouvido aqui.

Tenente-Coronel Doug Delaney, presidente do programa de estudos de guerra no Royal Military College, em Kingston, Ontario, disse ao jornal The Toronto Star em julho de 2007 que "A chave para o reforçar a determinação do mundo ocidental (em participar da guerra) é um outro ataque terrorista como o de 11 de setembro ou os atentados de Londres de dois anos atrás".

O sentimento também foi explicitamente expressa em um memorando do Partido Republicano de 2005, que ansiava por novos ataques que "validariam" a guerra do presidente contra o terror e "restaurariam a sua imagem como líder do povo americano."

Em junho de 2007, o presidente do Partido Republicano do Arkansas Milligan Dennis disse que era necessário mais ataques em solo americano para o presidente Bush recuperar a aprovação popular.

Dado o fato de que um ataque terrorista em solo americano servirá apenas para resgatar a presidência decadente de Barack Obama, e vai fazer absolutamente nada para atingir os objetivos dos chamados "extremistas de direita" em quem o ataque será responsabilizado, quem devemos suspeitar de serem os organizadores por trás de tais atos de terror? Certamente não Rahm Emanuel, o mestre de marionetes de Obama, o filho de um terrorista israelense que ajudou a explodir bombas em hoteis e praças, e o homem que disse uma vez: "Você nunca quer desperdiçar uma grave crise.... Uma oportunidade de fazer coisas que você achou que você não poderia fazer antes."

Sem dúvida, as primeiras pessoas que devemos suspeitar como culpados no caso de um ataque terrorista doméstico nos Estados Unidos são os indivíduos por trás de Obama, globalistas que estão desesperados para neutralizar o crescente sucesso dos movimentos populares que vem criando uma onda de aumento ressentimento contra o governo como uma forma de obtenção de poder político real.

Fonte: Centro de Mídia Independente