quinta-feira, 9 de dezembro de 2010

Início do conteúdo Hackers intensificam ataques contra sites 'inimigos' do WikiLeaks

Redação Estadão

Em manifesto, Anonymous negou que hacker Coldblood seja seu porta-voz

O grupo de hackers chamado Anonymous ("anônimo", em inglês) está intensificando sua guerra às empresas que deixam de prestar serviços ao site WikiLeaks.

Entre os alvos do grupo, estão empresas como Mastercard, Visa e Paypal, que deixaram de permitir doações ao WikiLeaks - site especializado em divulgar documentos governamentais confidenciais.

O site e o seu fundador, Julian Assange, vêm sofrendo uma forte pressão internacional, principalmente por parte dos Estados Unidos, desde que começaram a divulgar um pacote de mais de 250 mil mensagens diplomáticas secretas americanas, desde o fim de novembro.

Assange está detido em Londres, depois que um pedido internacional de prisão foi expedido contra ele pela Interpol. Ele é acusado de estupro e abuso sexual por duas mulheres suecas.

"Bombardeio" de sites

Os ataques são realizados com a ferramenta LOIC, desenvolvida pelos hackers. O software já foi baixado mais de 31 mil vezes desde o início dos problemas envolvendo o WikiLeaks.

Quando uma pessoa instala o LOIC, a ferramenta inclui voluntariamente a máquina em uma rede "botnet" - termo que define uma série de computadores infectados e controlados remotamente por meio de um vírus. Assim, esta rede "bombardeia" os sites-alvo com dados, fazendo com que sejam derrubados.

O grupo Anonymous já elegeu o site de compras Amazon como seu próximo alvo, pelo fato de a loja online ter se negado a hospedar o WikiLeaks na semana passada.

No entanto, o Amazon já está vendendo uma versão dos documentos vazados pelo WikiLeaks para seu aparelho digital de leitura (tablet), o Kindle.

Os ataques do grupo conseguiram derrubar temporariamente as páginas oficiais de Visa e Mastercard, o que também resultou em problemas para alguns usuários dos cartões de crédito destas companhias.

Além de lançar a ferramenta de ataque, o Anonymous também está ajudando a criar os chamados "sites-espelho", que oferecem cópias exatas do conteúdo encontrado no WikiLeaks. Até o momento, há mais de mil páginas como esta.

Complexidade maior

De acordo com Paul Sop, da companhia Prolexic, que ajuda outras empresas a se defender de ataques como estes, os problemas têm sido relativamente pequenos, prejudicando pouco o tráfego de usuários no site. No entanto, ele acredita que a complexidade esteja aumentando.

"Nós observamos que a complexidade do ataque está mais devastadora e as tecnologias para atenuar estes ataques usadas pelas empresas não consegue filtrar tudo", afirmou.

Carole Thierault, pesquisadora de segurança da companhia Sophos, aconselha que ninguém se junte a rede do Anonymous.

"Ninguém deve baixar um código desconhecido no computador. Você estará dando o acesso ao seu computador para um estranho", afirmou.

Outras empresas que se afastaram do WikiLeaks, como o banco suíço PostFinance, que congelou a conta de Julian Assange, também sofreram ataques. O banco diz que o fundador do site forneceu informações falsas ao abrir a conta na instituição.

Especialistas em segurança dizem que os sites foram atacados por um mecanismo chamado DDoS (distributed denial-of-service attack, ou "ataque distribuído de negação de serviço", em inglês), que faz com que as páginas saiam do ar.

Ativismo virtual

Antes do ataque à Mastercard, um membro do Anonymous que se intitula Coldblood ("sangue-frio", em inglês) disse à BBC que várias ações estavam sendo executadas para afetar empresas que deixaram de prestar serviços ao WikiLeaks ou que supostamente estariam atacando o site.

"Sites que estão se curvando à pressão governamental se tornaram alvos", disse o hacker. "Como organização, nós sempre defendemos uma sólida posição sobre censura e liberdade de expressão na internet e nos voltamos contra os que buscam destruí-la por qualquer meio."

No entanto, o grupo Anonymous negou que que Coldblood seja seu porta-voz.

Com a atenção que despertou a partir dos ataques, o grupo publicou seu manifesto no qual negou que seja formado por hackers.

"Anonymous não é uma organização... e certamente não é um grupo de hackers. Anonymous é uma consciência viva online, da qual fazem parte indivíduos diferentes com, às vezes, objetivos e ideais que coincidem". BBC Brasil - Todos os direitos reservados. É proibido todo tipo de reprodução sem autorização por escrito da BBC.

Fonte: Estadão.com

terça-feira, 7 de dezembro de 2010

Projeto do governo prevê criação de agência para regular conteúdo de rádio e TV

Redação Portal IMPRENSA

O governo federal estuda criar um órgão para regular o conteúdo do setor de telecomunicação e radiodifusão do país. A Agência Nacional de Comunicação (ANC) substituiria a Agência Nacional do Cinema (Ancine), e teria poderes para aplicar multas em caso de programação considerada abusiva ou imprópria para determinado horário, e proibiria a concessão de emissoras de rádio e TV a políticos em mandato.

Segundo o jornal Folha de S.Paulo, a primeira versão da proposta de criação da ANC, intitulada Lei Geral da Comunicação, possui 40 páginas e é mantida em sigilo. O anteprojeto é resultado de um grupo de trabalho coordenado pelo ministro Franklin Martins, da Secretaria de Comunicação da Presidência (Secom), criado há seis meses para debater sobre a nova regulação dos meios de comunicação do país.

Ainda não foi definido se a proibição feita a políticos sobre controle de rádios e TVs atingiria aqueles que já possuem concessões de emissoras. De acordo com dados da organização não-governamental (ONG) Transparência Brasil, cerca de 160 parlamentares são donos de emissoras.

A proposta de criação da nova agência prevê que ela, em conjunto com o Ministério das Comunicações e do Congresso, será responsável pelo processo de outorga ou renovação de novos canais de TV. O procedimento seria publicado na Internet, garantindo a transparência do órgão. A Agência Nacional de Telecomunicações (Anatel) seria mantida, e continuaria responsável pelo setor de TV por assinatura e elaboração de planos e distribuição de canais.

Para representes do setor de telecomunicações, a proposta da ANC abre um novo questionamento sobre intenções do governo em cercear a imprensa e dramaturgia no país, já que a própria Constituição Federal prevê punição para eventuais abusos. Por sua vez, o governo alega que a agência não imporá censura aos conteúdos, pois eles serão analisados depois de serem veiculados.

O ministro da Secom afirmou que entregará o anteprojeto a presidente eleita Dilma Rousseff (PT) como uma sugestão. Caso Dilma queira enviá-lo ao Congresso, o texto poderá sofrer alterações e deverá passar por consulta pública.

Em outubro, o Decreto n.º 6.590 deu à Ancine o poder de fiscalizar a produção e aplicar multas a canais da TV paga em caso de infrações, entre elas a sonegação ou prestação de informação errônea visando obter vantagens, além do não-atendimento das determinações estabelecidas em procedimento de averiguação. As normas fizeram com que as emissoras por assinatura enviassem à agência, de antemão, o cronograma de sua programação.

Fonte: Portal IMPRENSA

Facebook diz que não excluirá conta do WikiLeaks

Redação Terra

O Facebook emitiu um comunicado na noite desta segunda-feira afirmando que o WikiLeaks poderá continuar a postar atualizações na rede social. Segundo o site ReadWriteWeb, a empresa afirmou por e-mail que "a página do WikiLeaks no Facebook não viola nossos padrões de conteúdo, e não encontramos qualquer material postado que viole nossas políticas".

O ReadWriteWeb também buscou uma posição do Twitter sobre a manutenção da conta do WikiLeaks no microblog, depois que começou a circular na internet que o site estaria censurando a hashtag #WikiLeaks dos Trending Topics. O Twitter negou que esteja tentando abafar as discussões sobre os vazamentos na rede social, mas, segundo o ReadWriteWeb, o Twitter disse que não faria nenhum comentário sobre a possibilidade de encerrar o perfil do WikiLeaks do site.

O WikiLeaks já foi expulso dos servidores da Amazon e da EveryDNS e teve sua conta no Pay Pal, que permitia a doação de dinheiro, cancelada. Depois de um apelo do fundador do site, Julian Assange, o conteúdo do WikiLeaks foi copiado por mais de 500 páginas para impedir que seu conteúdo seja retirado na internet.

Vazamentos
Nos últimos dias, o WikiLeaks tem publicado centenas de telegramas diplomáticos, provocando a ira do governo dos Estados Unidos. Na segunda-feira, o WikiLeaks divulgou uma lista de instalações ao redor do mundo que os Estados Unidos classificam como vitais para a sua segurança nacional. A lista inclui oleodutos e centros de comunicação e transporte.

Fonte: Terra

Julian Assange, fundador do WikiLeaks, é preso na Inglaterra

Redação Portal IMPRENSA

O fundador do site WikiLeaks, o australiano Julian Assange, foi preso em Londres (Inglaterra) nesta terça-feira (07), após se entregar às autoridades britânicas. Assange, incluído na lista de procurados da Organização Internacional de Polícia Criminal (Interpol, sigla em inglês), responderá por quatro acusações de crimes sexuais na Suécia, segundo informou a BBC Brasil.

Na última segunda-feira (06), a diretoria do banco suíço PostFinance anunciou que fecharia a conta aberta pelo australiano para receber doações ao site. A entidade alegou que, na época em que se tornou cliente do banco, Assange teria mentido a respeito "de seu local de residência".

O fundador do WikiLeaks não matinha residência fixa, por medidas de segurança. Com o fechamento da conta, cerca de 31 mil euros ficarão retidos no PostFinance, de acordo com o próprio site.

Em agosto, duas mulheres acusaram o australiano de tê-las agredido e estuprado, quando estava na Suécia para participar de um evento. A Justiça sueca, então, emitiu uma ordem de prisão contra Assange, que responderá por "suspeita de estupro, assédio sexual e coerção ilegal". Na última semana, a Interpol emitiu ordem de captura contra o fundador da página da web, enviada aos seus 188 países membros.

Na segunda, o governo da Austrália afirmou que prestará ajuda consular a Assange caso seja detido no exterior. De acordo com o procurador-geral do país, Robert McClelland, como cidadão-australiano, Assange tem o direito a procurar qualquer consulado do país em território estrangeiro.

Recentemente, o WikiLeaks divulgou mais de 250 mil documentos sigilosos sobre as atividades diplomáticas dos EUA com diversos países aliados e inimigos, além de comentários embaraçosos sobre líderes mundiais. A Casa Branca condenou o vazamento, alegando que o site colocou "em risco vidas de americanos e aliados" do país.

Além dos bastidores da diplomacia, o site também publicou arquivos secretos que revelam locais estratégicos para os EUA ao redor do mundo, como o Brasil, assinados em 2009 pela secretária de Estado do país, Hillary Clinton. As áreas, de acordo com os dados, fazem parte de uma lista de interesses estratégicos de Washington e são consideradas "vitais" para a segurança nacional norte-americana, de acordo com O Estado de S. Paulo.

Fonte: Portal IMPRENSA

segunda-feira, 6 de dezembro de 2010

“Wiki-news”, um dos híbridos da era digital

Por Alberto Dines

Na edição sul-americana do El País de domingo (5/12), as façanhas de Julian Assange ocuparam cerca de 13 páginas, grande parte dedicadas aos desdobramentos das revelações do fim de semana anterior.
Curiosamente, o tópico que mereceu mais espaço e atenção (2 páginas e forte chamada na capa) foi a denúncia de que dois membros da alta hierarquia chinesa (os números 5 e 9 do Politburo) estavam à frente do ciberataque do governo de Pequim contra o Google no fim do ano passado.
A denúncia do Wikileaks não foi contestada, mas também não foi apurada. Tal como entrou nos arquivos do Departamento de Estado – sem qualquer investigação suplementar – entrou no tsunami das especulações e fofocas que tomaram conta da imprensa mundial. "That’s the way it is", diria o cético Walter Cronkite, o famoso âncora da CBS. Coisas do nosso tempo. O ciberespaço é tão vasto e amorfo que nele só se produz barulho.
A prova disso está no próprio estatuto da "coalizão" (ou conluio) dos cinco grandes diários globais que se acertaram com o Wikileaks para publicar as suas bombas: a primeira divulgação seria obrigatoriamente através das respectivas edições digitais. Depois, os vazamentos passariam às edições impressas. E por que não ao contrário? Porque Julian Assange é um publisher digital, sua cabeça e instintos não são analógicos. Se a primazia ficasse com os jornais, o barulho teria outro tipo de vibração. E outros resultados, talvez mais eficazes.
Razão do ministro
A questão que hoje deveria ser discutida relaciona-se com a natureza do Wikileaks – é um canal informativo ou veículo jornalístico? Para ser enquadrado como jornalismo, a primeira exigência seria a de trazer algum tipo de apuração preliminar, de preferência uma contestação. Impossível, o vazamento só tem efeito quando aliado ao fator surpresa.
A verdade é que este rigor conceitual está sendo rapidamente substituído pelo chamado "jornalismo de resultados" – em que primeiro se atira e depois se pergunta quem vem lá. Assange só atira. E com o apoio de veículos como o The New York Times, The Guardian, Der Spiegel e El País, que a ele se associaram, este tipo de jornalismo não levará muito tempo para impor-se ao modelo canônico.
Não importa quanto tempo vai durar a "onda Assange", o que importa é velocidade da hibridização imposta pela explosão dos meios digitais. O híbrido é geralmente estéril, geralmente incapaz de produzir descendência, impasse genético. Impossível dizer se Assange descende de Hearst ou de Pulitzer. O que deveria nos preocupar é que ele é o primeiro de uma série de estranhas combinações entre espécies diferentes que, ao fim e ao cabo, darão razão ao ministro Gilmar Mendes, do STF: jornalismo não é profissão, é oportunidade.
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A ombudsman da Folha de S.Paulo errou na sua coluna de domingo (5/12): o jornal não publicou com exclusividade os vazamentos referentes ao Brasil. Deu em primeira mão. Exclusividade não existe na era digital.

Fonte: Observatório da Imprensa