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quinta-feira, 3 de fevereiro de 2011

WikiLeaks é indicado para o Prêmio Nobel da Paz

Redação AdNews

O site WikiLeaks foi indicado para o Prêmio Nobel da Paz de 2011, disse nesta quarta-feira o parlamentar norueguês Snorre Valen, autor da proposta, um dia depois de encerrado o prazo para as candidaturas.

O Comitê do Nobel norueguês aceita até 1o de fevereiro as indicações para o prêmio considerado por muitos como a principal honraria do mundo, embora os cinco membros do painel tenham até o fim do mês para fazer as suas propostas.

Valen disse que o WikiLeaks é "uma das contribuições mais importantes para a liberdade de expressão e transparência" no século XXI.

"Ao divulgar informações sobre corrupção, violações dos direitos humanos e crimes de guerra, o WikiLeaks é um candidato natural ao Prêmio Nobel da Paz", afirmou Valen.

Parlamentares, professores de direito ou de ciência política e laureados pelo prêmio em anos anteriores estão entre os que podem fazer indicações. O comitê não quis fazer comentários sobre a indicação do WikiLeaks nem de outras nomeações.

Fonte: AdNews

segunda-feira, 13 de dezembro de 2010

Wikileaks ensina

Por Rogério Christofoletti

Um site que publica documentos mantidos em segredo parece ser uma ideia explosiva, e é. Ainda mais quando esses documentos são autênticos, guardados por setores governamentais, em grande quantidade e com variados interesses em jogo. Pois é esta a receita do Wikileaks, o endereço que mais vem chamando a atenção na internet. Milhares de memorandos, relatórios, correspondências sobre ofensivas militares norte-americanas, sobre ações diplomáticas e intervencionistas, entre outros, estão ali, livres para serem acessados por qualquer um. Como eu disse, é uma dessas ideias explosivas, revolucionárias para alguns, subversivas para outros.

Nos Estados Unidos e na Europa, a repercussão é grande, conforme se pode acompanhar pela mídia convencional e pela galáxia dos meios alternativos. Os impactos são variados tanto na política quanto nos meios de comunicação. Entre os políticos, há queixas sobre o vazamento de documentos nem sempre confiáveis, temendo alarme social e o descrédito de certos governantes. Entre os jornalistas, as reclamações se dão na esfera corporativa, receando ver esvaziar seu poder de denúncia, sua capacidade de fiscalização dos poderes. Quer dizer, nos gabinetes e nas redações, o Wikileaks atua como um fantasma, pesadelo sem fim.

Evidentemente, não se pode generalizar, mas o fato é que a novidade que o Wikileaks traz colide sim contra alguns pilares de sustentação de certas relações de poder. Relações constituídas na exclusividade, no controle da informação, na definição do que pode vir a público e o que não pode. Durante séculos, os poderes centralizados usaram e abusaram dessa estratégia: dominar, usando seu poder de veto. E, convenhamos, durante décadas, o jornalismo convencional se apoiou na primazia de informar, na delegação pública de atualizar o noticiário.

Organização e coragem

O surgimento de um site, mantido por uma organização sem fins lucrativos, transnacional, e meio que clandestina, coloca a nu – mais uma vez – essas relações de poder que hoje se revelam bastante arcaicas e fissuradas. É o fim da política? A ruína do jornalismo? Nem uma coisa nem outra, claro. O episódio pode ser muito mais interessante e positivo. Na minha opinião, o Wikileaks traz lições que podem ser bem usadas por políticos, jornalistas e cidadãos em geral. A coragem, a ousadia, a sagacidade e o senso (quase anárquico) de transparência ensinam e nos trazem ao menos quatro bons lembretes:

1. políticos devem orientar suas ações pelo interesse da coletividade, e tudo aquilo que contraria isso, deveria ser descartado de seu cardápio de serviços;

2. empresas e governos não podem enganar ou esconder algo por muito tempo, ainda mais numa sociedade cada vez mais observada e ansiosa por ver tudo;

3. cidadãos comuns podem se organizar muito rapidamente no meio virtual de maneira a buscar informações e direitos. A internet não reinventa a política, mas a atualiza;

4. o jornalismo, com Wikileaks ou sem ele, deve continuar a perseguir informações que sejam de interesse público e que estejam mantidas em sigilo. O desvelamento de segredos e a fiscalização dos poderes continuam a ser importantes funções públicas dessa atividade.

Como se pode ver, o Wikileaks pode ser visto com terror ou com uma ponta de esperança. O site não vai trazer à tona todos os segredos do mundo, não está reinventando as relações de poder entre pessoas e organizações, talvez nem dure tanto tempo. Boa parte do valor dessa iniciativa está no seu surgimento, no fato de ter se mostrado viável e audível por todos. É uma ponta do iceberg, uma parcela diminuta do que se pode fazer quando há organização, propósito e coragem.

Fonte: Observatório da Imprensa

quinta-feira, 9 de dezembro de 2010

Início do conteúdo Hackers intensificam ataques contra sites 'inimigos' do WikiLeaks

Redação Estadão

Em manifesto, Anonymous negou que hacker Coldblood seja seu porta-voz

O grupo de hackers chamado Anonymous ("anônimo", em inglês) está intensificando sua guerra às empresas que deixam de prestar serviços ao site WikiLeaks.

Entre os alvos do grupo, estão empresas como Mastercard, Visa e Paypal, que deixaram de permitir doações ao WikiLeaks - site especializado em divulgar documentos governamentais confidenciais.

O site e o seu fundador, Julian Assange, vêm sofrendo uma forte pressão internacional, principalmente por parte dos Estados Unidos, desde que começaram a divulgar um pacote de mais de 250 mil mensagens diplomáticas secretas americanas, desde o fim de novembro.

Assange está detido em Londres, depois que um pedido internacional de prisão foi expedido contra ele pela Interpol. Ele é acusado de estupro e abuso sexual por duas mulheres suecas.

"Bombardeio" de sites

Os ataques são realizados com a ferramenta LOIC, desenvolvida pelos hackers. O software já foi baixado mais de 31 mil vezes desde o início dos problemas envolvendo o WikiLeaks.

Quando uma pessoa instala o LOIC, a ferramenta inclui voluntariamente a máquina em uma rede "botnet" - termo que define uma série de computadores infectados e controlados remotamente por meio de um vírus. Assim, esta rede "bombardeia" os sites-alvo com dados, fazendo com que sejam derrubados.

O grupo Anonymous já elegeu o site de compras Amazon como seu próximo alvo, pelo fato de a loja online ter se negado a hospedar o WikiLeaks na semana passada.

No entanto, o Amazon já está vendendo uma versão dos documentos vazados pelo WikiLeaks para seu aparelho digital de leitura (tablet), o Kindle.

Os ataques do grupo conseguiram derrubar temporariamente as páginas oficiais de Visa e Mastercard, o que também resultou em problemas para alguns usuários dos cartões de crédito destas companhias.

Além de lançar a ferramenta de ataque, o Anonymous também está ajudando a criar os chamados "sites-espelho", que oferecem cópias exatas do conteúdo encontrado no WikiLeaks. Até o momento, há mais de mil páginas como esta.

Complexidade maior

De acordo com Paul Sop, da companhia Prolexic, que ajuda outras empresas a se defender de ataques como estes, os problemas têm sido relativamente pequenos, prejudicando pouco o tráfego de usuários no site. No entanto, ele acredita que a complexidade esteja aumentando.

"Nós observamos que a complexidade do ataque está mais devastadora e as tecnologias para atenuar estes ataques usadas pelas empresas não consegue filtrar tudo", afirmou.

Carole Thierault, pesquisadora de segurança da companhia Sophos, aconselha que ninguém se junte a rede do Anonymous.

"Ninguém deve baixar um código desconhecido no computador. Você estará dando o acesso ao seu computador para um estranho", afirmou.

Outras empresas que se afastaram do WikiLeaks, como o banco suíço PostFinance, que congelou a conta de Julian Assange, também sofreram ataques. O banco diz que o fundador do site forneceu informações falsas ao abrir a conta na instituição.

Especialistas em segurança dizem que os sites foram atacados por um mecanismo chamado DDoS (distributed denial-of-service attack, ou "ataque distribuído de negação de serviço", em inglês), que faz com que as páginas saiam do ar.

Ativismo virtual

Antes do ataque à Mastercard, um membro do Anonymous que se intitula Coldblood ("sangue-frio", em inglês) disse à BBC que várias ações estavam sendo executadas para afetar empresas que deixaram de prestar serviços ao WikiLeaks ou que supostamente estariam atacando o site.

"Sites que estão se curvando à pressão governamental se tornaram alvos", disse o hacker. "Como organização, nós sempre defendemos uma sólida posição sobre censura e liberdade de expressão na internet e nos voltamos contra os que buscam destruí-la por qualquer meio."

No entanto, o grupo Anonymous negou que que Coldblood seja seu porta-voz.

Com a atenção que despertou a partir dos ataques, o grupo publicou seu manifesto no qual negou que seja formado por hackers.

"Anonymous não é uma organização... e certamente não é um grupo de hackers. Anonymous é uma consciência viva online, da qual fazem parte indivíduos diferentes com, às vezes, objetivos e ideais que coincidem". BBC Brasil - Todos os direitos reservados. É proibido todo tipo de reprodução sem autorização por escrito da BBC.

Fonte: Estadão.com

terça-feira, 7 de dezembro de 2010

Facebook diz que não excluirá conta do WikiLeaks

Redação Terra

O Facebook emitiu um comunicado na noite desta segunda-feira afirmando que o WikiLeaks poderá continuar a postar atualizações na rede social. Segundo o site ReadWriteWeb, a empresa afirmou por e-mail que "a página do WikiLeaks no Facebook não viola nossos padrões de conteúdo, e não encontramos qualquer material postado que viole nossas políticas".

O ReadWriteWeb também buscou uma posição do Twitter sobre a manutenção da conta do WikiLeaks no microblog, depois que começou a circular na internet que o site estaria censurando a hashtag #WikiLeaks dos Trending Topics. O Twitter negou que esteja tentando abafar as discussões sobre os vazamentos na rede social, mas, segundo o ReadWriteWeb, o Twitter disse que não faria nenhum comentário sobre a possibilidade de encerrar o perfil do WikiLeaks do site.

O WikiLeaks já foi expulso dos servidores da Amazon e da EveryDNS e teve sua conta no Pay Pal, que permitia a doação de dinheiro, cancelada. Depois de um apelo do fundador do site, Julian Assange, o conteúdo do WikiLeaks foi copiado por mais de 500 páginas para impedir que seu conteúdo seja retirado na internet.

Vazamentos
Nos últimos dias, o WikiLeaks tem publicado centenas de telegramas diplomáticos, provocando a ira do governo dos Estados Unidos. Na segunda-feira, o WikiLeaks divulgou uma lista de instalações ao redor do mundo que os Estados Unidos classificam como vitais para a sua segurança nacional. A lista inclui oleodutos e centros de comunicação e transporte.

Fonte: Terra

Julian Assange, fundador do WikiLeaks, é preso na Inglaterra

Redação Portal IMPRENSA

O fundador do site WikiLeaks, o australiano Julian Assange, foi preso em Londres (Inglaterra) nesta terça-feira (07), após se entregar às autoridades britânicas. Assange, incluído na lista de procurados da Organização Internacional de Polícia Criminal (Interpol, sigla em inglês), responderá por quatro acusações de crimes sexuais na Suécia, segundo informou a BBC Brasil.

Na última segunda-feira (06), a diretoria do banco suíço PostFinance anunciou que fecharia a conta aberta pelo australiano para receber doações ao site. A entidade alegou que, na época em que se tornou cliente do banco, Assange teria mentido a respeito "de seu local de residência".

O fundador do WikiLeaks não matinha residência fixa, por medidas de segurança. Com o fechamento da conta, cerca de 31 mil euros ficarão retidos no PostFinance, de acordo com o próprio site.

Em agosto, duas mulheres acusaram o australiano de tê-las agredido e estuprado, quando estava na Suécia para participar de um evento. A Justiça sueca, então, emitiu uma ordem de prisão contra Assange, que responderá por "suspeita de estupro, assédio sexual e coerção ilegal". Na última semana, a Interpol emitiu ordem de captura contra o fundador da página da web, enviada aos seus 188 países membros.

Na segunda, o governo da Austrália afirmou que prestará ajuda consular a Assange caso seja detido no exterior. De acordo com o procurador-geral do país, Robert McClelland, como cidadão-australiano, Assange tem o direito a procurar qualquer consulado do país em território estrangeiro.

Recentemente, o WikiLeaks divulgou mais de 250 mil documentos sigilosos sobre as atividades diplomáticas dos EUA com diversos países aliados e inimigos, além de comentários embaraçosos sobre líderes mundiais. A Casa Branca condenou o vazamento, alegando que o site colocou "em risco vidas de americanos e aliados" do país.

Além dos bastidores da diplomacia, o site também publicou arquivos secretos que revelam locais estratégicos para os EUA ao redor do mundo, como o Brasil, assinados em 2009 pela secretária de Estado do país, Hillary Clinton. As áreas, de acordo com os dados, fazem parte de uma lista de interesses estratégicos de Washington e são consideradas "vitais" para a segurança nacional norte-americana, de acordo com O Estado de S. Paulo.

Fonte: Portal IMPRENSA

segunda-feira, 6 de dezembro de 2010

“Wiki-news”, um dos híbridos da era digital

Por Alberto Dines

Na edição sul-americana do El País de domingo (5/12), as façanhas de Julian Assange ocuparam cerca de 13 páginas, grande parte dedicadas aos desdobramentos das revelações do fim de semana anterior.
Curiosamente, o tópico que mereceu mais espaço e atenção (2 páginas e forte chamada na capa) foi a denúncia de que dois membros da alta hierarquia chinesa (os números 5 e 9 do Politburo) estavam à frente do ciberataque do governo de Pequim contra o Google no fim do ano passado.
A denúncia do Wikileaks não foi contestada, mas também não foi apurada. Tal como entrou nos arquivos do Departamento de Estado – sem qualquer investigação suplementar – entrou no tsunami das especulações e fofocas que tomaram conta da imprensa mundial. "That’s the way it is", diria o cético Walter Cronkite, o famoso âncora da CBS. Coisas do nosso tempo. O ciberespaço é tão vasto e amorfo que nele só se produz barulho.
A prova disso está no próprio estatuto da "coalizão" (ou conluio) dos cinco grandes diários globais que se acertaram com o Wikileaks para publicar as suas bombas: a primeira divulgação seria obrigatoriamente através das respectivas edições digitais. Depois, os vazamentos passariam às edições impressas. E por que não ao contrário? Porque Julian Assange é um publisher digital, sua cabeça e instintos não são analógicos. Se a primazia ficasse com os jornais, o barulho teria outro tipo de vibração. E outros resultados, talvez mais eficazes.
Razão do ministro
A questão que hoje deveria ser discutida relaciona-se com a natureza do Wikileaks – é um canal informativo ou veículo jornalístico? Para ser enquadrado como jornalismo, a primeira exigência seria a de trazer algum tipo de apuração preliminar, de preferência uma contestação. Impossível, o vazamento só tem efeito quando aliado ao fator surpresa.
A verdade é que este rigor conceitual está sendo rapidamente substituído pelo chamado "jornalismo de resultados" – em que primeiro se atira e depois se pergunta quem vem lá. Assange só atira. E com o apoio de veículos como o The New York Times, The Guardian, Der Spiegel e El País, que a ele se associaram, este tipo de jornalismo não levará muito tempo para impor-se ao modelo canônico.
Não importa quanto tempo vai durar a "onda Assange", o que importa é velocidade da hibridização imposta pela explosão dos meios digitais. O híbrido é geralmente estéril, geralmente incapaz de produzir descendência, impasse genético. Impossível dizer se Assange descende de Hearst ou de Pulitzer. O que deveria nos preocupar é que ele é o primeiro de uma série de estranhas combinações entre espécies diferentes que, ao fim e ao cabo, darão razão ao ministro Gilmar Mendes, do STF: jornalismo não é profissão, é oportunidade.
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A ombudsman da Folha de S.Paulo errou na sua coluna de domingo (5/12): o jornal não publicou com exclusividade os vazamentos referentes ao Brasil. Deu em primeira mão. Exclusividade não existe na era digital.

Fonte: Observatório da Imprensa