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terça-feira, 7 de setembro de 2010

Dificuldades e estratégias contra a pirataria

Por Valério Cruz Brittos e Jonathan Reis

A pirataria assombra a indústria fonográfica há alguns anos. Com a queda da venda de discos, as gravadoras necessitam reinventar-se, inovando o máximo possível para assegurar sua sustentabilidade econômica. Se existe a possibilidade de conhecer o trabalho de um artista sem custo algum, por que pagar (caro) por isso? Certamente esse é o pensamento de todos que fazem download de músicas pela internet. Já a venda de CDs e DVDs falsificados é muito maior que a venda de originais, pois o falsificado custa menos de R$ 10,00 e o original, em média, R$ 30,00, no Brasil.

Gravadoras como Universal Music, EMI Music, Deckdisc, Sony BMG e Warner Music estão buscando uma nova estratégia: diversificar os suportes de distribuição. Nos celulares é que estão as grandes apostas, pois ocorre uma venda casada, onde o consumidor pode dispor de sua banda favorita sem acréscimo explícito no preço do aparelho. É uma nova janela de oportunidades. Por exemplo, em 2008, a Sony BMG comemorou a venda de mais de 500 mil celulares do modelo Jota Quest, enquanto a Deckdisc celebrou a comercialização de 200 mil cópias do álbum Desconcerto ao vivo, de Pitty, no telefone móvel.

Ainda há esperanças para o CD físico. Assim é que a Sony BMG lançou, em 2007, com o álbum "Sim", de Vanessa da Mata, o CD Zero, visando a combater a pirataria. O CD Zero é uma versão reduzida do disco tradicional, com cinco músicas, por apenas R$ 9,99. É uma opção para o público com interesse na música que toca na rádio, mas não quer ou não pode comprar o álbum completo.

Imposto para servidores

São múltiplas as especulações sobre um novo tipo de CD, um sistema contra a pirataria, a volta do disco de vinil e o fim dos atuais modelos de discos compactos. Para alguns dirigentes de gravadoras brasileiras, o CD físico não morre tão cedo, pois sempre haverá consumidores que desejam ter um produto físico com a divulgação do artista. A questão é que, para dar conta dos custos e expectativas de lucros das gravadoras, é necessária escala de consumidores, não apenas alguns poucos.

As reedições de álbuns ajudam na recuperação financeira das gravadoras e promovem a alegria dos colecionadores. São vários artistas, como Jimi Hendrix, Beatles, The Clash, Dolores Duran, Nara Leão e Cazuza, entre outros, que voltaram a ocupar as prateleiras das lojas de discos, em relançamentos com faixas-bônus, áudios remasterizados, belos encartes, documentários em DVD etc. Outra saída contra a pirataria é a venda de músicas pela internet, mas, devido à possibilidade de acesso gratuito, tem baixo apelo e é pouco utilizada.

Na Inglaterra, um grupo que representa os cantores e compositores manifestou-se a favor da implantação de um imposto sobre as empresas que vendem serviços de banda larga na internet. O objetivo é que o consumidor pague de acordo com o número de downloads piratas de músicas através dos servidores. Com isso, os artistas seriam remunerados em consonância com o interesse por suas músicas.

Quem baixa CD pode ser considerado um criminoso?

A polêmica é mundial, com a manifestação de diversos contrários à pirataria. No Brasil, muitos artistas declaram que recebem pouco por álbum vendido e mostram entusiasmo por ver uma vertente não-oficial de seu CD sendo vendido nas ruas, pelo que isto representa de divulgação. O resultado do problema é visível nas gravadoras, onde poucos novos artistas são contratados. Diversos talentos não assinam contrato com gravadoras, focando-se os investimentos apenas nos artistas consagrados e comerciais.

No dia 19 de julho de 2010, a Prefeitura de São Paulo destruiu aproximadamente 20 toneladas de CDs e DVDs piratas, ou seja, mais de dois milhões de produtos. A operação faz parte do trabalho de fiscalização realizado por seis subprefeituras da cidade. O material ilegal é o resultado de apreensões realizadas desde o mês de abril deste ano. A destruição dos produtos protege marcas e patentes, de acordo com a lei da pirataria.

Quem compra CD e DVD falsificado ou realiza downloads pela internet pode ser considerado um criminoso? Devem ser analisados os fatores sociais e culturais do país, onde a remuneração de grande parte do povo é pouca. Com isso, o brasileiro não tem condições de pagar R$ 30,00 para ter acesso ao CD vendido na loja, mas pode obtê-lo a partir da versão (barata) vendida na esquina de casa, ou através de download gratuito. Não se pode culpar o povo brasileiro, que trabalha muito, é mal pago e – especialmente quando avaliado o retorno – arca com alta carga tributária.

Fonte: Observatório da Imprensa

terça-feira, 24 de agosto de 2010

Puxado por habitação, crédito cresce 18,4% em um ano, aponta BC

Financiamento para compra de imóveis saltou 50,8% em 12 meses até julho e atingiu R$ 116 bilhões

Por Fabio Graner e Fernando Nakagawa

BRASÍLIA - O estoque das operações de crédito do sistema financeiro cresceu em julho 1,2% ante junho, atingindo R$ 1,548 trilhão. No ano, o crédito acumula alta de 9,4% e em 12 meses, 18,4%. O resultado foi favorecido pelo financiamento para habitação, que cresceu 3,9% e atingiu R$ 116,057 bilhões. Em 12 meses até julho, essa carteira tem crescimento de 50,8%.

Outro segmento que apresentou expansão das operações em ritmo maior que a média em julho foi a indústria, cuja carteira cresceu 1,6% na comparação com junho, totalizando R$ 329,211 bilhões. A categoria das pessoas jurídicas registra alta de 11% no acumulado em 12 meses. Já os empréstimos paras as pessoas físicas tiveram expansão 1,1% no mês, para R$ 502,241 bilhões, em ritmo inferior à média do crédito, que cresceu 1,2% em julho. Em 12 meses, a carteira de crédito das famílias acumula alta de 16,3%, e o total da indústria de crédito no Brasil teve expansão de 18,4%.

Entre os empréstimos destinados ao setor público, o volume aumentou 2%, na comparação mensal, liderados pelos financiamentos tomados por Estados e municípios, cujo montante cresceu 3,8% ante junho, para R$ 29,340 bilhões. No acumulado dos últimos 12 meses, os empréstimos para o setor público cresceram 21,1%.

As operações de crédito com recursos direcionados cresceram, no mês passado, 2,3% ante junho, acumulando no ano alta de 14% e de 28,8% em 12 meses. As operações de crédito com recursos livres aumentaram 0,7% no mês e acumulam, no ano, expansão de 7,2%. No acumulado de 12 meses, o crédito com recursos livres registra alta de 13,8%.

Em relação ao tamanho da economia, o estoque de crédito teve mais uma alta, passando de 45,7% do PIB em junho para 45,9% do PIB em julho.

Base monetária

A base monetária cresceu em julho ante junho 2,7% pelo critério de média dos saldos nos dias úteis, totalizando R$ 166,374 bilhões. No acumulado dos 12 meses, a base monetária cresceu 20,2% por esse critério. O papel moeda emitido cresceu no mês 1,7% e em 12 meses teve expansão de 17,5%, totalizando R$ 123,287 bilhões. Já as reservas bancárias subiram em julho ante junho 5,7% e 28,6% em 12 meses, totalizando R$ 43,087 bilhões.

Pelo critério de saldo em final de período (na ponta), a base monetária cresceu em julho, ante junho, 1,8%, totalizando R$ 162,528 bilhões. Em 12 meses, a alta da base monetária na ponta é de 19,9%. Por esse critério, o papel moeda emitido cresceu no mês 2,6% e 17,9% em 12 meses, totalizando R$ 123,907 bilhões. As reservas bancárias tiveram queda de 0,6% no mês e alta de 26,8% em 12 meses, somando R$ 38,621 bilhões.

Prazo médio sobe para 452 dias

O prazo médio das operações de crédito com recursos livres atingiu, em julho, 452 dias corridos, ante 448 dias corridos em junho, segundo dados divulgados há pouco pelo Banco Central. O prazo médio das operações com pessoa física subiu de 523 dias para 528 dias, enquanto para pessoa jurídica passou de 382 dias para 385 dias.


Fonte: Estadão

segunda-feira, 23 de agosto de 2010

Gasto de brasileiros no exterior bate novos recordes nas férias de julho

Por Eduardo Cucolo

As despesas dos brasileiros que viajam para o exterior ou fazem compras pela internet em sites estrangeiros bateram recorde em julho e no acumulado de 2010.

Segundo dados do Banco Central, foram gastos US$ 1,54 bilhão no mês passado, valor recorde para todos os meses da série iniciada em 1947.

Entre janeiro e julho foram US$ 8,6 bilhões, outro recorde. Houve aumento de quase 60% em relação ao mesmo período de 2009 (US$ 5,5 bilhões).

FATORES

A estabilização do câmbio em um patamar abaixo de R$ 2,00 e o crescimento da renda têm sido fatores importantes para aumentar esses gastos.

O gasto com viagens internacionais é um dos componentes das contas externas do país e tem contribuído para piorar as transações correntes. Isso porque o ritmo de aumento dos gastos dos brasileiros não foi acompanhado pelo crescimento do turismo estrangeiro no país.

As despesas dos turistas que visitam o Brasil passaram de US$ 3 bilhões para US$ 3,4 bilhões neste ano.

A diferença nessa conta já chega a US$ 5,2 bilhões e deve terminar o ano em US$ 8 bilhões, segundo o BC.

INVESTIMENTO

Os investimentos estrangeiros diretos no Brasil cresceram em julho, para US$ 2,6 bilhões, ante US$ 708 milhões no mês anterior, segundo o BC.

Mais uma vez, o valor ficou abaixo do deficit do país nas suas transações com o exterior, que ficou em US$ 4,5 bilhões no mês passado.

No ano, os investimentos somam US$ 14,7 bilhões, ainda distante da previsão de US$ 38 bilhões feita pelo BC.

O deficit acumulado está em US$ 28,3 bilhões, praticamente o dobro dos investimentos.

AÇÕES

Os investimentos estrangeiros em ações somaram US$ 7,1 bilhões no primeiro semestre de 2010, valor recorde da série iniciada em 1947, segundo dados do Banco Central, divulgados no final de julho.

Os estrangeiros aplicaram ainda mais US$ 9,3 bilhões em títulos públicos no país e US$ 2,6 bilhões em ADRs (recibos de ações brasileiras negociados no exterior).

Em junho, entraram no país US$ 1,9 bilhão em ações e US$ 1,4 bilhão em renda fixa (títulos públicos).

Fonte: Folha.com

quinta-feira, 19 de agosto de 2010

GM começa processo para voltar à bolsa de valores

A General Motors deu início a um processo de oferta pública das suas ações, que tem potencial para se tornar a maior da história americana.

A GM, que tem 61% das suas ações sob controle do governo americano, oficializou sua proposta à comissão de valores dos Estados Unidos.

Analistas acreditam que a oferta pública inicial de ações (IPO, em inglês) levantará entre US$ 12 bilhões e US$ 20 bilhões.

Com isso, o Tesouro americano pode começar a se recuperar do prejuízo de US$ 50 bilhões, do pacote de ajuda à montadora.

Executivos da GM reiteraram por vários meses que estavam planejando uma forma de recapitalizar a empresa, para ela repagar a dívida que tem junto aos governos dos Estados Unidos e Canadá.

"Isso é um sinal do retorno ao normal, de se poder repagar ao contribuinte. Fazendo a empresa voltar a ser uma companhia com ações vendidas publicamente", disse Rebecca Lindland, da consultoria IHS Automotive.

O relatório de 700 páginas do IPO junto à comissão de valores americana foi apresentado uma semana depois de a GM anunciar ganhos de US$ 1,6 bilhões, o maior lucro em seis anos.

A venda de ações deve acontecer no final do ano. A maior oferta pública de ações da história dos Estados Unidos foi realizada pela Visa em 2008, atingindo US$ 19,7 bilhões.

Demanda incerta

"A quantidade de ações ofertadas será determinada pelas condições do mercado e por outros fatores no momento da oferta", afirma a GM, em um comunicado oficial.

O número de ações e o preço ainda não foram determinados.

Analistas acreditam que o Tesouro Americano venderá cerca de 20% das 304 milhões de ações da GM que possui, reduzindo sua participação na montadora para abaixo de 50%.

A demanda por ações da GM no mercado ainda é incerta. Os executivos da empresa começarão agora a tentar promover a venda das ações junto a investidores em todo o mundo.

A oferta pública acontece na mesma semana em que o diretor executivo da GM, Edward Whitacre, anunciou sua renúncia. Ele continuará na empresa até o fim do ano, quando passará o controle para Dan Akerson.

Whitacre assumiu a diretoria da GM no ano passado, um meio a planos de reestruturação da companhia em meio à crise econômica global. A GM demitiu 65 mil pessoas e fechou várias fábricas, no processo de reestruturação.

A GM já repagou US$ 8,4 bilhões dos empréstimos recebido pelos governos do Canadá e dos Estados Unidos.


Fonte: BBC Brasil

Estudo aponta entrada de 800 milhões de asiáticos à classe média em 2030

DA FRANCE PRESSE, EM NOVA DELI

Quase 800 milhões de asiáticos chegarão à classe média nos próximos 20 anos, o que garantirá o crescimento econômico dos países da região, segundo um estudo do BAD (Banco Asiático de Desenvolvimento) publicado nesta quinta-feira.

"A transição das 800 milhões de pessoas da pobreza para a classe média pode representar muitos desafios, mas abrirá também novas possibilidades sem precedentes para a região e o mundo", afirma o BAD no estudo "A alta da classe média na Ásia".

O informe, que analisa toda a região com exceção de Japão e Coreia do Sul, define um membro da classe média como qualquer indivíduo que consome entre US$ 2 e US$ 20 diários.

O maior aumento da classe média na Ásia é esperado nos dois países de maior população, China e Índia, que contarão cada um com mais de um bilhão de habitantes pertencentes a esta classe social em 2030.

A China é o país asiático que conseguiu tirar da pobreza o maior número de habitantes. Assim, 63% de sua população -- 817 milhões de pessoas -- tinham em 2008 renda de classe média.

A classe média indiana contava em 2008 com 274 milhões de habitantes, ou 25% da população, segundo o BAD.

Com essas mudanças sociais, a Ásia passará de "grande produtor mundial a grande consumidor mundial", prevê a economista-chefe do BAD, Jong-Wha Lee.


Fonte: Folha.com

terça-feira, 17 de agosto de 2010

Preços dos alimentos caem pela décima vez e ajudam na estabilidade da inflação em São Paulo

Por Marli Moreira
Repórter da Agência Brasil

São Paulo - O Índice de Preços ao Consumidor (IPC), medido pela Fundação Instituto de Pesquisas Econômicas (Fipe) na capital paulista, ficou em 0,20% na segunda prévia deste mês, a mesma taxa registrada na apuração anterior. Essa estabilidade no ritmo de alta é resultado da queda média de preços dos itens alimentícios, que apresentaram índice de -0,53%, ante -0,46%, na décima redução seguida, o que ajudou a amenizar os aumentos verificados nos demais grupos.

Em vestuário foi interrompida a sequência de quatro quedas, com elevação de 0,11% ante -0,04%. O grupo transporte voltou a apresentar aumento da taxa, de 0,41% para 0,58%. Os demais grupos, embora tenham apresentado variações positivas, tiveram índices inferiores aos da medição passada.

No grupo habitação, a taxa passou de 0,36% para 0,35%; em despesas pessoais, de 0,65% para 0,57%; em saúde, de 0,58% para 0,55%; e em educação, de 0,15% para 0,03%.


Fonte: Agência Brasil

segunda-feira, 16 de agosto de 2010

Economia do Japão desacelera no 2º trimestre e país é ultrapassado pela China

PIB japonês avançou apenas 0,4% de abril a junho, o menor crescimento em três trimestres

Por Hélio Barboza

TÓQUIO - O crescimento econômico do Japão desacelerou fortemente no segundo trimestre, ficando bem abaixo das expectativas. A estagnação do consumo e a queda das exportações pesaram sobre uma economia já embaraçada pela deflação e pela valorização do iene, limitando o Produto Interno Bruto (PIB) a um crescimento de apenas 0,4% no trimestre abril-junho, em relação ao mesmo período do ano passado, segundo informou o Escritório do Gabinete de Governo.

A pausa no crescimento econômico pode intensificar a ansiedade com o fato de o Japão estar cedendo para a China, já neste ano, a posição de segunda maior economia do mundo, depois dos EUA. O PIB nominal do Japão caiu 0,9% no trimestre, ou 3,7% em bases anualizadas, para US$ 1,288 trilhão. O total ficou abaixo do PIB nominal da China, que somou US$ 1,337 trilhão no trimestre. O PIB trimestral nominal da China, em dólares, já havia superado o do Japão por duas vezes - no quarto trimestres de 2008 e de 2009 - embora o PIB nominal chinês de 2009 ainda tenha sido menor do que o do Japão (US$ 4,98 trilhões, ante US$ 5,07 trilhões). Os economistas afirmam, no entanto, que as atuais tendências de crescimento sugerem que a China pode ultrapassar o Japão neste ano.

O crescimento do Japão foi o menor em três trimestres, com um declínio acentuado na comparação com o porcentual revisado de 4,4% do trimestre janeiro-março. O resultado foi muito pior do que a mediana das previsões de 16 economistas consultados pela Dow Jones, que apontava para uma expansão de 2,3%. Em relação ao trimestre anterior, o PIB japonês cresceu 0,1%, depois de um aumento trimestral revisado de 1,1% nos primeiros três meses do ano.

Os dados se somam às preocupações, agora disseminadas, de que a frágil recuperação econômica do Japão possa estar perdendo impulso, na medida em que o crescimento de seus principais mercados de exportação também desacelera, e chegam no momento em que a China parece prestes a sobrepujar seu vizinho como a segunda maior economia do mundo.

Apesar da desaceleração, ainda parece improvável que o governo japonês se disponha a fazer mais para estimular o crescimento. O primeiro-ministro Naoto Kan fez da consolidação fiscal o seu principal objetivo. Isso significa que qualquer gasto adicional para impulsionar o crescimento deve ser limitado pelo esforço para reduzir a enorme dívida pública do país. Por essa razão, dizem os analistas, o verdadeiro teste para a economia japonesa será nos próximos meses, quando terminam os incentivos para os consumidores, bem como outros programas de estímulo, removendo o que tem sido um expediente crucial.

"A economia japonesa já entrou em pausa", disse Keisuke Tsumura, secretário parlamentar do Gabinete de Governo para a política econômica e fiscal. O ministro da Economia, Satoshi Arai, emitiu uma declaração mais otimista. "Não precisamos nos mexer imediatamente com base na situação atual", afirmou. As informações são da Dow Jones.


Fonte: Estadão

quinta-feira, 12 de agosto de 2010

Em 'boa fase', comércio de Brasil e Argentina se aproxima do recorde

Por Fabricia Peixoto

Acostumados às frequentes disputas comerciais, Brasil e Argentina vivem este ano o que as autoridades dos dois países vêm chamando de "boa fase na relação".

Não que o casamento esteja perfeito: as reclamações sobre a imposição de barreiras não-tarifárias, como burocracia e demora na liberação de produtos, ainda fazem parte da relação entre os dois vizinhos.

Mas, neste ano, graças ao crescimento econômico nos dois países, o comércio Brasil-Argentina está, inclusive, a caminho de atingir seu recorde.

De janeiro a julho, o comércio bilateral chegou a US$ 17,4 bilhões. Segundo Welber Barral, secretário de comércio do Ministério da Indústria e Comércio, se esse ritmo for mantido ao longo do ano, os dois países deverão ultrapassar a cifra de US$ 30,8 bilhões, registrada em 2008.

"Com a diminuição dos conflitos, tivemos tempo para trabalhar outros temas", disse o secretário de comércio argentino, Eduardo Bianchi, que participou nesta quinta-feira em Brasília de uma reunião com Barral sobre o comércio bilateral.

O clima está tão positivo que o principal tema da reunião não foi algum litígio entre os dois países, mas sim um plano contra a "invasão" de autopeças da União Europeia e de países asiáticos no mercado local.

Brasil e Argentina querem fortalecer as empresas locais e já estão discutindo um plano para que as montadoras reduzam as encomendas no exterior, ampliando assim a compra de autopeças produzidas na região.


Fonte: BBC Brasil

quarta-feira, 11 de agosto de 2010

Brasileiro já financia 62% do valor do imóvel

Por Tatiana Resende

O percentual de financiamento dos imóveis vem crescendo nos últimos anos no país, atingindo no primeiro semestre uma média de 61,9% do valor total da moradia, de acordo com os dados divulgados nesta quarta-feira pela Abecip (Associação Brasileira das Entidades de Crédito Imobiliário e Poupança) que engloba todos os empréstimos feitos pelos bancos nesse período.

Em 2009, havia ficado em 61,1%, patamar bem acima do contabilizado um ano antes (58,6%). Os números registrados em 2004 (46,8%) e em 2005 (47,8%) mostram que os clientes dos bancos davam mais da metade do valor de entrada para realizar o sonho da casa própria naquela época.

Ao todo, nos primeiros seis meses deste ano, as operações de crédito imobiliário com recursos da poupança atingiram R$ 23,8 bilhões, registrando o melhor resultado para esse intervalo da série histórica, iniciada em 1967.

De acordo com Luiz Antônio França, presidente da Abecip, esse crescimento mostra "claramente uma antecipação de compras", devido, principalmente, às condições de crédito mais favoráveis ao tomador do empréstimo, com taxas de juros menores e o alongamento dos prazos de pagamento.

Para o executivo, a tendência é que o percentual continue subindo e a experiência mundial mostra que 80% é um patamar considerado sustentável.


O dado divulgado pela Abecip (61,9%) se refere à fatia financiada pelo tomador do empréstimo, mas os bancos oferecem a possibilidade de um percentual ainda maior.

A Caixa Econômica Federal, líder de mercado com 67% dos empréstimos com recursos da poupança concedidos no primeiro semestre, financia até 90% do valor do imóvel com essa fonte. No Itaú Unibanco, maior banco privado do país e segundo nesse segmento, pode chegar a 80%.

Outro motivo apontado por França para a diminuição do valor de entrada é a atuação maior dos bancos no mercado de imóveis usados. Segundo o executivo, as pessoas costumavam usar outras maneiras de se financiar nesse caso, citando as compras à vista ou com parcelamento feito diretamente com o vendedor.

"O papel dos usados é fundamental", completa, citando os consumidores que saem de uma moradia para outra, seja por crescimento da familia ou mobilidade. "Se há liquidez no imóvel usado, é mais fácil mudar, porque faz com que o mercado gire com mais fluidez."

BOLHA IMOBILIÁRIA

Um estudo encomendado pela Abecip à MB Associados mostra que não há indícios de bolha imobiliária no país, como aconteceu nos Estados Unidos com a crise do "subprime". O assunto está sendo debatido desde que esse segmento do crédito passou a bater sucessivos recordes e os preços dos imóveis começaram a subir, principalmente nas capitais.

Segundo o economista José Roberto Mendonça de Barros, não existem no país as condições necessárias para a criação de uma bolha, pois não há endividamento excessivo nem dos consumidores nem das construtoras --os bancos também financiam a produção de imóveis.

O economista não arrisca um percentual de financiamento considerado ideal para os consumidores, mas considera importante dar uma entrada e ter "um certo fluxo de caixa" para pagar as prestações.

Outro indicador que afasta o "fantasma" da bolha imobiliária é o crescimento da massa real de renda dos brasileiros. Na previsão da MB Associados, o aumento deve ser de 8% no país na média anual entre 2009 e 2015 e um pouco maior em São Paulo (8,1%) e no Rio de Janeiro (8,5%).

Os preços dos imóveis, na sua opinião, podem subir ainda mais, já que a demanda por novas moradias deve continuar crescendo.


Fonte: Folha.com

Bovespa segue mercado internacional e cai

Às 11h48 o Ibovespa registrava queda de 1,88% aos 65.962 pontos, após ter alcançado a mínima de 65.954 pontos

Por Beth Moreira

SÃO PAULO - A Bovespa opera em queda nesta quarta-feira, acompanhando o mercado internacional, após a divulgação de novos dados que confirmam a desaceleração da atividade econômica na China. Ações de mineração, siderurgia e de papel e celulose puxam as baixas.

Às 11h48 o Ibovespa registrava desvalorização de 1,88% aos 65.962 pontos, após ter alcançado a mínima de 65.954 pontos (-1,89%). O giro financeiro era de R$ 1,63 bilhão, com previsão de R$ 6,21 bilhões para o fechamento. No mesmo horário, o Dow Jones caía 2,04% e o S&P 500 registrava baixa de 2,30%.

As empresas ligadas a commodities operam em baixa nesta quarta-feira, acompanhando a queda desses insumos no mercado internacional. "O cenário macroeconômico se sobrepõe às notícias e balanços corporativos", destaca a chefe de análise da Spinelli Corretora, Kelly Trentin.Vale PNA recua 2,29% e ON cede 2,68%, esta entre as maiores baixas do Ibovespa. Hoje os contratos futuros dos metais básicos negociados na London Metal Exchange (LME) operam em baixa, refletindo os fracos dados econômicos da China e as quedas das bolsas. MMX opera com perdas de 3,39%, também no grupo de maiores baixas.

Petrobrás PN recua 1,51% e ON opera em baixa de 2,34%. Hoje o preço do petróleo na Nymex eletrônica recua mais de 2% para a casa dos US$ 78,60 o barril. O UBS rebaixou a recomendação para as ações ordinárias da Petrobrás de neutro" para "venda". Segundo o banco, o rebaixamento ocorreu em razão das incertezas em torno da planejada grande oferta de ações da Petrobrás, prevista para setembro, que incluirá provavelmente um preço mais elevado do que o esperado pelos direitos para exploração de petróleo do governo brasileiro.

OGX, do empresário Eike Batista, recua 0,60%. Hoje a empresa anunciou a presença de hidrocarbonetos no poço OGX-18, nas seções albiana e santoniana. O poço 1-OGX-18-RJS se localiza no bloco BM-C-40, nas águas rasas da Bacia de Campos, distante cerca de 2 quilômetros do poço OGX-14 (prospecto Peró).

Entre as siderúrgicas Usiminas PNA cai 2,22%, Usiminas ON -2,11%, Gerdau -3,58%, Gerdau Metalúrgica -3,60% e CSN -3,57%, sendo as três últimas entre as maiores quedas do Ibovespa. Analistas destacam que o mau humor do mercado não poupou nem a CSN, que divulgou hoje aumento de 167% no lucro no segundo trimestre de 2010, para R$ 894 milhões ante abril a junho de 2009. O resultado ficou 10,8% acima das projeções dos analistas consultados pela Agência Estado. A média das estimativas de Barclays Capital, BTG Pactual, Citi, Credit Suisse, Itaú Securities, Santander e Spinelli apontava
para um lucro de R$ 807 milhões.

O setor de papel e celulose também recua com Fibria (-3,91%), entre as maiores quedas do Ibovespa, Klabin PN (-1,62%) e Suzano PNA (-3,90%). Esta última informou hoje que apurou lucro líquido de R$ 134,679 milhões no segundo trimestre, o que representa uma queda de 69,3% ante os R$ 439,240 milhões no mesmo intervalo de 2009. O resultado ficou em linha com as projeções de analistas, que esperavam uma queda de 69% em relação ao segundo trimestre de 2009, para uma média de R$ 136,1 milhões. A Agência Estado considera que o resultado está em linha com as projeções quando a variação para cima ou para baixo é de até 5%.

Altas

Na lista de maiores altas do Ibovespa resistem papéis de empresas voltadas ao mercado interno, de caráter mais defensivo ou ainda que registram fortes quedas nos últimas semanas e agora passam por ajuste. Lojas Renner lidera a lista com valorização de 1,23%, seguida por JBS (+0,99%), Cyrela (+0,57%), Telemar PNA (+0,54%), Copel PNB (+0,36%) e Telemar PN (+0,20%). Cyrela e Copel também se beneficiam da expectativa do mercado em relação aos balanços do segundo trimestre, previstos para serem divulgados hoje após o fechamento do mercado.


Fonte: Estadão

sexta-feira, 6 de agosto de 2010

Novas cédulas do real começam a circular em novembro

Por Cirilo Junior

As novas cédulas do real começaram a ser feitas nesta sexta-feira na Casa da Moeda, no Rio de Janeiro. As notas de R$ 50 e R$ 100 começarão a circular em novembro. As demais, a partir de 2012.

Segundo o diretor administrativo do Banco Central, Anthero Meirelles, as cédulas deixarão de circular dentro de dois a três anos. "O BC vai começar a receber essas novas cédulas e teremos que montar um estoque para fazer a distribuição em todo o país", disse.

Além desse prazo para formar estoques, completou Meirelles, o intervalo até novembro servirá para os bancos adaptarem as máquinas às novas cédulas. O diretor do BC disse ainda que a autoridade monetária fará uma campanha educativa para mostrar à população as características da nova cédula.



As novas notas têm impressão superior e elementos de segurança --como a marca d'água-- foram redesenhados de forma a facilitar a identificação pela população e dificultar a falsificação.

Nas notas de R$ 50 e R$ 100 foi incluída uma faixa holográfica com desenhos personalizados por valor, o que, de acordo com o BC, é um dos mais sofisticados elementos anti-falsificação existentes.

O projeto das novas cédulas vem sendo desenvolvido desde 2003 pelo Banco Central e pela Casa da Moeda do Brasil. As notas atenderão ainda a uma demanda dos deficientes visuais, já que poderão ser identificadas por seus tamanhos diferentes e terão marcas táteis em relevo aprimoradas em relação às já existentes.

A Casa da Moeda modernizou seu parque fabril para poder produzir as novas moedas. Com isso, de acordo com o Banco Central, o órgão tem tecnologia para imprimir hoje qualquer moeda existente no mundo, incluindo o dólar e o euro.

CORES

As novas notas mantiveram as mesmas cores das antigas e os mesmos animais. Os tamanhos serão diferentes, a de R$ 2 é a menor, a de R$ 5 um pouco maior, e assim sucessivamente, a exemplo do euro.

A frente da cédula está visualmente mais limpa, mantida a efígie da República. A cédula ganhou, do lado direito, uma faixa com o valor da nota escrito e, do lado esquerdo, um grafismo com figuras do habitat de cada animal --a nota de R$ 100, por exemplo, que tem uma garoupa no verso, ganhou na frente figuras que remetem ao mar.

No verso, as figuras de animais foram modificadas e estão agora na horizontal. A nota de R$ 50, por exemplo, traz a mesma figura da onça pintada, agora deitada sobre uma pedra.


Fonte: Folha.com

quarta-feira, 4 de agosto de 2010

Salário mínimo deveria ter sido de R$ 2.011,03 em julho, calcula Dieese

Por Flavio Leonel

SÃO PAULO - O salário mínimo do trabalhador do País deveria ter sido de R$ 2.011,03 em julho para que ele suprisse suas necessidades básicas e da família, conforme estudo divulgado nesta quarta-feira pelo Departamento Intersindical de Estatística e Estudos Socioeconômicos (Dieese). A constatação foi feita por meio da utilização da Pesquisa Nacional da Cesta Básica do mês passado, realizada pela instituição em 17 capitais do Brasil.

Com base no maior valor apurado para a cesta no período, de R$ 239,38, em São Paulo, e levando em consideração o preceito constitucional que estabelece que o salário mínimo deve ser suficiente para garantir as despesas familiares com alimentação, moradia, saúde, transportes, educação, vestuário, higiene, lazer e previdência, o Dieese calculou que o mínimo deveria ter sido 3,94 vezes maior que o piso vigente no Brasil, de R$ 510.

Os valores são menores que os apurados para junho, quando o mínimo necessário foi estimado em R$ 2.092,36 (4,10 vezes o piso em vigor). Em julho de 2009, o Dieese calculava o valor necessário em R$ 1.994,82, ou 4,29 vezes o mínimo então em vigor, de R$ 465.

A instituição também informou que o tempo médio de trabalho necessário para que o brasileiro que ganha salário mínimo pudesse adquirir, em julho de 2010, o conjunto de bens essenciais diminuiu, na comparação com o mês anterior. Na média das 17 cidades pesquisas pela instituição, o trabalhador que ganha salário mínimo necessitou cumprir uma jornada de 91 horas e 50 minutos para realizar a mesma compra que, em junho, exigia a realização de 94 horas e 56 minutos. Em julho de 2009, a mesma compra necessitava o cumprimento de 97 horas e 12 minutos.


Fonte: Estadão

sexta-feira, 30 de julho de 2010

Índia pode ser 'nova China' para América Latina, diz estudo

Por Alessandra Corrêa

Com crescimento variando entre 6,5% e 8% na última década e uma população de mais de 1 bilhão de habitantes, a Índia tem potencial para ocupar um papel até agora reservado à China nas economias da América Latina e do Caribe, diz um estudo elaborado pelo Banco Interamericano de Desenvolvimento (BID).

Assim como a emergência da China transformou as economias latino-americanas, abrindo um grande mercado para exportação, principalmente de produtos básicos, o avanço do novo gigante asiático poderá ter um impacto igualmente profundo, tanto no comércio quanto em investimentos em bens e serviços, diz o autor do estudo, Maurício Mesquita Moreira, economista do setor de Comércio e Integração do BID.

"A Índia não tem como atender a sua demanda com produção interna", diz Moreira. "A América Latina tem os recursos naturais de que a Índia precisa para crescer e prosperar."

Segundo o economista, do mesmo modo como ocorreu com a China, essa abundância de oferta na América Latina, aliada à crescente demanda indiana, seria mais do que suficiente para impulsionar uma grande ampliação no comércio bilateral.

"A Índia será forçada (a ampliar o comércio bilateral), assim como a China foi. No caso com a China, (se deu) não porque fizemos muito esforço, mas porque eles precisavam (de matéria-prima)", afirma.

Evolução

No entanto, diferentemente da relação com a China, a parceria entre a América Latina e a Índia ainda não se concretizou e enfrenta problemas.

Até 1999, o volume de comércio da América Latina com a China e com a Índia era semelhante e, em ambos os casos, pouco significativo. A partir de 2000, porém, o comércio bilateral com a China explodiu, enquanto as trocas com a Índia não evoluíram.

Dados reunidos no estudo do BID revelam que, em 2007, a China respondia por uma fatia de 6,3% do comércio total da América Latina, enquanto a Índia representava apenas 0,6%.

"O comércio com a Índia continua sendo medíocre", diz Moreira. "Já houve alguma evolução. O Ibas (grupo que reúne Índia, Brasil e África do Sul) é um avanço importante. O acordo com o Mercosul já é um passo. Mas ainda não é o suficiente."

De acordo com o economista, a não ser que incluam um número maior de países e de produtos, esses acordos não são suficientes para resolver a questão.

Segundo o relatório, um crescimento de 1% no PIB (Produto Interno Bruto) da China gera aumento de 2,4% nas exportações latino-americanas. Em relação à Índia, 1% de avanço no PIB representa crescimento de 1,3% nas vendas externas da América Latina.

Tarifas

Moreira diz que as tarifas impostas sobre exportações latino-americanas para a Índia, especialmente na área agrícola, ainda são "quase proibitivas". As tarifas sobre exportações indianas para a América Latina também são altas.

Além disso, o comércio bilateral enfrenta ainda barreiras não-tarifárias e altos custos de transporte.

Segundo o economista, apesar das frequentes declarações de comprometimento com comércio bilateral e integração, os governos dos dois lados ainda não agiram para resolver os obstáculos mais graves.

"O potencial seria muito maior se tanto a América Latina quanto a Índia levassem mais a sério a discussão de problemas, tivessem uma posição mais pró-ativa", diz Moreira.

Um aumento no comércio bilateral, afirma o economista, levaria ao fortalecimento de um "círculo virtuoso", com mais incentivos para cooperação entre duas regiões com renda per capita e padrões de produção semelhantes e, portanto, amplas possibilidades de troca de conhecimentos e de atuação conjunta em questões regulatórias globais.

Além das oportunidades no comércio, há um grande potencial na área de investimentos, diz Moreira. O estudo cita como exemplos desse potencial alguns investimentos feitos pelo Brasil na Índia, como as joint-ventures entre a Petrobras e a indiana ONGC, para exploração de gás, e entre a Marcopolo e a Tata Motors, para a fabricação de ônibus.

Brasil

O Brasil é o maior parceiro da Índia na América Latina e, segundo Moreira, a cooperação bilateral serve de exemplo para o resto da região.

De 1990 a 2008, Brasil e Índia assinaram 23 acordos e memorandos de entendimento em várias áreas.

O economista afirma que os memorandos de entendimento, apesar de serem versáteis e geralmente não necessitarem de aprovação pelo Congresso, muitas vezes não trazem objetivos claros e obrigatórios, como fontes de financiamento, o que pode levar a anos de atraso em sua implementação ou até mesmo à não-implementação.

"Essas experiências sugerem que a cooperação bilateral seria beneficiada por um cenário institucional mais forte", diz o relatório.

Outro problema, de acordo com Moreira, é a falta de dados precisos para medir objetivamente o impacto desses acordos bilaterais.

O economista menciona ainda o fato de a parceria "Sul-Sul" entre Brasil e Índia ser pragmática e que, apesar de os dois países terem estado do mesmo lado em várias questões políticas e econômicas mundiais, também há grandes divergências.

O estudo afirma que esse tipo de parceria, em que os países evitam se comprometer com colaboração baseada em ideologia e optam pela busca de resultados, "parece ser o melhor caminho para aproveitar as melhores oportunidades e maximizar os benefícios da cooperação entre a América Latina e a Índia".

Competição


Ao mesmo tempo que representa uma imensa oportunidade de comércio e investimentos, porém, a emergência da Índia também traz desafios à América Latina, especialmente no que se refere à exportação de manufaturados.

Segundo o relatório do BID, os governos latino-americanos devem prever um cenário em que a Índia venha a se tornar, assim como ocorreu com a China, um importante exportador de manufaturados, aumentando as dificuldades dos países da região em competir nesse setor.

De acordo com o estudo, isso só aumenta a urgência de implementar uma agenda para resolver as deficiências da América Latina em termos de educação, acesso a crédito, investimentos em ciência e tecnologia e infra-estrutura.

Fonte: BBC Brasil

quinta-feira, 29 de julho de 2010

Setor público faz economia maior para pagar juros no semestre

Por Eduardo Cucolo

A economia do setor público para pagar os juros da dívida (superavit primário) cresceu 13,6% no semestre e ficou em R$ 40,1 bilhões, segundo dados do Banco Central.

Nos primeiros seis meses do ano, o governo central (Tesouro Nacional, Banco Central e Previdência) contribuiu com R$ 24,767 bilhões, enquanto os governos estaduais com R$ 13,966 bilhões e os municipais com R$ 1,993 bilhão. As empresas estatais, excluída a Petrobras, apresentaram deficit primário de R$ 621 milhões.

Somente no mês de junho, o resultado foi de R$ 2,1 bilhões, 44% acima do registrado em maio, mas abaixo dos 3,4 bilhões registrados no mesmo período do ano passado. O governo central e os governos regionais registraram superavits de R$ 746 milhões e R$ 1,7 bilhão, respectivamente, enquanto as empresas estatais registraram deficit de R$ 387 milhões.

O valor economizado no ano equivale a 2,36% do PIB. Em 12 meses, está 2,07% do PIB (R$ 69,4 bilhões), abaixo da meta de 3,3% para este ano.

A dívida líquida do setor público atingiu R$ 1,39 bilhão (41,4% do PIB, mesmo patamar registrado no mês anterior).

O resultado primário é a diferença entre as receitas e as despesas, excluídos os juros da dívida pública. Ao serem incluídos os gastos com juros, tem-se o resultado nominal que, em junho, apresentou deficit de R$ 13,621 bilhões, contra R$ 10,130 bilhões registrados em igual período de 2009.

No primeiro semestre, o deficit nominal chegou a R$ 51,229 bilhões, contra R$ 43,682 bilhões no mesmo período do ano passado. Em 12 meses, encerrados em junho, o deficit nominal é de R$ 112,169 bilhões ou 3,35% do PIB.


Fonte: Folha.com

quinta-feira, 22 de julho de 2010

A grande imprensa e o nascimento do novo

Por Gilson Caroni Filho

Em pleno ano eleitoral de 2002, o governo submergia em sérios escândalos na área econômica. O presidente do Banco Central, Armínio Fraga, e o diretor de Política Monetária da mesma instituição, Luiz Fernando Figueiredo, eram acusados pelo presidente interino da Agência Nacional de Telecomunicações (Anatel) de fazer lobby em favor das empresas de telefonia. Ambos teriam entregado à Câmara de Política Econômica, instância governamental, um texto preparado pela BCP, empresa que operava na banda B de telefonia celular em São Paulo. No documento eram recomendados aumentos de tarifas, mudanças contratuais beneficiando as operadoras e redução dos impostos que incidem sobre as contas dos consumidores.

Tinha mais. Havia sérias suspeitas de que técnicos de alto escalão do BNDES, do Tesouro Nacional, do Banco do Brasil e do Ministério da Fazenda fizeram uso de informações privilegiadas para compra e venda de ações do Banco do Brasil. Eram pessoas que trabalham nas mesmas instituições que desenharam o projeto de venda de 16,3% do capital do BB. O então ministro da Fazenda do governo FHC, Pedro Malan, mandou a Comissão de Valores Mobiliários (CVM) investigar as acusações. O problema é que o órgão fiscalizador abriu sindicância para apurar denúncias de irregularidades de funcionários em processo de cisão nas áreas de petroquímica e de papel e celulose. Em suma, em tempos do império do cassino, o melhor a fazer era, tal como na música de Chico Buarque, "chamar o ladrão".

O que revelam os parágrafos acima? Um cenário tétrico. Um governo corrompido em setores-chave de formulação e execução de sua política econômica. O resultado lógico de instituições que se redefiniram para melhor servir ao receituário neoliberal. Não havia acidentes de percurso. A banca internacional e a degradação interna de autoridades e órgãos que se desviavam de suas funções republicanas não eram obra do acaso. A segunda era um desdobramento lógico da primeira. E não atingia apenas instâncias econômicas; levava de roldão uma imprensa que a tudo silenciava. Por convergência de princípios e por ser sócia do jogo.

Os fatos aqui relatados não são fruto de uma exaustiva investigação pessoal. Resultam da leitura de novas mídias, em complementação entre o impresso e o digital, que vieram para disputar a hegemonia no campo da produção e difusão de informação. Veículos como Caros Amigos, Carta Capital e Carta Maior, entre outros, noticiaram o que a imprensa oligarquizada tratou de jogar para debaixo do tapete. Os profissionais que militam nesses espaços, ao invés de seguirem conhecidas orientações editoriais, cumpriram, já naquele pleito, a função básica de fiscalizar os poder público e estabelecer a construção de dispositivos contra-hegemônicos.

Por excelência, sempre denunciaram as malfeitorias do consórcio demo-tucano com amparo em sólido trabalho investigativo, tarefa irrenunciável de um jornalismo preocupado em atender os interesses dos novos sujeitos emergentes e dos movimentos sociais organizados.

Hoje, passados oito anos, vemos surgir novas formas de produção comunicativa que não se deixam submeter a outro imperativo que não seja o interesse do leitor. Nadando contra a corrente de uma imprensa de mercado e antinacionalista, não recusam os princípios que fundamentam a liberdade de imprensa, assegurada em qualquer regime democrático. O pluralismo está assegurado na cobertura dos fatos, no respeito ao contraditório e nos mais variados matizes ideológicos de seus colaboradores e articulistas.

Como veículos de cidadania, não se prestam a agenciamentos de interesses escusos, a distorções da realidade, infamando, como fazem as corporações, quem consideram adversários políticos. É bela a aula de jornalismo dada por espaços que se multiplicam com o surgimento de um governo comprometido com a luta da classe trabalhadora. Que mantêm na credibilidade, independente do formato, sua identidade central. Reafirmam o que disse, já há algum tempo, o jornalista Washington Novaes: "jornalismo não é profissão a ser exercida em nome próprio", mas por delegação da sociedade, a quem legitimamente pertence a informação?

Se a imprensa tradicional está desfigurada, reduzida à condição de boletim de campanha, com fanfarras eleitorais semeadas em praticamente todas as páginas, um fazer jornalístico alternativo, próprio dos que resistem , ameaça a sua até então granítica hegemonia. As eleições de outubro talvez venham a ser o divisor de águas do campo comunicativo. Fruto da massa crítica acumulada, o novo pode enfim nascer. E virá como desconcertante reconquista do futuro.

Fonte: Centro de Mídia Independente