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segunda-feira, 23 de agosto de 2010

Gasto de brasileiros no exterior bate novos recordes nas férias de julho

Por Eduardo Cucolo

As despesas dos brasileiros que viajam para o exterior ou fazem compras pela internet em sites estrangeiros bateram recorde em julho e no acumulado de 2010.

Segundo dados do Banco Central, foram gastos US$ 1,54 bilhão no mês passado, valor recorde para todos os meses da série iniciada em 1947.

Entre janeiro e julho foram US$ 8,6 bilhões, outro recorde. Houve aumento de quase 60% em relação ao mesmo período de 2009 (US$ 5,5 bilhões).

FATORES

A estabilização do câmbio em um patamar abaixo de R$ 2,00 e o crescimento da renda têm sido fatores importantes para aumentar esses gastos.

O gasto com viagens internacionais é um dos componentes das contas externas do país e tem contribuído para piorar as transações correntes. Isso porque o ritmo de aumento dos gastos dos brasileiros não foi acompanhado pelo crescimento do turismo estrangeiro no país.

As despesas dos turistas que visitam o Brasil passaram de US$ 3 bilhões para US$ 3,4 bilhões neste ano.

A diferença nessa conta já chega a US$ 5,2 bilhões e deve terminar o ano em US$ 8 bilhões, segundo o BC.

INVESTIMENTO

Os investimentos estrangeiros diretos no Brasil cresceram em julho, para US$ 2,6 bilhões, ante US$ 708 milhões no mês anterior, segundo o BC.

Mais uma vez, o valor ficou abaixo do deficit do país nas suas transações com o exterior, que ficou em US$ 4,5 bilhões no mês passado.

No ano, os investimentos somam US$ 14,7 bilhões, ainda distante da previsão de US$ 38 bilhões feita pelo BC.

O deficit acumulado está em US$ 28,3 bilhões, praticamente o dobro dos investimentos.

AÇÕES

Os investimentos estrangeiros em ações somaram US$ 7,1 bilhões no primeiro semestre de 2010, valor recorde da série iniciada em 1947, segundo dados do Banco Central, divulgados no final de julho.

Os estrangeiros aplicaram ainda mais US$ 9,3 bilhões em títulos públicos no país e US$ 2,6 bilhões em ADRs (recibos de ações brasileiras negociados no exterior).

Em junho, entraram no país US$ 1,9 bilhão em ações e US$ 1,4 bilhão em renda fixa (títulos públicos).

Fonte: Folha.com

quinta-feira, 5 de agosto de 2010

Em 2010, mais de 200 mil eleitores brasileiros votam no exterior

De São Paulo

Dos 135.804.433 eleitores aptos a votar, 200.392 residem no exterior e requereram transferência do domicílio para os países em que vivem atualmente, informa o TSE (Tribunal Superior Eleitoral). Esses eleitores poderão votar apenas para os cargos de presidente e vice-presidente.

Segundo o TSE, são 260 eleitores com idade menor que 18 anos; 5.803 entre 18 e 20 anos; e 12.116 entre 21 a 24 anos. O número mais representativo de eleitores está na faixa etária de 25 a 59 anos, somando 168.480 (53.415 eleitores com 25 a 34 anos; 57.559 com 35 a 44 anos; 57.506 com 45 a 59 anos).

Os eleitores que têm entre 60 a 69 anos totalizam 10.707; de 70 a 79 anos são 2.307 e com idade superior a 79 anos, 716.

Há eleitores brasileiros domiciliados nos cinco continentes, mas os três maiores eleitorados estão em Nova York (21.076), Lisboa (12.360) e Boston (12.330).

Nas três últimas eleições presidenciais o número de brasileiros residentes no exterior aptos a votar teve um aumento expressivo, passando de 69.937 no ano de 2002 para 86.360 registrados em 2006 e ultrapassando os 200 mil eleitores para as eleições do próximo dia 3 de outubro.

VOTAÇÃO

As missões diplomáticas ou as repartições consulares serão responsáveis por informar aos eleitores hora e local de votação. As seções serão organizadas para funcionar nas sedes das embaixadas, nas próprias repartições consulares ou locais em que funcionem serviços do governo brasileiro.

O eleitor regularmente inscrito no exterior que não puder comparecer à sua seção eleitoral no dia do pleito deverá, também, justificar sua ausência, "mediante requerimento dirigido ao juiz eleitoral da Zona Eleitoral do Exterior, a ser entregue à repartição consular ou missão diplomática".

Se não votar e deixar de justificar sua ausência, além das demais penalidades previstas para quem não vota no território nacional, o eleitor residente fora do país ficará sujeito, ainda, à proibição de requerer qualquer documento perante a repartição diplomática a que estiver subordinado, enquanto não se justificar.


Fonte: Folha.com

terça-feira, 27 de julho de 2010

Investimento de multinacionais brasileiras no exterior bate recorde

Por Fabrícia Peixoto

A participação de empresas brasileiras no mercado externo, processo também conhecido como internacionalização, bateu recorde no primeiro semestre deste ano, com negócios que somaram US$ 12 bilhões.

Esse é o melhor resultado para um semestre desde que o Banco Central começou a fazer o levantamento, em 1968.

No conceito de participação, a autoridade monetária considera a compra total ou parcial de uma empresa no exterior, inclusive por meio de uma maior participação acionária.

O resultado reflete uma forte recuperação em relação ao ano passado, quando os negócios somaram apenas US$ 1,1 bilhão, em função principalmente da crise econômica internacional.

Causas

Para especialistas, a retomada dos investimentos brasileiros no exterior é consequência, dentre outros fatores, da desvalorização de empresas estrangeiras, que ainda não se recuperaram da crise.

"Empresas americanas e europeias ainda não recuperaram seu valor de mercado. E como as brasileiras estão com dinheiro em caixa, puderam avançar no exterior", diz o professor Jase Ramsey, da Fundação Dom Cabral.

Outra razão, segundo ele, está em uma "vantagem artificial": a valorização do real frente ao dólar, que dá maior poder de compra às empresas brasileiras.

"Sem dúvida, o artíficio cambial ajuda. Mas ao mesmo tempo, precisamos reconhecer que as companhias brasileiras conseguiram passar pela crise com dinheiro em caixa. É mérito delas também, que saíram da turbulência relativamente mais fortes", diz Ramsey.

Na avaliação do professor de comércio internacional da Fundação Instituto de Administração (FIA), José Roberto Araújo Cunha, a internacionalização das empresas brasileiras, além de ser uma questão de "sobrevivência" em certos setores, também traz "benefícios" para a economia interna.

"Aquele pensamento de que estaríamos exportando empregos é parte do passado. As empresas que vão para o exterior ganham competitividade e, assim, conseguem praticar preços interessantes para o consumidor brasileiro", diz.

Oportunidade

A lógica é a da "perda de oportunidade". Ou seja, se a empresa brasileira não entrar no mercado americano, por exemplo, companhias de outras nacionalidades – como chinesas e coreanas – vão ocupar esse espaço.

"E quando isso acontece, elas ganham escala e podem praticar preços menores. Já as brasileiras perdem espaço lá fora e ainda correm o risco de ter seu produto com competidores mais baratos inclusive no mercado doméstico", diz.

Cunha cita o setor de autopeças brasileiro como um exemplo de setor que já foi forte, mas que deixou de se internacionalizar e acabou perdendo competitividade.

Uma das empresas brasileiras que mais se internacionalizaram nos últimos anos, a Gerdau também está entre aquelas que aproveiram para fazer negócios no semestre, com um investimento de US$ 1,6 bilhão na Ameristeel, baseada nos Estados Unidos, onde já era majoritária.

O professor da FIA diz que as empresas buscam espaço em outros mercados não apenas para ampliar seus lucros, mas também para ter acesso direto ao consumor – especialmente quando existem barreiras comerciais.

"Vários países impõem barreiras tarifárias ou não-tarifárias à importação de certos produtos. Muitas vezes, as empresas estrangeiras não conseguem exportar e acabam abrindo unidades nesses mercados", diz.

“As empresas brasileiras estão fazendo o que as asiáticas fizeram há 30 anos”, diz.

Fonte: BBC Brasil