segunda-feira, 31 de janeiro de 2011

O Twitter só não faz revolução. Mas ajuda

Por Jadyr Pavão Júnior e Rafael Sbarai

Uso de redes sociais, blogs e celulares em levantes populares como os ocorridos no Egito e Tunísia mostra que essas tecnologias podem ajudar a coordenar manifestações contra ditaduras, avessas à liberdade de informação

Nas últimas semanas, o mundo assistiu apreensivo e esperançoso ao sopro de inconformismo que fez balançarem duas ditaduras velhas de décadas. É uma situação tão rara no mundo árabe quanto a passagem do cometa Halley pela vizinhança da Terra. A soma de insatisfações – incluindo a ausência de liberdade de expressão – fez com que milhares de pessoas marchassem em protesto pelas ruas de Egito e Tunísia, de onde o ditador Zein al-Abidine Ben Ali foi catapultado. Nos dois casos, manifestantes contaram com a ajuda, em graus a serem precisados, de componentes cada vez mais comuns em situações desse tipo (confira o infográfico abaixo): a internet e o telefone celular. Na Tunísia, ativistas utilizaram Twitter e Facebook para organizar protestos. No Egito, blogs e também as redes sociais. Os episódios reaquecem o debate sobre qual é, afinal, o potencial dessas tecnologias quando o assunto é ativismo político, e opõem dois grupos de analistas: os "ciber-utópicos", que acham que blogs e celulares tudo podem, e os "ciber-céticos", que pensam o oposto. Vale adiantar: como é de sua natureza, os radicais radicalizam, e o potencial do ativismo via tecnologia está em um ponto entre os extremos.

A turma dos ciber-utópicos fez seu début em junho de 2009, depois que os iranianos saíram às ruas para protestar contra a eleição fraudulenta que reconduziu Mahmoud Ahmadinejad à presidência do país controlado pela ditadura dos aiatolás. O assunto foi o mais comentado do ano no Twitter, superando até a morte do astro pop Michael Jackson, o que levou os utópicos a cunhar a expressão "Revolução do Twitter" e a apostar que essa ferramenta seria responsável por revoluções. O trecho de um editorial do respeitado jornal americano Washington Post captou o clima (otimista) da época: "O imediatismo dos tweets foi emocionante, com um fluxo de atualizações com fotos e vídeos que mostrou um retrato de crise no país. O que estamos vendo é a chama tremulante da liberdade." Um assessor do ex-presidente dos Estados Unidos George W. Bush chegou a sugerir que o Twitter fosse indicado ao prêmio Nobel da Paz pelo papel na crise. O governo de Teerã, contudo, não caiu: reprimiu os protestos e bloqueou serviços de internet. O episódio deixou a impressão de que a turma dos ciber-utópicos sobrecarregara de expectativas as asas do Twitter, fazendo do microblog a panaceia antiditaduras.

A resposta dos ciber-céticos veio na mesma intensidade, em sentido oposto. O primeiro contra-ataque foi comandado pelo pesquisador iraniano Hamid Tehrani, que tentou colocar os fatos ocorridos no Irã em sua real dimensão. "Houve uma sobrevalorização do Twitter. O país contou com menos de 1.000 usuários ativos. O maior volume de informações propagadas no microblog veio do Ocidente, de pessoas que não estavam no local. Quando alguém comentou que havia 700.000 pessoas protestando em frente a uma mesquita, descobriu-se que apenas cerca de 7.000 pessoas compareceram", escreveu.

Se os ciber-utópicos haviam jogado a internet e o celular nas alturas, coube ao jornalista e escritor canadense Malcolm Gladwell colocá-los abaixo do chão, em artigo publicado pela revista New Yorker e entitulado "A revolução não será tuitada". O americano se apoiou em duas teorias clássicas. A primeira defende que o "ativismo de alto risco", aquele em que o indivíduo coloca a própria vida em risco, só é possível quando os participantes mantêm vínculos pessoais fortes – ou seja, depende de tête-à-tête. As redes seriam o inverso disso e só possibilitam vínculos frouxos – daí, a facilidade com que, sentadas na praia, com o notebook no colo, tantas pessoas aderem a abaixo-assinados em favor da independência do Tibete. Além disso, diz Gladwell, as redes, por natureza, conferem a todos os integrantes igual poder e nenhuma hierarquia – e organização e liderança são fundamentais ao ativismo político, prova a história.

Levante a levante, contudo, os argumentos dos ciber-céticos são enfraquecidos pela realidade. Ditaduras como Bielorrússia, Moldávia e Tailândia, além de Egito e Tunísia, já conheceram o impacto que a tecnologia pode emprestar à oposição. No caso da Tunísia, universitários lançaram mão de Twitter e Facebook para organizar protestos. O estopim foi a morte de Mohamed Bouazizi, vendedor ambulante que teve sua mercadoria apreendida pela polícia e, desesperado, ateou fogo ao próprio corpo na pequena cidade de Sidi Bouzid. A população local protestou. Para atrair simpatizantes, ativistas compartilharam com concidadãos, via rede, documentos vazados pelo site WikiLeaks que mostravam casos de corrupção no governo. Um dado eloquente: um em cada cinco tunisianos está cadastrado no Facebook. Ou seja: ao contrário do Irã, não há razão para duvidar da informação de que a população teve acesso à agitação virtual.

O fato de os céticos estarem errados significa, necessariamente, que os utópicos estão certos? Não. No caso da Tunísia, o movimento antigoverno de fato contou com ajuda das redes. Mas, ao chegar às ruas, ganhou sua própria dinâmica, atingindo a capital, Tunis, e só derrubou o ditador Ben Ali após quase um mês de pancadaria no "mundo real". "É questionável a tese de que as redes já têm um papel determinante em uma revolução", afirma o espanhol Enrique Dans, professor de sistemas de informação da IE Business School. "Mas é fato que elas atuam na coordenação de informações e, assim, assumem relevância nessas situações." Não por acaso, a secretária de Estado americana, Hillary Clinton, defende que a liberdade de informação, em geral, e o acesso à internet, em particular, são elementos definidores do destino de cidadãos de todo o mundo – especialmente daqueles que vivem sob o jugo de ditaduras.

Outro defensor da ideia de que blogs, redes e afins podem atuar como propagadores de informação, Clay Shirky, professor de novas mídias da Universidade de Nova York, aposta que essas ferramentas podem provocar não apenas vendavais contra ditaduras, mas também brisas para democracias. O caso exemplar seria a eleição espanhola que se seguiu aos atentados terroristas de 2004. No dia 11 de março, bombas explodiram em trens de Madri, matando cerca de 200 pessoas. O então primeiro-ministro José María Aznar veio a público e atribuiu a ação ao grupo separatista basco ETA, que há décadas desafia Madri. Alguém desconfiou da versão. Segundo Shirky, o torpedo contra Aznar partiu de uma mensagem de texto (SMS) que circulou inicialmente entre cinco pessoas e dizia que, com a história, Aznar fazia um cálculo político. A poucos dias da eleição, ele tentava desviar a atenção pública da real mandante dos ataques, a Al Qaeda, que se voltara contra a Espanha porque o país participava militarmente da ocupação do Iraque. A mensagem teria sido replicada à exaustão entre eleitores. No dia 14 de março, José Luis Rodriguez Zapatero, que até então não era favorito na eleição, saiu vitorioso das urnas. A Espanha iniciou a retirada do Iraque naquele mesmo ano.

Ditadores nas redes

A força da tecnologia não foi percebida apenas pelos opositores e democratas. Ditadores a conhecem. Às vezes, eles tentam usá-la em benefício próprio. Outras, esmagá-la. Nesta semana, os serviços de internet e telefonia móvel foram suspensos no Egito, horas antes de uma manifestação de opositores prevista para acontecer em várias cidades do país. Foi a expressão do que o ministro egípcio do Interior, Habib al Adly, definira como "medidas drásticas e decisivas" para conter os protestos. Às vésperas de cair, o ditador tunisiano teria tentado impor o mesmo tipo de controle sobre as comunicações - tardiamente, contudo. Teerã levou o bloqueio de serviços a cabo em 2009. Ahmadinejad mostrou também seu lado ardiloso: determinou o desbloqueio do Facebook por um período determinado com o objetivo de identificar dissidentes. Recentemente, um tribunal do país condenou Hossein Derakhshan, um dos primeiros blogueiros locais, a mais de 19 anos de prisão por "cooperação com países hostis, propaganda política e insulto a figuras religiosas". Derakhshan ficou conhecido por publicar na rede instruções sobre como iniciar um blog no idioma farsi, dando início à explosão de blogs na língua oficial do Irã.

Em outros casos, os governos promovem contra-ataques pelas redes. Fazem perceber que permanece atual o famoso alerta do político americano Hiram Johnson, segundo o qual, na guerra (ainda que virtual), a verdade é a primeira vítima. Na Moldávia, em 2009, funcionários do governo criaram perfis falsos no Twitter com a missão de espalhar boatos e provocar instabilidade no país. O objetivo era justificar medidas de força por parte do governo comunista. "O fato de que há governos ditatoriais tentando cercear a liberdade de expressão da população demonstra que as plataformas digitais têm sua importância no embate político", avalia Adriana Amaral, professora do programa de pós-graduação em ciências da comunicação na Unisinos. A revolução pode não ser tuitada, como previu Malcolm Gladwell, no sentido de que um Twitter só não faz a revolução. Mas as que acontecerem no século XXI, é certo, passarão pelo Twitter e similares.

Fonte: FNDC

sexta-feira, 28 de janeiro de 2011

Redes sociais reduzem o uso do e-mail

Redação Coletiva.net

O uso do e-mail vem sendo ameaçado pela expansão das redes sociais. É o que registra o estudo realizado pela empresa comScore, dos Estados Unidos. A pesquisa aponta que, enquanto os usuários mais velhos se mantêm apegados à ferramenta, os adolescentes estão trocando o e-mail pelas redes sociais. De acordo com os dados, a queda no uso chegou a 24% em 12 meses.

No último ano, o número de usuários de sites que oferecem serviços de e-mail, como o Gmail (Google) e Hotmail (Microsoft), caiu cerca de 6% em audiência, além de reduzir em 10% o tempo gasto pelos internautas nesses endereços. O que aumentou 36% neste período foi o número de acessos a caixas de mensagens através dos telefones celulares, o que mostra a mudança de cultura no meio digital. “O declínio no uso do email é só uma prova desta nova dinâmica, onde impera a comunicação sob demanda e atendida por diversas opções", avaliou Mark Donovan, vice-presidente de mobile da comScore.

Instituição elabora linha de tempo do fim dos jornais impressos

Redação Coletiva.net

Nos Estados Unidos, o processo deverá ter início em 2017. No Brasil, em 2027. No Uruguai, em 2035. E, na Argentina, em 2039. Estes são os anos em que os jornais impressos deverão começar a se tornar insignificantes como players do mercado de comunicação, na forma em que existem hoje. Em alguns países, a data deverá se estender para além de 2040.

A previsão foi elaborada pela Future Exploration Network, instituição americana que auxilia organizações de mídia a elaborar estratégias e inovações e se ajustar ao futuro. O estudo ressalta que a perda de importância do jornal em sua forma atual não representa a morte de notícias em papel, que deverá continuar existindo em outra variedade de formas – produção mais personalizada de notícias e ocupação de nichos de mercado, por exemplo.


A Future Exploration Network também apontou o que considera fatores-chaves nesse processo, tanto do ponto de vista global como nacional – que, na verdade, poderia ser melhor especificado como regional. No cenário global, estão os avanços de dispositivos móveis e de tabuletas de leitura digital, mudanças na produção e no custo de impressos, desenvolvimento de plataformas abertas, entre outros. No cenário regional, aparecem a consolidação da banda larga, disparidades de riqueza, a redução da regulação por parte de governos, a queda da disposição para pagar por notícias, entre outras.


A percepção de que o destino dos jornais impressos é relativo à realidade de cada país foi apontada em reportagem publicada na edição de 2010 da revista Coletiva Tendências. O fenômeno havia sido apontado tanto pelo diretor de redação do Correio do Povo, Telmo Flor, quanto pelo diretor da Associação Internacional de Marketing de Notícias, Earl Wilkinson, que se manifestou sobre o assunto em novembro, em encontro da entidade em São Paulo. Wilkinson, no entanto, foi mais generoso com o futuro dos jornais impressos brasileiros, prevendo a continuidade da mídia até, pelo menos, 50 anos.

Regulamento de cabo deve entrar em consulta em março

Redação Tal Viva

Em breve a Anatel deverá entrar na reta final da reforma das regras para a oferta de TV a cabo no país. O conselheiro João Rezende disse nesta quinta-feira, 27, que o novo Regulamento de TV a Cabo deve entrar em consulta pública em março deste ano. Por enquanto, o documento está sendo revisto pela Superintendência de Serviços de Comunicação de Massa (SCM). Mas Rezende, que é o relator da proposta no Conselho Diretor, está otimista de que o documento será finalizado rapidamente.

O regulamento é a última parte de uma longa reforma nas regras de TV por assinatura promovida pela Anatel com o intuito de abrir o setor para novos concorrentes. Esse processo teve início com a edição de uma medida cautelar suspendendo o limite no número de outorgas por cada município brasileiro. Essa suspensão já foi formalizada com a aprovação de um novo planejamento do serviço no ano passado. E, com isso, a agência abriu caminho para que novas prestadores de TV por assinatura entrem no mercado sem que haja um limite ao número de outorgas. As mais interessadas no serviço são as concessionárias de telefonia fixa, que querem empacotar múltiplos serviços.

A atualização do regulamento é muito importante neste momento de renovações de licenças e emissão de novas outorgas especialmente por trazer o preço que essas autorizações terão. A Anatel já sinalizou por duas vezes - na aprovação do planejamento e, hoje, na definição do custo das renovações - que cobrará o preço administrativo pelas outorgas, de R$ 9 mil. Mas o valor só será formalizado quando a agência incluí-lo formalmente no novo regulamento.

Renovações

Outros documentos envolvendo a oferta de TV a cabo deverão passar por consulta pública no próximo mês. São as condicionantes para a renovação das outorgas de TV a cabo que vencem a partir do dia 12 de dezembro deste ano, como adiantou este noticiário. A regra geral manda que a Anatel coloque em consulta cada uma das licenças que serão renovadas. Mas, como 79 outorgas estão em prestes a vencer, a agência reguladora resolveu juntar em um mesmo processo as licenças pertencentes a cada grupo de mídia interessados, para permitir um acesso mais organizado aos dados.

Assim, serão colocados em consulta os condicionamentos para 18 grupos (veja lista abaixo). A necessidade de divulgar as condicionantes à sociedade já estava prevista, mas até então a Anatel não havia confirmado quando e como iria apresentar os dados.

A agência não entrou em detalhes sobre as condicionantes, restringindo apenas a dizer que elas serão focadas na expansão e melhoria da qualidade do serviço. Mas as diretrizes já foram expostas no manual para o pedido de licenças novas, associado ao novo planejamento de cabo. Basicamente, a agência trabalha na imposição de metas de abrangência, fazendo com que as empresas ampliem sua área de atuação. Vale lembrar que essas outorgas que vencem entre 2011 e 2012 não possuíam nenhum compromisso de atendimento, por serem originárias do serviço de DISTV lançado em 1996, quando as condicionantes não era a praxe do setor.

Pontuação

A grande novidade está no método de apuração do cumprimento dessas obrigações. A agência pretende estipular uma espécie de sistema de pontuação, onde a classe social das residências atendidas pela empresa influencia o cumprimento da meta. Simplificando o sistema, clientes com maior poder aquisitivo (classes A e B) contam mais "pontos" para o cumprimento das metas do que os clientes das classes D e E. Na prática, o sistema torna mais fácil o cumprimento das obrigações pelas empresas que hoje atuam em áreas com populações mais abastadas.

À primeira vista, o modelo pode parecer um contrasenso para uma agência que pretende estimular a expansão dos serviços. Mas, na verdade, o sistema simplesmente admite uma realidade natural do mercado: de que as empresas, sem condicionantes, concentraram-se nas áreas mais rentáveis para promover sua oferta. Assim, espera-se que, consciente dessa realidade, a agência imponha metas equilibradas o suficiente para garantir uma expansão mínima da oferta, mesmo admitindo que a concentração desse serviço está nas classes A e B atualmente.

Fonte: Tela Viva

quinta-feira, 27 de janeiro de 2011

TELENOVELAS - Os anos rebeldes

Por Valério Cruz Brittos e Francine Bandeira

Quando Pedro Damián negociou com a produtora Cris Morena Group os direitos de produção local da telenovela Rebelde Way não sabia que a trama – derivada de um original argentino – teria tanta repercussão, na mídia e no comércio, dentro e fora do México. Seguindo a velha fórmula de fazer novelas adolescentes, Rebelde, exibida no Brasil entre 2005 e 2007 pelo SBT (Sistema Brasileiro de Televisão), trouxe seis jovens cheios de complexos e sensualidade que tinham um interesse em comum: a música.

Até aí, tudo bem, telenovela mexicana, SBT, meninas de saias curtíssimas, cabelos com mechas coloridas, rebeldias e crianças assistindo. Crianças assistindo?! Durante dois anos de exibição, a narrativa gerou discussões e diversos posicionamentos contrários e a favor do melodrama. Pais, professores e psicólogos versus crianças, mídia e comerciantes. Não que os comerciantes tenham assistido à novela. O fato é que eles muito lucraram com a febre de rebeldia daquela época (assim como buscam rentabilizar outras rebeldias, posicionamentos e sensações).

Apresentem-se os números: a média de público estimado em shows no Brasil, em 2006, foi de 700 mil pessoas, 44 milhões de chicletes foram mascados, 150 mil bonecas foram manipuladas por crianças e, incrivelmente, até por adultos, com venda de 10 milhões de revistas e pôsteres, todos levando a marca "Rebelde". O consumo fala mais alto sempre e as lojas eram lotadas de produtos relacionados à produção e à banda RBD, que saiu da ficção para as paradas de sucesso e shows lotados de fãs orgulhosos. Foi uma grande festa para o comércio brasileiro.

Uma (falsa) realidade bonita

O canal SBT já exibiu telenovelas direcionadas para o público infantil vistas com bons olhos por pais e educadores, duas delas tendo sido produzidas pelo mesmo produtor de Rebelde: Vovô e Eu e Luz Clarita. As tramas traziam crianças como protagonistas, deixando a realidade mais próxima de quem as assistia. Diferente, contudo, deRebelde, que carregava um elenco adulto interpretando jovens de 15 a 17 anos.

O figurino (saia curta, gravata e bota de cano alto) era mais ousado – ao contrário da versão argentina –, explorando descaradamente a sensualidade das atrizes, o que ajudou no sucesso da novela, obviamente. Não havia lugar onde não se encontrasse uma criança com esse tal uniforme imitando poses das personagens. Psicólogos se arriscam a dizer que o fanatismo das crianças se deve ao fato da novela mostrar uma (falsa) realidade bonita, próxima da perfeição e com personagens belos. Professores denunciam alunas que usavam maquiagem carregada no período matutino – imitação de uma das protagonistas: a "rebelde" mais rebelde, Roberta Pardo.

Botas de cano alto, gravatas desalinhadas

A mídia pescou, faz tempo, que o belo atrai (também) o público infantil, e usa isso como estratégia para fisgar telespectadores. A realidade mostrada encanta qualquer um: Elite Way School era um colégio de prestígio frequentado por alunos de classe média alta que desfilavam pelos corredores com notebooks, celulares de última geração, motoristas, limusines e todo esse universo que o dinheiro pode proporcionar.

Talvez a discussão volte neste 2011, já que a Rede Record está envolvida no desenvolvimento da Rebelde brasileira. Diferente da mexicana, que contava com um elenco conhecido, a emissora vai apostar em novos talentos. Aos poucos estão divulgando fotos e informações, todo um mistério capaz de instigar mais aquele público que ficou órfão quando o último capítulo da novela foi exibido, em 2007. Não se sabe se um grande sucesso é esperado, pois atualmente, da pré-adolescência em diante, os valores e modismos seguem em mutação permanente. Mas se a produção for similar à mexicana, pode-se esperar a volta das botas de cano alto e gravatas desalinhadas.