sexta-feira, 17 de setembro de 2010

Google TV estreia em 29 de setembro

Redação Adnews

A Logitech e a Sony estão com tudo pronto para o lançamento do Google TV, segundo entrevista do diretor de Comunicação do Google do Brasil, Felix Ximenes, à Cristina de Luca - do IDGNow!. O primeiro set-top box do gigante das buscas será lançado no mercado norte-americano em 29 de setembro por US$300.

O lançamento será próximo ao da previsão de chegada da Apple TV ao mercado. O serviço da marca da maçã será comercializado a US$99, com acesso aos vídeos da iTunes e do serviço Netflix. Já o Google oferecerá a liebrdade de navegação e consumo de produtos.

A Logitech não confirma oficialmente a informação, mas inseriu todas as notícias com referência ao preço e à data na área de clipping do site oficial do produto.

Fonte: AdNews

Regulação, o tema ausente

Por Luiz Egypto

Neste sábado (18/9) a televisão completa 60 anos de atividades no Brasil. Tudo começou por obra e graça do visionário Assis Chateaubriand, então controlador dos Diários Associados, à época o mais poderoso grupo brasileiro de mídia, dono de uma rede de jornais, revistas, agência de notícias e de propaganda, e emissoras de rádio a cobrir praticamente todo o país.

A pioneira TV Tupi começou a operar em São Paulo, em 1950. [No velho fragmento de um filme de 16mm exibido abaixo, captado no dia da inauguração, Assis Chateaubriand aparece por um átimo, de terno branco, discursando.]  

De lá para cá o meio televisão só fez ampliar a presença no Brasil, sobretudo a partir da decisão estratégia dos primeiros governos do regime imposto em 1964 no sentido de integrar o país por microondas, então uma tecnologia avançadíssima. Se a iniciativa tinha fortes implicações nas políticas de segurança nacional, prioritárias naquele momento, por outro lado suscitou um salto notável nas telecomunicações brasileiras.

A TV Globo já estava constituída e iniciava sua expansão nacional com base na infraestrutura disponível. A emissora havia sido instalada no Rio, em 1965, e o Jornal Nacional, primeiro telejornal transmitido em rede nacional, estreou em 1º de setembro de 1969, apresentado por Hilton Gomes e Cid Moreira. "O Jornal Nacional da Rede Globo, um serviço de notícias integrando o Brasil novo, inaugura-se neste momento: imagem e som de todo o Brasil", disse Gomes, na abertura do programa.

Dali em diante, para resumir ao exagero uma história de sessenta anos, o que se viu foi a transformação da televisão em mídia hegemônica no país, presente na quase totalidade dos lares brasileiros.

Pauta ausente

Cresceu e – malgrado ser uma concessão pública – converteu-se em negócio muito lucrativo, tanto do ponto de vista material como simbólico. A televisão vende produtos, dita comportamentos, produz cultura, tem o poder de pautar o debate público, eleger políticos e assassinar reputações. E se no Brasil estabeleceu um padrão de qualidade formal reconhecido internacionalmente, de outra parte não se tem aqui possibilidade alguma de comparação com os níveis de regulação a que esta mídia está submetida na maioria dos países democráticos. As normativas atinentes à televisão expressas na Constituição promulgada em 1988, em especial as consignadas no Artigo 221, até hoje esperam por regulamentação.

A televisão brasileira chega aos 60 anos carregando o DNA do seu fundador, Francisco de Assis Chateaubriand Bandeira de Melo (1892-1968), jornalista e empresário a quem sempre foi simpática a ideia de que os fins justificam os meios. Assim ele construiu um império. Saiu de cena, mas a mídia que implantou gerou novos impérios, vitaminados pelos anos do "milagre brasileiro", pela vocação ao monopólio e por uma legislação sempre condescendente.

A propriedade cruzada dos meios de comunicação no Brasil é uma festa, a regulação nessa área ou é anacrônica ou inexiste. Um tema, aliás, ausente do discurso dos principais candidatos às eleições deste ano. E da imprensa que cobre a campanha eleitoral.

Fonte: Observatório de Imprensa

quinta-feira, 16 de setembro de 2010

Le Monde espionado pelo governo

Por Leneide Duarte-Plon

O presidente francês Nicolas Sarkozy entrou no turbilhão de um "Sarkozygate"?

Desde segunda-feira (13/9), quando o jornal Le Monde publicou uma matéria de capa assinada por Sylvie Kauffmann, diretora da redação, sob o título "Affaire Woerth: o Eliseu violou a lei sobre o segredo das fontes jornalísticas", o "caso Bettencourt" que se tornou "affaire Bettencourt-Woerth" pode se transformar em "affaire Bettencourt-Woerth-Sarkozy" por conta das novas revelações do jornal. Ou, simplesmente, "Sarkozygate", como já o chamam alguns políticos da oposição.

"O Eliseu utilizou o serviço de contra-espionagem para identificar uma fonte do Monde." Sem meias palavras, o jornal de referência da França acusa o Palácio do Eliseu de "ter empregado métodos que infringem a lei de proteção das fontes jornalísticas" quando ordenou aos serviços secretos (Direction Centrale du Renseignement Intérieur – DCRI) uma investigação dos telefonemas dados e recebidos por pessoas que, em julho, haviam tomado conhecimento do depoimento de Patrice de Maistre, administrador da fortuna da dona da L’Oréal, Liliane Bettencourt.

O depoimento, que colocava o atual ministro do Trabalho Eric Woerth em situação difícil, foi comentado no dia seguinte pelo Le Monde em matéria exclusiva, assinada pelo jornalista Gérard Davet. A versão de Patrice de Maistre desmentia a de Woerth sobre o emprego de sua mulher, Florence Woerth, pela empresa que administra os bens da proprietária da L’Oréal.

Apoio incondicional

Daí à caça a possíveis responsáveis pelo "vazamento" foi um pulo. Os serviços de espionagem tiveram acesso às ligações telefônicas dos "suspeitos" e revelaram que um magistrado, David Sénat, assessor especial da ministra da Justiça Michèle Alliot-Marie, teve contato com o jornalista que assinou a matéria.

O Palácio do Eliseu desmentiu qualquer interferência na espionagem do Le Monde. Mas, grande coincidência: o magistrado Sénat foi transferido em agosto para Caiena, capital da Guiana Francesa.

Punição? De modo algum, nega o porta-voz do ministério da Justiça. O magistrado queria voltar a trabalhar "sur le terrain", deixando os gabinetes da burocracia administrativa. Foi mandado para a Guiana para implantar um tribunal. Por acaso, mas isso é apenas uma coincidência, era lá que, no passado, os antigos prisioneiros faziam serviços forçados.

O Le Monde informou que instruiu seus advogados a ajuizar uma ação na qual o réu é desconhecido, que no direito francês corresponde a "déposer une plainte contre X" [apresentar uma queixa contra X].

No affaire Bettencourt-Woerth há suspeitas de financiamento ilegal da campanha de Sarkozy para presidente, uma Legião de Honra concedida ao administrador da fortuna da proprietária da L’Oréal (recomendada por Woerth), um cargo importante na empresa que administra essa fortuna dado à esposa do ministro (em troca da Legion d’Honneur?), evasão fiscal de muitos milhões de euros na Suíça da fortuna de Liliane Bettencourt, entre outros escândalos.

Até hoje, o presidente e seus ministros tentaram formar um cordão de proteção a Eric Woerth negando todas as acusações e garantindo o apoio incondicional ao ministro. Jornalistas americanos e ingleses entrevistados pela televisão foram categóricos desde o princípio do caso: tanto nos Estados Unidos quanto na Inglaterra, Woerth não seria mais ministro há muito tempo.

Financiamento ilegal

O editorial de primeira página da segunda-feira (jornal datado de 14 de setembro) se intitula "Le Monde, l’Elysée et la liberté d’informer" (Le Monde, o Eliseu e a liberdade de informção). O texto lembra que foi sob o governo Sarkozy que o segredo das fontes jornalísticas foi reforçado por uma lei que diz : "O segredo das fontes dos jornalistas fica protegido no exercício de sua missão de informação do público".

No texto assinado por Sylvie Kauffmann, o jornal lembra que a lei afirma expressamente que "é considerado como um atentado indireto ao segredo das fontes o fato de tentar descobrir as fontes de um jornalista através de investigações dirigidas a qualquer pessoa que, por suas relações habituais com um jornalista, pode deter informações permitindo identificar as fontes". Kauffmann lembra, ainda, que jornalistas podem manter o silêncio sobre suas fontes mesmo interrogados no contexto de uma investigação judiciária.

O affaire Bettencourt começou com uma denúncia da filha da milionária de que o fotógrafo François-Marie Banier abusava da fragilidade psicológica de Liliane Bettencourt. Segundo a filha de madame Bettencourt, sua mãe já havia doado ao amigo gay – que ela chegou a pensar em adotar como filho – o equivalente a 1 bilhão de euros.

Em pouco tempo, as investigações em torno das doações da milionária apontavam para financiamento ilegal da campanha de Nicolas Sarkozy, via Eric Woerth, que de tesoureiro do partido do presidente (UMP) se transformou em ministro do Planejamento e, atualmente, do Trabalho.

O Sarkozygate está apenas começando.

Fonte: Observatório de Imprensa

Tratamento privilegiado na internet reproduz desigualdades, diz professor

Por Lia Ribeiro Dias

O tratamento discriminado de tráfego por operadoras e provedores está na pauta das discussões dos EUA, Europa e, agora, no Brasil.

A internet deve enfrentar, a partir de agora e durante os próximos anos, o que as redes de telégrafo enfrentaram no início do século XIX quando começaram a se desenvolver na Europa e os estados nacionais decidiram conjuntamente regular o serviço, depois da iniciativa isolada da Polônia. Ou seja, após pouco mais de duas décadas da existência da internet comercial, cresce o debate sobre a necessidade de regulação. “Qual vai ser esse fórum, como isso vai se dar? Ainda não temos respostas”, afirmou Marcelo Coutinho, professor da FGV, durante painel sobre a neutralidade da internet no 23º Encontro Tele.Síntese, promovido pela Momento Editorial e realizado hoje em São Paulo.

Coutinho disse que a internet enfrenta interesses políticos de controle, principalmente por parte de estados não democráticos, e interesses comerciais, tanto das empresas que detêm a infraestrutura de telecomunicações como de produtores de determinados conteúdos. Em sua avaliação, dificilmente os estados nacionais vão deixar a regulação nas mãos do mercado. “Vai acabar se definindo um fórum supranacional de discussões para a definição do que regular e como regular para garantir a neutralidade da rede, o que vai exigir muito acordo e muitas salvaguardas”, avaliou o professor, explicando que esse será um processo provavelmente longo, já que as soluções não são rápidas.

Nesse processo de definições, disse Coutinho, o que lhe preocupa é que o tratamento privilegiado de tráfego na internet, defendido pelas empresas que querem garantir retorno ao seu negócio, reproduza as desigualdades na economia mundial no âmbito da rede e ameace seu caráter democrático. “O maior sucesso da internet é a sua externalidade. Quanto mais se trocam informações, mais aumenta o seu valor e a possibilidade de inovação”, disse.

Sem filtro

Defender a neutralidade da rede, na visão de Mário Teza, integrante do Comitê Gestor da Internet-CGI e diretor do Campus Futura do Brasil, é defender que os pacotes que transitam por ela, referentes a qualquer tipo de conteúdo, não possam ser submetidos a nenhum tipo de filtro. “Existem diferenças de uso na internet. Alguns contratam mais banda, outros menos. Isso faz parte da sua história”, afirmou.

Para Teza, a indústria de telecom, ao querer discriminar o tráfego para cobrar de determinados clientes, está incorrendo no mesmo erro da indústria fonográfica que, no lugar de construir um novo modelo de negócios em decorrência do avanço da internet, preferiu medir forças com as redes P2P que são as mais usadas para baixar música e vídeo. “Isso acabou incentivando ainda mais o download de conteúdos protegidos”, observou. Em sua avaliação, as operadoras de telecom têm que reinventar o seu negócio no lugar de quererem transformar a natureza da internet. “Não tenho respostas, mas o ambiente criado no entorno da rede permite a geração de novos negócios.”

Fonte: Telesíntese

quarta-feira, 15 de setembro de 2010

Apenas 20% da população mundial acessa a internet, diz fundador da web

Por Camila Fusco

LONDRES - Apenas 20% da população mundial de 6,9% bilhões de pessoas usa a internet, enquanto os 80% restante tem acesso ao sinal, mas não conseguem utilizá-lo, afirmou nesta quarta-feira o fundador da web, Tim Bernes-Lee.

Isso significa dizer que 1,38 bilhão de pessoas estão conectadas, ao passo que 5,52 bilhões estão de fora da rede mesmo em localidades com algum tipo de sinal, capaz de ser acessado por telefone celular ou computador.

"Existem bilhões de pessoas no mundo com necessidade de acesso a água, vacinas e uma lista de outras assistências em saúde. A internet tem um papel instrumental muito importante e pode ser uma ferramenta chave para manter essas pessoas informadas", disse durante o Nokia World, evento da fabricante finlandesa que acontece nesta semana em Londres.

No ano passado, Berners-Lee criou a World Wide Web Foundation, uma organização não-governamental destinada a disseminar o acesso à internet pelo mundo. Entre os programas está auxiliar operadoras de telefonia celular ou provedores de acesso a desenvolver pacotes de acesso a internet viáveis para populações carentes.

Ao mesmo tempo, os esforços envolvem discussões com fabricantes de telefones celulares para a criação de aparelhos de baixo custo e com navegadores de internet para facilitar o acesso.

"É importante que se criem programas de acesso baratos, especialmente em telefones celulares que devem ser os principais vetores de acesso à rede", disse.

A criação de alternativas de conexão baratas, especialmente para os países emergentes, foi um dos temas do evento, que termina nesta quarta. Um dos exemplos apresentados foi o da operadora Telkomsel, da Indonésia.

"O país tem uma base de telefones pré-pagos grande e a alternativa foi criar pacotes diários e baratos de acesso a dados para quem precisar de conexão", disse a Folha Rachel Goh, vice-presidente de produtos. Os pacotes de dados diários custam a partir de US$ 0,05 e podem variar até US$ 0,20. Já o pacote mensal custa em média US$ 5.

A alternativa já existe no Brasil, onde algumas operadoras já oferecem o modelo de internet pré-pago, embora o serviço diário a partir de 10 vezes o valor cobrado na Indonésia por modelos de conexão semelhantes. Parte da explicação está na carga tributária de 44% incidente sobre o serviço. O volume de impostos no Brasil é o segundo maior do mundo, atrás apenas da África do Sul, com 49%.


Fonte: FNDC