terça-feira, 5 de julho de 2011

Televisões universitárias e a força das transmissões

Por Valério Cruz Brittos e Jéssica M. Grohmann Finger

Ordenar um ambiente no qual seja possível às televisões universitárias operarem no Brasil é tema tão antigo quanto a própria regulamentação do setor audiovisual. É amplamente conhecido que existem três textos legais que tratam do tema: um de 1962, outro de 1967 e um terceiro de 1995, a Lei do Cabo. Cada um expressa as lutas sociais e forças políticas dos respectivos tempos históricos em que foram construídos. A regulamentação produzida nos anos 60 punha as TVs universitárias na desagradável situação de obter concessões através de uma dinâmica que pouco difere do processo pelo qual as corporações, naquela ocasião ainda em formação, disputariam o espaço pela frequência de radiodifusão. Já a do decênio de 90 relegou este tipo de canal a um espaço de alcance reduzido, os sistemas pagos.

Apenas a lei de 1995, produto do final da primeira metade da década de 90, abriria um novo lugar para tais canais: a partir deste momento, seria possível que seu sinal fosse transmitido pelas operadoras de televisão a cabo, então ainda incipientes no país, sem necessidade alguma de autorização específica. Quais as consequências deste arranjo? De que forma os canais universitários utilizaram esta nova oportunidade? Responder a tais questões implica em observar o seu comportamento. Alguns dados disponibilizados pela Associação Brasileira de Televisão Universitária (ABTU), referentes a uma pesquisa de 2004, podem ajudar nesta tarefa. Os resultados são curiosos e revelam a importância dos canais fechados para a expansão dos canais universitários.

Não obstante, antes de 1995 já existiam emissoras universitárias no Brasil. A questão é o impacto da Lei do Cabo. Conforme o citado levantamento realizado pela ABTU, em 2004 havia em torno de 57 canais universitários no Brasil, oito deles fundados antes de 1995 e 43 depois. Seis casos não puderam ser avaliados. Logo, para compreender o fenômeno e a importância do sistema televisivo universitário em termos nacional e regional, é importante apontar e traçar um mapeamento de sua concentração país afora, assim como as modalidades de transmissão utilizadas.

Importante propulsor das TVUs

Entre o total de TVs universitárias no país, 13 localizavam-se nas regiões Centro-Oeste, Nordeste e Norte, e as 43 restantes encontravam-se nas regiões Sul e Sudeste. Aí já se percebe uma clara disparidade: Sul e Sudeste, juntas, retêm 77% da totalidade das emissoras universitárias no país. Ou seja, uma área correspondente a 1/5 do território nacional abriga 3/4 da capacidade de veiculação de televisual universitário do Brasil. Por conseguinte, a soma dos porcentuais das regiões Centro-Oeste, Norte e Nordeste, que, reunidas, equivalem a 4/5 do território nacional, não chega à metade do valor correspondente às regiões Sul e Sudeste.

A concentração massiva de TVUs existente na região Sudeste, que corresponde a 42% do total, pode ter sido resultado da cultura de produção televisiva existente na região, tendo São Paulo como seu centro produtivo. Na verdade, a cidade de São Paulo sozinha abriga 12 das 56 televisões universitárias do país. Ainda é curioso notar que Minas Gerais corra atrás de São Paulo, abrigando nove estações de TV, relegando o Rio de Janeiro à sexta posição, apesar da força deste estado enquanto produtor de audiovisual, especialmente de televisão aberta.

Considerando as três modalidades de difusão – aberta, por assinatura (cabo, satélite e microondas, focando-se neste texto no primeiro, pela comentada abertura regulamentar à difusão audiovisual acadêmica) e internet –, pode-se traçar um quadro igualmente revelador: dentre as 56 emissoras, 22 têm sua programação veiculada em TV aberta, 43 em televisão paga e cinco via internet. Percebe-se, ainda, que a soma dos números apontados supera o total de estações, sendo necessário considerar a existência de casos em que um canal faz uso de duas plataformas distintas: 13 emissoras do total, ou seja, 22% deste conjunto. Esse fato aponta para um quadro no qual a predominância das televisões universitária encontra na Lei do Cabo a sua plataforma de atividade, reforçando o argumento de que tal diploma legal agiu como um importante propulsor do meio em questão.

Oportunidade para novo espaço

Outro fator digno de especulação diz respeito à distribuição das TVUs segundo sua localização. O estudo aponta um quadro curioso: fora das capitais, a plataforma mais utilizada é a televisão fechada; nas capitais, a aberta. Todavia, o número de estações universitárias que utiliza o sistema por assinatura é duas vezes superior ao daquelas que usam o sinal aberto. Dessa maneira, é curioso perceber o paradoxo existente no fato de que a grande maioria das universidades que possui um canal de TV encontra-se fora da capital. Ora, se as maiores universidades localizam-se nas capitais, presumir-se-ia que ali houvesse uma maior concentração de canais universitários. Porém, esta não é a situação atual.

O que se passa no Brasil, em matéria de televisão universitária, é um movimento de descentralização. Portanto, o que se pode concluir, a partir dos dados apresentados, é que a Lei do Cabo tornou-se um marco para a disseminação das TVUs, pois permite que tanto universidades do interior quanto das capitais possam instituir seus próprios canais. Para tanto, é congruente afirmar que há um crescimento relevante do número de instituições de ensino superior surgindo para além das capitais e isso inevitavelmente atribui uma nova realidade à situação das televisões universitárias no país. Paralelamente, deve-se acrescentar que, com a digitalização das transmissões televisivas abertas, nasce uma importante oportunidade para, a partir da mobilização social, abrir-se espaço para os conteúdos universitários também nesse sistema de veiculação, capaz de atingir públicos significativamente mais amplos.

Fonte: Observatório da Imprensa

segunda-feira, 4 de julho de 2011

Cresce a audiência dos breaks nos EUA

A média de espectadores da progrmaação televisiva continua caindo, mas os anunciantes observam um crescimento no índice dos comerciais


Estariam os comerciais se tornando mais atraentes para um grupo seleto de viciados em TV? Embora o número de telespectadores, em geral, continue em queda, os compradores de mídia pesquisados por Advertising Age acreditam que, sabendo escolher os programas e horários certos, é possível atingir certos nichos nos quais se projeta um aumento da audiência dos anúncios.

Por exemplo, na ABC, na segunda-feira à noite, espera-se uma subida com relação às estimativas do ano passado na audiência dos comerciais de “Dancing With the Stars", “Castle” e "The Bachelor”, que entra no horário no meio da temporada. O mesmo deve ocorrer na quarta-feira, com "The Middle” e “Modern Family”. Na CBS, prevê-se um aumento em "Blue Bloods”, na sexta-feira, bem como nas duas primeiras horas do sábado à noite, com a exibição de episódios inéditos de “Rules of Engagement” às 20h00.

Na rede The CW, na qual, normalmente, se observam os menores índices da TV aberta, “Supernatural” está, a duras penas, conseguindo uma pequena elevação na sexta-feira. Acredita-se que "The X Factor", da Fox, venha a ter um impacto positivo nos programas exibidos na sequencia. "Glee” também deve registrar uma melhora.

Até mesmo a NBC, cujos números vêm dando o que falar há anos, está embarcando na onda. Nesta temporada, preveem-se melhores índices para os comerciais do campeão da rede, “Sunday Night Football”, sempre atraente para quem gosta de jogos ao vivo. Além disso, como "Harry’s Law” entrará no lugar de "Law & Order:SVU”, deve haver um aumento da audiência de comerciais, segundo constatou a pesquisa da Ad Age. O "Aprendiz”, de Donald Trump, também deve registrar uma elevação.

O levantamento baseou-se na média das projeções para o quarto e o primeiro trimestres fornecidas por três grandes agências de compra de mídia. O índice C3, da audiência dos comerciais, mede o número dos que realmente veem aos intervalos de um determinado programa, sem pulá-los na gravação com DVR ou mudar de canal. Os espectadores que assistem aos anúncios ao vivo ou até três dias após sua exibição são incluídos no índice. Desde o início da temporada 2007-2008, as negociações de mídia são baseadas no C3, em vez dos índices tradicionais, cujo foco é o programa como um todo.

No entanto, os destaques acima não chegam a reverter uma tendência contínua de uma queda da audiência. As projeções dos compradores de anúncios para a temporada 2010-2011, há pouco encerrada, eram de 7,57 para “Two and a Half Men”, da CBS; 7,34 para “Grey’s Anatomy”, da ABC; e 4,96 para “Biggest Loser”, da NBC. Para o próximo ciclo, as estimativas de C3 para esses mesmos programas são de 6,63, 5,96 e 3,71 respectivamente. No momento, cada ponto corresponde a cerca de 1,15 milhão de lares.


O que está por trás desse declínio é a dispersão do público devido a todos os tipos de tecnologia de transmissão de vídeo, tais como os dispositivos portáteis, que não permitem uma aferição que possa ser utilizada nas negociações entre os canais de mídia e os anunciantes. Alguns programas até conseguem reverter o quadro ou, pelo menos, ter um desempenho melhor do que o antecessor. O venerável “CSI”, da CBS, atingiu o estágio da maturidade e talvez não consiga mais segurar a audiência de quinta-feira à noite como antes. Contudo, basta colocar a série na quarta-feira no mesmo horário para se ter um ganho sobre “The Defenders”, que não se deu bem no canal no ano passado.

O que ocorre nos bastidores? Os executivos compradores de mídia parecem crer que os profissionais de marketing estejam aumentando as projeções para programas mais recentes que ganharam fôlego na segunda temporada.

Das estreias do próximo outono americano, preveem que “The X Factor” registrará o maior C3, 10,22, no episódio da quarta-feira à noite, na Fox, e 9,64 na quinta-feira à noite, na TV aberta. Só "Sunday Night Football," "Dancing with the Stars" e "American Idol" o superam.

* Do Advertising Age.
** Com tradução de Antonio Carlos Silva

Fonte: Meio e Mensagem

A internet e a anemia da imprensa

Por Eugênio Bucci
Reproduzido do Estado de S.Paulo, 30/6/2011; intertítulos do OI

As comunicações entre as pessoas vão bem – mas a imprensa anda anêmica na internet. Seu modelo de negócio vai mal. Como ela vai financiar as reportagens independentes, que são caras? Como cobrar do público pelos conteúdos noticiosos quando há tanta oferta de notícias gratuitas em toda parte? Como atrair mais anunciantes?

São perguntas velhas, é verdade. Mas elas ainda estão em aberto. Demoradamente em aberto. Estudo recente publicado em maio pela Universidade Columbia (The Story So Far: What We Know About the Business of Digital Journalism, disponível aqui) arrisca novas (e boas) respostas, mas não consegue ser conclusivo. Afirma que o jornalismo é e será essencial, mas sobre como ele se vai pagar... – bem, quanto a isso ainda temos uma boa (ou péssima) estrada pela frente.

O fato é que não tem sido simples para os jornalistas entender os desafios da era digital. O principal talvez tenha a forma de um paradoxo: a internet vem conjugando a diversidade de vozes, no plano do debate público, com o recrudescimento dos oligopólios, no plano econômico. Monopólios e pluralismo. Será essa uma combinação factível?

Vejamos a cena mais de perto. A era digital ampliou a comunicação, é evidente. Mais que isso: nos países onde há tiranias as redes interconectadas minam os controles oficiais e até propiciam levantes democráticos, atropelando as velhas formas de censura. Ao mesmo tempo, a oligopolização da chamada indústria do entretenimento nunca foi tão intensa. A tendência econômica das fusões, que há pelo menos duas décadas atinge todos os setores da economia mundial, do ramo de salsichas ao da especulação financeira, também gera efeitos no mercado da mídia. Aí, porém, sua fisionomia adquire esse hibridismo entre a concentração da propriedade e a multiplicidade de vozes.

Colunistas digitais

A tradição liberal supõe que o plano político e o plano econômico se espelham. Assim, haveria uma correspondência direta entre o número de agentes econômicos em competição no mercado e o número de vozes que têm lugar no espaço público. Na comunicação da era digital, no entanto, essa correspondência parece não existir, daí a sensação de que vivemos um paradoxo, uma contradição instável.

A bem da verdade, essa contradição não vem de hoje. Já no final do século 19, quando os diários se converteram em grandes negócios, ela se fazia sentir. Nem por isso a diversidade de opiniões na esfera pública se tornou inviável. Ao contrário: no correr do século 20 a democracia ganhou novas correntes ideológicas, ficou mais complexa, mais variada – enquanto a tendência de concentração econômica na mídia se acentuava.

E se acentuou mais ainda depois do aparecimento dos meios de massa (o rádio e a televisão). Ter uma emissora de TV era mais caro do que ter um diário impresso – e o jogo exigia jogadores com maior envergadura financeira. Com isso o número de empresas jornalísticas se reduziu ainda mais.

Nos anos 1980 o jornalista Ben H. Bagdikian (ex-editor do Washington Post e diretor da Escola de Jornalismo da Universidade da Califórnia em Berkeley) radiografou essa tendência num livro de nome inequívoco: O Monopólio da Mídia (publicado no Brasil pela Scritta Editorial, em 1993). Em 1998, a revista The Economist diagnosticou um fenômeno análogo no mercado globalizado do entretenimento. No hoje célebre A survey of technology and entertainment, publicado em novembro daquele ano, ela deu o nome dos protagonistas da “oligopolização”: Time Warner, Walt Disney, Bertelsmann, Viacom, News Corp., Seagram e Sony.

Agora, a indústria oligopolista que nasceu da imprensa começou a mastigar a imprensa. As bases de financiamento do jornalismo estão ameaçadas. O paradoxo agravou-se. Em 2008, consumou-se a quebradeira geral dos jornais locais nos EUA. Em seu lugar, os sites noticiosos não foram capazes de gerar o dinheiro perdido pelos jornais de papel que desapareciam. A propósito, o relatório da Universidade Columbia é didático ao mostrar como as práticas oligopolistas da velha mídia deixaram de funcionar nas plataformas digitais.

Por quê? Vai aqui uma hipótese: os anunciantes deixaram de precisar de órgãos de imprensa para falar com seus públicos, que se pulverizaram. De sua parte, muitas redações sumiram. Outras foram engolidas – não mais pelas concorrentes, mas por outros negócios, negócios muito maiores. Velhos títulos foram comprados por novos moguls da era digital; órgãos de imprensa que antes eram empresas independentes foram acomodados como meros departamentos de grandes grupos do entretenimento. Até mesmo os blogueiros – nascidos anteontem, já na era da internet –, que eram autônomos, viraram colunistas digitais de portais imensos, incorporados a grupos econômicos que faturam dezenas de bilhões de dólares por ano.

Oráculo da política

Tudo isso ocorreu num período em que a diversidade de vozes parece feérica, vigorosa, exuberante. São incontáveis os canais por assinatura, os portais, os sites, os blogs; as pessoas falam mais, escrevem mais, leem mais – em todas as línguas –, mas os nós dessa comunicação pertencem a proprietários que compõem um clube cada vez mais seleto e – aqui está o dado essencial – o negócio deles não é o jornalismo. O negócio deles é, sim, a diversificação das audiências – donde a impressão de pluralismo vertiginoso –, mas não é a independência editorial.

Por isso o desafio não é simples. Sabemos que sem independência jornalística – que saiba financiar-se com autonomia – não há mediação crítica para o debate público. Para piorar, a indústria do entretenimento julga prescindir de jornalistas independentes. Enquanto isso, a imprensa livre busca uma fórmula para fechar suas contas. Se ela não encontrar sua fórmula, o entretenimento será mais do que já é o oráculo da política. E a democracia, como a imprensa de hoje, sofrerá de anemia amanhã.

Fonte: Observatório da Imprensa

sexta-feira, 1 de julho de 2011

Governo favorece empresas de telefonia no Plano Nacional de Banda Larga

Por Luis Osvaldo Grossmann e Luiz Queiroz

Seis meses de negociação e governo e concessionárias ainda tentavam se acertar até a noite desta quinta-feira, 30/6, na construção do termo de compromisso relativo às ofertas de internet a serem oferecidas aos consumidores, como parte do acordo paralelo ao novo Plano Geral de Metas de Universalização. Pelo que foi adiantado pelo Ministério das Comunicações, porém, o acerto cobre ofertas naturalmente já feitas pelas empresas, ou que serão cumpridas em obrigações assumidas anteriormente.

Em essência, pela retirada de obrigações de banda larga do PGMU, as teles se comprometem a oferecer, até 2014, em todo o país, acessos à internet de 1 Mbps por R$ 35. As ofertas devem ser iniciadas em 90 dias. Mas para cumprir o compromisso, valem as conexões ofertadas pela rede 3G, ou seja, da telefonia móvel.

Quando a oferta for de banda larga pela rede fixa, as teles têm liberdade para incluir o serviço a R$ 35 dentro de pacotes que incluam telefonia e TV por assinatura. Afinal, como já ressaltava um estudo apresentado ao governo há dois meses, as empresas sustentam que ofertas de 1 Mbps nesse valor só se viabilizam com a venda casada.

A matemática foi reafirmada nesta quinta-feira, 30/6, pelo presidente da Telefônica e do Sinditelebrasil – o sindicato das empresas de telefonia – Antônio Carlos Valente, ao reconhecer que o serviço a R$ 35 é “muito difícil” de ser oferecido isoladamente, pelo menos no caso do acesso via xDSL, ou seja, pelas redes fixas.

A possibilidade de cumprir o compromisso com a telefonia móvel faz diferença. Primeiro, porque se tratam de ofertas que já existem no mercado – a Vivo, por exemplo, dona da maior cobertura 3G, já possui um pacote de dados de 1 Mbps por R$ 29,90. E, frise-se, as ofertas podem ser de pacotes com limites de dados. Ou seja, extrapolando a capacidade da conexão, o usuário pagará um valor adicional sobre o preço contratado.

Além disso, boa parte da cobertura esperada para as ofertas no valor e velocidade combinada já é obrigação das teles, assumida no momento em que adquiriram frequências no leilão do 3G, em 2007 – pelo menos 60% dos municípios com mais de 30 mil habitantes.

Nesse sentido, o acordo firmado entre governo e teles – a duras penas, pois as empresas resistiram até o fim em colocar o que entendiam como “ofertas voluntárias” em um termo de compromisso – trata, em grande parte, de ofertas que já são feitas ou serão obrigatoriamente realizadas pelas operadoras.

A cobertura em todo o país será feita de forma escalonada, mas o formato não foi revelado. O ministro Paulo Bernardo sustentou que as empresas não querem antecipar para os concorrentes os locais onde lançarão seus pacotes “populares”, mas que o governo fará um controle trimestral dos serviços.

O acordo também prevê ofertas diferenciadas de acesso no atacado para pequenas e microempresas optantes do Simples. “Acreditamos que os preços serão pelo menos 30% menores dos que são oferecidos hoje, com links de 2 Mbps caindo dos atuais R$ 1,8 mil para R$ 1,1 mil”, disse o ministro. Vale lembrar que a Telebrás cobra menos de R$ 200 pelo link de 1 Mbps.

Qualidade

Para amenizar o impasse que persistiu até a véspera do acordo, o governo concordou em retirar do termo de compromisso as garantias de qualidade – ou seja, aquelas que pretendiam fixar um percentual mínimo de velocidade efetivamente entregue. A prática de mercado atual é de que as empresas só garantem 10% do que foi contratado, mas nem isso ficou explicitado no novo acordo.

A opção foi deixar esses parâmetros para futura regulamentações da Anatel, uma para internet móvel, outra para fixa – o que a agência prometeu concluir até 31 de outubro. É de se esperar, no entanto, alguma resistência das empresas. Isso porque o regulamento mais adiantado pela agência reguladora, que já passou inclusive por consulta pública – do 3G – obriga que as empresas garantam de 60% a 80% da velocidade contratada.

E, como disso o ministro Paulo Bernardo, “normalmente a exigência da telefonia fixa é superior a da móvel”. Caso prevaleça o que a Anatel já indica na proposta sobre a internet móvel – aqueles 60% a 80% - pode estar aí o grande mérito do acordo.

Telebrás

O papel da Telebrás - estatal recriada para garantir a concorrência num mercado monopolizado pelas teles na venda de capacidade de acesso à Internet - ficou ainda mais dúbio no contexto do novo Plano Nacional de Banda Larga do Governo Dilma Rousseff.

A empresa, que já tinha sido reduzida à mera condição de vendedora de capacidade de rede para quem desejasse comprar com preços mais baratos que os ofertados pelas empresas de telefonia, será obrigada agora a dividir esse espaço no mercado com a Eletrobrás.

O ministro Paulo Bernardo alegou que a Eletrobrás poderá criar uma subisidária de telecomunicações, para atuar conjuntamente com a Telebrás nessa venda dos links de Internet. Neste caso a estatal do setor elétricopoderá entrar com o financiamento para a rede.

Não explicou o por que da necessidade de uma segunda empresa para fazer exatamente aquilo que o PNBL inicial se propunha por meio da Telebrás. A estatal já vinha sendo esvaziada politicamente no plano, desde que Paulo Bernardo descartou que a empresa prestaria o serviço de acesso à Internet em áreas onde as empresas privadas considerassem economicamente inviáveis.

Fonte: Convergência Digital

WikiLeaks parodia comercial da MasterCard

“Existem pessoas que não gostam de mudanças. Para todas as outras, existe o WikiLeaks”, diz slogan do vídeo


Por José Gabriel Navarro

Enquanto gera revolta em lideranças mundiais por publicar documentos secretos de diplomatas e grandes empresas, o WikiLeaks faz questão de mostrar bom-humor.

O último sinal disso é um filme produzido pela polêmica ONG em que parodia o conceito “Priceless” (“Não tem preço”), criado pela McCann Erickson para a MasterCard no fim dos anos 1990.

No vídeo, em vez de listar bens desejados pela maioria dos consumidores, como os comerciais da MasterCard costumam mostrar, são mencionados os custos que o australiano Julian Assange, editor e principal porta-voz do WikiLeaks, tem para se manter em sua prisão domiciliar — ele aguarda julgamento sobre acusações de agressão sexual.

A sucessão de gastos se encerra com a locução “Ver o mundo se transformar graças ao seu trabalho: não tem preço”. “Existem pessoas que não gostam de mudanças. Para todas as outras, existe o WikiLeaks”, diz a assinatura, em alusão à da MasterCard (“Existem coisas que o dinheiro não compra. Para todas as outras, existe MasterCard”).

A acidez da iniciativa tem um motivo: o site de denúncias criado por Assange é alvo de um bloqueio por parte das cinco maiores instituições financeiras norte-americanas, Visa, Mastercard, PayPal, Western Union e o Bank of America. Eles estão retendo doações feitas por pessoas em todo o mundo que queriam e querem prestar apoio à ONG, sobretudo após o editor ser detido.

Assista ao “institucional” produzido pela equipe do WikiLeaks, em inglês:

http://www.youtube.com/watch?feature=player_embedded&v=jzMN2c24Y1s

Fonte: Meio e Mensagem