quarta-feira, 10 de fevereiro de 2010

ABNT fará consulta pública sobre perfis de interatividade da TV Digital

Decisão foi tomada na primeira reunião do Fórum SBTVD em 2010. Normas para de interatividade podem ser aprovadas em até 60 dias.

O Conselho Deliberativo do Fórum do Sistema Brasileiro de TV Digital Terrestre (SBTVD-T) definiu em sua última reunião, realizada segunda-feira (8/01), enviar para consulta pública na Associação Brasileira de Normas Técnicas (ABNT) as normas dos dois perfis para a interatividade no padrão nipo-brasileiro (ISDBT) definidos no fim de 2009. A informação é da assessoria de imprensa do Fórum.

A expectativa de todos é de que o envio deva ser feito nos próximos dias. A partir daí, caberá à ABNT definir o tempo de duração da consulta. Normalmente, elas não excedem 60 dias. Mas podem ter duração menor ou maior, dependendo da complexidade do tema. Como grande parte dessas especificações técnicas do middleware Ginga já foram aprovadas em consultas anteriores, a opinião corrente é de que será curta.

Parte do ecossistema do SBTVD ainda crê que a publicação dessas normas possa destravar o início de vendas de produtos interativos (conversores e TVs com conversores embutidos) no país. Outras parte garante a chegada dos produtos ao mercado já podia ter acontecido e só não ocorrerá antes da Copa do Mundo se o desinteresse comercial dos fabricantes persistir.

Conforme decisão anterior do Fórum SBTVD, o primeiro perfil de interatividade terá recursos como texto, fotos e imagens animadas. O segundo perfil será acrescido da possibilidade de transmissão de aplicações de clipes de áudio e vídeo. Os dois são baseados em recursos monomídia, como as linguagens NCL, Lua e Java DTV. Ambos tratam o canal de interatividade como uma funcionalidade acrescida de forma independente.

A norma brasileira prevê o uso de diferentes tecnologias para o cabal de retorno. O próximo passo, nesse quesito, também foi discutido na reunião do Conselho Consultivo de ontem, segundo algumas fontes, e diz respeito ao uso dos padrões IPV4 ou IPV6 para funções que façam uso da Internet. A preocupação é de que o uso do IPV6 pela indústria de hardware seja assegurado, ainda que em carácter evolutivo.

Fonte: PC World

terça-feira, 9 de fevereiro de 2010

Identificar propostas prioritárias é primeiro desafio pós-Conferência

O debate sobre os temas e propostas colocados em pauta no processo da 1ª Conferência Nacional de Comunicação (Confecom) começa a ganhar corpo novamente. O desafio agora é pensar como fazer sair do papel as 665 resoluções aprovadas na etapa final do processo. Nesta quinta (4), no seminário Políticas de (Tele)comunicações, realizado em Brasília, os empresários, o poder público e a sociedade civil começaram a traçar projeções sobre o que fazer neste momento. O evento foi organizado pela revista TeleTime em parceria com o Centro de Estudos de Políticas de Comunicação da Universidade de Brasília (UnB).

Uma das primeiras ações esperadas é a finalização do processo. Depois do fim da Confecom, em 17 de dezembro, a Comissão Organizadora Nacional (CON) ainda não se reuniu. As propostas aprovadas e as não apreciadas estão no portal eletrônico oficial do evento, porém, o caderno final da Conferência ainda não foi sistematizado. Segundo o consultor jurídico do Ministério das Comunicações, Marcelo Bechara, a comissão deve voltar a se encontrar até o fim deste mês, e o caderno deve ficar pronto no segundo semestre. Esse documento, além das propostas, vai contar também com informações sobre todo o processo.

Bechara também comentou que o governo quer que os setores que participaram da Confecom continuem em constante diálogo. “Isso poderia ser feito com a criação do Conselho de Comunicação Social”, sinalizou ele, que foi recém nomeado para procurador-geral da Anatel. A proposta foi aprovada por unanimidade na etapa nacional da Confecom. Para várias entidades da sociedade civil, a implantação desse órgão seria um dos mais importantes resultados da Conferência.

Apesar de haver ainda algumas divergências entre os encaminhamentos, a ideia de organizar e priorizar as propostas parece agradar aos diferentes setores. O senador e presidente da Comissão de Ciência, Tecnologia, Comunicação e Inovação do Senado, Flexa Ribeiro (PSDB/PA), propôs que o governo faça um funil com as deliberações e depois envie ao Congresso aquelas que precisam se transformar em projetos de lei. Ele propõe também a formação de um grupo de trabalho conjunto entre Câmara e Senado. O objetivo, segundo ele, seria acelerar a concretização das possíveis futuras leis e alterações normativas, a fim de se chegar a consensos entre os parlamentares.

Para Jonas Valente, que representou o Intervozes – Coletivo Brasil de Comunicação Social na Comissão Organizadora Nacional, também deve ser feita uma análise das resoluções para que se verifique quais não dependem de aprovação do Congresso. Seriam as resoluções exequíveis apenas pela ação do Executivo. Apesar de avaliar que o calendário eleitoral pode impactar o processo, Valente entende que isso não é motivo suficiente para que não se inicie um debate sobre um novo marco regulatório para o setor das comunicações. Ele também avalia que é preciso continuar com a mobilização que a Confecom gerou. “O fim dela [a Conferência] mostra que os setores que apostaram na saída perderam uma oportunidade de um rico debate. Um setor que nunca teve debate público realizou a sua conferência”, disse Valente, comemorando o fato de mais de 30 mil pessoas terem se envolvido com o processo no país.

De forma semelhante, o vice-presidente da Associação Brasileira de Radiodifusores (Abra), Frederico Nogueira, salientou a importância do diálogo entre os setores que ocorreu na Conferência. Ele propõe que seja feita uma depuração das propostas a partir daquelas que tiveram índices de aceitação maiores. “O que foi aprovado por 100% (dos delegados) é óbvio que fica mais fácil colocar em prática”, opinou o empresário.

Uma das falas no debate sobre a Confecom, porém, destoou. Representando a Associação Brasileira de Emissoras de Rádio e Televisão (Abert), o vice-presidente de Relações Institucionais da TV Globo, Evandro Guimarães, fez questão de afirmar que o Congresso é o local adequado para se formular e executar as políticas públicas da área. “A representação delegada aos congressistas está funcionando. Nada contra o debate, mas a favor do entendimento que a democracia representativa funciona. O Congresso Nacional já traduz as ansiedades do mundo da comunicação social”, argumentou o diretor da Abert.

Ele sustentou seu argumento com o fato de haver deliberações da Conferência que já são objeto de projetos de lei. “Identificamos que no Congresso existem 320 projetos sobre os mesmos temas (das resoluções da Confecom) que estão tramitando ou aguardando tramitação”, disse. Para ele, as deliberações devem servir apenas como um “dado de informação”. A Abert e mais cinco entidades empresariais começaram a participar da Confecom, mas abandonaram o processo no meio do caminho.


Fonte: Observatório do Direito à Comunicação

Ampliação de mercado e as exportações

Por Valério Cruz Brittos e Andres Kalikoske*

No capitalismo contemporâneo, os conglomerados de comunicação têm sido beneficiados de forma crescente por ações de ordem política e econômica. O acelerado desenvolvimento tecnológico, por sua vez, contraditoriamente contribui para a ampliação e o estreitamento dos mercados. Em outras palavras, os grupos de mídia podem buscar rentabilidade em espaços internacionais (e partindo para novos setores – em geral culturais – em seus próprios países), mas, ao mesmo tempo, passam a conviver com outras organizações em suas áreas de atuação.

As nações não vivem mais isoladamente, uma vez que os fatores que atingem um país se alastram rapidamente aos demais. Na indústria televisiva, o deslanche do fluxo de bens audiovisuais no mercado externo, através da venda de produtos de estoque para exibidores transnacionais, resulta no aumento do capital de seus realizadores. Paralelamente, a necessidade de atingir simultaneamente mercados internos e externos tem aumentado a prática de sinergias, capazes de potencializar a rentabilidade de seus produtos em territórios globais.

Na América Latina, Brasil e México despontam como principais produtores e exibidores de televisão. O mercado mexicano constitui-se como um duopólio, modelo de concentração onde existem dois competidores principais – no caso, os grupos Televisa e Salinas, os quais adotam estratégias diferenciadas. Embora a Televisa se tenha estabelecido há muitos anos como líder, especialmente através do Canal de las Estrellas, sua estação titular, por diversos momentos a TV Azteca, controlada pelo grupo Salinas, atingiu um considerável fragmento de telespectadores, ao lançar atrações com estética e narrativa distintas da tradição mexicana.

Tentativa de suavizar o prejuízo

Na teledramaturgia, em comparação ao mercado brasileiro, a principal diferença é que, enquanto a Globo introduz questões político-sociais em suas produções (onde aproveita para manifestar sua ideologia), o grupo mexicano utiliza-se de livretos argentinos ou colombianos decanos, com pouca ou nenhuma inovação no conteúdo. Com forte investimento em compra e venda de telenovelas, a Televisa transformou-se na maior adquirente de scripts produzidos em outras redes da América Latina, para desenvolver a partir destes originais bens simbólicos construídos a partir de seu padrão tecno-estético, reconhecido logo pelo consumidor.

Desde sua fundação, a Televisa teve em suas novelas clássicas – que tratam de situações humanas básicas, como amor/ódio, encontros/desencontros, triunfos/fracassos – a peça fundamental para sua expansão territorial. Nas histórias, a heroína, normalmente incorruptível, é sofrida e desgraçada pela vida; por seu turno, o fio condutor, o amor, faz com que ela transcorra os capítulos em busca de seu príncipe encantado. O triângulo amoroso, sempre presente, traça o paradigma do bem contra o mal. Pode haver também o sacrifício, o desejo de vingança com as próprias mãos, a herança, a acusação de um crime não cometido, as irmãs gêmeas etc.

Esta fórmula tem garantido um grande êxito ao principal grupo de comunicação do México, seguindo o desejo de seu fundador, o falecido empresário Emílio Azcárraga Vidaurreta. No entanto, desde 2008, a desvalorização do peso mexicano tornou as dívidas negociadas em moeda norte-americana muito onerosas para a emissora. Em uma clara tentativa de suavizar seu prejuízo, recentemente tentou ganhar mercado em países que, até então, não faziam parte de sua estratégia de expansão. É o caso de contratos recém-firmados com canais da China e França.

Salto de criatividade e versatilidade

Uma vez que o Brasil detém a condição de importante mercado consumidor de ficção televisual diária (não obstante de novelas produzidas no próprio território nacional, via de regra), a perda de notoriedade das novelas mexicanas no país – desde 2008 não mais exibidas pelo SBT e hoje em dia transmitidas pela obscura CNT – ocasionou a entrada de realizadores latino-americanos que contam com uma ativa produção de teledramaturgia, como colombianos e argentinos, os quais também participam do mercado transnacional de ficção seriada televisiva.

A Colômbia é um exemplo de mercado produtor que desde cedo conseguiu incorporar problemas sociais e questões econômicas em sua teleficção. Café con Aroma de Mujer, produzida pela rede RCN em 1994 (e exibida no Brasil em 2001 e 2005), apesar de narrar o romance de uma humilde colhedora de cafezal com um rico empresário do ramo, interligou os impactos do mercado de ações com a economia nacional de seu tempo, além de demonstrar os processos artesanais do café, tais como sua colheita, produção tecnológica e comercialização de grãos.

Yo Soy Betty, la Fea, telenovela colombiana mais vendida mundialmente, e realizada em 1999 pela mesma RCN, já contabiliza mais de 20 adaptações a partir de seu roteiro original (atualmente tendo uma versão brasileira em produção e veiculação pela Record, em co-produção com a Televisa). Além da presença em lugares onde a audiência não é potencialmente consumidora de telenovelas (Alemanha e Estados Unidos, por exemplo), há versões nos países mais longínquos, como Rússia, Turquia, Bélgica, Índia, Israel, Filipinas e China.

A Venezuela, por sua vez, mesmo contando com um padrão de produção exageradamente melodramático, recentemente firmou acordo com a Band para exibir, desde outubro de 2009, a novela infanto-juvenil Isa TKM, co-produzida pela Sony e Nickelodeon. Outro mercado em ascensão é a Argentina, que possui realizações comercialmente interessantes, uma vez que seus produtos contam com maior grau de verossimilhança. Após negociar com o SBT a novela LaLola (que abordou o transexualismo de maneira bem-humorada), prepara-se para oferecer Ciega a Citas e Los Exitosos Pells, produtos que, se comparados aos tradicionais melodramas mexicanos, apresentam, no mínimo, um salto de criatividade e versatilidade no roteiro.

*Respectivamente Professor titular do Programa de Pó-Graduação em Ciências da Comunicação da Unisinos , membro do Grupo CEPOS e Mestrando em Ciências da Comunicação da Uisinos, membro do Grupo CEPOS.

Fonte: Observatório da Imprensa

Gari pede indenização por comentário de Boris Casoy

O polêmico comentário de Boris Casoy sobre dois garis rendeu mais uma ação judicial contra o apresentador do Jornal da Band e a emissora. Demilson Emidio dos Santos, que trabalha como gari na cidade de Campina Grande, na Paraíba, pede indenização por danos morais.

“Boris Casoy trouxe ao promovente, bem como a toda sua família, danos profundos. Os seus familiares perceberam o quanto o renomado jornalista, formador de opinião pública, pensa a respeito de tão nobre e indispensável profissão”, diz a ação, ajuizada no dia 28/01 na 8ª Vara Cível da Comarca de Campina Grande/PB.

No dia 31/12/2009, Casoy, sem saber que o microfone estava aberto, fez uma declaração sobre o trabalho dos garis. "Que m... dois lixeiros desejando felicidades do alto das suas vassouras. Dois lixeiros... O mais baixo da escala de trabalho", disse, na ocasião.

“Na contramão da época de confraternização, o Sr. Boris Casoy trouxe ao promovente a sensação de impotência, desvalorização humana e humilhação”, diz a ação.

O apresentador se desculpou pela declaração, mas mesmo assim enfrenta outras três ações judiciais, sendo uma delas criminal. A Bandeirantes é citada em duas delas.


Fonte: Comunique-se

sexta-feira, 5 de fevereiro de 2010

Confecom capacitou a sociedade nos debates sobre a comunicação

Mesmo aqueles que não acreditavam – e até os que não queriam – a realização da conferência, tiveram a oportunidade e a liberdade de defender suas pautas e a sua lógica durante a Iª Conferência Nacional de Comunicação (Confecom), que culminou com o encontro em Brasília, de 14 a 17 de dezembro de 2009.

O grande debate público aconteceu e permanece ativo, comprovando que a mobilização nacional valeu a pena e, longe de ter-se esgotado, deverá se multiplicar. De acordo com a psicóloga Roseli Goffman, representante do Conselho Federal de Psicologia (CFP) na Coordenação Executiva do Fórum Nacional pela Democratização da Comunicação (FNDC), a luta continua com militantes agora mais capacitados.



A questão da democratização da comunicação no Brasil entra definitivamente na pauta nacional, após a realização da Conferência Nacional de Comunicação, ou ainda é um assunto que corre pelas marginais?

Roseli – A mobilização nacional não para de se expressar na mídia hegemônica, maniqueísta como sempre, evitando de forma radical a possibilidade de pensamento. Somente neste domingo, 31 de janeiro de 2010, o Jornal O Globo, do Rio de Janeiro, pautou a Confecom em dois editoriais, e na segunda feira reproduziu o editorial do jornal O Estado de São Paulo, atacando o processo de Conferências e a criação de Conselhos comprometidos com a fala popular.

Os ataques partem sempre dos setores conservadores e seus arautos, defensores incansáveis da manutenção do status quo das elites brasileiras. É preciso relembrarmos sempre as alianças que levam nossos políticos ao poder, de forma a identificar com clareza os princípios e as táticas que são utilizadas.

O silêncio tácito sobre a Comunicação após a Constituição Federal de 1988, o limbo a que foram relegados os Movimentos pela Democratização da Comunicação – que só na Lei do Cabo, nos anos 90, puderam voltar ao debate público – reforçam a necessidade de se construir urgentemente um novo marco histórico, que mostrou seu vigor na Confecom.

Num momento em que nosso país caminha na direção de melhores possibilidades econômicas, com reconhecimento internacional, temos como tarefa imediata a diminuição das diferenças sociais.

Neste objetivo, não é possível compartimentar as ações das áreas de Comunicação, Cultura e Educação, que estão imbricadas no processo de distribuição de informação de forma igualitária, e é preciso fazer frente ao desafio que representa a questão da Educação no Brasil.

Se todas essas políticas públicas se alinharem em busca de uma melhoria na Educação, estaremos desenvolvendo e estimulando o pensamento, a participação e a expressão. Não pode ser negado o papel relevante das Conferências como distribuidoras de informação, educação e cultura.

Como os profissionais da Psicologia foram envolvidos pela Conferência Nacional de Comunicação?

Roseli – Em 2007, foi realizado pelo CFP e o Sistema Conselhos o seminário Mídia e Psicologia no Rio de Janeiro, aonde tivemos a oportunidade de expandir e divulgar, através de uma publicação também denominada Mídia e Psicologia a luta pela Democratização da Comunicação.

Após este evento, constituímos o Coletivo de Comunicação do CFP e do Sistema Conselhos, e realizamos dezenas de atividades de mobilização, sempre na importante parceria com o FNDC e com a Campanha Ética na TV.

Tivemos também um importante encontro de capacitação para a Confecom em julho de 2009, que deu origem também a uma segunda publicação, denominada “Contribuições da Psicologia para a 1ª Conferência Nacional de Comunicação”.
Também utilizamos um site específico para a pauta da Comunicação (http://comunicacao.pol.org.br/), aonde se encontram as nossas teses e as publicações mencionadas. Os vídeos usados para a mobilização da categoria no processo da Confecom estão disponíveis no canal do CFP no youtube (http://www.youtube.com/user/confederalpsicologia#g/u).

As questões levantadas pela Psicologia foram bem encaminhadas nos debates da Confecom? Como o CFP pretende acompanhar o prosseguimento das demandas?
Roseli – A Psicologia esteve presente na 1ª Conferência Nacional de Comunicação (Confecom) pautando discussões e apresentando propostas. A categoria foi representada por 30 delegados, que se dividiram entre os Grupos de Trabalho que tinham temas relacionados às propostas da Psicologia para a Conferência.

Os profissionais da Psicologia contribuíram com os debates ao levar subsídios da área para as questões que estavam em pauta, mostrando que temos amadurecido no processo de discussão de políticas públicas.

O Conselho Federal de Psicologia e os Conselhos Regionais lutam continuamente pelo controle social da mídia, que acreditamos ser instrumento essencial para a promoção de uma comunicação democrática no Brasil.

A posição da Psicologia em relação ao debate sobre comunicação destaca as consequências para a população, da concentração da propriedade dos meios de comunicação em poucas empresas, determinantes na formação de subjetividades de grande parte das famílias brasileiras.

Das cinco teses propostas pelo CFP e Sistema Conselhos foram sistematizadas e aprovadas as seguintes:
1- Fim da publicidade dirigida às crianças,
2- Criação de um Conselho Nacional de Comunicação tripartite no âmbito do Executivo;
3- Obediência aos critérios de controle sobre Publicidade de Bebidas Alcoólicas;
4- Obediência aos critérios de controle sobre utilização da imagem das mulheres, homens, crianças, adolescentes, etc.
5- Ampliação da Classificação Indicativa para a TV por assinatura.

O CFP continuará formulando em articulação com seu Coletivo de Comunicação que está presente nos 18 Conselhos Regionais de Psicologia, cobrindo as 27 unidades da Federação, aonde expandiremos e continuaremos com o debate, capacitando os Psicólogos para a interferência necessária nos conteúdos midiáticos, em busca da afirmação da regionalidade e da produção de subjetividades diversificadas, sempre na luta pelo “não aos estereótipos” em todas as suas formas.

Qual a avaliação do CFP sobre o processo de construção da Confecom e o diálogo entre os três setores que lá estiveram representados (sociedade civil, sociedade civil empresarial e poder público)?

Roseli – Mesmo dentro de um critério de correlação de forças entre os representantes das mídias privadas e os militantes pelo Movimento pela Democratização da Comunicação, das cerca de 6 mil teses encaminhadas pelas Conferências Estaduais de Comunicação, realizadas ao longo de 2009 em 27 unidades da Federação, mobilizando mais de 30 mil pessoas, a 1ª Confecom, realizada em Brasília, de 14 e 17 de dezembro de 2009, sistematizou 1.418 teses para o debate, aprovando 654, entre as quais, 601 por maioria absoluta, em surpreendente consenso alcançado entre empresariado, governo e movimentos sociais.

Como você avalia a cobertura da mídia sobre a Confecom?

Roseli – A Confecom foi boicotada pela grande mídia. A cobertura da Conferência ficou por conta da NBR – televisão estatal – e dos veículos de comunicação pública da Empresa Brasil de Comunicação (EBC), como a TV Brasil, Agência Brasil, a Rádio Nacional e outras emissoras de rádio. A Confecom ganhou espaço em blogs e rádios comunitárias, utilizando a internet como meio de divulgação e debate das notícias sobre a Conferência.

Quais os reflexos já percebidos do grande debate sobre a comunicação no Brasil após a Confecom?

Roseli – Como sintoma do complexo processo de democratização da comunicação social no Brasil, temos acompanhado as ações que vem sendo realizadas, em especial pela Associação Brasileira de Emissoras de Rádio e Televisão (Abert) e a Associação Nacional de Jornais (ANJ), que visam desqualificar os avanços obtidos nesta Confecom.

As seis representações empresariais que saíram da Confecom, capitaneadas pela Abert e ANJ, não conseguiram impedir a permanência neste debate – amplamente democrático – a Associação Brasileira de Telecomunicações (Telebrasil) e a Associação Brasileira de Radiodifusores (Abra), que representam cerca de 85% do capital econômico da Comunicação de Massa no Brasil de hoje.

A imprensa televisionada, os editoriais jornalísticos que representam interesses privados, assim como o Conar – que se mantém como entidade de controle da publicidade financiada pelos anunciantes – usam do mesmo escudo protetor de sempre, com a velha cantilena de que controle democrático seria uma forma de censura. Atacam, incansavelmente, os avanços obtidos, desta feita através da histérica crítica ao Plano Nacional de Direitos Humanos-3 (PNDH3), que de uma proposta de plano de ação é desqualificado como sendo um “ataque” à Carta Magna brasileira.

Juntam-se, neste pleito, as demais forças conservadoras, garantindo seu território soberano, afirmando um sonoro não ao aborto; não à verdade sobre a tortura; não à conciliação entre partes na ocupação da terra; fazendo-nos presenciar um novo coro midiático, como nos idos anos 60 assistimos à Marcha pela Tradição, Família e Propriedade.

Ora, sabemos que Planos de Ação ou mesmo decretos do Executivo demandam a construção de alianças políticas no Congresso Nacional para serem implementados. A maledicência, os erros propositais de interpretação têm como alvo a opinião pública, que elege os deputados responsáveis pelos projetos e apenas – somente apenas – em absoluta maioria seriam capazes de aprovar as emendas constitucionais.

As forças conservadoras tecem seu plano de rejeição às pautas democráticas, tão vigorosamente demonstradas por um governo que está na 1ª Conferencia, pautando os anseios da população engajada através dos movimentos sociais e demais representações da sociedade civil brasileira.

Confunde-se, assim, através de uma mídia hegemônica e extremamente tendenciosa em defesa de seus interesses, a democracia participativa com a censura, procurando respaldar os apoios políticos de uma elite conservadora através da construção do medo do autoritarismo no imaginário social, misturando intencionalmente liberdade de expressão popular com censura.

É preciso ressaltar que a concentração de propriedade dos meios de comunicação no Brasil quer cooptar como apenas seu o discurso da Liberdade de Expressão, fazendo do legítimo direito inalienável que o constitui, um direito de caráter privado, separando-o estrategicamente do direito de resposta e do direito à voz que todos temos em nossa existência. É apenas mais um simulacro da “Sociedade do Espetáculo”, que em nome da democracia, quer calar o protagonismo do povo brasileiro.

Quais devem ser as bases para um novo marco regulatório da comunicação brasileira?

Roseli – Ao longo dos últimos 20 anos, nosso país acompanhou as mudanças tecnológicas que transformaram a sociedade em todo o mundo. É preciso que o novo marco regulatório seja a construção pactuada democraticamente, de instrumentos regulatórios e políticas públicas que estendam a todos os brasileiros os benefícios da era da informação.

Deve ser contemplada a garantia de direitos coletivos que, na diversidade de sujeitos, confiram às comunicações a necessária dimensão humanizadora e a plena liberdade de expressão.

É necessário o imediato equilíbrio de sistemas de radiodifusão nas dimensões estatais, pública e privadas, preconizados no artigo 223 do Capítulo V da Constituição Federal.
É preciso que sejam estabelecidas as diretrizes para o uso dos recursos financeiros acumulados pelo estado brasileiro para o fomento, a sustentação e a acessibilidade com a consequente universalização dos meios de comunicação.

Como você avalia a participação do FNDC na Confecom?

Roseli – Lembramos que muitos dos que não acreditavam na Conferência tripartite tiveram a liberdade de defender suas pautas e a sua lógica, quer do movimento social, quer dos representantes das Empresas, e numa sociedade legitimamente democrática, todos devem ter a oportunidade de expressar suas convicções, ainda que seus pleitos fracassem.

O FNDC, em seu 18º ano de existência, deu provas cabais da maturidade alcançada no processo da Democracia Participativa, não deixando em nenhum momento que fosse reprimida e amordaçada a participação popular alcançada com muito esforço de todos os movimentos pela democratização da comunicação.

O FNDC alinhou-se com movimentos sociais, confederações de trabalhadores e não recuou em nenhum momento diante de propostas de quorum que tinham como claro propósito o adiamento e a derrocada da participação popular na Conferência.

Esta posição, atacada, inclusive em diversos momentos por nossos próprios aliados, mostrou-se adequada pela qualidade das 654 propostas aprovadas pela Confecom, que serão decisivas na implementação das políticas necessárias para uma Comunicação no Brasil, que poderá, finalmente, ingressar no século XXI.

Fonte: FNDC