terça-feira, 22 de junho de 2010

A EBC e a TV Brasil: mais do mesmo?

Por Rodrigo Jacobus*

No Brasil, a exemplo de outras nações, em especial França e Estados Unidos, o desenvolvimento da comunicação de massa caminha em paralelo ao curso da industrialização, que vai acirrar-se após a Proclamação da República, intensificando-se ao longo do século XX. Neste processo, é marcante o afunilamento do controle da emergente grande mídia em torno das elites e do poder estatal, marcado por subvenções oriundas dos governos de plantão e o atrelamento publicitário cercado por interesses proporcionais ao tamanho das empresas e negócios com os quais a indústria midiática estabelece relações.

Trata-se de um legado que será construído ao longo da contemporaneidade, seja através dos meios legais, em uma regulamentação permissiva para com os cartéis e restritiva às iniciativas genuinamente populares; seja através das barreiras técnicas e econômicas, que dificultam a disputa justa pela audiência cada vez mais habituada a um sofisticado padrão técnico-estético que demanda altos investimentos. Diante da carência de uma ruptura significativa neste processo histórico, o contexto atual ainda é fruto da reprodução viciosa destas relações. E apesar de todos os esforços da sociedade civil organizada em ampliar os espaços de sua participação, ainda imperam traços políticos que marcaram os primórdios da comunicação de massa no Brasil. O governo continua, como anunciante, financiando os maiores cartéis midiáticos brasileiros, que, por sua vez, continuam dividindo as maiores audiências, apesar da redução destes índices nas últimas duas décadas.
Em paralelo a este quadro enfadonho, eis que surge, ao final de 2007, a Empresa Brasil de Comunicação (EBC), tendo como carro-chefe a TV Brasil, uma televisão pública-estatal que hipoteticamente se proporia a romper com o modelo estatal vigente até então. O projeto busca desenvolver a possibilidade de controle e fiscalização da mídia pela sociedade civil, ofertando canais midiáticos de rádio e televisão genuinamente democráticos, nos quais supostamente será oferecida uma independência editorial distinta da praticada na rede estatal. No entanto, a demissão do jornalista Luiz Lobo , poucos meses após a criação da EBC, devido a denúncias de intervenção editorial por parte do governo federal no seu programa, arrefeceu os ânimos e rapidamente trouxe à tona a fragilidade da proposta recém criada. Segundo Lobo, em matéria do jornal Folha de São Paulo de 7 de abril de 2008, o Planalto mantinha o controle do conteúdo das reportagens através da jornalista Jaqueline Paiva, mulher do também jornalista Nelson Breve, assessor de imprensa da Presidência da República.

Não é de se estranhar. Apesar da aparente intenção de dar início a uma rede midiática participativa, a base do modelo construído reproduz vícios comuns em iniciativas contaminadas pela construção cultural moldada sob influência da democracia liberal burguesa associada a um misto de tradição marxista (marcada pelo centralismo) e pelo estilo de um governo de tipo “melhorista”. Primeiro, sua concepção administrativa é verticalizada tanto externa quanto internamente, em uma iniciativa desencadeada e controlada pelo poder estatal desde o início da sua implantação, e mantida sob vigília através de participação vitalícia no tal conselho curador. Segundo, a representatividade da sociedade civil neste conselho curador enquanto órgão gestor do empreendimento apresenta inexpressividade similar aos pleitos “eleitoreiros” que demarcam a participação popular na política nacional. Além disso, as normas técnicas para produção e entrega de produtos audiovisuais para exibição na TV Brasil e demais canais de televisão da empresa, de um modo geral, são tecnicamente excludentes.

Quisera o governo realmente desenvolver uma política midiática genuinamente democrática, teria investido no movimento em torno das rádios comunitárias, este sim oriundo do acirramento de reivindicações populares que culminaram na conquista de uma legislação medíocre desenvolvida sob pressão ainda no mandato de Fernando Henrique Cardoso. Ao longo de seus oito anos no Planalto, o governo Lula pouco fez para desenvolver estes veículos de comunicação, cujas características parecem apontar um caminho mais participativo, libertador e autenticamente popular do que a rede pública-estatal proposta na sua administração. Igualmente, os empecilhos promovidos pelo próprio Poder Executivo à realização da I Conferência Nacional de Comunicação, em 2009, apenas reforçam a evidência da má vontade política frente ao tema. A lei dedicada às rádios comunitárias continua precária e contraditória, bem como faltam recursos para o desenvolvimento técnico destas emissoras. No sentido contrário ao discurso demagógico de políticos hipócritas, emissoras autenticamente comunitárias, inclusive as outorgadas pelo governo, continuam sendo fechadas de modo arbitrário, sendo o exemplo mais recente o da Rádio Comunitária de Santa Cruz do Sul (RS). Enquanto isso, o usufruto indevido destes veículos públicos não-estatais, seja em “chapa-branquismos” descarados, seja para a manutenção dos privilégios de minorias ou grupos específicos, é ignorado pelas autoridades (in)competentes.

* Mestre pelo Programa de Pós-Graduação em Comunicação e Informação (FABICO/UFRGS). Atua na comunicação comunitária como colaborador junto à Associação Brasileira de Radiodifusão Comunitária do Rio Grande do Sul (ABRAÇO-RS) e radiocoms de Porto Alegre e Região Metropolitana. É membro do Grupo de Pesquisa Comunicação, Economia Política e Sociedade (CEPOS/Unisinos).

Fonte: Revista IHU Online

segunda-feira, 21 de junho de 2010

Venda de equipamentos de rede cresce 26,2% no segundo semestre de 2009

O mercado de equipamentos de rede no Brasil teve um aumento de 26,2% em unidades vendidas, segundo pesquisa da IDC, empresa de inteligência de mercado junto aos fabricantes. "Esse crescimento é devido principalmente à confiança no ambiente político social do País, à retomada dos investimentos pelas áreas de TI e à valorização da banda larga", declara João Paulo Bruder, analista do mercado de Telecom da IDC. A análise da IDC mostrou ainda que outros pontos, como a necessidade de redução de custos nas empresas, a atualização de infraestrutura de rede e o cloud computing colaboraram para o crescimento nas vendas dos equipamentos. "Quem tinha uma boa quantia em dinheiro, passou a ter menos e, por isso, comprou menos também. Apesar do valor médio do dólar ter sido aceitável, a flutuação sempre atrapalha", completa o analista da IDC. A IDC finaliza a análise apostando que os fabricantes estão otimistas em relação ao futuro próximo e que o mercado de equipamentos de rede tende a crescer muito nesse ano.

Fonte: Teletime News

Controladores da Oi insistem em papel ativo no PNBL

O principal objetivo da visita dos controladores da Oi, Sergio Andrade, da Andrade Gutierrez, e Carlos Jereissati, do grupo La Fonte, ao presidente da República foi apresentar a operadora como uma parceira importante para o desenvolvimento do Plano Nacional de Banda Larga. A iniciativa teve por objetivo retormar as negociações entre operadora e empresa, estacionadas desde que o governo não aceitou a proposta apresentada por executivos da Oi para ser parceira no PNBL. Mas, segundo fontes ligadas à operadora, aquele foi apenas um ponto de partida para abrir os debates.

Ainda de acordo com fontes ligadas aos grupos controladores, o objetivo da reunião, solicitada pelos controladores privados da Oi, foi apresentar uma radiografia da empresa, dos seus investimentos, do nível de endividamento e das demandas futuras. A possível entrada da Portugal Telecom no capital da empresa como sócio minoritário não estava na pauta. De acordo com fontes presentes à reunião, os sócios não trataram do assunto e apenas responderam a um comentário nesse sentido.

Fonte: Tele Síntese

sexta-feira, 18 de junho de 2010

Jornalista lança documentário e mostra fragilidade da mídia

O jornalista Ricardo Kauffman estreia nesta sexta-feira (18/06) o documentário “O Abraço Corporativo”, no Cine Belas Artes, em São Paulo. A obra discute a mídia na era da notícia em tempo real e a divulgação de notícias irrelevantes. O vídeo ficou conhecido na 33ª Mostra Internacional de São Paulo.

O documentário apresenta a história de um consultor de RH fictício, chamado Ary Itnem, que divulga a Teoria do Abraço. O método pretendia afastar uma doença enfrentada pelas empresas chamada inércia do afastamento - um mal causado pelo uso excessivo das novas tecnologias. Ary saiu pelas ruas de São Paulo pedindo abraços aos pedestres e ganhou grande destaque na mídia.
“O objetivo é discutir a divulgação de notícias irrelevantes. Discutir assuntos que são ou não importantes, como o jornalismo deve fazer esse filtro”, explica Kauffman.

O documentário também mostra o personagem, vivido pelo ator Leonardo Camillo, com uma teoria inventada, em contato com emissoras de TV, rádio, jornais, revistas e portais da Internet. A produção do documentário foi feita sem orçamento, apenas com a colaboração de amigos e produtoras. O trabalho durou cinco anos.



Personagem fictício "enganou" os jornalistas e ganhou espaço em toda mídia

Além de contar a trajetória do consultor de RH fictício, “O Abraço Corporativo” traz depoimentos de Juca Kfouri, Eugênio Bucci, Contardo Calligaris, Bob Fernandes e o ex-governador de São Paulo Cláudio Lembo, entre outros. As entrevistas tratam de como são produzidas as notícias nos dias de hoje.

“Uma vulnerabilidade é que os jornalistas muitas vezes publicam o que não têm certeza, e traz vulnerabilidade para a sociedade”. Para Kauffman, não há uma resposta certa para que o jornalismo resolva o problema de conciliar a velocidade com divulgação de notícias sem a devida confirmação, mas sugere que os veículos, ao terem a notícia de um acontecimento inesperado, sejam transparentes. “Eles poderiam informar que a notícia está sendo apurada, que ainda não está confirmada, esse veículo teria credibilidade para mim”.

O jornalista tem passagens pela Rádio Jovem Pan, DCI (editor-chefe); Diário do Grande ABC, portal StarMedia e Gazeta Mercantil. Kauffman também atuou como assessor de imprensa da Secretaria Municipal de Finanças de São Paulo e coordenador do Núcleo de Análise Editorial da Máquina da Notícia. Além disso, foi colaborador da Capital e América Economia, e a CDN. O jornalista estudou roteiro cinematográfico na Escuela Internacional de Cine y TV de San Antonio de Los Baños (Cuba).

Fonte: Comunique-se

Marina Silva apoia controle social da mídia

A candidata do PV à Presidência da República, Marina Silva, afirmou nesta quinta-feira (17/06), em debate na Universidade de Brasília, que é favorável ao controle social da mídia. Entretanto, ressaltou que esse controle não pode ser confundido com a censura.

Questionada sobre o tema, Marina respondeu que é necessário ter "cuidado para que essa ideia de controle não nos leve a qualquer tipo de aparelhamento que possa ser confundido com cerceamento da liberdade de expressão, com cerceamento da liberdade de informação que as pessoas devem ter".

Marina também disse que "o controle social é uma conquista da sociedade brasileira que precisa ser aprofundada”.

Fonte: Comunique-se