quarta-feira, 18 de fevereiro de 2009

Jornalistas e jornalistas

Diante de um processo de alienação, voluntária ou não, muitos jornalistas que abraçam a mídia grande passam a vida como meros expectadores, incapazes de refletir sobre sua própria profissão e sua missão social. O máximo que conseguem é levantar a voz contra os jornalistas que escolheram caminhos diferentes.

"O jornalista deve ser um combatente, não um expectador".José Carlos Mariátegui
Glória, RJ, sede da rádio CBN, segundo semestre de 2008. A emissora das Organizações Globo convida todas as assessorias dos candidatos à Prefeitura do Rio para discutir as regras e a ordem das entrevistas e a cobertura. Oswaldo Maneschy, representando o PDT, questiona a opção da CBN de utilizar as pesquisas de opinião como critério para definir a ordem das entrevistas. Ele sabe que essas pesquisas já foram utilizadas para fraudar eleições, como ficou claro no escândalo do Pró-Consult.

Marisa Tavares, diretora de jornalismo, acaba aceitando sortear a ordem. Mas sobre o tempo de cobertura, ela sentencia: “Não vou perder tempo cobrindo partido pequeno”. Ao que Maneschy responde: “Nos últimos 20 anos elegemos três governadores no Rio de Janeiro. Isso é partido pequeno, Marisa?”. Ela não respondeu, mas quando o representante do PDT saiu da sala, Marisa comentou: “Maneschy abraçou uma causa... Ele parou nos anos 80”.

Conto essa história porque sinto uma onda reacionária de jornalistas que atualmente vendem sua força de trabalho às corporações de mídia contra aqueles profissionais que escolheram um caminho diferente. Isto fica bastante visível no menosprezo da diretora da CBN em relação ao Oswaldo Maneschy. Para se posicionarem desta forma, esses jornalistas acreditam piamente no mito da imparcialidade. Acham que basta ouvir os dois lados, mas aparentemente não percebem que a vida não é feita em preto e branco. Ou, mais além, parecem não saber que as empresas onde trabalham estão a serviço de um determinado projeto político.

Nesse sentido, pode-se dizer sem medo de errar que todo jornalista abraça uma causa, tanto os que escolhem militar num partido político, ONG ou movimento social, quanto aqueles que suam a blusinha para ingressar numa das poucas corporações de mídia. A diferença é o que cada um defende.

Num país capitalista, autoritário, machista, racista e brutalmente desigual como o Brasil, as corporações de mídia cumprem um papel fundamental para a manutenção do sistema. Enquanto equipamento de controle social, seu objetivo é reduzir a resistência diante de todas essas formas de opressão. Resistência que geralmente se manifesta através dos movimentos sociais, criminalizados pela mídia corporativa e defendidos pela outra imprensa.

Muitas vezes os jornalistas que abraçam a mídia grande não se dão conta deste processo. Como cada vez mais a pauta chega pronta – desde quem pode ser ouvido até o que o ouvido deve dizer, passando pelo fato não desprezível da criteriosa escolha de quem é o “outro lado” autorizado a ser ouvido – esses jornalistas se transformam em autômatos. Toda a formação acadêmica, sobretudo nas áreas de sociologia, filosofia e semiologia vai por água abaixo. Daí William Bonner ter dito que forma uma jornalista em seis meses (melhor teria sido falar em “adestramento”).

Diante desta alienação, voluntária ou não, o resultado é que passam a vida como meros expectadores, incapazes de refletir sobre sua própria profissão e sua missão social. O máximo que conseguem é levantar a voz contra os jornalistas que escolheram caminhos diferentes.

Por Marcelo Salles, jornalista, foi correspondente da revista Caros Amigos no Rio de Janeiro entre 2004 e 2008. Atualmente é correspondente da Caros Amigos em La Paz (Bolívia), editor do jornal Fazendo Media (www.fazendomedia.com) e membro do Intervozes – Coletivo Brasil de Comunicação Social.

Fonte: Agência Carta Maior

terça-feira, 17 de fevereiro de 2009

Um desafio para o futuro


AMÉRICA LATINA


O resultado do referendo abre uma pergunta e um desafio para o futuro da Venezuela, num contexto de crise internacional aguda e de baixa substantiva do preço de sua principal receita, o petróleo. Esta conjuntura pode alimentar a dependência do Partido Socialista Unido da Venezuela, de Chávez, ou pode, ao contrário, fortalecer o laço com as bases sociais que sustentam o governo, acentuando-se assim o processo de democratização e de redistribuição social, e tornando as mudanças que o país vive hoje menos reversíveis.


A análise é de Gabriel Puricelli e Lucia Alvarez (*) - Página 12 (Argentina)

Desde que soube da convocatória para este novo referendo, a imprensa internacional insistiu em dizer que estávamos frente a uma eleição entre democracia e autoritarismo. A fórmula é conhecida e falaciosa. Há reeleições indefinidas em sistemas com altíssima concentração de poder no primeiro ministro e férrea disciplina de partido como Canadá, Reino Unido ou Austrália.


Também funciona em regimes verdadeiramente autoritários e repressivos, alguns dos quais aliados estratégicos dos EUA, como o Egito, e esses se mantêm no poder por anos, sem que isso leve a um questionamento de sua classe dirigente. Uma recontagem dos dez anos do governo bolivariano dá, ao contrário, um indício de sua vocação democrática. Chávez lidou com os embates e resistências da direita mantendo-se sempre dentro dos marcos institucionais e sua única derrota eleitoral foi reconhecida imediatamente, apesar da ínfima diferença que existiu entre o Sim e o Não à proposta de reforma constitucional, que significou um enorme reforço a sua legitimidade em nível nacional e internacional. Em troca, a oposição optou, até a reeleição presidencial de dezembro de 2006 apenas pelo caminho da violência e do enfrentamento. O golpe de estado de 2002, o "paro" petroleiro que deixou o país desabastecido por três meses e a abstenção na eleição parlamentar em 2005 são apenas alguns exemplos.


É certo, contudo, que hoje as condições já não são essas. A situação na Venezuela é muito diferente da da Bolívia e do Equador, países onde também estão sendo impulsionadas refundações políticas mediante reformas constitucionais. Chávez já não lida com a falta de base parlamentar própria, como Rafael Correa, ou com o desafio de uma direita golpista e secessionista, como Evo Morales. Nada o condiciona suficientemente senão para destinar energias em outro sentido que não seja o processo de mudança. A ênfase em manter Chávez para continuar a epopéia transformadora se trata talvez de uma subestimação do próprio processo. O problema parece ser, então, que este novo intento de impulsionar a reeleição indefinida não faz mais do que reforçar um modelo de planificação estatal contrário ao que a revolução bolivariana determina em suas premissas.


Em vez de buscar e armar possíveis candidatos que permitam alternativa, aposta-se numa crescente centralização. Em vez de outorgar ferramentas para o bom funcionamento dos conselhos comunais, as mesas técnicas de água e todas aquelas “instituições” da democratização que hoje têm problemas por conta das travas da burocracia ineficiente – e muitas vezes corrupta -, robustece os mecanismos de um Estado que não se alterou tanto e que permanece contudo um pouco imune ao processo de mudança.


O resultado desta eleição abre por isso uma pergunta e um desafio para o futuro da Venezuela, num contexto de crise internacional aguda e de baixa substantiva do preço de sua principal receita, o petróleo. Esta conjuntura hoje pode alimentar a dependência do Partido Socialista Unido da Venezuela de Chávez, com o risco de desgaste frente a um eleitorado que já mostrou em 2007 não ser incondicional. Ou pode, ao contrário, fortalecer o laço com as bases sociais que a sustentam, acentuando-se assim o processo de democratização e de redistribuição social, e tornando as mudanças que o país vive hoje menos reversíveis.


(*) Membros do Programa de Política Internacional e do Laboratório de Políticas Públicas


Publicado no Pagina12, em 16 de fevereiro de 2009. Tradução: Katarina Peixoto, link em português na Carta Maior

Anatel prorroga licenças de MMDS por 15 anos

A Anatel prorrogou nesta segunda-feira, 16, 11 autorizações de uso de radiofreqüências associadas à prestação do MMDS que venciam hoje. A prorrogação foi feita por meio de atos da Superintendência de Serviços de Comunicação de Massa (SCM), confirmando que as empresas não assinaram nenhuma renovação das licenças para a oferta do serviço. Como já havia antecipado este noticiário, a Anatel não conseguiu concluir a consulta pública que validaria a assinatura de um novo "contrato" entre o órgão regulador e as cinco operadoras que detém essas licenças, expedidas em 1994, por falta de quórum no dia da reunião do Conselho Diretor.

A falta de uma prorrogação da licença para a oferta em si do MMDS não é um impedimento para a extensão das autorizações de uso de radiofrequências já que a outorga concedida pelo Ministério das Comunicações em 94 não tem prazo de validade. No entanto, a tentativa de adequação dessas outorgas parece ter sido comprometida mais uma vez e a consulta pública feita no início deste mês não teve serventia até o momento.

Nos atos publicados hoje, a agência confirmou a extensão da validade das autorizações de uso de radiofrequências associadas ao MMDS apesar de ainda não possuir um método de cálculo atualizado para a remuneração dessa parte do espectro. Os atos divulgados hoje no Diário Oficial da União deixam isso claro ao estampar que os valores "serão fixados em até 12 meses contados da publicação" de cada prorrogação. O preço será estabelecido pelo período total da autorização, mas não fica claro se durante esse período de 12 meses, caso as empresas não aceitem o preço estabelecido, a Anatel cobrará com base nos novos critériosou se inventará uma fórmula alternativa.

A decisão da Anatel, na prática, coloca as empresas às cegas com relação aos custos de remuneração dessas licenças e inclui um dispositivo que as obriga a pagar a quantia estipulada no futuro pela agência sob pena de perder as autorizações. De acordo com o texto, "o não pagamento do preço estipulado pela Anatel implicará extinção da autorização de uso de radiofreqüências associadas, independentemente da aplicação de outras penalidades previstas".

Foram prorrogadas as autorizações da TV Filme (Belém, Brasília e Goiânia), Net (Recife e Paraná), Telefônica Sistema de Televisão (Curitiba, Porto Alegre, Rio de Janeiro e São Paulo), TV Show Brasil e Horizonte Sul, todas expedidas antes da privatização dos serviços de telecomunicações.

Por Mariana Mazza.

Fonte: Pay-TV

segunda-feira, 16 de fevereiro de 2009

Mesmo com adiamento, emissoras americanas vão cortar sinal analógico

Apesar de o Congresso Americano ter aprovado o adiamento do fim das transmissões analógicas para o dia 12/06, muitas emissoras de TV planejam cortar o sinal antes ou no dia 17/02, como previsto anteriormente. A Comissão Federal de Comunicações recebeu 681 pedidos com esse fim. Destes, até o momento, 368 foram aceitos. Os outros serão reavaliados.

A Comissão permite o corte do sinal desde que os telespectadores não percam acesso às notícias locais e às informações de interesse público e de emergência.

Levantamento realizado pela consultoria Nielsen no mês passado apontou que 6,5 milhões de residências seriam afetadas pelo corte do sinal analógico. Esse foi o principal motivo para o adiamento.

Fonte: Comunique-se

''Jornal Nacional'' segue em baixa

A maré de resultados ruins no ibope do "Jornal Nacional" parece não ter fim. Na última quarta-feira (11) o jornal marcou apenas 24,8 pontos no Ibope, a 21ª pior audiência na década. A participação no total de TVs ligadas também foi baixa, ficando na quinta menor posição desde 2000, com 43,8%.

Segundo nota da coluna Outro Canal, do jornal Folha de S.Paulo, o telejornal da Globo vem sofrendo com a queda no número de televisores ligados e com o baixo desempenho das novelas que o antecedem. Mesmo assim, o "JN" marcou mais que o dobro do ibope do "Jornal da Record", que ficou com 10,9 pontos.

Fonte: AdNews