segunda-feira, 30 de junho de 2008

Mobilidade digital é uma realidade emergente

por Gilson Schwartz
postado originalmente em ICONOMIA


Ainda que esteja entre os países mais pobres do mundo, Moçambique já ostenta uma presença marcante nos seus centros urbanos e em zonas mais afastadas de "telemóveis", como os portugueses e moçambicanos falam do telefone celular.

A Mcel ocupa os espaços nos outdoors e seus pontos de venda e assistência reforçam essa presença de uma nova tecnologia onde aparentemente tudo seria atraso e desconexão.

Além da Mcel, estão em Moçambique a Globo e a Record, a primeira recentemente renovou a parceria com a retransmissora local. Da Record, comenta-se que boa parte dos brasileiros trabalhando com a rede no país estão em atividades missionárias - dada a importância do dízimo no modelo de negócios da "tv do bispo".

O país africano de língua portuguesa é bem posicionado com relação à África do Sul e o que à primeira vista é um país pobre e atrasado mostra-se como fronteira de alto crescimento em setores globalizados e competitivos como telefonia celular e televisão.

O telefone celular é objeto de reflexões de amplo alcance formuladas pelo sociólogo moçambicano Elisio Macamo: "Tenho em mim que o celular se tornou num artefacto essencial à compreensão de alguns aspectos do nosso mundo da vida e isto, tal e qual o dinheiro visto por Simmel, como causa e efeito da transformação das condições de sociabilidade num contexto de cristalização da tensão entre o indivíduo e o colectivo".

Simmel analisou o dinheiro como uma realidade tão decisivamente imaterial quanto aparentemente a mais material, fez uma análise não-materialista do símbolo da riqueza material.

Hoje os cadernos especializados em mercados de luxo como relógios tratam do celular como novo símbolo não apenas de uma função, mas de uma importância social e econômica. A edição do último domingo do Financial Times tem esse tema na capa do caderno "Relógios e Joalheria". Trata dos "mobile phones with a Swiss twist", um jeito próprio de explicitar status por meio do uso de "luxury communication devices".

Macamo e o Financial Times atentam para o mesmo processo revolucionário nas cadeias produtivas de riqueza, identidade e conhecimento contemporâneas - a mídia digital tornou-se ubíqua e locativa, global e local, instrumental e prática porém igualmente simbólica e intangível.

Numa reunião entre altos executivos em Londres ou nas ruas de Maputo, o celular está transformando a linguagem líquida da cultura digital em temporalidades móveis com fronteiras plásticas entre o indivíduo e a sociedade, a auto-defesa e o agrupamento, o trabalho e o lazer.

(*) Foto de Eduardo Vizer, loja da Mcel em Maputo.
(**) Link para as reflexões de Elisio Macamo sobre o telefone celular a partir da obra de Simmel:
http://ideiascriticas.blogspot.com/2008/04/o-celular-1.html

sexta-feira, 27 de junho de 2008

Um breve panorama do debate democrático e comunicacional na América Latina!


As recentes experiências de Poder Popular exercido na América Latina conseguiram retomar um debate que remonta à fratura da 1ª Internacional. Assunto esquecido, o problema da equação da liberdade com a igualdade foi uma das causas do rompimento da Associação Internacional dos Trabalhadores entre os centralistas e os federalistas. Hoje no lado de cá do Atlântico, os limites da democracia de mercado são questionados frontalmente em ao menos três países: Bolívia, Equador e Venezuela.

No meio dessa disputa, a esfera da comunicação ganha papel cada vez mais relevante. Assim como o capitalismo pós-industrial tem como seu porta-voz e força motriz na comunicação social e digitalizada, os setores de movimento popular que põem em cheque a capacidade do Estado legal tornar-se um ente promotor do direito para todos, vêem na comunicação social uma frente de luta e construção de identidades populares. Esta é outra “novidade” conquistada em inúmeros confrontos, físicos e de idéias. O direito a ser igual dentro da diversidade que não pode tornar-se diferença estruturada move uma série de sentidos latino-americanos. Identidades são ressuscitadas como o “pensamento bolivariano”, o “federalismo artiguista”, a defesa de um país pluri étnico como redescobrimento das maiorias de povos originais andinos; estas dentre dezenas de identidades que se fizeram valer como força política e social coletiva, pôde ganhar grau de existência real através da comunicação.

O debate em defesa desta diversidade democrática de corte igualitário – portanto sendo o avesso do pós-moderno e do multiculturalismo estadunidense – defronta-se todos os dias com dois adversários no próprio campo. Uma é a noção de radicalidade democrática, quando os distintos setores de interesse, agrupações ideológicas e movimentos específicos possam conviver em um plano de igualdade e defesa estratégica. Este conceito que ganha o nome de Poder Popular, em última instância, é a criação de outra institucionalidade, forma de vida coletiva e de poder que vai além da democracia de mercado e também de qualquer liderança carismática. É sabido que em torno de “personalidades” tudo o que se constrói é transitório e a herança política passará por problemas insolúveis como são os vários “peronismos sem Perón” na Argentina. Outro problema a ser solucionado é a comunicação como capacidade de gerar um discurso-síntese, no melhor estilo dos jornais operários de início de século. Ir além do utilitarismo, saber falar para toda a sociedade a partir de um ponto de vista de classe e povo é uma dificuldade que todas as esquerdas do Continente têm e que no Brasil é já é uma crise estruturante do pensamento político e comunicacional.

Saídas existem e vão sendo abertas no exercício do Direito à informação, comunicação e cultura. Muitas vezes este Direito está acima da lei e se confronta também com os arrivistas de lideranças carismáticas. Para um breve panorama da democracia na comunicação como pólo de irradiação e aglutinação da radicalização democrática, entendo ser o suficiente para o início de um debate de rigor, mas a partir de uma posição declarada. O grau de certeza que trago, é que a comunicação popular e coletiva caminha lado a lado da direção coletiva e da institucionalidade que surge do poder que emana do povo.

Bruno Lima Rocha, msc e doutorando, membro do Cepos

Estratégias de Comunicação & Política (Curso de Educação Continuada da Unisinos, 2º semestre de 2008, início 22 agosto)


Para entender o mundo real é preciso ter uma teoria que explique e resolva os problemas

Sabe fazer análise de conjuntura? Qual a diferença de manobra, tática, estratégia e objetivo? Quais são os limites da democracia representativa? Como a mídia opera nas decisões estratégicas do país? Qual o papel de entidades empresariais, partidos políticos e movimentos populares nas “arenas democráticas”? Porque o agente econômico precisa do político profissional? É possível controlar o governo eleito? Quem governa? Onde está o poder de fato? Existe democracia participativa sem mídia democrática?

Quer os conceitos para responder a estas perguntas? Então este curso é para ti comunicador, militante, ativista, pesquisador ou assessor que opera no Jogo Real da Política como ela é! Estratégias de Comunicação & Política, para quem quer conhecer, escrever e fazer a política muito além do voto!

Ministrante: Bruno Lima Rocha (blimarocha@via-rs.net), cientista político e jornalista; articulista com atuação no Rio Grande do Sul, Brasil e América Latina. Editor de Estratégia & Análise (www.estrategiaeanalise.com.br)

Coordenação: professor doutor Valério Brittos, Grupo CEPOS – Comunicação, Economia Política e Sociedade

Informações e inscrição:
Linha Direta Unisinos, fone/fax (51) 3591-1122
www.unisinos.br/extensao/comunicacao
email: econtinuada@unisinos.br

VAGAS LIMITADAS
Inscrições até 19/08/2008

quinta-feira, 26 de junho de 2008

Video de alunos sobre linguagem do jornalismo na TV

Os alunos da disciplina de Iniciação ao Conhecimento Científico, ministrada pelo Professor Dr. Valério Cruz Brittos, no curso de Comunicação Social da Unisinos, produziram um video a respeito da linguagem do jornalismo televisivo, abordando o programa CQC, da TV Bandeirantes.

Autores:
Magda Marques
Tamires Gomes
Rodrigo Wollf
Simone Ludwig
Amanda Garcia
Leandro dos Santos

quarta-feira, 25 de junho de 2008

Programa discute publicidade nas tevês paga


O professor e pesquisador do PPGCom da Unisinos Valério Brittos participará do programa Ver TV veiculado na TV Câmara e na NBR nessa quinta-feira, 26. Na TV Brasil, o programa será exibido no sábado, 28. Nesta edição o assunto discutido será a publicidade nas TVs pagas e consequentemente a regulamentação do setor.

Segundo Brittos é essencial discutir a TV paga, pois ela é um negócio que veio para dar qualidade de imagem e conteúdo para o meio, porém ela é dominada pelas propagandas. “A TV paga é duplamente financiada, porque os assinantes pagam e os anunciantes também”, diz.

O maior motivo para essa atitude das tevês por assinatura está na baixa inserção nos lares dos brasileiros. Foi um negócio que não deslanchou como nos outros países da América Latina que em alguns casos chega a 59 milhões. No Brasil a soma de assinantes no último levantamento, em 2006, foi de 4,22 milhões.

O número de propagandas na TV paga está relacionado ao baixo custo do espaço publicitário, que é proporcional a abrangência dos canais. Ao contrário das tevês de canal aberto que conhecem os seus índices de audiência e, por isso, cobram preços altos pela veiculação.

“Não haveria necessidade de ter tanto espaço para as propagandas da tevê paga, por causa de um modelo de tevê que não deu certo quem fica prejudicado são os assinantes”, afirma.

Brittos deixa claro que este é o momento de discutir a TV por assinatura e lembra que está sendo tramitado no Congresso Nacional um Projeto de Lei que pode obrigar as empresas de TV paga a aceitarem cotas de conteúdo nacional na programação.

Ver TV

O programa Ver TV é o primeiro a analisar a televisão brasileira, transmitido pela TV Câmara e pela TV Brasil. É apresentado pelo jornalista e sociólogo Laurindo Leal Filho todas as quintas-feiras, às 22h30min, e é transmitido aos sábados pela TV Brasil, às 21h30min. Os debates têm o apoio da Comissão de Direitos Humanos da Câmara dos Deputados.

O professor Valério Brittos já participou ano passado em um debate sobre as concessões para os canais. O professor da Unisinos irá gravar o programa nessa quinta-feira em Brasília, e retorna no mesmo dia.

por Camila Vargas
www.portal3.com.br