terça-feira, 2 de fevereiro de 2010

O ódio da mídia e a primeira vitória de Lula

O rancor da mídia corporativa tem que ser contemplado como pano de fundo de uma grande derrota. Suas ameaças só não são trágicas porque, ao arreganhar os dentes, a grande imprensa introduz notas burlescas no discurso que se pretendia ameaçador.

Gilson Caroni Filho

Se a deontologia do jornalismo não contempla a divulgação de matérias partidarizadas como se fossem notícias apuradas em nome do leitor/telespectador, o telejornalismo brasileiro, principalmente o da Rede Globo, anda precisando redefinir qual é a natureza do seu verdadeiro ofício. Que fato objetivo deflagra tanta empulhação em horário nobre? Que registro simbólico almeja sua busca de sentidos? Qual a necessidade de construção permanente de imagens desfavoráveis ao governo e, em especial, ao presidente da República? Enganam-se os que pensam que as respostas a essas questões residem apenas nas próximas eleições. Lula, por seu significado histórico, representa uma fratura bem mais profunda do que pode parecer à primeira vista.

Ao obter mais de 30 milhões de votos em 1989, o ex-líder sindical apareceu como condensação das forças sociais que se voltavam para a demolição tardia do antigo regime. Contrariando prognósticos de conceituados analistas, sua candidatura teve gás suficiente para enfrentar as máquinas partidárias de velhos caciques. Mesmo derrotado por Collor, que representava a reprodução do passado no presente, o desempenho de Lula prenunciou, de forma categórica, o fim de uma “democracia” que só era possível mediante pacto de compromisso entre as velhas elites políticas, civis e militares. Essa foi sua primeira vitória. E a Globo disso se deu conta.

O embrião de um novo espaço histórico, capaz de conferir peso e voz aos de baixo na sociedade civil, na cultura e no arcabouço estatal, estava lançado. Com uma indiscutível capacidade de antecipação histórica, a família Marinho, que construiu seu colosso midiático como um Estado dentro do Estado- e muitas vezes acima dele- pressentiu o ocaso dos dias gloriosos. Como principal aparelho de legitimação da ditadura militar, as Organizações sempre vislumbraram a democracia como processo fatal à sua supremacia. E essa era uma avaliação correta. Deter o movimento profundo que vinha das urnas seria impossível.

A centralidade de Lula e do Partido dos Trabalhadores no cenário político era o avanço do cidadão negado, desde sempre, em sua cidadania. A construção da nova história objetivaria também o significado das eleições seguintes. Até a vitória em 2002, o acúmulo de forças trouxe à cena as esperanças políticas das classes excluídas. O rosto sofrido, que se contrapunha tanto à estética das modernizações conservadoras quanto à ética do neoliberalismo rentista, já não temia as bravatas e espertezas do adversário.

O rancor da mídia corporativa tem que ser contemplado como pano de fundo de uma grande derrota. Suas ameaças só não são trágicas porque, ao arreganhar os dentes, a grande imprensa introduz notas burlescas no discurso que se pretendia ameaçador. O diagnóstico que denuncia o fim da festa sai, ainda que codificado, dos débeis sustentáculos da credibilidade que lhe sobrou junto a setores protofascistas da classe média.

Ao criminalizar movimentos sociais, criticar a política externa tentando estabelecer paralelos entre Caracas e Tegucigalpa, e censurar premiações internacionais recebidas pelo presidente, o jornalismo produzido vai desenovelando a história da imprensa brasileira com impecável técnica televisiva.

Resta-lhe o apoio de uma direita sem projeto, voraz, cínica e debochada. Esse é o único troféu que ostenta em 2010, após ter sofrido o baque inaugural há 21 anos. Na década de 1980, ainda valia editar debates e fazer uso político de seqüestro de empresários. Afinal, não seria por apoio governamental que conferências debateriam monopólio e manipulação midiática.

Em outubro, a Globo não estará apostando apenas na candidatura de José Serra. Buscará, mediante retrocessos de toda ordem, garantir a sobrevida de uma ordem informativa excludente, incompatível com as regras mais elementares do Estado Democrático de Direito.


Gilson Caroni Filho é professor de Sociologia das Faculdades Integradas Hélio Alonso (Facha), no Rio de Janeiro, colunista da Carta Maior e colaborador do Jornal do Brasil


Fonte: Agência Carta Maior

Fim do diploma faz universidade suspender curso de jornalismo

O fim da obrigatoriedade do diploma de Jornalismo para o exercício da profissão, decidido em junho do ano passado pelo Supremo Tribunal Federal, atingiu a Universidade Mogi das Cruzes (UMC), de São Paulo. Com uma queda de 50% na procura, o curso desse semestre foi suspenso.

A coordenadora de jornalismo da UMC, Cristina Schmidt Pereira da Silva, nega que a universidade tenha intenção de fechar o curso. “Não vamos fechar, vamos apenas deixar de oferecer esse semestre. Sentimos uma diminuição muito grande na procura, uma queda de 50%, o que ficou economicamente inviável”, explicou.

Cristina disse que o curso sempre teve uma boa procura e que existe uma pequena variação entre um ano e outro, mas dessa vez a queda foi muito alta. Além disso, alguns alunos iniciantes do semestre passado se sentiram desmotivados e desistiram do curso. “Ficamos muito tristes com isso, mas vamos continuar, porque queremos mudar essa ideia de que não precisa de diploma para exercer a profissão”, afirmou.

Fonte: Comunique-se

O que muda com a universalização da banda larga

Por Valério Cruz Brittos e Maíra Bittencourt*

A promessa é que para 2010 o Plano Nacional de Banda Larga seja implantado e revisado, promovendo maior disseminação da internet no país. Com a web alcançando todo o Brasil, ocorrerão grandes mudanças no processo comunicacional. Hoje, apesar de a internet atingir parcela ainda pequena da população nacional, já impactou definitivamente o modo de pensar e fazer comunicação. A maneira como são construídos e transmitidos os conhecimentos mudaram de forma incisiva nos últimos 15 anos e outras grandes transformações ocorrerão.

Uma maior velocidade de conexão garante que o acesso a conteúdos mais pesados (como vídeos) seja viabilizado com maior facilidade. Da mesma maneira, o upload (envio de material para a rede) também encontra um caminho menos penoso – deixando de ser despendidas horas para esse processo – e isso certamente será um incentivo à produção de conteúdos para web, não somente para empresas de comunicação, como para a sociedade em geral.

Nesse sentido, a TV pela internet ganha espaço. Porém, logo aparece o questionamento do que pode ser considerado televisão. Certamente não mais aquela velha conhecida, sob o suporte do aparelho televisor, onde todos se encontravam ao seu redor para assistir à oferta das emissoras, mas um novo modo de disponibilizar e ver áudios e imagens em movimento. Na web, o fluxo (próprio da televisão convencional, em que um programa é exibido após o outro, de acordo com programação prévia da estação) altera-se, sendo possível montar a própria programação, pular o que não deseja assistir, escolher o que mais chama atenção.

Dois sub-modelos

Nos portais o modo de disponibilização dos conteúdos geralmente é com programação sob demanda, o telespectador constrói sua grade através de webcasting (clicando naquilo que deseja, no horário que mais lhe convém, ou seja, a todo momento o material está à disposição); em outros casos há a possibilidade de opção pelos vídeos em tempo real de disponibilização (o fluxo). Há ainda os modelos de coexistência de fluxo e sistema de menu, sendo o caso de alguns portais, que constantemente exibem programação em fluxo, mas que permitem ao espectador também acessar o que já foi exibido. Outra possibilidade é a opção de download de vídeos: nesse caso a apropriação do material pode ser maior, pois se faz possível pausa, interrupção, associação e visualização quantas vezes for conveniente e dos mais diversos locais, inclusive sem acesso à rede.

Ao mesmo tempo, existem os portais que disponibilizam links que dão acesso a conteúdos terceirizados. Há diversas possibilidades, as quais podem ser escolhidas de acordo com a listagem de canais, os quais podem ser acessados pelo idioma ou pelo estilo de programação desejada. Eles funcionam como intermediários para aqueles que elaboram os conteúdos digitais. Geralmente hospedam links que remetem a programações audiovisuais de vários estilos: podem ser canais com presença exclusiva na internet ou emissoras terrestres também disponíveis virtualmente.

Outro estilo de portal de televisão na web é aquele que possui programação própria. Nesse caso, a programação é elaborada especialmente para a internet, funcionando como uma TV convencional, porém agregando tecnologias possibilitadas pela web. Contém vídeos para download, acesso a programações já exibidas e interatividade, entre outros fatores.

Existem aqueles que armazenam links para programação de outras emissoras e também produzem vídeos próprios. Nesses são identificados dois sub-modelos: os que dispõem apenas programas em arquivo, para serem acessados a qualquer momento, e aqueles que fornecem programação em fluxo, ou seja, exibem conteúdos permanentemente, a partir de uma grade de horários prévia, assim como as programações das televisões convencionais.

Passagem para outro patamar causa estranhamento

Há também os que hospedam conteúdos elaborados por amadores e profissionais que ficam disponíveis apenas na forma de vídeos isolados, ou seja, sem uma programação prévia e planejada. Nesse modelo é possível criar, não existe uma programação própria, ela é feita por cada usuário, ao acessar o portal.

Os portais das empresas de televisão convencionais terrestres, analógicas ou digitais, também estão ocupando esses locais. Multiplicam-se os portais que hospedam virtualmente a mesma programação exibida de forma convencional. Esses buscam como diferencial da televisão clássica a possibilidade de download, interatividade, montagem de programação própria para cada usuário e complementação dos conteúdos através de outros recursos, como textos, fotos e gráficos.

Há ainda, divergindo dos anteriores, softwares que podem ser baixados para o computador do usuário. Após download é permitido acesso a diversos conteúdos, dentre esses programas completos, documentários, reportagens e até mesmo o acesso a programação em tempo real de emissoras de TV por assinatura ou regionais.

Com as diversas possibilidades, abre-se um espaço para uma nova televisão, ainda não difundida plenamente, devido às barreiras ainda encontradas, como a baixa velocidade de conexão, que causa travamentos ou tempo demasiadamente grande para os vídeos serem carregados. Essa longa espera pelo carregamento, ou os pulos de imagens e áudio, são motivos fortes para não fidelizar a audiência. Outro elemento, que requer muita reflexão e investimento, é a expansão quanti-qualitativa da educação tradicional-digital, formando cidadãos cognitivamente aptos e motivados a buscar na internet conteúdos diferenciados, com relação ao modelo das indústrias culturais.

Essa diferenciação, no quesito escolha, ainda não faz parte do cotidiano social. Os usuários estão muito ligados ao modelo de fluxo e de poucas opções. Como a maior parte da população utiliza essencialmente TV aberta, essa passagem para um patamar onde a grade de programação pode depender do usuário causa estranhamento. É preciso que haja um processo de formação, para que os cidadãos se sintam capacitados a optar, devendo esse tipo de educação ser pensado no âmbito do projeto de universalização de banda larga. Do contrário, a tendência é que, mesmo com as novas possibilidades, os usuários sigam pouco utilizando os muitos recursos da comunicação audiovisual, preferindo o esquema tradicional, sem maiores escolhas.

* Respectivamente Professor titular do Programa de Pós-Graduação em Ciencias da Comunicação da Unisinos membro do Grupo CEPOS e Jornalista Mestranda em Comunicação pela Unisinos e também membro do Grupo CEPOS.

Fonte: Observatório da Imprensa

segunda-feira, 1 de fevereiro de 2010

O que a imprensa esconde

Por Luciano Martins Costa

A imprensa brasileira fez um ótimo serviço ao colocar em debate o 3º Programa Nacional de Direitos Humanos.

A imprensa brasileira fez um péssimo serviço ao adotar atitude tendenciosa diante do 3º Programa Nacional de Direitos Humanos.

Essas são as duas posições antagônicas e inconciliáveis que se pode identificar nos comentários sobre o decreto publicado em dezembro e que só foi descoberto pelos jornais na segunda semana de janeiro. No entanto, nenhum jornal ainda mergulhou profundamente na questão. Apenas artigos esparsos, sempre em flagrante minoria em relação às opiniões contrárias, defendem o decreto.

As escolhas da imprensa, destacando textos que condenam tópicos específicos do decreto, estimulam claramente uma visão conservadora sobre uma medida que representa, na sua totalidade, a consolidação de conquistas sociais importantes dos brasileiros.

Para entender e discutir as possíveis distorções, seria essencial oferecer antes um panorama completo do que representam os três programas já apresentados nos últimos quinze anos.

Já se disse aqui que os PNDHs são conjuntos de propostas que trazem a visão do Estado brasileiro – e não de um governo ou grupo político, especificamente – sobre questões fundamentais para a estratégia do país. Essas propostas, em todas as três versões, foram amplamente discutidas em reuniões públicas, desde a primeira delas. Participaram dos debates entidades representativas de movimentos sociais de todos os tipos e tendências.

Temas polêmicos

A partir do 2º PNDH, os debates também aconteceram pela internet. Só não se manifestaram aquelas organizações que, por sua própria natureza, evitam colocar em público a defesa de seus interesses e preferem atuar nos bastidores – ou através da imprensa.

Essas propostas reproduzem e consolidam compromissos assumidos pelo Brasil em acordos internacionais.

Ninguém pode tirar do ex-presidente Fernando Henrique Cardoso – que anda estranhamente calado sobre o tema – a autoria da proposta original, elaborada quando ele ainda era o chanceler, no governo José Sarney.

E desde a primeira versão, o Programa Nacional de Direitos Humanos vem indicando uma tendência que a imprensa tenta agora fazer reverter: a de impor o controle social sobre os meios de comunicação.

Outras questões, como o direito da mulher a dispor de seu próprio corpo, são pontos pacíficos nas legislações dos países desenvolvidos há décadas. Da mesma forma, a necessidade de julgar os torturadores é questão já decidida. Mesmo porque, os opositores do regime militar já foram "julgados", à maneira da ditadura. Muitos deles foram torturados, alguns até a morte, outros simplesmente executados; há desaparecidos cujo paradeiro ainda não se conhece; milhares foram prejudicados em suas vidas profissionais e familiares.

Para entender os temas realmente polêmicos, que teriam sido contrabandeados para dentro do decreto por militantes ressentidos, a imprensa precisaria antes propor o debate sobre o sentido geral do decreto, coisa que ainda não fez.

Distorcendo o debate

Façamos de conta, então, que não existe o 3º Programa Nacional de Direitos Humanos, apresentado pelo atual governo, e motivo de tanta celeuma. Fiquemos com o 2º PNDH, decretado em 2002 pelo então presidente Fernando Henrique Cardoso. Comecemos pelo capítulo referente à "Garantia do Direito à Liberdade – Opinião e Expressão", tema tão caro à imprensa nacional. Está escrito lá, no item 101:

"Apoiar a instalação, no âmbito do Poder Legislativo, do Conselho de Comunicação Social, com o objetivo de garantir o controle democrático das concessões de rádio e televisão, regulamentar o uso dos meios de comunicação social e coibir práticas contrárias aos direitos humanos".

Em seguida, leia-se o item 102:

"Garantir a possibilidade de fiscalização da programação das emissoras de rádio e televisão, com vistas a assegurar o controle social [grifo meu] sobre os meios de comunicação e a penalizar, na forma da lei, as empresas de telecomunicação que veicularem programação ou publicidade atentatória aos direitos humanos".

No texto introdutório, o então presidente referendava o 1º PNDH, publicado quase seis anos antes, em maio de 1996 – no meio do seu primeiro mandato, diga-se de passagem –, no qual foi criada a orientação geral para a legislação referente aos crimes do regime militar, como a lei 9.140/95, que definiu o reconhecimento das mortes de pessoas desaparecidas em razão de participação política, "pela quais o Estado brasileiro reconheceu a responsabilidade por essas mortes e concedeu indenização aos familiares das vítimas". Cita ainda, como resultado do 1º PNDH, a lei 9.455/97, que tipificou o crime de tortura.

Preocupada em dar espaço às opiniões mais conservadoras, a imprensa anda escondendo esses detalhes.

Aguarda-se artigo do ex-presidente Fernando Henrique para esclarecer devidamente o assunto.

Fonte:Observatório da Imprensa

A concorrência aquecida

Por Luciano Martins Costa

Anunciado com certa discrição, foi lançado na segunda-feira (1/2) o novo caderno de Negócios do Estado de S.Paulo, rara tentativa de renovação na imprensa brasileira. O produto de papel será semanal, sempre às segundas, e deverá ancorar uma série de outros módulos noticiosos, utilizando rádio, smartfones e computadores. O jornal paulista procura somar a capacidade de análise que cabe na imprensa de papel com a agilidade e penetração do rádio e da internet.

O portal do Estadão foi reestruturado para abrigar novas possibilidades de integração com o material produzido pela Agência Estado, além de oferecer mais análises em texto, áudio e vídeo. O pacote se destina claramente ao leitor protagonista, que toma decisões de negócio ou de investimento pessoal, e necessita ao mesmo tempo de agilidade e contextualização.

Mas, no conjunto, o leitor ainda pode ter dificuldade para localizar indicadores e estabelecer rapidamente as conexões entre informações isoladas e opiniões de especialistas. Além disso, permanece em vigor a crescente falta de tempo para leituras mais longas nos dias úteis.

Vida real

O Estado parece apostar nos estudos que apontam a necessidade da leitura de informações econômicas e de negócios como uma das atividades de profissionais e empresários nas manhãs de segunda-feira.

Mesmo que venha a precisar de ajustes nas próximas semanas, o projeto do jornalão paulista demonstra maior vigor da imprensa brasileira, que foi arejada no final do ano passado pela chegada do diário Brasil Econômico.

Um dos destaques do novo caderno de Negócios do Estadão, aliás, já havia sido publicado pelo novo concorrente na semana passada: uma reportagem sobre os novos negócios de Ricardo Mansur, cujo estilo empresarial deixou centenas de desempregados e dívidas superiores a R$ 1 bilhão de reais com a quebra do banco Crefisul e das lojas Mappin e Mesbla.

Mansur vive como gosta em Ribeirão Preto (SP), onde investe em usinas de álcool, e acaba de comprar uma escola de negócios, a Faculdade Batista de Vitória, no Espírito Santo, onde certamente vai ensinar aquilo que tem praticado na vida real.

Mais do mesmo

A iniciativa do Estado de S.Paulo deve criar problemas de longo prazo para seu principal concorrente, a Folha de S.Paulo, e atrapalhar os esforços do Globo para emplacar no mercado paulista.

A Folha não tem a mesma tradição em jornalismo econômico e de negócios, e sua iniciativa conjunta com o Globo, o título Valor Econômico, embora hoje bem consolidado, nunca conseguiu bater a extinta Gazeta Mercantil, que saiu de cena por seus próprios erros.

O novo protagonista do mercado, Brasil Econômico, ainda se consolida e tem que enfrentar o monopólio da distribuição, dominado pela associação entre Folha e Estado, mas a concorrência tende a se acirrar neste ano de aquecimento no mercado.

Sem um caderno de economia e negócios forte o suficiente para entrar nesse jogo, a Folha acaba empurrada para a concorrência com os chamados jornais populares, o que pode ser prejudicial à sua reputação no longo prazo. Além disso, a longa crise da mídia impressa pode arrefecer com o anunciado crescimento econômico do Brasil e a nova posição assumida pelo país no cenário global.

De qualquer forma, todos os jornais precisam atentar para certos paradigmas que se apresentam em função da crise financeira que estourou em 2008 – e em decorrência das evidências de que a expansão da atividade econômica sem controles pode estar levando o planeta a um ponto de saturação.

Sucesso pessoal

O novo caderno de negócios do Estadão é um sopro de ar no desgastado cenário da imprensa brasileira. Mas parece mais do mesmo. Pelo menos na sua estréia, segue priorizando o noticiário sobre os resultados financeiros dos negócios, sem dar uma atenção especial aos temas que têm dominado os debates econômicos mais recentes, como o papel das empresas nas questões ambiental e social.

Ricardo Mansur, personagem de destaque na edição de segunda-feira, é tudo de que a economia brasileira não precisa.

Embora a reportagem do Estadão seja suficientemente crítica, sua história de sucesso pessoal não anima os que acreditam em um Brasil melhor e mais sustentável.

Fonte: Oberservatório da Imprensa