quinta-feira, 6 de novembro de 2008

RBS TV faz a primeira transmissão digital no RS

A RBS TV deu início, na noite desta terça-feira, às transmissões da televisão digital. A emissora é a primeira do Rio Grande do Sul a operar no sistema. O comando foi acionado às 19h42min nos estúdios da RBS TV em Porto Alegre pelo presidente do Grupo RBS, Nelson Sirotsky, junto a Jayme Sirotsky, presidente do Conselho de Administração da RBS, na presença do ministro das Comunicações, Hélio Costa, da governadora Yeda Crusius, e do vice-presidente das Organizações Globo, João Roberto Marinho.

— A tecnologia digital que o Grupo RBS e a Rede Globo inauguram na noite de hoje, integrando de forma pioneira Porto Alegre e Região Metropolitana, representa um marco na comunicação gaúcha. A qualidade da alta definição, somada à mobilidade e à portabilidade, e futuramente também à interatividade, se traduzirá em inúmeras oportunidades de aperfeiçoamento da nossa relação com o público e do contato do próprio público com o seu veículo de comunicação mais querido, que é a televisão aberta — disse em seu discurso, Nelson Sirotsky, que pegou do bolso uma minitv e mostrou para o público a imagem pioneira da RBS TV digital.

— A RBS, assim como este Estado, é vocacionada para a inovação e o protagonismo — destacou a governadora Yeda.

O transmissor NEC UHF Canal 34, localizado no Morro da Polícia, foi colocado em funcionamento remotamente, desde a central técnica da RBS TV no Morro Santa Tereza. O primeiro programa em alta definição a ser transmitido é a novela A Favorita.

Nesta quarta-feira, o Jornal do Almoço será o primeiro programa gaúcho totalmente produzido e transmitido em alta definição. O telejornal vai ao ar direto do Largo Glênio Peres, no Centro de Porto Alegre. Começa mais cedo, às 11h30min, e terá uma hora e 20 minutos de duração. Os comunicadores da RBS TV Cristina Ranzolin, Daniela Ungaretti, Lasier Martins, Paulo Sant'Ana e Paulo Brito vão mostrar como a nova tecnologia trará aos telespectadores imagens mais nítidas e com cores mais vivas.

Na tarde de hoje, o ministro das Comunicações assinou a consignação que autoriza a RBS TV Porto Alegre a transmitir no padrão TV digital. O termo também foi assinado pelo presidente do Grupo RBS, Nelson Sirotsky. Na mesma solenidade, realizada no Memorial do Rio Grande do Sul, no centro de Porto Alegre, o ministro autorizou a consignação dos canais — a formalidade permite que as emissoras utilizem um canal adicional, em UHF, mantendo a transmissão atual em VHF — para mais cinco TVs de Porto Alegre. A RBS TV vai operar no canal 34 UHF, abrangendo a Capital e municípios da Região Metropolitana. Em Santa Catarina, a chegada do sinal digital será até o fim de novembro.

Fonte: Zero Hora.com

quarta-feira, 5 de novembro de 2008

Perspectivas e conexões na digitalização do mercado gaúcho

Por Valério Cruz Brittos, Márcia Turchiello Andrés e Tamires Gomes

De acordo com o cronograma oficial de implementação da televisão digital terrestre (TDT) no Brasil, todas as geradoras de TV deverão disponibilizar o sinal digital até janeiro de 2011. Depois de São Paulo e região metropolitana, cujo lançamento ocorreu em 2 de dezembro de 2007, o sinal foi estabelecido nas cidades do Rio de Janeiro, Belo Horizonte, Goiânia e Curitiba. A próxima cidade a estrear a televisão digital é Porto Alegre. O sinal da RBS TV será aberto no dia 4 de novembro e o primeiro programa a ser totalmente produzido e transmitido em alta definição será exibido no dia 5, o tradicional Jornal do Almoço.

As demais emissoras porto-alegrenses, como Band, Record e SBT, estão definindo seus projetos e ainda não anunciaram seus produtos digitais iniciais. Depois de Porto Alegre, a próxima cidade a receber o sinal digital será Florianópolis (SC), até o final de novembro. Já no mês seguinte, a RBS TV de Porto Alegre e a de Florianópolis apresentarão a minissérie Quatro Destinos, gravada nos dois estados do Sul, em alta definição. Os restantes canais televisivos do grupo exibirão este conteúdo unicamente através do sistema analógico.

Diferenciação do produto-serviço

A TDT amplia as possibilidades de convergência, disponibilizando vários recursos tecnológicos, como multiprogramação (transmissão simultânea de até quatro programas), portabilidade, mobilidade e interatividade. No entanto, esses expedientes não estarão acessíveis de imediato, devendo ser introduzidos posteriormente. Então, da mesma forma que tem ocorrido nas demais capitais do país, a única mudança imediata no mercado televisivo de Porto Alegre, com a implantação da TV digital, é a alta definição, ou seja, qualidade superior de imagem e áudio, gerando modificações técnicas e estéticas, com novos enquadramentos de cena e nitidez da exibição capaz de denunciar falhas no figurino das produções.

Esses fatores, aliados ao baixo poder aquisitivo da população, poderão retardar a disseminação da TV digital no Rio Grande do Sul, como vem ocorrendo nas demais capitais brasileiras em que o sinal já está disponível. Os preços do set top box ainda estão fora da realidade de grande parte dos brasileiros, apesar de já terem sido lançados modelos de menor custo, com versões que variam entre R$ 199,00, R$ 260,00 e R$ 299,00. Mas o principal entrave para o sistema deslanchar é mesmo a falta de diferenciação do produto-serviço, de forma que o consumidor reconheça valor na inovação e invista na migração.

Medidas concretas

A digitalização pode representar mudanças profundas na relação do telespectador com o meio, não somente por alterar a qualidade de imagem e som transmitidos, mas especialmente por permitir maior participação do telespectador na programação televisual, através da interatividade, que, para tornar-se mais plena, requer, necessariamente, a definição do canal de retorno do público para com a emissora. Isso pode significar melhorias no plano da democratização da comunicação, mas deve-se destacar que os usos da televisão com objetivos emancipatórios devem ser uma exceção, sendo o aproveitamento mercadológico a regra, notadamente ante a regulamentação permissiva que demarca o setor.

Portanto, é neste sistema de televisão digital ainda em formatação que os grupos hegemônicos de comunicação lançam suas estratégias operacionais e a sociedade civil busca participação. Até o momento, não são grandes os avanços no que diz respeito à criação de políticas públicas de inclusão digital, nem disposição, por parte do governo e dos agentes hegemônicos, em relação a novas conexões do modelo com o espaço público. Compete ao movimento social, juntamente com universidades e população em geral, pressionar o Estado e exigir que medidas concretas sejam tomadas no âmbito da comunicação que contrariem os interesses hegemônicos e apresentem respostas satisfatórias no plano da cidadania.


Fonte: Observatório da Imprensa

terça-feira, 4 de novembro de 2008

O fundo de realidade na falta de POLÍTICA para a “economia” brasileira

por Bruno Lima Rocha*

Há um problema de fundo, que vai além da aposta na jogatina financeira com o valor da moeda brasileira em relação ao dólar. Não há crescimento sustentável que se agüente sem estar ancorado na poupança interna. Qualquer macro economista, pós-keynesiano ou economista político decente vai afirmar isso. É impossível imaginar a soberania da decisão política se esta capacidade decisória “flutua” sobre recursos que os mecanismos sociais de regulação econômica não controlam. Isso é impossível no capitalismo, que dirá em outra forma de gerir a sociedade. Portanto, quando os agentes econômicos “se expõem” ao endividamento com outro indexador que não seja a própria moeda do país, ficamos todos à deriva das infelicidades destes gestores.

Não estamos falando dos tubarões do mercado financeiro, mas sim de quatro em cada cinco empresas não-financeiras e que tem ações negociadas na Ibovespa! 4 em 5, mais de 80% do capitalismo real privado no Brasil! Portanto, são empresas de capital aberto, empregando gente e são vitais em uma cadeia de valores de sustentação de cidades inteiras. De cada duas S/A operando no Brasil e jogando seus papéis no Índice da Bolsa de São Paulo (Ibovespa), uma pode estar endividada na moeda controlada por Bernanke e Paulson! Este dado, publicado no Jornal do Comércio do RS, de 3ª 28/10/2009 (pág.7), nos evoca o debate de fundo e que nenhum “especialista” de opinião econômica quer entrar.

Semana passada comentei o fato político com enfoque econômico no curso “Mídia, Controle e Democracia”, promovido pelo Grupo de Pesquisa Cepos/Unisinos e onde participo. Apenas citei de memória este dado. Entendo que um tema assim é um escândalo nacional. Se o público que assiste a novela do eucalipto tivesse a capacidade cognitiva e a motivação ideológica para a rebeldia, apenas esse dado valeria um Caracazo! 4/5 da economia brasileira de capital aberto está pendurada em papel podre, usou o dinheiro captado para apostar na jogatina e agora vê seu valor arriscando cair. A fraude nos balanços da Enron abriu a porteira para o inferno dos números que não comprovam o valor real.

O Estado não é nem responsivo às demandas sociais e menos ainda é regulador do capitalismo exercido no Brasil. Nem as autoridades diretas e nem as delegadas pelos próprios entes faz nada perante o deita e rola dos agentes financeiros. Onde estava a Comissão de Valores Mobiliários (CVM) que não monitorou essa loucura? Para que existe o Conselho de Controle de Atividades Financeiras (COAF) e não controla atividade alguma? Ah, não por acaso este órgão pertence ao mesmo Ministério da Fazenda! Sim, o mesmo Ministério cujo responsável, o economista Guido Mantega, disse desconhecer o “tamanho real do problema” com papéis tóxicos? Para que Estado se não regula? Depois reclamam da farra dos aventureiros das finanças e da jogatina com a moeda nacional e o patrimônio alheio!

E agora o Conselho Administrativo de Defesa Econômica (CADE), mais uma vez não defende nada e aconselha menos ainda. Este órgão do Ministério da Justiça é tão (in) executor de políticas e braço operador de Justiça quanto mantém o padrão de não regular nada e apenas definir leite já derramado. O mesmo que sucedeu com a AmBev (compra da Antarctica pela Brahma) termina por ocorrer na compra do Unibanco pelo Itaú. A família Moreira Salles se livra de um problema, descola o Banco do embaixador com a vinculação à falimentar seguradora AIG, planta rumores de que iria ser comprado pelo Santander, flerta com o Bradesco e se deixa incorporar pelo Itaú.

O presidente da República foi informado do negócio. Ex-dirigente sindical, soube de uma fusão que encolhe o mercado interno, otimiza duas empresas em uma e certamente vai gerar demissão da categoria dos bancários. O ex-presidente do Sindicato dos Metalúrgicos de São Bernardo do Campo nada fez e nem deixou fazer. Aplaudiram de longe e plantaram a notificação futura do CADE a respeito do negócio já consumado. O mesmo se deu com os acionistas das duas corporações. Nada falaram e nem foram consultados. As tarifas bancárias e a taxa Selic são os fatores dos superávits recordes da Banca brasileira. A agiotagem de terno e gravata precisa do Ministério da Fazenda e do Banco Central. Com certeza o governo do Copom, com o presidente Fernando Henrique Meirelles soube antes e aplaudiu a medida. Os demais são comunicados depois.

No capitalismo do Brasil não precisa de CADE, COAF, Ministérios da Fazenda e da Justiça e nem Presidência da República. A margem de manobra da Banca é tão grande como um ponto de jogo do bicho na esquina de avenida movimentada. Já tem arrego para a patrulha da área e ninguém corre de cana. No Planalto Central e na São Paulo de Piratininga, ninguém corre do Estado, porque o Estado existe para servir a acumulação de capital da banca de agiotas com terno sob medida e gravata de seda importada.

Que democracia é essa?!

*Bruno Lima Rocha é jornalista e cientista político, editor do portal Estratégia e Análise. E-mail: blimarocha@gmail.com.

Fonte: Estratégia e Análise

segunda-feira, 3 de novembro de 2008

Fotos do último dia do curso Mídia, Controle e Democracia

Jacobus e Lima compõem a mesa no último dia de curso


Vídeo mostra como é fácil registrar uma mobilização social


Bruno Lima afirma a importância da união entre teoria e prática


Rodrigo Jacobus fala da experiência do jornal Repórter Popular


Intervenções do público possibilitam um debate horizontal


Valério Brittos faz um balanço positivo da semana de palestras


Clementino Lopes entrega livro sorteado para platéia

domingo, 2 de novembro de 2008

Curso do grupo CEPOS chega ao fim com proposta de comunicação democrática

Por Rafael Cavalcanti e Tamires Gomes

A série de debates do curso Mídia, Controle e Democracia, promovido pelo grupo CEPOS, chegou ao fim na sexta-feira, 31, com a palestra Uma proposta para um modelo de comunicação democrática, ministrada pelos professores Bruno Lima e Rodrigo Jacobus. Assim como aconteceu no primeiro dia do evento, o público lotou o auditório do Afocefe Sindicato, em Porto Alegre. Dessa vez, para conhecer caminhos de uma mídia popular que fizesse frente ao pragmatismo das Indústrias Culturais no Brasil.

E os professores não decepcionaram. Alternando falas, slides e vídeos, a dupla afirmou que a comunicação é técnico-teórica, ou seja, sem produção midiática, as teorias da comunicação são incompletas. “A validade da teoria está intrisicamente ligada à incidência, execução e teste dos conceitos-operacionais. A comunicação comunitária é a soma da experiência prática com a elaboração teórica a serviço do poder da população”, explica o cientista político Bruno Lima, que também é professor Dr. da Unisinos.

O professor e mestrando em Ciências da Comunicação da UFRGS, Rodrigo Jacobus, mostrou que é possível levar o acúmulo acadêmico para as comunidades através de alternativas baratas de radiofusão, produção audivisual, jornal impresso e mídia virtual.

Segundo Jacobus, uma rede de comunicação comunitária com jornalista e radialista contratados custaria cerca de 1% do que é gasto em publicidade por governos estaduais e prefeituras. “O valor mensal seria de R$ 8 mil, que poderia diminuir dependendo da qualidade do material utilizado sem prejuízo para a atividade”, diz o professor apresentando o periódico Repórter Popular como modelo de mídia impressa de baixo custo.

Lima e Jacobus disseram que os grandes problemas enfrentados pela mídia popular são a falta de profissionais interessados na área e o desrespeito de autoridades ou representantes de empresas concessionárias de serviços públicos no repasse de informações. Sobre esta dificuldade, percebe-se uma clara discriminação à mídia de pequeno porte diante da valorização dos grandes veículos de comunicação.

Contudo, exemplos como o jornal-laboratório Visão do Alto, do curso de Jornalismo da Faculdade Social da Bahia e a produção de audiovisual da aldeia xavante de Pimentel Barbosa, no Mato Grosso, tornaram-se símbolos de como a comunicação popular fortalece a identidade cultural dos povos. O mesmo sucesso pode acontecer em coberturas independentes de mobilização social ou no desenvolvimento de rádios verdadeiramente comunitárias.

Após a palestra, o coordenador do grupo CEPOS, professor Dr. Valério Brittos, deu ares de encerramento ao evento. Agradecendo a todos que participaram de um ou dos cinco dias de discussão, Brittos ressaltou a importância de não só levar a academia para perto da práxis social, como também de aproximar os movimentos sociais da abordagem crítica a fim de aperfeiçoar a intervenção dos mesmos na realidade: principal objetivo do curso.

No fim, o coordenador-executivo da Abraço-RS, Clementino Lopes, foi convidado a sortear o livro Jornalismo e Espetáculo, do professor Luciano Correia, para o público presente.

O próximo seminário do grupo CEPOS será realizado em dezembro de 2008. Em breve, todas as informações sobre o evento estarão disponíveis neste blog.