terça-feira, 12 de agosto de 2008

A polêmica em torno dOs mutantes

Por João Miguel

A novela Os mutantes da Record tornou-se, nos últimos dias, assunto polêmico entre os moçambicanos, especificamente aqueles que recebem o sinal da Televisão Miramar, a filial da emissora brasileira em Moçambique. Na blogosfera também está acesa a discussão em torno da temática.
Inicialmente denominada Caminhos de coração, a novela tem conseguido arrebatar o público que costumeiramente assiste à teledramaturgia da Globo veiculada, tanto pela Televisão de Moçambique – TVM (as novelas mais antigas), quanto pela SOICO Televisão – STV (as novelas mais recentes).

O posicionamento dos que, por lado, não encaram positivamente o produto (inclusive em termos estéticos) está fundado na possível influência exercida no comportamento infantil. São vários os exemplos contados de crianças que mordem as outras, numa clara imitação daquilo que a TV lhes oferece.
Certamente não haveria nenhum problema se Os mutantes fossem ao ar apenas das 20 horas e 45 minutos às 22 horas, tendo em consideração que a faixa etária que não pode estar exposta a este tipo de programa estaria, nesta altura, longe da telinha. Porém, a TV Miramar presenteia aos seus telespectadores, aqueles que por qualquer motivo perderam o capítulo anterior, com uma reprise (recurso usado por todas as TVs do país) no dia seguinte, das 15 horas e 45 minutos às 16 horas e 45 minutos, justamente num período em que a maior parte dos pais está fora de casa.

Por outro lado, posicionam-se aqueles que defendem a “livre expressão” e que colocam nos pais a responsabilidade de educar seus filhos, inclusive o cuidado de os não deixar expostos aos produtos inadequados para sua idade. Verdade é que os pais têm o dever legal e moral de proteger suas crianças, mas essa tarefa também é extensiva ao Estado. Além do mais, é papel da entidade estatal estabelecer limites através dispositivos legais para proteger os cidadãos e evitar os excessos cometidos, neste caso, pela busca da audiência ou talvez pela falta de estratégia e criatividade.
Não se pode perder de vista que as emissões televisivas (que usam o espaço hertziano, um bem comum), diferentemente da imprensa escrita, dependem de uma concessão pública para atender não apenas aos motivos mercadológicos, mas também aos interesses da sociedade como um todo.

Um dado importante na polêmica sobre Os mutantes é o fato de setores da sociedade moçambicana discutirem a atuação da mídia, um gesto fundamental para o andamento das democracias hodiernas.

Record é processada por promover jogatina

O procurador da República Márcio Schusterschitz dará entrada hoje na Justiça Federal a uma ação civil pública pedindo a suspensão imediata do Super Leilão, promovido pela Record.Para o procurador, o Super Leilão "nada mais é do que um jogo de azar" disfarçado de leilão invertido.

No ar há quase um ano, o Super Leilão promete prêmios como carros a quem ligar para um telefone de prefixo 0900 e oferecer "o menor lance único". A ligação custa R$ 4,00, mais impostos. Band e Rede TV! têm ações parecidas.O procurador também entende que o Super Leilão desvirtua os princípios constitucionais da TV e fere os direitos do consumidor, pois o telespectador faz apostas "às cegas".

A Record argumenta que apenas veicula o Super Leilão, como uma publicidade. Diz que seu cliente é uma empresa chamada Total Spin Brasil. Para Schusterschitz, no entanto, o regulamento do Super Leilão, ao prever "autorização do uso da imagem dos participantes" pela Record, "prova a absorção da atividade pela emissora".Antes de ajuizar a ação, o procurador recomendou à Record a suspensão do Super Leilão, mas não foi atendido.Procurada, a Record defendeu a legalidade do negócio e informou que só se manifestará na Justiça. A Total Spin afirmou que o Super Leilão "é uma modalidade de compra" que respeita a legislação e "não explora a boa-fé do consumidor".

BOMBA 1: A divulgação, de forma extra-oficial pela Record, de que a TV de Edir Macedo comprou com exclusividade os direitos dos Jogos Pan-Americanos de 2011, em Guadalajara (México), por cerca de US$ 10 milhões, caiu como uma bomba na Globo.

BOMBA 2: A direção de jornalismo esportivo da emissora, responsável por esse tipo de negociação, teria vacilado e entrado tardiamente na concorrência. Ainda tenta reverter a situação.

BOMBA 3Oficialmente, a Globo informa que "realmente" foi surpreendida pela notícia, "pois não recebemos até o momento nenhum comunicado sobre a abertura da disputa dos direitos [do Pan de 2011], procedimento comum nesses casos".

PADRÃO 1: A Globo anda batendo recordes de problemas técnicos. Ontem, a tela ficou preta durante a exibição de uma reportagem no "Mais Você". A imagem voltou para o estúdio, onde só o Louro José estava a postos. O boneco chamou pela "mãe" (Ana Maria Braga), que não apareceu.

PADRÃO 2: No sábado, o telão high-tech que a Globo estreou nesta Olimpíada travou quando Mylena Ceribelli apresentava agenda do Brasil em Pequim.

BOLADA: A Band está se dando bem com a Olimpíada. Tem mostrado competições a partir das 22h, o que a Globo não faz. No sábado à noite, deu média de dez pontos e ficou em segundo no Ibope. Domingo de manhã, também bateu Record e SBT.

Daniel Castro
Folha de SP

TV Digital: Interatividade, com Ginga, entra na agenda

No fim de agosto, quando o salão do Centro de Exposições Imigrantes, em São Paulo, abrir suas portas para receber os participantes do Congresso SET 2008, o Sistema Brasileiro de TV Digital, com perdão ao gerundismo, deverá estar inciando um novo ciclo: o da interatividade.

Dezenas de aplicações, desenvolvidas em parcerias entre radiodifusores, produtores de set-top-boxes e desenvolvedores de middlewares baseados no padrão Ginga estarão em exposição, demonstrando que, a despeito de todas as críticas, tecnicamente já é possível ter interatividade na TV Digital, embora local e bastante básica para tempos de Internet. Pode-se afirmar, sem medo de erro, que a pressa em inaugurar as transmissões digitais em dezembro, foi a grande responsável pela desilusão da mídia e, conseqüentemente, do público, com a TV Digital.

Hoje, na prática, set-top-boxes caríssimos, que nada mais fazem que brindar seus usuários com melhor som e imagem _ praticamente imperceptíveis para os consumidores que já podiam pagar pelo cabo _ são os vilões dessa história. Para decolar, o SBTVD precisa de set-top-boxes baratos e interatividade: as grandes promessas do governo. Acontece que, se nada for feito no campo da política industrial, ainda corremos o risco de ver esse sonho brasileiro naufragar. E isso nada tem a ver com a polêmica em torno da patentes submarinas e o pagamento de royalties pelo uso do GEM e do Java. Depende, muito mais, do modelo de negócio dos produtores de set-top-boxes, dos produtores de software, dos radiodifusores.

E onde está a luz no fim do túnel? David Britto, diretor técnico da TQTVD, membro do Fórum SBTVD e levantador da polêmica sobre a necessidade de pagamento de royalties, aponta os caminhos. Semana que vem, a TQTVS mostra em público muito do que já vem apresentado ao seleto público do Fórum SBTVD, e um pouco mais. A maior novidade é o início de licenciamento do Astro, seu middleware baseado no Ginga, já rodando em uma série de set-top-boxes com ampla capacidade de memória, a ponto de já permitir o uso de aplicações com diversos níveis de interatividade. Incluindo a maior delas, através do uso de um celular com funções de comunicação de dados.

Vi várias dessas aplicações ainda rodando em set-top-boxes de pouca memória, da Positivo e da Visiontec, e posso afirmar que o desempenho, embora ruim para os padrões perseguidos, ainda consegue ser melhor que o das aplicações interativas que rodam hoje no set-top-box da Net Digital que tenho em casa. Quem já tentou usar o Canal Plus do SportTV, agora, durante os jogos Olímpicos, sabe do que estou falando.

Uma das aplicações desenvolvidas pela TQTVD desmonstrada em primeira mão,semana passada, na última reunião do Fórum SBTVD, mescla código NCL/Lua (o jogo de tetris) com código Java (o guia de programação obtido diretamente das informações envidas pelo ar pela própria emissora).'Chegou a hora de discutirmos o middlaware e as especificações mínimas necessárias para ver este mercado florescer', advoga David. 'Precisamos definir o que será o Ginga 1.0, sem tirar o Java da norma', diz ele, para quem falar em GEM já é uma página virada.

Só com NCL e Lua já é possível ter um grau de interatividade muito bom na TV Digital. E isso estará demonstrado na Set também por outras empresas, além da TQTVD, como a iTV Produções Interativas, parceira da Record e da TV Cultura, com provas de conceito rodando redondas em set-top-boxes da ZinWell e Visiontec. Como fica a questão do Java? A definição de especificações do middleware 1.0 passa pelo anúncio, na Set, da criação de um grupo de desenvolvedores brasileiros interessados em validar as especificações abertas para os módulos Java usados nos set-top-boxes, incluindo o Java Virtual Machine.

O status de desenvolvimento dessas especificações, que estão sendo refeitas pela Sunem conjunto com membros do SBTVD, deverá ser apresentado no congresso por Rob Glidden e Calinel Pasteanu. Essa especificação aberta será a base para o novo Ginga-J, que será totalmente reescrito. A participação no grupo será aberta a toda a comunidade de desenvolvedores Java, mediante à assinatura de um documento comprobatório do compromisso de liberação de patentes.

Cristina de Luca
Convergência Digital

segunda-feira, 11 de agosto de 2008

Vitalidade da produção e falta de estratégia do SBT

Por Valério Cruz Brittos e Andres Kalikoske


No momento em que a televisão brasileira apresenta um elevado número de telenovelas em produção, o SBT recorreu a Pantanal como sua principal arma na disputa pelo mercado, o que reafirma sua falta de estratégia para a teledramaturgia. Produzida há 18 anos, a realização da extinta TV Manchete teve suas fitas adquiridas pela emissora de Silvio Santos por intermédio do empresário José Paulo Vallone, ex-parceiro do SBT no ramo de novelas. Como era plenamente previsível, não está repetindo a façanha de sua primeira exibição, na qual chegou a atingir 40 pontos de audiência.

Mas, para os limites do SBT, Pantanal veio em hora excelente, passando a ocupar o posto de carro-chefe da programação, vago até junho de 2008. Além de demonstrar que ainda possui valor de mercado, a novela devolveu a vice-liderança no horário para a rede de Sílvio Santos, ameaçada a partir dos investimentos da Record.

Os resultados de audiência têm sido muito bons, considerando a realidade atual do SBT: dados do Ibope indicam uma média de 18 pontos, com 21 de pico, apenas 7 pontos distante da Globo. Com isso, Pantanal mostra sua vitalidade, superando a pífia divulgação de sua estréia, quando foi exibida uma enquete, durante a programação, na qual populares apontavam a produção como sendo a novela de que sentiam mais saudade.

Centralização descabida

A reprise, no entanto, complicou os planos do teledramaturgo Benedito Ruy Barbosa, que havia negociado a história com a Globo, a fim desta possivelmente produzir um remake. A exibição pelo SBT esvaziou a eventual regravação pela Globo e Barbosa vem tentando, sem sucesso, impedir a exibição da novela. Este, certamente, foi o melhor marketing para a rede de Sílvio Santos, que, em 2005, já havia reapresentado Xica da Silva, outra produção da Manchete.

A falta de identidade na ficção seriada sempre assombrou o SBT. A emissora já exibiu telenovelas mexicanas, colombianas, venezuelanas, argentinas, brasileiras com roteiros mexicano e argentino, produções nacionais independentes e realizações da Argentina transnacionalizadas. A rede chegou também a ter cara de TV argentina no período de 1996, quando lançou novelas como Antônio Alves, Taxista e Chiquititas, além do programa Alô, Christina. Recentemente, encerrou seu contrato com a mexicana Televisa, após ter produzido, durante seis anos, 12 novelas brasileiras, desenvolvidas a partir de textos (e padrão tecno-estético) mexicanos.

Nesta configuração, não é difícil constatar que o problema do SBT é a falta de estratégia de programação, com seu devido planejamento, incluindo metas e variáveis de monitoramento em curto, médio e longo prazos. Tal desacerto, que representa as próprias dificuldades de gestão do SBT, descabidamente centralizada em Silvio Santos (numa partilha de poder que se encaminha para uma solução familiar e nada profissional), redunda, especificamente, na inexistência de um projeto para o setor de teledramaturgia, cujo próprio papel dentro da rede nunca foi plenamente identificado, passando por várias fases.

Poucas opções

Os dois capítulos diários que a emissora exibe de Pantanal, sem intervalos comerciais, deverão ceder lugar à produção nacional Revelação, aventura de Íris Abravanel que marca sua estréia no ramo das novelas – uma medida estranhamente interessante de construção de audiência. Isso porque uma decisão rápida de exibir Pantanal pode conduzir a um inesperado resultado positivo (também) subseqüente, se puder fidelizar público para a ficção da rede. Entretanto, paradoxalmente poderá nada acrescentar se, seguindo a tradição do SBT, a falta de planejamento levar a uma breve mudança de rumos, ante eventual resultado não tão positivo de Revelação (o que é menos provável, sendo sua autora a ainda inexperiente cônjuge de Silvio Santos).

A Record, por sua vez, tem uma estratégia de atuação muito definida, de buscar a liderança sustentada fortemente em teleficção e telejornalismo. Diante disso, e no sentido contrário do SBT, deve assinar contrato com a Televisa, como saída para consolidar seu recém-criado terceiro horário de novelas. Dos textos mexicanos adaptados pela Record – cujo primeiro roteiro deve ser o de Betty, a Feia, original colombiano já veiculado no Brasil pela Rede TV! – pode-se esperar histórias clássicas, ao melhor estilo folhetinesco, muito similares às produções da Globo no horário das 18 horas.

As produções originais da Televisa, dubladas ao português, devem ser exibidas pela CNT. O canal já está veiculando chamadas de duas novelas em sua programação, sendo apenas uma inédita no Brasil. Esta será a segunda vez que a emissora paranaense assina com a rede mexicana. O primeiro contrato, em 1997, não vingou. Já ao SBT, sem planejamento estratégico, uma das poucas opções restantes é aproveitar o público da novela da Manchete para sua nova realização. Se Pantanal continuar como está, outras produções devem ser resgatadas do baú da Manchete.

Títulos reapresentados

Frente a isso, destaca-se que o êxito da reprise de Pantanal reafirma como os produtos culturais de estoque representam um rendimento considerável para as emissoras televisivas, na medida em que podem ser reproduzidos mais de uma vez, com prazos variáveis de decorrência de sua produção, além de serem aqueles mais apropriados para a exportação. Todavia, a vida útil da ficção seriada é variável. As novas tecnologias, incorporadas nos títulos mais recentes, são os principais fatores para que este tipo de produto possa ficar datado, eventualmente perdendo sua atratividade ao longo do tempo. Quanto à telenovela costumar conter elementos factuais em suas tramas, isso não é problema para a redifusão, pois tais passagens podem ser eliminadas na nova edição, assim como nas versões para o exterior.

Com seu alicerce constituído sob os auspícios das novelas latino-americanas, o SBT conseguiu, desde sua fundação, manter-se como vice-líder exibindo antigas produções. Os casos mais curiosos são o do produto mexicano Chispita, produzido em 1979 e transmitido até 1992, contabilizando sete reprises; e de Café com Aroma de Mulher, realizada em 1994 e veiculada pela primeira vez em 2001, no prime time do SBT, e repetido em 2006.

A Globo, apesar de manter um horário dedicado à reapresentação de suas telenovelas, a tradicional sessão Vale a Pena Ver de Novo, à tarde, raramente se utiliza de produções realizadas há mais de uma década. Os títulos reapresentados, geralmente, não ultrapassam cinco anos desde sua realização. Contudo, há exceções, como Roque Santeiro, produzida em 1985, que teve sua terceira reprise em 2000; e A Gata Comeu, de 1986, que foi ao ar pela terceira vez em 2001.


Artigo publicado originalmente no Observatório da Imprensa, em 5/8/2008.

sexta-feira, 8 de agosto de 2008

Conversor popular será lançado em Belo Horizonte nesta sexta

A empresa Proview lança nesta sexta-feira, 8, em Belo Horizonte, uma série de conversores digitais que permitirão a recepção do sinal da TV digital na capital mineira. Segundo a fábrica, o aparelho para conversão do sinal digital em analógico custará R$ 199 para o consumidor, o mesmo preço de quando lançou o conversor em julho passado em São Paulo. O preço é apenas um quinto do que custavam os primeiros conversores vendidos no país.

A empresa também vai comercializar um modelo mais sofisticado, que permite o acesso à internet por meio da TV a um custo de R$ 299,00 e um intermediário, de R$ 249, com o programa de interatividade Ginga.

Mesmo com os menores preços, os aparelhos oferecem a porta USB que permite a conexão com vários dispositivos eletrônicos, como os periféricos teclado ou mouse. Além disso, eles contam com cabo de vídeo composto, controle remoto, antena UHF, entrada para conexão à internet banda larga, sistema operacional baseado em linguagem livre e gratuita (que permite usar a TV como tela do computador) e abertura para receber o software brasileiro de interatividade, o Ginga.

A Proview informou que já prepara para os próximos meses o lançamento de mais dois modelos populares com mais recursos. A empresa também vai lançar aparelhos para facilitar a navegação na internet e a realização de videoconferências pela TV.

De acordo com o ministro das Comunicações, Hélio Costa, a pasta tem apoiado iniciativas que estão popularizando a TV digital no país e está conversando com os governadores para reduzirem o ICMS sobre o aparelho, e com o governo federal para retirar o PIS e Cofins. “À medida que o sinal digital for avançando pelo Brasil afora, a demanda por esses equipamentos vai aumentar, fazendo com que os preços fiquem cada vez mais acessíveis ao consumidor”, destacou o ministro.