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terça-feira, 19 de julho de 2011

A seleção brasileira da TV Globo

Por Valério Cruz Brittos e Anderson David Gomes dos Santos

Já são conhecidas as barreiras estabelecidas pela Rede Globo de Televisão junto à transmissão do futebol no país, influenciando até a formatação do Campeonato Brasileiro deste esporte. Mas pouco tem sido comentado acerca do monopólio de transmissão em território nacional dos jogos da seleção brasileira de futebol, que há décadas são veiculados apenas por uma emissora, a mesma Rede Globo de Televisão, líder do oligopólio midiático nacional. Na melhor das hipóteses, quando não possui interesse em exibir, a Globo decide e repassa a outro operador.

Se no caso do Campeonato Brasileiro já se colocaram vários questionamentos sobre as opções do torcedor-consumidor de assistir ao seu time do coração, quando isso ocorre com a seleção do país o nível de questionamentos sobre os processos de negociação deveria aumentar, mas não é o que tem ocorrido. Afinal, alguém sabe ou ouviu falar como se dá a licitação dos direitos de transmissão desses jogos?

Para se ter uma ideia, o primeiro jogo da seleção após a Copa do Mundo de 2010 sequer foi veiculado por TV aberta porque se iniciaria às 21h, horário da principal telenovela da grade de programação da Globo. Mesmo que a transmissão da partida contra os Estados Unidos tenha sido transmitida de forma gratuita pelo portal Globo.com, com direito à mesma equipe de reportagem, a possibilidade de acesso à internet é bem menor, ainda mais se for considerado o preço do serviço com velocidade que permita assistir uma transmissão ao vivo pela rede. De evento gratuito, indiretamente virou algo que o torcedor de alguma forma teve de pagar.

Transmissão exclusiva em TV aberta

Para os amistosos e eventos da Confederação Sul-Americana de Futebol (Conmebol), paira o silêncio de informações. Para se ter uma ideia, a atual edição da Copa América não pode ser transmitida pelo YouTube por conta do contrato de transmissão local. Já nos torneios oficiais da Federação Internacional de Futebol e Associados (Fifa), casos da Copa das Confederações e da Copa do Mundo, há um processo de licitação para todas as mídias – inclusive para o rádio, que não entra na negociação dos torneios brasileiros. Seja em TV aberta ou fechada, há muitas edições da Copa do Mundo as Organizações Globo detêm os direitos de transmissão, optando por repassá-lo ou não para outras emissoras.

Analise-se como se deu esse processo nos três Mundiais realizados neste século. A Globo transmitiu sozinha o Mundial da Coreia do Sul/Japão, em 2002, por conta até mesmo de uma falta de expectativas no time que viria a ser pentacampeão mundial e também devido aos horários dos jogos, que ocorreriam de madrugada ou pela manhã. Ao longo do torneio, e também por causa do avanço do selecionado nacional, a emissora conseguiu atingir recordes de audiência, não previstos de serem conquistados nestes horários.

Para a Copa do Mundo da Alemanha, em 2006, a opção da Rede Globo foi por transmitir de forma exclusiva em TV aberta, dado o sucesso do torneio anterior e do próprio escrete nacional, que contava, por exemplo, com um Ronaldinho Gaúcho duas vezes eleito o melhor jogador do mundo. Em televisão fechada, houve o repasse para o BandSports, do Grupo Bandeirantes, que naquele evento contou com a principal equipe de transmissão da Band.

Exclusividade continuará em 2014

Em 2006, houve uma denúncia por parte da Rede Record contra a Confederação Brasileira de Futebol (CBF) e a Fifa, já que a emissora alegara que ofereceu o dobro do que oferecera a líder do oligopólio midiático nacional e ainda assim não ficou com os direitos de exibição da edição seguinte do evento. A Fifa respondeu que a negociação ficava por conta das federações nacionais; já a CBF alegou que as “relações históricas” entre a Globo e a entidade, com sua experiência comprovada nas transmissões, foram levadas em consideração.

Seguindo a evolução da parceria no futebol em geral, retomada em 2004, após a Record recusar os limites impostos pela Rede Globo, à Band foi repassado o direito de transmissão da Copa do Mundo da África do Sul, em 2010, assim como da Copa das Confederações, evento preparativo para o Mundial no ano anterior. Como, em quatro anos atrás, o selecionado nacional chegava como um dos principais favoritos, apesar das críticas ao técnico Dunga – que, inclusive, criou um inédito mal-estar entre a CBF e as Organizações Globo, principalmente a partir do veto imposto por ele às benesses que só a emissora tinha, como entrevistar de forma exclusiva o próprio treinador e jogadores.

Daqui a três anos, o maior evento do futebol mundial ocorrerá no Brasil e, até o ponto que se sabe, não há uma definição clara sobre as transmissões, a não ser que a Rede Globo será uma das exibidoras. A emissora continuará com a exclusividade em veicular os amistosos da seleção – por mais que não se saiba como se dá esse acordo – e poderá repassar os demais torneios para a sua parceira, a Band, que não representa um perigo para a líder, já que em regra não disputa os primeiros lugares de audiência. Neste ano, os campeonatos sul-americanos de categorias de base – onde a Globo só transmitiu a final do sub-20 porque garantiria vaga nos Jogos Olímpicos, que ela não irá exibir – e da Copa do Mundo de Futebol Feminino são exemplos desses eventos repassados.

Jogos serão narrados pela mesma voz

Se, para os Jogos Olímpicos de 2016, que ocorrerão no Rio de Janeiro, o Comitê Olímpico Internacional optou por dividir a transmissão entre as principais emissoras brasileiras, não é de se esperar que o bom senso prevaleça em relação ao Mundial de futebol. Basta olhar as recentes denúncias envolvendo a Fifa e a CBF, através de seus presidentes, Joseph Blatter e Ricardo Teixeira, que estarão nos cargos até lá.

Os jogos de futebol da seleção que representa o país com mais títulos mundiais deverão continuar a ser narrados pela mesma voz, a qual, inclusive, foi alvo de campanha durante a Copa da África do Sul, espalhada mundialmente por uma rede social, por mais que a responsabilidade de escutar-se somente ela (e seu ufanismo) em jogos do Brasil não seja do seu proprietário, mas de quem o paga.

Fonte: Observatório da Imprensa

sexta-feira, 20 de maio de 2011

Rede TV notifica Clube dos 13

Por Redação Meio e Mensagem

Até o Clube dos 13 jogou a toalha na luta para manter o resultado da licitação promovida pelos direitos de transmissão do Campeonato Brasileiro da Série A do triênio 2012-2014, mas a Rede TV ainda se mantém firme no ringue. A emissora enviou uma notificação assinada pelos seus advogados nesta quinta-feira, 19, à sede da entidade, na qual afirma que irá partir para o ataque para fazer valer o contrato assinado.

Na carta, que foi endereçada ao presidente Fábio Koff, a Rede TV informa que tem total interesse em manter a integralidade do contrato celebrado em 22 de março, e que ante as manifestações formalizadas pela entidade e seus associados de que não honrarão o compromisso, irá adotar todas as medidas cabíveis para a reparação dos prejuízos causados. A emissora, no entanto, não especifica quais serão seus próximos passos.

A medida foi tomada após os clubes e o próprio Clube dos 13 afirmarem que os contratos assinados individualmente pelas equipes e a Rede Globo seriam os adotados a partir da temporada 2012. Neste meio tempo, a Rede TV levou outro golpe: perdeu os direitos de transmissão da Série B do Brasileirão. A informação ainda não foi confirmada oficialmente, mas o torneio deve ser exibido pela Bandeirantes, parceira da Globo na exibição da Série A.

Procurado pela reportagem de Meio&Mensagem, o Clube dos 13 informou por meio de sua assessoria de imprensa que recebeu a carta via fax, a encaminhou para o seu departamento jurídico e que só após essa análise irá se posicionar oficialmente.

Fonte: Meio e Mensagem

quarta-feira, 27 de abril de 2011

Integrante do Grupo Cepos lança livro sobre a Rede Globo

A professora doutora Jacqueline Lima Dourado lançou seu livro intitulado Rede Globo: mercado ou cidadania, em palestra no Grupo Cepos, na terça–feira, dia 19. Este trabalho é fruto da tese de doutorado que estudou as estratégias da Rede Globo na esfera da cidadania, defendida junto ao Programa de Pós Graduação da Universidade do Vale do Rio dos Sinos. Jaqueline atua como professora na Universidade Federal do Piauí e é integrante do grupo de pesquisa Cepos, coordenado pelo Prof. Dr. Valério Cruz Brittos.

A pesquisadora, durante seu depoimento, comentou sobre o desafio de lançar o livro e a dificuldade em obter a aprovação da Rede Globo. Foi relatado que mesmo a capa do livro foi alvo de censura, antes mesmo de ser impresso. Jacqueline questionou sobre a dificuldade enfrentada por pesquisadores para conseguirem estudar a emissora e poder falar das obscuridades que envolvem sua trajetória. A autora expressou alegria ao retornar para São Leopoldo e lançar este trabalho, fruto de anos de pesquisa junto ao grupo Cepos, por quem ela tem um enorme respeito.

Conforme Jacqueline, “o livro é uma contribuição positiva ao conhecimento da comunicação e que será de grande utilidade para os estudiosos e, principalmente, para os alunos de graduação e de pós-graduação interessados em conhecer diferentes facetas de nossa televisão, que provocam novas reflexões. Este livro, muito oportuno, chega a público no ano em que se comemoram os 46 anos da Globo e os 60 anos da instalação da televisão em nosso país”.

Jacqueline Dourado afirma que é impossível negar que a Rede Globo tem incorporado à programação temas sociais, alguns dos quais, hoje, estão mais em voga por conta da Constituição cidadã, de 1988, como também graças ao processo de redemocratização do País. A emissora carioca utiliza, com grande freqüência na programação, conteúdos com o chamado merchandising social, que é o foco do estudo da professora.